Da restrição de fretados e as reclamações à CET

Zona Máxima de Restrição à Circulação de Fretados 30-07-2009 16-09-02.bmp

Reprodução de imagem do G1 com mapa da Zona Máxima de Restrição à Circulação de Fretados

Eu gosto de pensar no trânsito, como já comentei aqui no blog várias vezes. Dirijo quando preciso – não tenho vergonha de falar que não gosto muito de dirigir, embora esteja habilitada para fazê-lo e seja cuidadosa como motorista -, mas acima de tudo eu fico de olho no que acontece no trânsito.

Nesta semana vi acontecer em Sampa uma manifestação interessante que envolvia uma das tentativas de organizar o caótico trânsito da maior cidade da América Latina, uma reação à criação da Zona Máxima de Restrição à Circulação de Fretados (ZMRF) que entrou em vigor no dia 27/07 em uma área de 70 quilômetros quadrados dentro do centro expandido da capital paulista. Os ônibus de fretamento, que nos últimos anos serviram de paliativo para o drama do transporte coletivo aqui, agora estão proibidos de trafegar em certas vias em dias úteis, das 5 às 21 horas.

Não me informei o suficiente ainda para opinar sobre a questão – mas pretendo fazê-lo -, no entanto louvo o fato da população interessada  - tanto os que usam os fretados para o transporte diário, quanto os moradores das áreas “atingidas” pela nova regulamentação – ter se mobilizado e reagido. Sempre considerei que faltava ao nosso povo esta força de vontade de reagir quando é lesado, quando nota que as coisas vão mal, quando quer mudanças – para mim parece que ainda carregamos um pouco do Homem Cordial (das Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Hollanda) e da visão paternalista que espera as soluções do poder público que a máquina burocrática lusitana (tão bem registrada por Eça de Queiroz e Machado de Assis no século XIX). Enfim, em situações assim acho que estamos melhorando.

Falando em trânsito – e já que ainda não posso contribuir no debate sobre os fretados – deixo uma descoberta que fiz hoje sobre a Companhia de Engenharia de Trânsito (CET):

Em fevereiro desse ano, por exemplo, a CET-SP criou o serviço 1188 com o objetivo de tornar o atendimento às denúncias mais ágil. Você pode ligar 24 horas a qualquer dia da semana para o número 1188 para dar sugestões sobre o trânsito e avisar sobre semáforos quebrados, acidentes e carros estacionados em lugares proibidos. Na ocasião do lançamento desse serviço, a operação possuía 90 linhas telefônicas com a promessa de aumento para 120. Não consegui descobrir se já rolou a mudança, mas já existem exemplos práticos de que funciona e é relevante. (A dica é do blog Dias de Livina)

P.S. Ontem encontrei Bia Kunze (aka @garotasemfio), que mora na cidade onde cresci (Curitiba) e que é uma das capitais mais citadas quando se fala em transporte público de qualidade e em um sistema viário funcional. Admiro-a por ser uma usuária frequente das ciclovias da capital paranaense, coisa que nunca me encorajei a fazer por lá – mas ontem soube que nem Bia tem coragem de se aventurar aqui em Sampa. Será que um dia isso muda?

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2 Comentários

  1. rosi costa Disse:

    Sam
    Para mim, essa proibição, ou melhor, restrição não veio para ajudar em nada. Acredito que logo teremos mais carros, daqueles passageiros dos fretados, divindo espaço com os demais.
    É deprimente esse assunto. O trânsito já chega a beirar o “insolúvel”.

  2. Carlos Eduardo Bustamante Disse:

    Em todo país de primeiro mundo, se privilegia o transporte coletivo de pessoas. Criam-se faixas exclusivas para ônibus, melhoram os trens urbanos.
    Sou de Belo Horizonte MG. Estou acompanhando a questão dos fretados de longe, mas não posso deixar de opinar. Se o fretado acabar, as pessoas vão preferir ir para o trabalho de carro próprio. Aí sim, São Paulo vai parar! O que deveria ser feito é uma política visando melhorar o transporte fretado. Pelo o que tenho lido, os fretados ocupam várias faixas das grandes avenidas nos horários de pico. Mas antes de proibir totalmente esse tipo de transporte, deveria se criar regras de onde estes podem ou não podem parar para embarque e desembarque de passageiros.

    O que percebo é uma falta de interesse para com os fretados, ao meu ver a prefeitura de São Paulo está tomando partido de grandes empresas que dominam o transporte em Sampa.

    Atenciosamente,

    Carlos Eduardo Bustamante
    Publicitário, Jornalista e Instrutor de trânsito

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