Das empregadas e nossa vida de primeiro mundo…
Postado em Comportamento, Conversas de Cozinha no dia 25/01/2012 |Quando conto que morei dois anos fora do Brasil, trabalhando em Tóquio, escuto muitos elogios à vida no “Primeiro Mundo”. É comum também me dizerem “deve ser um sonho, uma realidade sem comparação com o Brasil”. E é!
Viver num país que praticamente erradicou a pobreza e universalizou o acesso à educação, onde não tem crianças de rua (mas há “homeless”, pois mendigos encontramos em toda parte) e no qual as oportunidades de emprego partem de um salário mínimo de valor digno e justo é uma benção.
Mas por todos os motivos acima citados nos países “socialmente evoluídos”, nos quais as oportunidades são iguais e não há grave desigualdade social (sempre há alguma, afinal os ricos e milionários existem), cada cidadão é responsável por seu cotidiano.
O Brasil, deixa de ser a promessa do “país do futuro” e a cada dia percebe-se uma evolução social no sentido do aumento da renda e da qualidade de vida das famílias. Muitos fatores levam a isso e vão além dos programas assistencialistas que atuam na linha da pobreza efetiva, estão ligados a uma mudança na expectativa de vida, no avanço da universalização da educação e sobretudo ao papel social da mulher.
E na esteira destas mudanças sentimos com muita força que a antiga sobrecarga feminina se tornou a necessária e urgente exigência de mudança de atitude. Não podemos mais delegar tudo à mãe, que deixou de ser dona de casa há décadas (foi a geração da minha mãe que, em 1970-80 mudou isso e começou a terceirizar ou terá sido minha avó com o internato, nos idos de 1950-60?) e agora nos vemos órfãos de sua substituta, a empregada doméstica.
Seguindo o caminho rumo à vida de “primeiro mundo” que tanto aspiramos precisamos aprender, já e sem falta, a conviver com coisas como os cuidados da casa e a escolha de uma vida simplificada na qual não cabe o “luxo” de ter serviçais que cuidem de nós. Nesta nova realidade social à qual, sem duvida, nossos corações humanos aspiram, não cabe desejarmos que pessoas gastem sua vida sem aspirar e alcançar mais.
“@choracuica: os liberaizões gostam de falar em “oportunidades para todos”, mas ficam revoltadinhos quando a própria empregada busca novas oportunidades.
eu também detesto lavar meu próprio banheiro, mas seria maravilhoso um mundo em que ninguém tem que lavar banheiro dos outros pra viver.”
P.S. E para quem gosta de pensar nestes temas, recomendo que assista à série (premiada recentemente) Downton Abbey, que mostra a mudança de postura e relacionamento entre criados e uma família nobre inglesa no começo do século XX.
[update] Explicando: o post surgiu de uma divagação que fiz depois de ler algumas posições sobre a capa de Época desta semana que afirmava: “O trabalho de doméstica como existe hoje vai acabar. A transição será difícil. Mas as famílias brasileiras – todas – deveriam celebrar a mudança”
Será que precisamos tanto assim delas? E se precisamos, quanto estamos dispostos a pagar para ter uma realidade justa e digna de igualdade de direitos de “primeiro mundo” quando contratamos serviçais?
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Sam @samegui Shiraishi
Mãe, jornalista e blogueira no @avidaquer, hub multiplicador de cultura e conhecimento. Paranaense de alma nipônica morando na Mooca, apaixonada por gente.






Esse assunto é bem interessante, porque chega a ser hipocrisia você desejar que o Brasil evolua e seja um “pais de primeiro mundo” e ao mesmo tempo não abrir mão das muitas ajudas que temos hoje em dia, ou até mesmo reclamar delas.
Eu sou uma que sempre achei um trabalho um pouco escravo, e apesar de no trabalho ser conhecida como a chefona chata que não passa mão na cabeça dos funcionarios, aqui em casa nunca consegui dar uma “bronca” quando a diarista fazia coisas errada, eu até comentava, mas nunca consegui reclamar sabe?
Por isso e pelo fato deu ter parado de trabalhar e também pela grana eu agora faço tudo sozinha, não tenho mais “ajuda” (que hoje eu até questiono se é realmente necessaria e se realmente ajuda, porque no meu caso mais atrapalhava!) Agora vivendo uma nova perspectiva eu realmente acho que é totalmente dispensavel e que essas pessoas conseguem sim coisas melhores, elas simplismente não querem, veja bem a ultima que passou em casa, foi a pior de todas, fazia tudo muito mal feito, chegava tarde, as vezes não vinha, não avisava etc… e ainda sim ganhava no final do mes 1800reais contando todas as casas que ela trabalhava, e essa realidade não é só minha, de todas as minhas amigas é igualzinho independente da região. Elas cobram caro por um serviço mal feito, mas a maioria paga, como não conseguiriam nenhum emprego que pagasse isso sem exigir faculdade então elas permanecem.
Mas eu acho que a proxima geração não será assim, pois como foi dito o acesso aos estudos e as faculdades está bem mais facil e economico, eu acho que esse comportamento está para mudar!
abs
Otima reflexao p/ quem ainda se surpreende, quando digo que ninguem me ajuda aqui http://t.co/raG9l1gn (texto da @samegui )
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@Aleferreira @gra_flor é sobre este post (Das empregadas e nossa vida de primeiro mundo http://t.co/o0NEFjHg), vc vai entender bem!
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Das empregadas e nossa vida de primeiro mundo… http://t.co/IxzMRu1S via @avidaquer – Eu não preciso!
– Liberdade é o meu sentimento!
Ótimo txt “@AlineDexheimer: Das empregadas e nossa vida de primeiro mundo… http://t.co/oxhYAD3F via @avidaquer – Eu não preciso!"
Ótima reflexão Sam! Me espantei quando o marido foi a 1ª vez para a Alemanha em 2008 e visitou uma família classe média alta de lá e soube que eles não tinham empregada. O marido e a mulher trabalhavam o dia todo e dividiam os afazeres domésticos, ela cuidando da casa e ele cozinhando e cuidando dos filhos.
Acredito que hoje em dia temos tantas facilidades, que esta evolução não atrapalhará muito a sociedade. O problema é que os serviços por aqui ainda são bem caros (lavanderias, delivery, etc)
Das empregadas e nossa vida de primeiro mundo… http://t.co/9W0fQ9oC via @avidaquer | Ótima reflexão, vale a leitura!