Culpa pelo trabalho
Postado em Carreira e dinheiro, Famílias interativas no dia 17/07/2007 |[Este texto foi originalmente publicado no Desabafo de Mãe]
Um comentário no texto E viva as férias de julho!, me fez lembrar de uma entrevista que eu concedi à reporter Lilian F. Morais, da revista Crescer, sobre um dos painéis do 1º Seminário Crescer: Famílias Interativas que aconteceu em maio sem São Paulo (ela me falou que a matéria já saiu na revista, mas ainda não comprei para conferir). Foi interesssante porque pude relembrar e reviver estes últimos anos, refletindo sobre a forma como nós estamos encarando meu retorno efetivo ao mercado de trabalho – e eu sinceramente espero que ele possa continuar acontecendo, mas lentamente e sem exageros.
Posto abaixo as perguntas – e minhas respostas – curiosa por saber como vocês, pais e mães que são leitores e amigos aqui, fazem para resolver as mesmas questões! Contem nos comentários, estou ansiosa por saber.

Montei um acampamento para os dois me acompanharem durante algumas horas do dia, mas confesso que trabalhar ao som dos jogos e brincadeiras não é tão fácil.
Sobre a possibilidade de parar de trabalhar e ficar período integral com os filhos:
No ano passado tive a experiência de deixa-los no período integral da escola por 12h duas vezes por semana e foi muito duro para todos nós. Por outro lado, como eles já tinham 5 e 8 anos e frequentavam o ensino fundamental, notei que se tornaram mais independentes e percebi neles um “orgulho” ao me ver chegar na escola para buscar depois do trabalho, com jeito de mãe-executiva, mais dentro do padrão das outras mães dos colegas.
No entanto eu ainda priorizo ficar meio período com eles e tentar concentrar o trabalho fora de casa (reuniões, entrevistas) no horário da escola.
Os aspectos familiares, sociais e econômicos que me fazem continuar trabalhar:
Não tive necessidade financeira de voltar a trabalhar, meu esposo sempre me apoiou e a idéia de eu ficar com as crianças na sua primeira infância era um projeto familiar -e eu me organizei financeiramente por alguns anos antes de ter filhos para concretiza-lo. Mas eu sempre pensei que deveria ter um prazo, ser finito e meu plano era (e foi assim que fiz) voltar a trabalhar meio periodo quando eles estivessem no ensino fundamental. Para isso, nunca fiquei realmente fora do mercado, continuei me informando, estudando, trabalhando pro bono na minha área para me manter ligada à minha profissão.
Formas criativas para se comunicar e estar perto dos filhos mesmo com excesso de trabalho:
Fico com eles pela manhã e à noite, salvo datas em que tenho eventos (como o da Crescer) nestes horários, pois tento marcar entrevistas, reuniões, tudo no horário de aula.
Aproveitamos os finais de semana para fazer programas culturais legais, como ir a museus, parques, contação de histórias e lançamentos literários em familia, são coisas que têm a ver com meu trabalho, mas que podemos aproveitar juntos.
A culpa por trabalhar muito:
Ainda durmo com culpa, mas lembro de um verso do Renato Russo que dizia “todos os dias, antes de dormir, lembro e esqueço como foi o dia, sempre em frente, não temos tempo a perder”. Penso que tenho a aproveitar a “culpa” que vem depois de muitos dias ausente para me aperceber de que o tempo que temos juntos é sempre muito valioso.
Conversas com os filhos para que eles entendam a sua “ausência”
Sempre enfatizo como o trabalho me faz feliz. Aquele papo de trabalho enobrece, mais do que o discurso de que “preciso trabalhar” para pagar a vida que você tem. E digo que faço um trabalho que tem um valor social e, por exemplo, quando uma pessoa comenta no meu blog que descobriu lá uma exposição ou um livro infantil e curtiu como filho, eu mostro para eles. Eles se sentem orgulhosos por serem meus “musos” inspiradores e meus pauteiros, por trabalharem comigo!
Sam @samegui Shiraishi
Mãe, jornalista e blogueira no @avidaquer, hub multiplicador de cultura e conhecimento. Paranaense de alma nipônica morando na Mooca, apaixonada por gente.





