Palmada não resolve e não há castigo corporal tolerável #rodaviva
Postado em Comportamento, TV, Twitter no dia 09/08/2010 |“Faz séculos que as crianças mundo afora sofrem com o castigo corporal ou físico, aquele que recorre à força e inflige certo grau de dor, mesmo leve. Na maioria dos casos, trata-se de bater nas crianças (palmadas, bofetadas, surras) com a mão ou com objetos como chicote, vara, cinturão, sapato e colher de madeira. Mas pode consistir também em dar pontapés, empurrões, arranhá-las, mordê-las, obrigá-las a ficar em posturas incômodas, produzir queimaduras, obrigar a ingerir água fervendo, alimentos picantes ou a lavar a boca com sabão. Além desses há outros castigos que não são físicos, mas igualmente cruéis e degradantes, castigos em que se menospreza, se humilha, se denigre, se ameaça, se assusta ou se ridiculariza a criança.”
Paulo Sérgio Pinheiro (Comissionado e Relator da Criança, Comissão Interamericana de Direitos Humanos, OEA,Washington, EUA)

Nós queremos crer que as barbáries listadas acima não são mais comuns e que no século XXI já vencemos isso, pelo menos no Brasil. Mas ainda há um caminho a percorrer. No dia em que o governo federal prometeu encaminhar ao Poder Legislativo o Projeto de Lei que proíbe castigos corporais em crianças e adolescentes eu notei no Twitter que a polêmica mal tinha começado. Aqui e ali via manifestações sobre o lado educativo dos beliscões e tapinhas e muitas pessoas que eu considero bastante lúcidas lançavam mão de sua experiência infantil dizendo “apanhei e não me tornei um desajustado por isso”.
A questão, creio, é maior, diz respeito a uma postura que devemos tomar como sociedade: na maioria dos casos (no Brasil e no mundo) todo castigo físico contra menores raramente se limita à “palmadinha” nas crianças, chegando não raro a bofetadas, surras, espancamento com a mão ou com objetos como chicote, vara, cinturão, sapato e colher de madeira.
“O Projeto de Lei que tramita no Congresso estipula que adolescentes e crianças devem ser educadas sem receber palmadas, beliscões ou outros castigos físicos. Polêmico, o projeto divide opiniões. Uma pesquisa do Instituto Datafolha, com quase 11 mil pessoas, mostrou que 54% dos entrevistados são a favor de aplicar punições como palmadas nos filhos, enquanto 36% são contra. O levantamento aponta também que 74% dos homens e 69% das mulheres apanharam dos pais quando eram crianças. E 69% das mães e 44% dos pais já bateram de alguma forma nos filhos.”
Eu mesma apanhei diversas vezes de meus pais – não cheguei a me machucar gravemente nunca, mas sei que ficam marcas indeléveis das surras e, caso sejam frequentes, elas afetam sim a forma como reagimos quando acuados – e por isso eu hoje considero que qualquer castigo corporal é errado. Da mesma forma, como já escrevi há um tempo, a agressão verbal é igualmente cruel e degradante, pois, como outros castigos, se menospreza, se humilha, se denigre, se ameaça, se assusta ou se ridiculariza o outro.
E para quem afirma que agressões dos pais não deixam marcas, basta observar nas crianças e adolescentes vítimas destes abusos as conseqüências: hiperatividade, baixo desempenho escolar, desordens psicossomáticas até lesões no cérebro e no sistema nervoso central, nos olhos, nos ouvidos, problemas de saúde reprodutiva das adolescentes. Isso sem falar dos danos psicológicos e psíquicos: alcoolismo, depressão, ansiedade, desordens do sono, sentimentos de culpa e angustia.
Nesta noite, a partir das 21h na internet e das 22h na TV Cultura, eu, Daniela Ohuti (@doduti) e A.J. Freire (@nerdpai) estaremos na bancada do programa Roda Vida no Live Tweeting (cobertura colaborativa pelo Twitter) da entrevista coletiva que o programa fará com Paulo Sérgio Pinheiro, citado na abertura do post. Se for do seu interesse assista na TV, converse com a gente (basta clicar nas imagens para nos achar no Twitter) e opine sobre o tema também.
Estará também conosco o fotógrafo Marcos Badari. E os entrevistadores da noite são Ricardo Kotscho (Repórter da revista Brasileiros e editor do Blog Balaio do Kotscho no Portal IG), Fernanda Mena (Editora do caderno Folhateen, do jornal Folha de S. Paulo), Ivan Marsiglia (Editor assistente do Caderno Aliás do jornal O Estado de S. Paulo), Paula Perim (Diretora de redação da Revista Crescer).
P.S. Indico a leitura do post Um tapinha não doi e o que é o Conselho Tutelar?
Sam @samegui Shiraishi
Mãe, jornalista e blogueira no @avidaquer, hub multiplicador de cultura e conhecimento. Paranaense de alma nipônica morando na Mooca, apaixonada por gente.







Gostei da proposta do debate, vou acompanhar. Abraços
Sam Shiraishi Reply:
August 9th, 2010 at 5:07 pm
@Tiffany, citei seu post porque estava muito bom, Ti.
Oi, Sam!!!
Realmente acho que casos de violência contra crianças têm que ser denunciados e punidos com severidade, mas para isso já existe o código penal e o ECA. O que não consigo admitir é o governo editar uma lei que invade nossos lares e diz como devemos agir com nossos filhos. Apesar de ser adepta do diálogo acima de tudo, acho sim necessário às vezes dar um tapinha como último recurso, para a criança saber que naquele momento ela passou dos limites. Não vejo como sinal de descontrole ou violência, sempre fez parte da educação normal e saudável de várias famílias. E digo que nem meus filhos, nem outras crianças que conheço assim são desequilibrados ou coisa do gênero, pelo contrário, respeitam e são respeitados onde vão.
