Liga da Canela Preta
TV, esporte, preconceito June 29th, 2009
Ontem assisti no Esporte Espetacular uma matéria de Tino Marcos sobre uma liga que é uma prova de resistência brasileira, válida até para pensarmos na postura que nosso país deve adotar quanto a questões combatidas como as cotas raciais. O jornalista contou que em meados da década de 1920 os negros eram impedidos de atuar nos clubes do Rio Grande do Sul e que, para jogar, eles fundam um torneio próprio só com jogadores da raça negra.
Para quem não lembra, os negros gaúchos são fora do padrão. Por que eu falo isso? Primeiro porque conheço pessoalmente um dos líderes do movimento racial lá, um grande amigo da família do Gui. Segundo porque o Gui mesmo sempre me fala como eles foram para nós, na época da Guerra do Paraguai, o que os Buffalo Soldiers foram nos EUA na Guerra da Secessão. Como o Brasil colônia não tinha fazendas de café, minas de ouro nem canaviais no sul do Brasil -região que ficou em litígio, como sabem, naquela luta sobre a qual tem livros incríveis do Erico Verissimo – não tinha mão de obra negra escrava por lá. Mas eles chegaram com força e ficaram como homens livres na época da Guerra do Paraguai, pois receberam a promessa de liberdade caso lutassem – e sobrevivessem.
Foi sob este ponto de vista que eu vi a matéria ontem. E ficamos Gui e eu conversando sobre o futebol brasileiro no século XX, que ficou marcado pelo maior jogador de todos os tempos, Pelé, um negro, mas começou com histórias como a Liga da Canela Preta. No meu estado uma história racista determinou o apelido de um dos times da capital. As más línguas dizem que os jogadores (e hoje os torcedores) do Coritiba são chamados de Coxa Branca porque o time, fundado por alemães, não aceitava jogadores “de cor” por muitas décadas. Mas ahistória oficial dá conta de que
“O apelido nasceu em 1941. Foi na decisão do campeonato paranaense daquele ano, na primeira vez que a dupla AtleTiba disputou uma final.
O mundo vivia Segunda Grande Guerra Mundial e o cartola Jofre Cabral e Silva decidiu agitar o clássico, com uma provocação: “Quem for brasileiro deve torcer pelo Atlético“.
O Coritiba tem até um alemão no elenco, o Breyer, aquele COXA BRANCA” – teria vociferado o dirigente atleticano. Hans Hergon Breyer, teve sua carreira abreviada no futebol por causa por causa do rótulo que lhe impuseram. Torcedores do Atlético o chamavam de quinta coluna e coxa-branca.”
De uma forma ou de outra, o time ficou marcado como o que valorizada os que tinham a pele alva – e sobre esta vontade de branquear o Brasil começando pelo Paraná eu já falei quando contei que os japoneses não foram autorizados a migrar para lá (chegaram ao estado somente depois, já como proprietário de terras, mais baratas que as paulistas.
A TV Globo e as mídias sociais
TV, midia social, midia tradicional, qik streaming, redes sociais June 25th, 2009
No Conexão Bites – Cases 2.0 eu testei o streaming via qik de algumas palestras e no final da tarde pude gravar a apresentação que Mônica Albuquerque, Diretora de Comunicação da TV Globo, fez contando da inserção da Rede Globo nas mídias sociais.
Como tenho contato com a equipe de Atendimento ao Consumidor – interessante, eles definiram os atores de mídia social como consumidores, não imprensa, e considero que acertaram em cheio! – avisei-os e eles me contaram que toda equipe parou para ver meu streaming. Já pensou ser a pessoa que faz um ao vivo para uma equipe da maior empresa de broadcasting do seu país? Só as mídias sociais permitem isso!
Eu ia contar um pouco sobre a exposição dela, mas ontem li um post que narrava tudo que ela falou e como foi escrito por uma das pessoas envolvidas no treinamento que a emissora fez com uma equipe de 200 profissionais para compreenderem e assimilarem este novo universo – o das mídias sociais online. Assim, sem mais delongas, deixo o link para que confiram o texto lá e tirem suas próprias conclusões sobre Como a Rede Globo se relaciona com as mídias sociais.