Gostei muito do seu post e me fez pensar muito. Ainda mais agora que quero encomendar um baby, então… Preciso ler muito a respeito!
beijos
Sam Shiraishi Reply:
July 17th, 2009 at 6:51 pm
O amigo-babá do seu nenê continua firme e forte aqui, viu?
Sam, excelente seu post pq nos fala diretamente. A mim mais ainda pq estou escrevendo sobre este tema e já conversei com algumas blogueiras sobre isso. Guardarei seu texto para futuras consultas. Seu blog tem diferencial, parabéns
Abraço
novo post: Culpa pelo trabalho http://tinyurl.com/m8tk3n #familia
Recomendo RT @samegui: novo post: Culpa pelo trabalho http://tinyurl.com/m8tk3n #familia
Eu coloquei meu filho na escola à tarde durante todo o primário – pq as manhãs são mais curtas e ele não sentiria tanto a minha falta ao longo do dia.
Eu nunca senti culpa – talvez porque nunca tenha me passado pela cabeça parar de trabalhar; na minha cabeça as coisas funcionam no estilo “é assim que as coisas são”.
Mas faço algumas coisas até hoje: janto sempre com meu filho – à mesa, coonversando, como eu acho que deve ser; nunca faço happy hour, porque é durante o horário em que ele está acordado, e eu em casa – ou seja, happy hour pra mim nunca existiu a não ser em situações especialíssimas.
Sou separada: nos fins de semana que estou com ele, meus amigos já sabem que não adianta me convidar pra um monte de coisas; eu não vou. Não vou porque quero estar com ele – escolhi ter um filho e gosto dele, não vou trocá-lo por outros programas.
Viajo muito com ele também, o que torna o bonding entre nós mais sólido.
Eu acho que isso dá a segurança pro filho que ele precisa: ao invés de ficar explicando pq a pessoa trabalha, mostrar que no tempo livre dela ela escolhe ficar com ele e gosta disso. Atitudes sempre mostram e convencem mais as crianças do que palavras.
Sam Shiraishi Reply:
July 17th, 2009 at 6:43 pm
Os métodos LadyRasta para educar filhos são mesmo fantásticos. Adorei esta frase: “Atitudes sempre mostram e convencem mais as crianças do que palavras.”
Sempre trabalhei e por isso economizei muito e me organizei financeiramente pra poder ficar em casa nos primeiros 18 meses de vida da minha filha.
Com essa idade ela já era “independente”: andava, falava, discutia, defendia opiniões,etc.Então voltei a trabalhar na parte da tarde; deixava ela na escolinha logo depois do almoço e no fim da tarde ia buscar. Recentemente ela me contou que ficava muito orgulhosa em dizer pros coleguinhas que a mãe “estava trabalhando” !
Mais tarde voltei a estudar, outro motivo de orgulho para ela e para mim!
Se eliminarmos a parte de “Oh meu Deus!!!Pobre do meu filhinho(a)” as coisas fluem melhor. O importante é não querer compensar o tempo que está longe dos filhos sendo permissiva demais no tempo em que está com eles.
Beijos Sam e sucesso sempre!!!
Sam Shiraishi Reply:
July 17th, 2009 at 6:40 pm
Sabe que, não lembro onde está, mas eu já fiz um post para o Dessabafo de mãe contando que os meninos ficaram muito orgulhosos quando eu passei a ser uma mãe que trabalhava fora.
Muito boa a entrevista.
Eu, particularmente, não me planejei como você e como sempre dei muito importância ao trabalho, percebi que o pouco tempo que estive sem trabalhar fora ou fora do “meu ritmo” isso me fez muito mal e consequentemente, ao filhote também. Desde que me conscientizei disso ele está integral na escola e faço das nossas horas juntos o melhor possível. Me livrei da Culpa, graças aos céus. Consigo ver ele crescendo bem educado, feliz, alegre e orgulhoso da mãe. Sempre que pode ele me deixa ou pega no trabalho com o pai. Desde pequeno, devido a questões diversas, eu fui a profissional da casa e o pai o acompanhou mais. Muitas pessoas estranham mas hoje eu convivo bem com isso e o resultado tem sido bom.
Sam Shiraishi Reply:
July 17th, 2009 at 6:49 pm
Otto é ainda muito pequeno, mas eu sei que você é uma mulher que nasceu para realizar várias tarefas, né? Sabe que esta questão de ser a profissional da casa e o pai assumir mais os filhos é cada dia mais comum, né? E felizmente para quem esta formação familiar, isso é um diferencial positivo que faz nossas crianças serem pessoas melhores.
