A Vida Como A Vida Quer por @samegui

Esta expressão me lembra meu filho que adora ver TV assim, com uma nova perspectiva sobre os desenhos – repetidos à exaustão da mãe! – que vê em casa. Giorgio não dá cambalhotas, fica apenas de cabeça para baixo aproveitando a nova forma de ver as mesmas coisas. Seria ótimo se pudéssemos encarar a vida desta forma mais vezes.

Fui convidada a escrever sobre um evento ou momento que fez minha vida ficar de cabeça para baixo e lembrei de vários deles. Ter ficado com meu pai quando ele e minha mãe se separaram, largar uma vida bem estruturada no Brasil para viver no exterior (e carregar meu marido comigo nesta aventura), descobrir que podia engravidar naturalmente e sofrer um aborto, engravidar de novo e resolver voltar para o Brasil, encarar o Giorgio nestas férias com o rosto deformado pela pitbull. São situações em que mudei de rumo e não voltei mais a ser quem era. 

O que trouxe a maior mudança para mim como todo foi mudar de cidade em definitivo há 3 anos e meio. Sofri com a perspetiva de encarar São Paulo no meio de uma crise de depressão (na época eu tomava antidepressivos e dependia deles) e começar de fato a cuidar da minha vida sozinha. Apesar de ser casada há quase dez anos e ter morado fora, sempre tinha tido o Gui para cuidar de mim – ele é realmente superprotetor, como meus pais sempre foram – e aqui pela primeira vez, pelo tamanho da cidade e a importância do cargo dele, não daria mais para ele me conduzir em tudo. Finalmente tirei carta de motorista, construi um novo espaço e um novo círculo de amigos que era meu e, voilà, descobri uma pessoa em mim que raramente tinha chance de se mostrar porque se sentia meio censurada pela família. Como uma planta à sombra, que precisa de sol e espaço para se desenvolver eu estava a meio caminho, semi-pronta. E ter a vida virada de cabeça para baixo deixando minha casa própria, toda planejada para os filhos, com a proximidade de todos os familiares, numa cidade que todos consideram ótima em qualidade de vida, para encarar um apartamento alugado que nem escolhi, numa cidade com fama de caótica e insegura, sem o apoio que me parecia vital, me fez descobrir quem eu sou. Apesar de menos magra, sem cabelo longo, alterando saltos e converse, respirando poluição e encarando trânsito caótico, hoje minha vida é muito melhor. E hoje me regozijo que estejamos sempre mudando e virando a vida de cabeça para baixo.

Esta nova pessoa estava ali, na minha frente, como a solução que Rexona encontrou para o desodorante. Quem viu a propaganda me entende: como ninguém pensou antes em virar a embalagem?

Em quantos momentos da sua vida, depois de uma guinada que lhe dá uma nova lhufada de ar, você já não olhou para trás e pensou a mesma coisa? Como não tive esta idéia antes?

Se como eu você pensou em vários momentos de sua vida, conte no concurso cultural lançado pela Rexona, “Sua vida melhor de cabeça para baixo” -válido para todas as pessoas físicas residentes em Território Nacional. Basta se cadastrar no site http://www.rexona.com.br/novorollon e responder à pergunta “Sua vida ficou melhor de cabeça pra baixo quando?” até o limite máximo de 140 caracteres. Mas corra: o concurso acaba às 17h de amanhã (15/10).

100 pessoas poderão sair vencedoras no concurso e receberão como prêmio 1 (um) kit Rexona com produtos da marca [1 (um) Rexona Roll on Powder, 1 (um) Rexona Roll on Cotton e 1 (um) Rexona Roll on Intense], 1 (uma) camiseta com identidade visual da marca, 1 (um) cd Lessons to Be Learned da cantora Gabriella Cilmi, entregues em embalagem especial.

Não perca tempo, visite o site http://www.rexona.com.br/novorollon e responda “Sua vida ficou melhor de cabeça pra baixo quando?”

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Comments

  1. 1
    Lunna
    October 14th, 2008 at 3:15 pm

    Oi Sam, boa tarde. Confesso-te, algumas coisas nesse post me assustam. Talvez por observar os limites humanos. Não. É muito mais uma coisa minha mesma de olhar o outro por seus rascunhos reais ou não. Uma personagem minha tragou muito de ti.
    Ah! Eu já passei da fase de dar atenção aos comerciais. Hoje o controle remoto me mantêm a salvo deles quando estou diante da tv e por isso não faço a menor idéia de que comercial seja esse. Vi a opção, mas o controle remoto clicou no botão vermelho.
    Abraços meus no meio da tarde insuportávelmente quente.

  2. 2
    Mi Müller
    October 14th, 2008 at 4:50 pm

    Báh Sam que reflexão mais linda guria… é mesmo impressionante como saímos fortalecidos das viradas de cabeça para baixo, muito bacana ver como tu resignificastes estes momentos caóticos em tua vida em força motriz para ir em frente, o episódio do Giorgio que acompanhei aqui pelo blog, nos revelou uma mulher forte, um porto seguro para o pequeno!
    estrerlinhas coloridas pra ti….
    Mi

  3. 3
    Sam Shiraishi
    October 14th, 2008 at 5:49 pm

    @Lunna, só espero que não me cobre direitos autorais por usar a história, que pelo visto será minha e de sua personagem! Sabe que estou morrendo de curiosidade com esta personagem há meses e me conta só para me provocar!

  4. 4
    Sam Shiraishi
    October 14th, 2008 at 5:53 pm

    @Mi Müller, verdade, saímos muito mais fortes e capazes destes revezes, agradeço por eles. Um livro que eu li aos 12-13 anos dizia que os problemas são presentes e procuramos os problemas porque queremos ganhar os presentes. É por aí.
    Obrigado pela força, querida!

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