O que ele não enfatizou lá e eu posso falar, por estar entre primeiros atores de mídia social a manter um relacionamento (hoje diria que bastante estreito e frequente) com a equipe da emissora é que as coisas estão caminhando como ela conta no vídeo. Temos sido convidados a conhecer, desmistificar e acompanhar os lançamentos e campanhas da Globo sempre no melhor modelo de cortesia e camaradagem. Se postamos sobre os temas que, honrosamente, hoje recebemos antes até do que a imprensa, é porque eles caberiam em nossos espaços – foram boas pautas – e não porque somos pagos ou especialmente “convidados” para tanto.
P.S. Eu não preciso, mas vou explicar que tanto eu quanto Marcos Alencar, do painel Eu e meu n95, não fomos patrocinados pela Nokia para fazer uso do aparelho. Cada um adquiriu o seu por meios próprios e se acabamos usando e falando dele no mesmo evento de mídia social é porque a câmera do gadget é incomparável – pelo menos por enquanto não achei nada igual!
Mil Casmurros ganha prêmio em Cannes #tv
TV, bombou na web, midia social, redes sociais June 22nd, 2009
“Acredito que tem um Machado para cada um de nós e, nesta conta, mil é pouco. Nem que seja porque você leu forçado para a escola ou na lista de livros do vestibular, mas o fato é que em algum momento de sua vida já leu um livro do Machado de Assis. Ele pode ter ficado marcado como a coisa mais chata do mundo, ficado com o gosto da professora mais desagradável ou ter mudado sua vida.”

Ele mudou a minha vida como leitora e hoje mudou a vida de alguns dos atores da web 2.o no Brasil. O Gênio despertou a genialidade. No ano do centenário de Machado de Assis vimos várias manifestações enaltecendo o personagem extraodrinário que ele foi em sua época e que, como acontece com muito poucos, ele continua sendo até a nossa época. Em meu post Mil Machados eu comentei algumas exposições nas quais tinha visto diferentes Machados de Assis, dentre eles um que permitia que cada um de nós fosse um pouco Machado deixando gravada na web parte da leitura de Dom Casmurro. Mil Casmurros, ação idealizada pela Livead para a TV Globo, fazia parte da divulgação da estonteante microssérie (de Luiz Fernando Carvalho exibida em dezembro do último ano) que contava a fantasia de Bentinho sobre sua Capitu. Pois bem, hoje divulgou-se que graças a esta ação o Brasil ganhou Leão em PR (Public Relations) em Cannes.
(One Thousand Casmurros from Livead on Vimeo que achei no Brainstorm)
O entusiasmo dos envolvidos (soube por @santahelena, esposa de @ianblack, autor da campanha e depois conversei com @blogdocarlos, da área de novas mídias na Rede Globo) é imensa e não poderia ser diferente. Mesmo para uma empresa internacionalmente reconhecida como a TV Globo, este é o primeiro “Leão” na categoria – e o primeiro prêmio do Brasil nesta edição do Cannes Lions! O troféu é concedido na categoria estreante de Relações Públicas e todos nós, que trabalhamos com as “novas mídias”, ganhamos um pouco com isso. Parabenizo os envolvidos na peça “Mil Casmurros” (a bela leitura coletiva do clássico “Dom Casmurro” de Machado de Assis), em especial valorizando a abertura que, sem ser gênio eu já antevejo, este prêmio representa para a web colaborativa.
P.S. E como disse hoje @alexprimo: @ianblack Leão de ouro em Cannes é pouco para o Mil Casmurros. Sua criatividade e contribuição cultural extrapolou os limites da publicidade.
A league of our own
TV, mulher June 21st, 2009

Este era o título de um filme sobre os primórdios do beisebol feminino nos EUA. A história se passava na década de 1940/50 e as moças, apaixonadas pelo esporte, além de driblar várias situações pessoais para participar dos jogos, eram vistas como belas fugurantes no meio da programação principal.

Bem, os tempos mudaram, felizmente hoje uma liga feminina é frequentemente a “pièce de résistence” de uma programação. Um exemplo assim é o programa Saia Justa, que a GNT veicula há anos com sucesso. Soube que hoje estréia na Globo um programa que parece ser semelhante: Liga das Mulheres, que, segundo dizem, foi formada para discutir dilemas femininos. Quem faz parte da liga? A jornalista paulista Tonha Demasi, a quase-advogada mineira Maria Cristina Soares, a estilista carioca Verônica Black e a maquiadora de noivas paranaense Alessandra Grochko. (até eu achei que faltou uma nordestina, mas isso pode se resolver com o tempo, né?)