Qual mãe nunca se sentiu culpada por trabalhar muito e não ter muito tempo com seus filhos? Eu já, e muitas vezes.
Nunca precisei deixar Isa o tempo integral na escola, minha mãe sempre esteve muito perto e sempre optou a cuidar da minha pequena enquanto trab e estudo.
Interessante demais seu post, Sam. E mais legal ainda foi vc me mostrar que não é o tempo que se passa junto, mas a qualidade desse tempo. A verdadeira companhia que gera um vínculo e respeito maior.
Um beijo pra vc e seus pequenos lindos!
Sam Shiraishi Reply:
July 17th, 2009 at 6:51 pm
Minha cara, que bênção ter uma mãe que te ajuda. Abrace sua mãe hoje por mim. Sinto muita falta da presença da minha mãe – e ela viaja 450km quando eu tenho coragem de pedir que fique com os netos – e acho que ter os avós por perto é um privilégio de poucas crianças hoje em dia. Deus abençoe vocês.
O que dizer? Penso exatamente como você! Fiz quase as mesmas opções e também parei de trabalhar para ficar com os filhos na primeira infância com o apoio do marido como sendo este um projeto familiar.
Uma diferença básica é que desfiz totalmente meu vínculo profissional porque como Química eu não poderia fazer um trabalho que não me ocupasse full time. Portanto, apesar do afastamento do trabalho, assim como para você, ser uma questão finita, eu estava determinada a descobrir e exercer outro caminho profissional. E deu certo! Assim como você, estou retomando, embora sinta que num ritmo ainda menor, ainda mais pela idade dos meus ser um pouco inferior. Normal, né?
O mais importante é o resultado disso tudo: sinto sinceramente meus filhos mais felizes e seguros, sendo educados da forma como eu (e o pai) desejo e com uma base emocional bem formada pela presença da mãe e consequentemente do pai (a mãe puxa muito mais do que se estivesse fora como o pai, trabalhando). Não temos grandes conflitos com o comportamento deles e não tenho a menor dúvida de que esse é o diferencial. Não que eu ache que essa é uma responsabilidade da mulher, poderia ser o pai. O importante é a presença inicial. Sem machismos.
Claro que não podemos generalizar porque nem todas as famílias tem a mesma estrutura e principalmente, nem todas as mães a mesma possibilidade. Mas sinto que a maioria que tem, não exerce. Uma pena, porque eu sinto que não só eles ganharam, mas eu também, já que vivi plenamente, o que tenho certeza de ser, os melhores anos de uma mãe. Em nenhum momento a maternidade será tão plena como agora e eu pude viver isso.
Sam,
Eu sempre trabalhei, desde meus 15, nunca pensei q tendo filhos ficaria em casa para cuidar só deles, isto é uma coisa que eu particularmente discordo.
Minha mais velha nasceu e eu tive que parar de trabalhar por causa do tipo de função, era produtora de cinema e o ritmo não era adequado para uma grávida, ou para uma mãe com criança pequena. Logo que surgiu oportunidade voltei ao mercado, coisa de 1 ano e meio após ela ter nascido. Neste meio tempo inventei o mundo pra me ocupar.
Justamente nesta idade ela foi para escola, nem olhou para trás e nem chorou. Era isto que eu queria, q ela tivesse a vida dela. E assim é até hoje, ela aos 13, temos nossas vidas que se unem em casa nos momentos família. Em muitos momentos ela reclamou de eu trabalhar muito, mas entendia qdo se explicava que era nescessário pq era meu momento de ganhar.
Veio a outra filha,(hoje com 6 anos), na época eu já tinha meu escritório, ela ia comigo pro trabalho desde os 2 meses. Desmamei e arrumei uma babá. Trabalhava o dia todo normal. Mas nunca tive culpa, pois minha qualidade de momentos com elas, qdo eu voltava pra casa, era 100%. Elas chegaram até a reclamar e questionar pq eu pagava uma babá, no sentido de pare de trabalhar e cuida da gente, pq trabalhar pra pagar a babá? Sim, era um sinal de que me queriam mais tempo junto. Mas paciência, esta era minha realidade naquele momento.
