Categoria: são paulo

Eu não “sou” da Mooca, mas aprendi a amar este bairro e a chamar de meu

Postado em são paulo no dia 29/07/2011

Ainda tem galpões na Mooca...

Não posso dizer, de boca cheia como quem é da terceira ou quarta geração nascida e criada por aqui, que “sou da Mooca”. Mas eu adotei este bairro tradicional e peculiar de São Paulo como meu e hoje digo, com muito orgulho, que Amo a Mooca. Falo sempre desta comunidade querida que me recebeu com os braços abertos e sorrisos nas faces quando mudei para cá em fevereiro de 2005 por conta do trabalho do meu marido e que me aceita, sem perguntar de onde venho, onde cresci, interessada apenas em saber se gosto de ficar aqui.

O Mooquense é um ser à parte. Acolhe, cobra, reclama, elogia, fica feliz e fala alto quando encontra outro igual. E a gente se encontra em todo lugar porque o povo da Mooca compra aqui, come aqui, passeia aqui. Aonde quer que a gente vá na região encontra as pessoas do bairro, cumprimenta conhecidos, descobre afinidades, é como uma vida em cidade pequena – nem tão pequena, já que o bairro, apesar de aconhegante e de ser um dos menos populosos da capital, passa dos 60 mil habitantes e tem um comércio invejável.

Pensei em tudo isso quando vi, há algumas semanas, a notícia de que o sotaque da Mooca pode virar patrimônio imaterial de SP. Segundo a notícia, há um pedido no Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico) para transformar o jeito de falar do paulistano da Mooca, zona leste, no primeiro bem patrimonial imaterial protegido da capital, transformando o “mooquês“, a forma peculiar de falar dos moradores do bairro e que criou expressões hoje identificadas com o sotaque paulistano, como “um chops e dois pastel”, “orra, meu” e “belo”, em patrimônio.

Foi interessante ler as explicações, que remetem à chegada dos ancestrais de muitos de nós ao Brasil, sobre o sotaque, contando que a dificuldade em aplicar o plural ocorre porque o “mooquês” surge da mistura do português com o italiano, língua em que o plural é realizado com as letras “i” ou “e” no final das palavras, e não com o “s”.

O pessoal daqui tem orgulho disso – e eu confesso que fico na dúvida se acho lindo ou assustador quando ouço meus filhos, nascidos em Curitiba e criados aqui, “esquecendo” dos plurais como faziam os imigrantes, mas adoro quando eles falam cantado!

E para quem pensa que aqui só tem italianos, uma correção: “o jeito de falar na Mooca foi criado por todo mundo que veio viver aqui. Italianos, espanhóis, lituanos, nordestinos”, diz Oreste Ferri – o ex-jogador da Portuguesa e do Juventus (time que é uma paixão na Mooca), corrige quem se arriscar a contar a história de forma superficial.

Li também que o mestre e doutorando em letras pela USP, Mauro Dunder, estudou o vocabulário da região da Mooca, mas joga um balde de água gelada na história do sotaque ser preservado. Segundo ele, não há como uma língua, ou simplesmente o modo de falar, ser preservado.

“A língua é um organismo vivo, que se manifesta de maneira espontânea e se perpetua ou não de acordo com uma série de fatores externos, como o crescimento do bairro, por exemplo.”

[Mooca] Mudanças na Mooca Baixa

Mas mesmo esta preservação tem seu valor, nem que seja para efeito de documento histórico, que, segundo já ouvi alguns historiadores estudiosos da imigração italiana no sul do Brasil contarem, ajuda até na preservação da identidade cultural italiana. Da minha parte, como mooquense não nascida aqui, mas que adotou com todo amor este bairro, faço votos de que, com ou sem o “tombamento cultural” do sotaque, a Mooca consiga preservar o que tem de melhor e que sua cultura afetuosa, acolhedora e natural sobreviva à especulação imobiliária que assola o bairro nos últimos anos.
:-)

P.S. No vídeo abaixo, uma brincadeira que eu e os meninos fizemos, tem um pouco da Mooca vista do café do SESC Belenzinho, bem como uma demonstração da diferença do sotaque dos meus meninos meio mooquenses e do meu, muito paranaense. (risos)

Vista do alto a Radial Leste tem muito “verde”

Postado em são paulo no dia 26/07/2011

Hoje, a caminho do metrô Belém, parei alguns minutos sobre a passarela de pedestres que cruza a Radial Leste e me surpreendi: vista do alto a avenida Alcântara Machado (o nome da avenida que leva ao extremo da Zona Leste paulistana, palco freqüente de congestionamentos homéricos da metrópole) é relativamente “verde”.

