Como lidar com a puberdade cada vez mais precoce?
Postado em Saúde e Bem Estar no dia 28/11/2010 |Não tenho filhas, mas lembro bem de como foi minha fase de “ficar mocinha” e como foi um turbilhão de sentimentos confusos, com necessidade de continuar sendo aceita tanto pelo meu grupo de amigos quanto pela minha família com naturalidade e sem alardes sobre as mudanças, sem falar na necessidade de saber mais sobre o que eu vivia.
Se nas gerações anteriores as meninas menstruavam entre 14 e 16 anos, hoje elas costumam menstruar entre 9 e 13 anos – segundo li, a média é de 12,2 anos – e eu considerava esta média mais ou menos normal até que tomei conhecimento dos cuidados preventivos que hoje se toma para que o amadurecimento hormonal das meninas não afetem seu desenvolvimento físico e psicológico.
Há alguns anos acompanhei a experiência de uma colega de trabalho que decidiu “tratar” a puberdade precoce das duas filhas com idades próximas dos 10 anos e recentemente descobri que uma amiga teve sua puberdade “atrasada” em alguns anos por decisão dos pais e do pediatra, evitando que sua menarca precoce afetasse de forma negativa seu crescimento.
E como pode ser negativo?
Segundo especialistas observar se a puberdade acontece de forma fisiológica ou não pode significar a garantia do desenvolvimento absolutamente normal de meninos e meninas. A puberdade precoce acontece quando crianças com idades inferiores a 8 anos (sexo feminino) ou 9 anos (sexo masculino) manifestam caracteres sexuais secundários em época anterior à considerada normal. Dados informam que o fenômeno é mais comum nas meninas (na proporção de 5 para 1) e é motivado pelo aumento do nível de hormônios sexuais.
E como é a puberdade fisiológica?
A puberdade “normal” é o conjunto de alterações ligadas à maturação sexual (fase da vida em que amadurecemos sexualmente, adquirindo capacidade reprodutiva).
Nas meninas acontece a partir dos 8 anos, mas pode ter início até os 13 ou 14 anos sem indicar atraso. Um pequeno “botão mamário” é sinal de que as mamas começaram a se desenvolver, depois surgem os pelos nas axilas e na púbis. Cerca de um ano após o início do crescimento da mama, acontece a menarca (1ª menstruação) e entre os 9 a 17 anos este acontecimento é considerado normal (a diferença de idade se deve à genética da família), mas, em geral, a 1ª menstruação é aos 11 ou 12 anos.
Já nos meninos começa a partir dos 9 anos, embora possa ter início até os 15 ou 16 anos. Nos garotos, os hormônios vão estimular o desenvolvimento dos testículos, primeiro sinal da puberdade, seguido do aparecimento de pelos pubianos, nas axilas e na barba, nessa ordem. Acontece o estirão do corpo todo.
Alguns pais conseguem manter o diálogo e ajudar os filhos sem precisar de ajuda profissional. Outros encontram no pediatra a saída. E há quem opte por um especialista, o Hebiatra, o médico para adolescentes. Ele pode ajudar a diminuir a ansiedade dos jovens e esclarecer algumas das muitas dúvidas que surgem nesta fase da vida dos 10 aos 18 anos. O médico é um pediatra com formação específica para lidar com adolescentes e a especialidade, pouco conhecida, existe há 40 anos.
As consultas com o hebiatra (ou com o pediatra) nesta fase representam o momento em que o jovem se sente à vontade para colocar suas dúvidas e preocupações em relação a tantas mudanças, onde podem surgir questões referentes a drogas, à sexualidade (o primeiro beijo, a primeira relação sexual), preocupações com o corpo, alimentação, exercícios físicos exagerados, etc. Por isso é importante encontrarmos um profissional no qual nós, pais, possamos confiar para deixar que nossos filhos vão à consulta sem nossa presença, permitindo-lhes tirar estas dúvidas com um profissional e não com coleguinhas ou com revistas direcionadas à sua faixa etária. Como o pediatra, o hebiatra acompanha o desenvolvimento físico prevenindo ou tratando doenças e atua também discutindo questões relacionadas às esferas social e psicológica.
O preocupante é quando outros sinais da puberdade aparecem antes da hora: crescimento ósseo avançado, menstruação, pelos pubianos e nas axilas, mudança de voz e aumento da bolsa escrotal nos meninos. Através da análise clínica desses sinais e com o exame de idade óssea (raios X) e eventual dosagem hormonal, o pediatra poderá ajudar tanto a criança que está vivendo a puberdade precocemente quanto a que passa pela puberdade fisiológica. O importante é, como pais, não deixarmos de ver os sinais de que “nossos bebês” estão se tornando mocinhos e precisam de nossa orientação e cuidados para passarem por esta fase com tranquilidade e segurança.
P.S. E caso a criança apresente sintomas da puberdade precoce, como devemos tratar? Para começar, não faça alarde com a criança. Procure um pediatra, se possível converse em particular com ele e depois façam exames e pensem, em conjunto com um endocrinologista, qual o tratamento adequado – caso seja realmente necessário tratar.
Sam @samegui Shiraishi
Mãe, jornalista e blogueira no @avidaquer, hub multiplicador de cultura e conhecimento. Paranaense de alma nipônica morando na Mooca, apaixonada por gente.




Muito interessante, Sam! Vou divulgar, pq é um texto importante!
Eu mesma penso na adolescência, mas nunca pensei nessa tranformação…
Valeu mesmo!
Um beijo!