Hoje, depois de tudo eu construi minha casa no interior, temos nosso canto, lá construímos toda semana nossa história, foi uma das recompensas pelo trabalho duro. Compensamos lá os momentos que ficamos longe e a falta que fizemos uns para os outros.
Minha posição em relação a filhos etc… é a seguinte, devemos cuidar, proteger, educar, amar etc…porém temos que sempre preservar nosso espaço e individualidade. Tudo tem sua hora, mamãe tem hora pra brincar com filho e tem a a hora de tomar a sua cerveja, ir no cinema com papai, sem filhos. Se mamãe está comendo, o filho aguarda terminar pra ela ir consertar o brinquedo que desmontou e assim por diante. Bem como o trabalho, como vc falou, faz a mamãe FELIZ.
Isto faz parte do item ENSINAR e RESPEITAR a si mesmo e ao próximo, começando dentro de casa.
Nussa fiz um post e não um comentário… bjs
Pensei um pouco antes de responder, Sam, pois ainda carrego a culpa de ter trabalhado tanto e ficado pouco tempo com meus filhos. Meu ex-marido era irresponsável e ausente, e eu acabava arcando com todas as despesas e tudo o mais de que a casa e as crianças necessitavam.
Trabalhava nos três turnos, em duas escolas. Durante a infância, tive de deixá-los em creche, ou com empregada, ou com algum parente, quando estava trabalhando. Algumas vezes, eu os colocava na mesma escola em que eu trabalhava para poder estar mais perto. Mas nem sempre isto era possível.
Na adolescência, procurava sair mais com eles, viajar, mas nem sempre queriam a mãe por perto, entende? Mas me ligavam para ir buscá-los quando a festa ou evento terminava. Na juventude eu estava mais perto deles. Já não trabalhava tanto. Tinha prazer de levar meu filho ao quartel. Era como uma compensação pela ausência forçada, na infância.
Perdi meu filho tragicamente, e minha filha sofreu aluns revezes que não convém comentar aqui. Atribuo tais fatos a minha ausência, embora minha filha, hoje com 24 anos, dizer que não tive culpa, que eu os eduquei muito bem, e que eles fizeram as escolhas conscientes. Creio que cada um deve procurar o melhor meio de conciliar trabalho e filhos. Sei que, sozinha, sem o apoio do pai, a carga acaba ficando sobre a mãe. Admiro demais o jeito como você consegue conciliar as duas coisas, maternidade e trabalho. Com certeza, para um casal que se apoia a coisa deve fluir mais naturalmente, não é assim?
beijo, menina
Nunca senti culpa, Sam, embora meu coração fique apertado toda vez que ele vem até a porta me dar tchau, antes de ir trabalhar. Não por culpa, mas por saudade. Sei que toda vez que saio para trabalhar por dinheiro (porque, no fim das contas, a gente trabalha pra ganhar dinheiro), estou indo para lhe dar o mínimo de conforto. Por outro lado, estou perdendo um tempo precioso ao seu lado. É uma faca de dois gumes. Queria trabalhar menos, ganhar mais e ficar com ele, que é o que realmente gosto de fazer. Alguém aí sabe a receita?
Beijos
Sabe, não sinto culpa de verdade, não sou escrava do trabalho nem serei dos filhos, mas eu já tive vontade de poder aproveitar mais. Não por eles, por mim.
Ser mãe é um projeto, com planejamento ou não, mas é um daqueles projetos nos quais as mulheres da nossa geração entram para sair bem-sucedidas. A gente demora para sacar que não se sai disso e que o sucesso é muito relativo – e aí mora o aprendizado.
E quanto à grana eu falo para eles: escolheram a mãe errada se querem festa em buffet ou todas as novidades tecnológicas porque eu escolhi viver o melhor possivel cada momento. E eles não são feitos prioritariamente de bens materiais.
Minha mãe é advogada, sempre trabalhou e eu sempre tive, além de vó disponível, babá que dormia no meu quarto. Optei por não manter esta vida quando tive meus filhos e sabia que não teria avós aposentados para ajudar. Mas é minha opção e não sai traumatizada da vida com apoio externo que minha mãe teve na minha infância.
