Mar
17

A senhora era eu

collage4.jpgHá alguns dias, Lunna publicou uma entrevista que fez comigo e lá ela falava contava de uma tarde agradável que passamos juntas num café na Liberdade. Aquela tarde, marcante em muitos sentidos, me fez escrever uma pequena crônica e me fez voltar a pensar nos personagens que somos. Um deles está retratado no texto e outros eu vou deixando por aí, nos textos todos e em entrevistas nas quais sou Personagem.

Hoje no Nossa Via eu os convido a pensar nas muitas pessoas que vivem dentro de vocês e, claro, a me contar sobre elas. Passem lá!

E se quiserem ler a crônica, ei-la aqui:

A senhora era eu
Estava num café há horas com uma amiga que é nova e velha ao mesmo tempo. Sinto-me uma velha alma mudando sempre de corpo como quem troca de roupa e esta amiga é nova nesta roupa apenas. Read the rest of this entry »

Mar
15

Peixes e cupuaçu

peixes-beijando.jpgEstou aqui vendo meu amor se debater “tesourando” a poupa de alguns cupuaçus que trouxe de Belém para mim. Que trabalho, suco de cupuaçu vale qualquer preço - e o maravilhoso bombom idem!

O tempo juntos, de fazer juntos coisas domésticas aparentemente chatas, mas fazer delas um momento prazeroso a dois, lembrou-me esta poesia que li no Acqua outro dia, num texto interessantíssimo sobre a poesia feminina no Brasil, com nomes - Adélia Prado, Ana Cristina César, Alice Ruiz - que me lembraram muito o começo de adolescência. Passem lá para ler, vale cada frase, está em A nova poesia feminina.

Há mulheres que dizem:
meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
eu não. a qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
é tão bom só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como “este foi difícil”
“prateou no ar dando rabanadas”
e faz o gesto com a mão.
o silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.
Adélia Prado
Mar
10

Flores azuis para o dia do homem

 

730621_51129678.jpg“Pelo segundo ano consecutivo, no dia da mulher, meu filho me pergunta quando é o Dia do Homem. Não gosto de ter que responder que não há uma data especial para eles porque assim eu enfatizo a diferença. Se o desejo é de igualdade por que enfatizar as diferenças?”

E o dia do homem? Apresentei assim hoje no Nossa Via minha defesa do mundo masculino no qual estou inserida - sim, vivo num mundo diferente, onde os homens são maioria, eles (os três) lavam a louça antes de pedir, não precisam de datas para dar bombons e também ganham flores de presente. Mas aqui superamos alguns dos tabus que o mundo ainda discute sobre homens e mulheres - alguns dos quais eu listei e linkei lá - e tentamos não perpetuar idéias como a que diz que “rosa é cor de menina”, “homem não pode ser sensível”, “lugar de mulher é na cozinha”….
Como mãe eu faço a minha parte para que um dia possamos não precisar mais das cotas, das lutas por igualdade, das piadas preconceituosas e possamos colocar nossas forças em lutas mais amplas, pelo bem estar geral da humanidade. ;)

read more | digg story

[update] Para não me entender errado, leia também:

Mar
01

Diário ou mídia social?

network.jpgAs questões envolvendo jornalistas e blogueiros continuam saltitando, pontuais, na blogosfera. Nesta semana, não pude participar e opinar porque estive envolvida nos contatos iniciais com executivos e autores do Nossa Via, mas li o que deu pelo meu Google Reader. (Aproveito aqui para responder aos amigos que leram no meu post e me mandaram e-mail perguntando se aceitei o convite, aviso que sim. ;) )

Uma ótima leitura neste assunto foi uma entrevista Tiago Dória (e nela destaco a parte 2) no Não Zero. Blogueiro mais que reconhecido e também jornalista, com muitas reservas sobre a monetização vazia dos blogs (esta de criar um blog só para fazer dinheiro) ele é daqueles que, como eu comentava ontem com Wagner, um dia vão chamar de “dinossauro” dos blogs - não ri não, você também vai entrar nesta lista e, pior, vai ficar honrado! - e gostei de ver que ele começou normalzinho como eu e você. Reproduzo e destaco em negrito alguns trechos da entrevista com os quais me identifiquei ipsis literis:

“Montei o blog para desafogar a caixa de emails dos meus amigos, pois sempre mandava várias mensagens ao dia com coisas legais que havia encontrado na web. Para mim, o blog surgiu como uma ferramenta para registrar minha navegação na web. De certa forma, até hoje ele continua nessa dinâmica.