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Tanto deste ângulo acima (na direção do Tatuapé) quanto no sentido do centro da cidade (e caminho para o Minhocão), podemos ver várias árvores relativamente “antigas”, oferecendo sombra, reduzindo a poluição sonora e visual.

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Não seria excelente se, junto aos planos grandiosos que os governantes propagam para os preparativos da Copa do Mundo, estivessem contemplados projetos para ampliação desta área verde nas vias de grande fluxo de trânsito?

Por que gostamos tanto de compartilhar histórias, notícias e informações?

Postado em são paulo no dia 26/07/2011

“De acordo com Jonah Berger, autor de um novo estudo publicado na revista Psychological Science, a partilha de histórias ou informações pode ser impulsionado em parte pela excitação.”

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Nem vou entrar no mérito da questão, partam do pressuposto de que eu adoro compartilhar (afinal, estou sempre presente aqui, no Twitter, no Facebook, nos e-mails para os amigos). Felizmente não estou só: cada vez mais as pessoas compartilham histórias, notícias e informações com as pessoas ao seu redor. E este redor é bem amplo, hoje enviamos artigos por internet para nossos amigos, compartilhamos histórias com os nossos colegas de trabalho e passamos boatos adiante aos nossos vizinhos.

Este assunto esteve num texto do Diário da Saúde que me agradou muito e do qual me lembrei na viagem que fizemos para Curitiba na semana passada. Embora tenhamos ido pouco para lá em 2011 – dois finais de semana, correndo, em janeiro e maio – graças à internet nossos pais e irmãos estavam mais ou menos por dentro das nossas novidades, das viagens às comidas de domingo, das atividades escolares aos nossos clientes de trabalho. A transmissão social de dados que vem acontecendo há milhares de anos mudou com as tecnologias sociais – desde as mensagens de texto no e-mail e SMS até o Orkut e outros sites – que facilitaram nossa vida, nosso contato, nossa presença cotidiana.

O texto que li tratava de um assunto em especial: por que determinados conteúdos são mais compartilhados do que outros, e o que leva as pessoas a compartilhar?

“De acordo com Jonah Berger, autor de um novo estudo publicado na revista Psychological Science, a partilha de histórias ou informações pode ser impulsionado em parte pela excitação. Quando as pessoas estão fisiologicamente estimuladas, quer devido a estímulos emocionais ou quaisquer outros, o sistema nervoso autônomo é ativado, aumentando a conexão social. Simplificando, a evocação de certas emoções pode ajudar a aumentar a chance de que uma mensagem seja compartilhada.”

O curioso é que “se os artigos que evocam emoções mais positivas são geralmente mais virais, algumas emoções negativas, como ansiedade e raiva, na verdade aumentam a probabilidade de transmissão, enquanto outras emoções, como a tristeza, diminuem essa probabilidade.”

Então quem lidera o compartilhamento social amplo é, segundo Berger, o personagem que está se sentindo com medo, com raiva ou divertindo-se, iniciando ou reforçando o processo bem sucedido de compartilhamento de notícias e informações. E faz sentido, vejam:

“Se alguma coisa faz você sentir raiva em vez de tristeza, você fica mais propenso a compartilhá-la com sua família e com seus amigos, por exemplo, quando você é demitido,” diz Berger.

Eu mesma tenho o que chamo de compromisso com meus pais: sempre que tenho uma notícia boa eu ligo para contar na hora. Falo rapidinho, mas falo assim que sei, com o entusiasmo que puder porque acho que eles, que investiram tanto em mim e querem tanto meu bem, merecem ouvir boas notícias minhas sempre que eu as tiver. Mas, por outro lado, confesso, evito contar de coisas chatinhas, como uma gripe mais forte, a empregada que me deixou, um cliente pouco justo… espero para ver se consigo reverter ou resolver a situação antes de transformar em notícia para não viralizar algo ruim.

E esta viralização é o grande tema da pesquisa de Berger.

“Há muito interesse no Facebook, Twitter e outros tipos ou meios de comunicação social de hoje, mas, para as empresas e organizações usarem estas tecnologias de forma eficaz, elas precisam entender por que as pessoas falam a respeito e compartilham certas coisas.”

Creio que ainda é cedo para concluirmos muitas coisas, mas é bom ficar de olho nas implicações de estudos assim, pois elas afetam nosso cotidiano – e no caso de gente como eu, nosso trabalho. Pode parecer que não, mas o comportamento das pessoas é fortemente influenciado pelo que os outros dizem e fazem. Tanto para uma empresa ou organização que queira levar as pessoas a falar mais sobre sua marca quanto para figuras públicas (ou privadas, mas com vida pública nas redes sociais) estes resultados fornecem indícios de como projetar mensagens e estratégias de comunicação mais eficazes.