Vejam o que elas prometem
Apesar dos diversos estilos de vida, as quatro vão discutir um assunto conhecido por todas: os dilemas contemporâneos do sexo feminino. Comandada pela jornalista Renata Ceribelli, a Liga vai acompanhar casos de mulheres que pedem dicas para resolver problemas do dia a dia. A produção do ‘Fantástico’ recebeu milhares de histórias, de todo o país, com as mais variadas questões: desde a insatisfação com o corpo, passando por dificuldades em arranjar namorado, até a descoberta de um filho homossexual.
A cada domingo, um novo caso é contado. As câmeras do programa registram a rotina desta mulher que não consegue encontrar uma solução para o problema que vive. Depois, as imagens são assistidas pela Liga, que então debate, opina e chega a uma conclusão sobre o assunto. As conversas são sempre acompanhadas por uma especialista na área discutida. E, por fim, as impressões e dicas do grupo são reveladas para a “dona do dilema”, que tenta resolver a questão. O ‘Fantástico’ acompanha tudo.
A ação é 2.0, ou seja, como o novo quadro de Regina Casé (Vem com tudo), convida os telespectadores e internautas a contar seus dilemas no site do programa e diz: quem sabe a liga das mulheres ajuda a resolvê-lo?
P.S. Cá entre nós: é a cara do que eu, @lilianeferrari e @cybelemeyer temos feito na sessão de perguntas do Mãe com Filhos. Estamos descobrindo o Brasil e fazendo uma imensa pesquisa sobre as famílias brasileiras naquele espaço do site!
A primeira bailarina
TV, mãe com filhos June 21st, 2009
Na gravação do Altas Horas eu pude conhecer pessoalmente a única bailarina estrangeira que compõe o corpo de baile do Ballet Bolshoi na Rússia. Mariana Gomes, uma mineira criada na Bahia e formada pelo Ballet Bolshoi de Joinville (SC), realizou este feito há 4 anos. E ela tem apenas 21 anos! Há que se enaltecer isso, sabem?
Quem viu o programa sabe o que vou contar aqui. (E quem não viu, pode ver trechos no vídeo abaixo)
Ela tem uma trajetória de grande sucesso, mas, como acontece com quem foge das carreiras mais populares, não tem o reconhecimento que merecia aqui, em seu país de origem. Lembrei de Ana Botafogo (e da importância que tem seu empenho para que o trabalho que desenvolve seja reconhecido pelo grande público) e igualmente de grandes nomes brasileiros – como a Bidu Sayão, cantora lírica que o Brasil descobriu quando foi homenageada pela Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis em 1995. Muito tempo para alguém que começou a carreira em 1926.
(Aliás, deixo aqui uma nota sobre a Escola de dança Pulsarte, que visitei em abril último e que não aceita crianças abaixo desta idade para aulas de dança, mantendo um curso de brincadança para os menores.)
A consciência e a percepção que ela deixava escapar, em meio aos relatos de feitos profissionais no Bolshoi, me permitiu antever a personalidade de quem sabe onde e como quer chegar. Em duas ou três histórias sobre momentos de virada que ela viveu no corpo de baile da companhia russa mostravam que ela sabe negociar, sabe arriscar e pode fazê-lo porque consegue reunir duas coisas raras: a consciência de seu valor e a força para continuar a realizar incessantemente um trabalho árduo no cotidiano. Fui buscar notícias e imagens sobre ela e encontrei informações e fotos sobre uma das apresentações que Mariana mais gosta no post Ciranda da bailarina
Em nossa última entrevista, conversamos com Mariana Gomes, 21 anos, primeira bailarina estrangeira a ser contratada pelo Bolshoi da Rússia. Mariana continua sua coleção de conquistas. No começo de maio, ela ganhou a prata no Festival de Dança de Rieiti, na Itália, na categoria pas de deux clássico sênior, junto com o bailarino Mikhail Kryuchkov. Algumas fotos da apresentação no festival:
P.S. Neste domingo o Esporte Espetacular também veiculou uma reportagem sobre o ballet, a dureza da rotina de quem se dedica à dança e mostrou Mariana Gomes. Novamente ela reiterou sua gratidão à mãe, que a acompanhava em parte da entrevista. Indico para quem tem crianças que gostam de dançar e para quem pensa em investir a sério nesta carreira.