Estou transferindo um pouco desta profusão de dicas para o Meu Clipping, que criei para reproduzir notas (sempre com as fontes e links) sem dar muita opinião. Mas continua sendo muito disto aí para mim… ;) Esta é uma das muitas mudanças que notei que o blog, ao adquirir vida própria (motivada pelos comentários e o que vamos lendo e aprendendo por aí) nos força a empreender. O blog é o orgânico, tem vida, tem mobilidade, nos sentimos livres para criar e nos livramos da postura engessada que a experiência profissional - mesmo na internet - pode trazer.

“Como não existe um controle editorial, o blog acaba adquirindo vários ‘moldes’ ao longo do tempo. É algo orgânico, não estanque. Acredito que essa mudança ocorreu por que alguns leitores começaram a pedir que eu opinasse sobre alguns assuntos, além disso, passei a receber para editar o blog, o que garantiu que eu tivesse mais tempo para atualizá-lo.”

Neste ponto, mostrar que aprendeu com outro - e dar o nome do “professor” - é o que pode fazer o blog um espaço de troca fraterno, justo, favorecendo a dinâmica. O formato blog, com o hyperlink e a liberdade no tamanho do texto, couberam perfeitamente para mim. Antes da internet, eu costumava trocar cartas (para treinar inglês, depois para fazer novos amigos em português mesmo) e sempre dava uma dica de livro, se citava alguém era com aspas, enfim, sempre promovendo uma troca de informações. Depois veio o e-mail, os sites (eu tive vários sites temáticos no hpg - por puro deleite ou para divulgar meu trabalho- e por isso hoje entendo um pouco do html), o orkut (onde eu ainda mantenho algumas comunidades criadas em 2004), grupos de discussão (antes do Desabafo de Mãe eu já moderava um, o extinto Nossos Baixinhos), um caminho trilhado mais ou menos na mesma prática, promovendo networking.

“Acredito que a principal coisa que aprendi com o blog é que agregar é tão importante quanto criar conteúdo original. É relevante você não somente produzir conteúdo, mas ser uma espécie de hub* de coisas interessantes que estão acontecendo por aí. Uma espécie de DJ de conteúdo. Isso de feedback, interatividade, participação dos usuários não me impactou tanto, pois quando trabalhei com outras mídias já havia convivido com estes aspectos, mesmo que em menor escala.
Mas a característica mais interessante do blog é a sua capacidade de ser uma ótima ferramenta de networking, de aproximar pessoas que tenham, mais ou menos, as mesmas afinidades. Por meio do blog, conheci muitas pessoas interessantes.”

Eu continuo fazendo do blog um diário, ainda não recebo para escrever aqui. Sinceramente, não sei se mudaria minha prática se recebesse, acredito tanto na mídia social que continuaria no mesmo formato de textos e fomentando, sempre, a troca com o leitor, que é meu principal objetivo. E você, com sente que está conduzindo o seu?

P.S. Mídia social foi um termo que se tornou consenso nesta semana no Café com Blog para definir a ação da blogosfera como um novo meio de comunicação, separado até da internet, da qual derivou. Durante a semana muita gente tratou do tema e eu nem vou repetir, convido os interessados a lerem alguns:

* hub é um termo da informática, aquele que interliga diversos computadores e faz redes funcionarem. Se você tem mais um computador usando internet em casa, deve ter um. Traduzem-no como concentrador, que cabe bem no uso que se faz da expressão para blogs: por ele passam informações que são distribuídas na rede, replicando a notícia.

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Feb
28

Eu me rendo: o retorno

collage7.jpgHoje aconteceu uma coisa engraçada no blog. Chegou um comentário que valia um post. Convido para que leiam lá o texto integral de Lila Fonseca. A frase final diz:

“É a isso que eu me rendo! A fazer tudo aquilo a que tenho competência!”