Acho que gosto de São Paulo…

Postado em são paulo no dia 22/07/2011

Na verdade, amo São Paulo, sua diversidade, sua urbanidade caótica e sua gente. Sempre que viajo eu volto feliz para cá, pode?

Algumas pessoas não se encantam com a grandiosidade da cidade, como mostram estas fotos que fiz no Terra semana passada, do alto do 36º andar do WTC (e que faço questão de publicar sem filtro).

São Paulo, vista do 36º andar do WTC

São Paulo, vista do 36º andar do WTC

Podem se encantar com as pequenas coisas da cidade, como estes grafites na av. Rebouças ou as pombas numa praça aqui da Mooca.

Grafites de São Paulo

São cenas ora singelas, ora grandiosas (como os congestionamentos de mais de 140km nas marginais) que fazem nossa vida aqui ser única. E, para alguns como eu, feliz.
:-)

[update]
Há pouco no Facebook eu conversava sobre este post com dois amigos virtuais cariocas e comentei que eu achava que nunca sentiria isso, este “pertencimento”, daí aprendi a amar Tóquio e agora achei minha terra do coração em Sampa. É daquele tipo de amor que não é cego nem surdo, mas que consegue amar sem colocar condições para isto e que ao mesmo tempo busca melhorias em si e no ser amado para viverem plenamente.
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Pensando nas peruas paulistanas de #passione e #tititi: Zona Lost virou Zona Luxo?

Postado em são paulo, TV no dia 17/08/2010

“Eu já fiz o meu ‘upgrade’. Só vou sair do Tatuapé para morar no Jardim América.” A frase do estilista Jacques Leclair (Alexandre Borges), dita para o rival Ariclenes (Murilo Benicio), apareceu num dos capítulos de “Ti Ti Ti”.

Na Ilustrada de domingo, 01/08, uma matéria tratava da “Zona Luxo” referindo-se a um bolsão de “riqueza” que se forma num dos bairros da Zona Leste (Zona Lost, para os maldosos). Eu que, desde que mudei para Sampa em 2005 só morei na Mooca, tradicional bairro que marca a entrada para Zona Leste (tem gente até que, para me agradar, fala que Mooca não é ZL, pode?), ainda me impressiono com o preconceito que existe em torno da região.

Sempre ouvi falar nas novelas sobre os moradores da Zona Sul e Zona Norte no Rio, mas não imaginava a mesma separação na capital paulista. Que triste notar que ela existe! E está sendo retratada, aberta ou indiretamente, em duas novelas atuais, o que faz com que a população local reagisse. O que vejo, pelo menos na Mooca, é o contrário da conversa entre os dois personagens que se cruzaram no Belenzinho, bairro da Zona Leste onde cresceram. Tem gente que, como Jacques Leclair, mudou-se para o Jardim Anália Franco, a “cereja” do Tatuapé, mas quem saiu daqui vive na saudade ou então pensa em voltar.

Mas e personagens como a perua Clô (Irene Ravache), de “Passione”? A dondoca, que só pensa em mudar para o lado dos ricos, odeia o bairro onde mora e, embora oficialmente a emissora não afirmar que ela mora no Tatuapé, muitas cenas de Clô foram gravadas no bairro, o que levou os telespectadores a conclusões.

A matéria da Folha levantava uma questão que acho pertinente e que tem sido debatida em comunidades do Orkut: “Será que a Globo só mostra as coisas bonitas do Rio?” e “É errado ela falar assim do Tatuapé. E não tem ninguém cafona como ela aqui”

E sobre o Belenzinho, embora eu goste muito do núcleo da vila onde moram a personagem de Dira Paes, Elisângela, Marco Rica e Murilo Benício, o fato é que a periferia ficou meio caricata! Tanto quanto o povo (rico ou pobre) passeando no Ibirapuera, valha-me Deus! Acho que está na hora da equipe da emissora passear mais por Sampa, não é mesmo?

São Paulo é melhor capital para turista – mas o Rio de Janeiro continua lindo…

Postado em Cotidiano e sociedade, são paulo no dia 28/12/2009

Praia de Copacabana, foto que tirei numa das viagens que fiz para lá em dezembro

O título não foi imaginado por mim, li numa matéria de Fábio Grellet na Folha de S. Paulo há uns dias. E não é chutômetro: a avaliação foi feita pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) a pedido do Ministério do Turismo e realmente concluiu que São Paulo é a capital brasileira mais bem estruturada para receber turistas. E, dentre as cidades que não são capitais, Foz do Iguaçu é a melhor, seguida por Ouro Preto.

