China

Postado em from posterous no dia 05/06/2007 |

Há 18 anos a repressão do governo da China às manifestações de estudantes e trabalhadores que pediam democracia resultou em tragédia e mais de mil pessoas foram mortas e milhares ficaram feridas no que foi chamado de Massacre na Praça da Paz Celestial. Ainda lembro como se fosse ontem do jovem sozinho à frente de um tanque, imagem que considero que foi um ícone para minha geração…

Eu tinha 16 anos em 1989 quando mais de uma geração de brasileiros pode viver a democracia plena depois de um longo período obscuro. Na época eu falava: eu e minha mãe estamos votando para presidente pela primeira vez juntas. Meu pai tinha votado naquela famosa eleição da Vassourinha do Jânio Quadros, mas minha mãe, nascida em 1948, não. Um detalhe é que muitos de minha geração realmente acreditavam que a democracia mudaria as coisas aqui, hoje sabemos que sem educação (básica e política também), não há como promover mudanças verdadeiras. Enfim, os dezoito anos do massacre me fizeram pensar no que nosso país fez nestes 18 anos e no que a China fez no mesmo tempo, ambos tentando entrar na vida democrática e numa economia de mercado aberto. A China continuou sendo imensa.

Hoje vi algumas notícias que, entremeadas, nos dão uma noção da capacidade deste povo…. capacidade de tudo, até de obedecer e de se fazer obedecer, como foi com tantas coisas desde Mao Tsé. Depois da ditadura do filho único, que forçou famílias inteiras a concentrar todas as forças na continuidade de seu nome em um só ser humano (antes eram muitos), agora uma nova lei garante às crianças chinesas direito de dormir e brincar. Segundo a agência EFE, metade dos 300 milhões de menores chineses vive sob pressão acadêmica tão forte que quando sonham com tempo livre para dormir. A carga média é de 3,7 horas de aulas-extras por dia, o que, infelizmente, não achei tão inferior à de muitas de nossas crianças de classe média. Mas é superior ao tempo que nossas crianças pobres têm, efetivamente, na escola.

As crianças devem ter tempo para dormir, se divertir e praticar esportes“, diz a nova norma. É uma mudança radical em relação à tradição chinesa. E, na teoria, garante o que todos gostaríamos que as crianças tivessem, um sonho utópico daqueles de miss (yes, I do want World Peace!). A lei garante a educação básica, com pais e tutores como responsáveis pelo pagamento deste direito e impõe severas sanções para crimes como o trabalho infantil e maus-tratos a menores. Além disso, dá uma atenção sem precedentes ao cuidado com a saúde mental.

Nem sempre fui apaixonada por esta cultura, até por um “preconceito” recebido de minha avó, uma japonesa interiorana e por certo previnida com histórias do oriente. Mas meu marido sempre me chama atenção para o fato de que muita coisa no mundo é chinesa e History Channel e História Viva sempre corroboram a teoria dele. Enfim, li Cisnes Selvagens pouco antes da visita dos Guerreiros de Xian ao Brasil e assim fiquei fascinada e ligada nesta cultura de vez. Até no livro Operação Cavalo de Tróia 7 que estou lendo há um chinês a ser um dos primeiros discípulos de Jesus e a criar inovações no estaleiro de Zebedeu onde Ele trabalhava. Onde eles não estão?

P.S. Gui lembra que me conheceu em 1989 numa passeata em que eu fui com a :Juventude Comunista e ele com o PT… ainda bem que, ao contrário de alguns companheiros daquela época, a gente realmente progrediu desde então! (Memória de homem é ruim, eu lembro do meu marido de uma aula uns meses antes, mas já viu..)

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