De repente, devido ao número de crieldades contra crianças divulgadas a sociedade (com razão, diga-se de passagem) clame por menos violência e mais rigor contra agressores. Mas temos que diferenciar quem espanca de quem dá um tapinha na mão quando a criança não obedece, mesmo depois de advertida. Temos que diferenciar histeria politicamente correta, que também contamina diversos setores e assuntos de nossa sociedade do que realmente é nefasto e passível de punição. Não é porque você, eu ou qualquer pessoa somos PESSOALMENTE contra tapinhas e afins que outra pessoa que ache correto utilizá-lo na educação de seus filhos se torne automaticamente criminosa por isso.
Temos que achar um ponto de equilíbrio, pois estamos caminhando perigosamente para um ambiente de patrulha que não vejo também como saudável.
No mais, sucesso no programa, com certeza vou assistir
Sam Shiraishi Reply:
August 9th, 2010 at 5:05 pm
@Cris Guimarães, vc sabe que no programa a gente realmente só faz live tweeting né? Não temos grandes possibilidades de interagir na frente as câmeras, mas antes há um espaço legal sim e tentarei aproveitar.
Sabe, Cris, como já falei diversas vezes no blog, minha mãe ficou alocada na vara de família da Defensoria Pública por um tempo, justamente quando eu estava meio livre e a secretariava na digitação de petições e etc. Vi muita coisa horrível, tantas que me fazem pensar que sim há necessidade de que as pessoas sejam meio tolhidas na liberdade de seus lares.
Mas concordo plenamente, para isso existem outras leis e especialmente há o Conselho Tutelar para que possamos denunciar e acompanhar processos. A lei não é a alternativa para pessoas esclarecidas, mas pode ser o grande diferencial para quem está na linha da marginalização em termos de comportamento.
@samegui @Doduti e @NerdPai hj no #rodaviva falando sobre a #LeidaPalmada http://bit.ly/bE3zie
RT @casamaterararaq: RT @marciaceschini: A querida @samegui do @maecomfilhos estará hj no #rodaviva falando sobre palmadas http://bit.ly/dlktu4
RT @samegui: Palmada não resolve e não há castigo corporal tolerável #rodaviva http://bit.ly/dlktu4
Hoje o #rodaviva discutirá a Lei da Palmada e a @samegui estará na bancada, no Live Tweeting http://goo.gl/fb/Bj6ZH
O problema é que ignorantes confundem palmada com espancamento.
E as autoridades, leia-se, esses INÚTEIS conselhos tutelares, essa polícia que aqui no PR não atende mais casos de desordem pública (não atende nem o fone 190) e pólíticos, acham que criando uma lei idiota proibindo a palmada resolvem o problema.
Ora, pai que espanca filho tem que ser preso, cadeia, xilindró e ponto final, porque espancar não é dar palmadas.
Agora, querer tirar a palmada porque conselheiros tutelares INÚTEIS não querem se dar ao trabalho de relatar aos juizes esses casos ou porque os senhores políticos não conseguem dar eficiência às polícias, é demagogia.
A palmada as vezes é necessária. Encarada como última alternativa, ela tem função educativa. As pessoas, mesmo as crianças, têm gênios diferentes, nem todo mundo aprende pelo “diálogo”, há crianças que não se intimidam com o cantinho do castigo ou com a possibilidade de não assistir TV.
O problema não está na palmada, ou melhor, no conceito de palmada.
Pode verificar nas estatísticas dos conselhos tutelares, a maioria avassaladora dos casos de violência contra crianças é causada por pessoas de classe social baixa, de instrução praticamente nula e por efeito de álcool ou drogas.
E o problema é a palmada?
RT @marciaceschini: A querida @samegui do @maecomfilhos estará hj no #rodaviva falando sobre palmadas http://bit.ly/dlktu4
RT @maecomfilhos: RT @marciaceschini: A querida @samegui … estará hj no #rodaviva falando sobre palmadas http://bit.ly/dlktu4
RT @UniversoMaterno: RT @maecomfilhos: RT @marciaceschini: A querida @samegui … estará hj no #rodaviva falando sobre palmadas http://bit.ly/dlktu4
RT @berlitz: às 21h internet e 22h @TVCultura, @samegui @NerdPai @doduti no #RodaVida com Paulo S. Pinheiro. http://bit.ly/dlktu4
@clakruger sim, Cla, o tema é lei da palmada #rodaviva http://bit.ly/dlktu4
@clakruger Pinheiro é uma sumidade internacional no tema, mas é um pesquisador né? Teórico! #rodaviva http://bit.ly/dlktu4
ADOREI, também sou contra palmadas
beijos!
http://www.girlsgostamde.blogspot.com
[...] Palmada não resolve e não há castigo corporal tolerável [...]
[...] Palmada não resolve e não há castigo corporal tolerável [...]
[...] Palmada não resolve e não há castigo corporal tolerável [...]
[...] Palmada não resolve e não há castigo corporal tolerável [...]
[...] Palmada não resolve e não há castigo corporal tolerável [...]
[...] como “tuiteira” de um programa de TV Roda Viva, na TV Cultura, que tratava deste tema (Lei da Palmada) há alguns meses e, se eu já acompanhava o [...]