Foi sobre o texto Eu me rendo, da Danuza Leão, que eu postei em 01/09/2007 e que quem quiser pode conferir aqui. Se você não se convenceu, vou deixar o primeiro parágrafo para decidir se clica no link ou não:

“Quantas mentiras nos contaram; foram tantas, que a gente bem cedo começa a acreditar e, ainda por cima, a se achar culpada por ser burra, incompetente e sem condições de fazer da vida uma sucessão de vitórias e felicidades.
Uma das mentiras: É a que nós, mulheres, podemos conciliar perfeitamente as funções de mãe, esposa, companheira e amante, e ainda por cima ter uma carreira profissional brilhante.
É muito simples: não podemos. “

Postei o texto não exatamente porque concordo com todas as palavras (não mesmo), mas porque gostei da crítica ao ideal de mulher que as revistas femininas defendem, ainda que subliminarmente. Este ideal que já discuti no Nossa Via em “Que padrão de beleza é este?” e a exigência de ser super mulher que ainda pesa sobre todas nós. Eu tenho amigas que conseguem dar conta de tudo, aliás, hoje mesmo falei com uma delas no fone: executiva (administradora), mãe de dois filhos educados e inteligentes, que mora muito bem, dá atenção ao marido toda noite (não estou entrando em detalhes sobre o tipo de atenção, considero todas formas de convivência conjugal importantes), chega em casa tarde e ainda prepara o jantar pessoalmente, pouco antes de ler um livro para cada filho antes de irem para cama. Outro dia conversávamos sobre cansaços e alegrias de ter dois filhos e ela me contou que planeja ter mais um. Quer mais? Ela não tem um grama de peso extra, é magrinha na medida. Na verdade, é tão atenciosa que lembra aquelas personagens “Helena” das novelas do Manoel Carlos, com exceção de que ela tem um ótimo casamento - e as personagens dele não.

Bem, eu não sou assim, deve ser por isso que eu me rendi. Adoro a comida que a empregada faz, fico chateada quando não vou à manicure toda semana, adoro meus guarda-costas mas não me culpo por gostar de ficar sem eles, sou uma bagunceira com tudo menos com meu mundo virtual-eletrônico. Mas, acima de tudo, sou uma crítica das exigências que a sociedade faz à mulher atual. Com a mesma veemência eu defendo os homens atuais. Exige-se que sejam sensíveis, bons cozinheiros, massagistas, atletas, amantes incríveis, profissionais super bem sucedidos (como hoje trabalhamos, eles precisam “gastar” muito mais para nos impressionar), pais de propaganda de gelol, filhos e genros dedicados e tolerantes, homens cultos, tudo sem deixar de ser muito másculos. Eu me rendo à minha incapacidade de não ser capaz de ser tudo e de ser feliz assim mesmo, a despeito da minha negação ao modelo pré-estabelecido.

E você? Faça como a Lila e me deixe contente me mostrando um novo ângulo sobre o mesmo tema! (E se por acaso resolver postar no seu blog, me mande o link ou faça trackback. ;) )

P.S. A imagem é de duas figuras de super mulher que eu tinha na infância: Mulher Maravilha e Supermãe (que vinha em quadrinhos da revista Claudia, eu acho) : universos que não se encontram, mesmo que desejemos. Será?

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Feb
24

Love of my life

“When I grow older,
I will be there at your side,
To remind how I still love you”

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=QtqADo-D3mQ]

Ontem foi aniversário do meu amor e hoje completamos 12 anos de casamento. Passamos um final de semana lindo e amoroso com os “guarda-costas mirins”, com muita comemoração com amigos e entre nós. E agora há pouco Gui estava no youtube ouvindo umas reportagens antigas (e engraçadas, do Renato Machado e Gloria Maria cobrindo o Rock’n Rio) e ouvindo Love of my life do Queen. Esta música é muito bonita e especial, foi uma das primeiras que aprendi a cantar (entendendo) em inglês quando entrei no Fisk. Não tem muito a ver conosco, exceto pelo nome (Love of my life) e algumas frases que postei acima, mas é linda e romântica e representa de certa forma a capacidade que temos de sempre recomeçar e buscar incessantemente a felicidade a dois.