A avaliação envolvida 65 municípios (27 capitais e 38 não capitais) em 13 aspectos, com notas de 0 a 100 a cada item, dentre os locais considerados alavancadores do desenvolvimento turístico regional e no contexto em que estes 65 influenciam 519 municípios vizinhos.

Seria difícil competir com a maior cidade da América Latina. (more…)

#spcaos não seria o caso do Executivo reagir?

Postado em são paulo, Trânsito e Mobilidade no dia 08/12/2009

Acordei de madrugada novamente com muita chuva. Corre-corre para ver se as janelas estão fechadas e, como sempre, duas coisas passaram pela minha cabeça: “que dó de quem mora sem segurança” (ou em baixios) e “amanhã São Paulo estará caótica”.
Mas sabem, ou faltou imaginação para mim ou a situação do trânsito de São Paulo está desumana mesmo.
[Deve ser um pouco dos dois, né?]

Segundo divulgava a mídia, São Paulo amanheceu assim: (more…)

Parque Buenos Aires

Postado em são paulo no dia 19/09/2009

parque buenos aires rua

Outro dia, depois de perder o horário de uma sessão de cinema num sábado, rodamos e acabamos nos deparando com um parque em Higienópolis. Não resistimos, paramos o carro e fomos conhecer o Parque Buenos Aires (Av Angélica, s/n, altura do número 1500, São Paulo, SP).

Eis que li que o local está fazendo aniversário e obras de oito artistas estão expostas por lá, parte das comemorações de 96 anos do estabelecimento. As comemorações tiveram início no último sábado e seguem por todo o mês de setembro com intervenções e instalações de oito artistas, que juntos dão vida à mostra Oxigênio, dialogando com o parque. Entre os expositores estão Guto Lacaz, que resolveu colocar livros flutuantes na água, Dário Bicudo montou uma arquitetura aérea com fitas, Fernanda Eva recortou animais, entre outros.

parque buenos aires escultura

Segundo a Veja,

“O espaço foi concebido em 1913, pelo paisagista francês Joseph-Antoine Bouvard. Era a Praça Higienópolis, que depois virou Buenos Aires. Em 1987, porém, o local foi cercado por grades, ganhou administração, banheiros e status de parque. No projeto original, foi construído um mirante e um observatório astronômico. Esse último foi demolido e em seu lugar estão a área de lazer infantil e a estátua Mãe, do italiano Caetano Fraccaroli. Outra escultura: O Tango, de Roberto Vivas. A arte também está nas diversas luminárias. De inspiração grega, eram utilizadas nas ruas da cidade em 1929. O parque também abriga a EMEI Monteiro Lobato. A freqüência é bem democrática. Entre idosos e mendigos, não faltam crianças e babás, cachorros e donos.” [Mas não é permitido andar de bicicleta ou outros brinquedos de rodinha!]

parque buenos aires

Volta ao passado na Praça Benedito Calixto

Postado em Pintura, são paulo no dia 01/08/2009

[Praça Benedito Calixto] por você.

Dia de ver coisas muito antigas: meu primeiro toca-discos, que usava para ouvir a Coleção Disquinho (com a orquestra de Radamés Gnattali) aos 4 ou 5 anos.

Neste sábado finalmente fomos conhecer a famosa feira de antiguidades da Praça Benedito Calixto, local que há alguns anos nos indicam como uma alternativa para nossa saudade da Feira do Largo da Ordem no centro histórico de Curitiba. Longe de ser um substituto, porque a Praça Benedito Calixto é um local à parte, com uma efervescência cultural mais cosmopolita, a feira nos fez um bem enorme. Como me disseram algumas amigas, o passeio é realmente a nossa cara.

Curtimos muito tudo – embora nem tenhamos aproveitado o chorinho – e nos encantamos ontando e lembrando histórias de infância, com coisas da vovó – e algumas nossas.

[Praça Benedito Calixto] por você.

Na cozinha da minha mãe tinha uma dessas.

[Praça Benedito Calixto] por você.

Minhas primeiras lembranças de ligar para meus pais da casa da minha avó Maria é de um telefone igual a esse!

:)

Será que meu avô usava uma assim?

[Praça Benedito Calixto] por você.

Ou assim?

[Praça Benedito Calixto] por você.

Eu tive uma Zenit igual a essa com a qual fiz o fotojornalismo na faculdade – deu saudade e a noção de que equipamentos como ela me prepararam para os gadgets que eu uso hoje com tanta paixão.

[Praça Benedito Calixto] por você.

:)

P.S. E por fim, a noção de que o meu filho está praticamente do meu tamanho!

[Praça Benedito Calixto] Mãe (zinha) com filhos por você.

Dragões, sapos, lagartos - lá também tem artesanato. ;)