A questão do post foi mais enfatizar como a mídia – no caso esta reporter bem jovem que me entrevistou no Seminário – ainda vê esta culpa como algo indefectível na maternidade. E ao convidar mulheres legais que eu respeito para opiniar eu queria – e acho que consegui – provar que a realidade é outra! Muito obrigado mesmo por contar sua experiência aqui.
Sam,
Minha mãe ficou viuva com 24 anos, sempre ficava só com meus irmãos. Casei muito nova, 20 anos, tive filhos com 21, e já trabalhava desde os 16.
Sempre me acompanhou a dor de deixar meus filhos e ir trabalhar. Acho que até, profissionalmente, fui “prejudicada”.
Depois que passei a trabalhar em casa na internet, o meu filho de 21 anos, reclama mais do que a minha filha de quinze. Ele cobra atenção. Eu acho que é um pouco de ressentimento da minha ausência na sua infância.Quando ele chega em casa, ele trabalha, imediatamente me levanto e vou recebê-lo na porta.
Sempre sonhei em ser uma mulher vencedora (tipo ganhar muito dinheiro), não sei porque. Insegurança pode ser, mas hoje com 43 anos quero ser feliz. E procuro conversar e dividir meu tempo com a família.
Post maravilhooooso. Que orgulho ter vc como amiga, tão nova e com tanta coisa interessante para contar.
bjs
Também escrevi um testamento-comentário para a @samegui sobre “culpa pelo trabalho”, ai como eu sofro… http://tinyurl.com/mom4wy
Mães leiam esse texto sobre culpa no trabalho da @samegui http://bit.ly/bxhf7 e reflitam
[...] 2010 – Um Passinho à Frente Hora da Fome: Receita de Cappuccino caseiro – Eu Capricho Culpa pelo trabalho – A Vida Como a Vida Quer Tratamento do Linfoma no SUS: não vamos deixar esse assunto morrer [...]
Meus planos sempre foram parar de trabalhar quando tivesse filhos, ao menos enquanto eles fossem pequenos.
Logo que fiquei sabendo da gravidez, parei de trabalhar. Ainda estava no Japão, meu serviço era pesado, teria que mudar de turno para conseguir um serviço mais leve, não valia a pena.
De qualquer forma, já havíamos nos programado pra que eu ficasse em casa por um bom período. Tive o Lucas no Brasil, voltei pro Japão e qdo ele estava com 9 meses, voltamos para o Brasil de vez.
Amamentei exclusivamente por 6 meses e após a introdução de alimentos, continuei amamentando. Lucas mamou até os 2 anos e meio. Sei que se eu estivesse trabalhando, isso teria sido muito mais difícil.
Com a separação, veio também a necessidade de voltar a trabalhar. Analisei as possibilidades e optei por trabalhar em casa, junto com meu pai. Não é o emprego dos sonhos, o salário não é dos melhores e tenho o chefe mais exigente do mundo
Mas vale MUITO a pena pois eu consigo estar presente na maior parte do dia do Lucas.
É difícil conciliar tudo, ele vai pra escolinha à tarde, mas passa as manhãs comigo. De vez em qdo estou no telefone com algum cliente e ele passa gritando pela sala “Mãe! Quero fazer cocô!” ¬¬ Mas até que está funcionando =)
Trabalhar em casa pode ser um caos e uma delícia ao mesmo tempo. E com filhos por perto então!! pode ser um desastre ou o prazer de vê-los crescer bem de perto. Eu não abro mão de cuidar da Luisa o tempo todo e divido isso com equidade com o pai dela, por isso minha condição número 1 é trabalhar de casa. Já sai p trabalhar qdo ela estava com 8 meses, mas era tempórário 5 meses num projeto especial de 2 exposições internacionais e a experiência era mto especial p mim…e isso pq o Edu ficou com ela em casa, só por isso fui.
A Luisa sabe qdo EU NAO POSSO ATENDER SUAS VONTADES qdo estou trabalhando em casa…ela fala baixinho p/ si mesma: mamãe tá trabalhando agora…
Tudo foi uma questão de costume e hábito.
Enquanto puder vou mantê-la no período da tarde no colégio pois acho q a manhã passa rápido demais e detesto acordar 6 da manhã, como ela é tão preguiçosa como eu a tarde cai melhor p nosso estilo.;)
Mto legal o post Sam!!!bacana q tem bastante comentários tbem! PArabéns
Que bom Sam que a discussão continua!
Eu, Andréa, particularmente não gostaria de parar de trabalhar para ficar com meus filhos, apenas gostaria de ter mais tempo para ficar com eles, principalmente nas férias. No final, é como você disse, os filhos sentem orgulho do trabalho da mãe, como eu sempre senti do trabalho dos meus pais, mesmo que para isso nós tivessemos que ficar um pouco distantes alguns dias ou algumas horas do dia.
Acho importante que a criança saiba o que o pai/mãe faz, e mostrar a importância do trabalho. Quem, quando criança, nunca sonhou em ir na empresa que o pai/mãe trabalhava para passar um dia e conhecer tudo por lá?
Um beijo Sam
Culpa tem sido um dos assuntos mais recorrentes na minha terapia – e, pra falar a verdade, acho que assim o é desde que me tornei mãe, há 15 anos.
Culpa pelo trabalho, “culpa” pelo 2º filho, “culpa” pela separação, “culpa” por tentar reconstruir a vida ao lado de outro alguém…
Toda essa culpa imensa talvez seja fruto da culpa católica com que muitas de nós convivemos durante a vida (apesar de ter tido a bênção de ter vivido em uma família espiritualista, não tem muito jeito), ou com a ânsia de corresponder a padrões predeterminados…
Mas um dia alguém me falou que a gente faz o que pode. E quando crescemos, somente então, compreendemos que nossos pais foram pessoas de carne e osso que de fato fizeram o melhor que puderam diante de suas possibilidades (sejam elas quais foram).
Procuro equilibrar a atenção entre um menino de 9 e uma adolescente de 15, moro perto do trabalho para poder ficar mais tempo com eles durante manhã e noite ou socorrer em qualquer emergência, mas ainda tenho minhas culpas por não fazer tudo o que acho que poderia…
Mas por outro lado me consolo ao lembrar que logo eles terão consciência daquilo que posso.
E assim, vou vivendo, entre a dor e a delícia de ser o que sou – mãe, mulher, profissional, filha, amiga…
Acho que esse é um desabafo de muitas mães, umas que falam, outras não..
A culpa por trabalhar o dia inteiro, a vontade de trabalhar de novo, a vontade de criar os filhos com a educação dela e não de babás ou professoras em periodo integral…e por aí vai…
Meu sonho de mãe sempre foi criar meus filhos (no caso minha filha) com a maior parte da educação familiar… a extra familiar seria um complemento, penso eu. E assim venho fazendo com minha filha de 3 anos e 10 meses.
Sempre trabalhei periodo integral quando solteira. Me casei e engravidei (por opção) já nos primeiros 2 meses de casamento.
A partir daí até hoje não quis mais ficar fora o dia inteiro. Mas ainda sonho (e ainda batalho) por meio-periodo de trabalho que acho ser o ideal pras mães.
Mas o mercado de trabalho é muito fechado pra isso e assim vou colocando um curriculo aqui, inventando algo ali e esperando acolá.
Tive várias oportunidades mas periodo integral. Todas recusei. As vezes com o coração partido, mas me partiria mais ficar 12hs longe da minha pequena.
Li uma frase outro dia “pra cada escolha uma renúncia”… E assim me firmo.
Me chamou a atenção a parte que você fala sobre ir buscar os filhos na escola depois do trabalho, se “igualar” as outras mães que trabalham também… e assim eles ficarem orgulhosos…
Então penso se futuramente (por uma ironia do destino) eu sem emprego seria orgulho pra minha filha.
Penso nisso tudo e de como eu gostava de trabalhar e ter o “meu” no fim do mês.
Meu marido é excelente. Mas a gente precisar ter uma certa independência, mesmo que pouca. E ainda crescer, estar na ativa, produzir enfim…A cabeça não pode parar… É o mais importante…
Deixo aqui esse desabafo também…
Um beijo, sucesso e muitas bençãos…
[...] Eu trabalho em casa no contraturno da escola, mas não abri mão de minha carreira para ficar com os filhos, embora tenha feito uma pausa mais longa quando eles eram bebês. Mas há quem não abra mão de sua vida fora do lar – com razão, a parte profissional é tão sua quanto a parte mãe – e há quem prefira viver com toda intensidade esta fase da vida. [...]