Desejo que esta construção contínua de um cotidiano feliz esteja presente na vida de todos que passam por aqui. ;)
P.S. Na verdade, a música do Queen que caberia melhor no dia de hoje seria You’re my best friend.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=Wdt5QwssWY4]

Ooo. you make me live
whatever this world can give to me
It’s you, you’re all I see
Ooo, you make me live now honey
Ooo, you make me live
You’re the best friend
that I ever had
I’ve been with you such a long time
You’re my sunshine
And I want you to know
That my feelings are true
I really love you
You’re my best friend
Ooo, you make me live
I’ve been wandering round
But I still come back to you
In rain or shine
You’ve stood by me girl
I’m happy, happy at home
You’re my best friend.
You’re the first one
When things turn out bad
You know I’ll never be lonely
You’re my only one
And I love
The things that you do
You’re my best friend
Ooo, you make me live.
I’m happy, happy at home
You’re my best friend
You’re my best friend
Ooo, you make me live
You, you’re my best friend

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Feb
22

Co-work at home

coworking-home-office-22-2-2008-10-57-01.jpgWagner comenta hoje o Coworking num interessante ponto de vista, do qual discordo apenas que estejamos em “bases de trabalho independentes, com todo o incômodo e com os inconvenientes que isso pode trazer“. Já foi assim, hoje acredito que cada vez mais seja dentro dos critérios básicos como os indicados no Efetividade e comentados aqui por mim mais de uma vez.

A revista Casa Claudia deste mês tem especial sobre “escritórios em casa” para quem optou por trabalhar como nós. Tenho visto várias reportagens assim e denunciam uma mudança de paradigma. :>

No geral quem opta por empreender (sozinho) um trabalho virtual tem duas características (falo como leiga, mas depois a gente “encomenda com a Karyne um estudo sobre isso):

  • é um ser gregário, ainda que seja um rato de computador tímido, busca contatos com outros “iguais” ou “diferentes” dele
  • e é uma pessoa capaz de trabalhar com um mínimo de organização - até porque acaba assumindo, como nós, mil e um trabalhos ao mesmo tempo.

Mas admito que, mesmo confortável no meu canto, sinto a maior falta de gente, do cafézinho para espairecer e do chopinho no final do dia! A conversa animada, a troca de idéias flui de forma totalmente diferente no real. Por isso a idéia de um Q.G me deixa contente e pela mesma razão tenho feito meu lobby para encontrar as “colegas” de Nossa Via Renata e Babi.

P.S. As imagens são do site da revista. Lá é possível ver uma estante para revistas (ou como diria Enzo, para hemeroteca) do projeto da Flávia Brito. Amei!

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Feb
20

Macbeth

Shakespeare soa erudito demais para muita gente. O teatro carrega o mesmo estigma. Um release que recebi agora parece ser a chance de mudar de idéia sobre isto, pois o patrocinador da montagem de Macbeth - A peça escocesa está oferecendo uma sessão aberta no dia 22 de fevereiro, às 21h, no Teatro João Caetano. 438 ingressos serão disponibilizados gratuitamente na bilheteria do local uma hora antes do espetáculo (são 2 convites por pessoa).

A tragédia shakespeariana traz à tona temas como ética, política e traição, questionando a natureza humana e a busca pelo poder. No elenco estão Evandro Soldatelli e Renata Zhaneta ? que ganhou o prêmio de melhor atriz da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) 2007 por sua interpretação na peça. A estréia da montagem neste ano coincidiu com o aniversário de São Paulo e na época divulguei em detalhes em MACBETH - A Peça Escocesa.

Você conhece esta história?

Ao voltarem de uma batalha vitoriosa, os valentes generais escoceses Macbeth e Banquo encontram no caminho três feiticeiras que lhes fazem a seguinte profecia: Macbeth se tornará rei um dia e Banquo será o pai de uma linhagem de reis. Instigado por sua ambiciosa esposa, Macbeth mata o rei Duncan, que estava hospedado em seu castelo, e faz com que a culpa recaia sobre Malcolm, filho de Duncan. Por ser o próximo na linha de sucessão, Macbeth é coroado rei.
A partir daí, ele passa a eliminar todos aqueles que representem uma ameaça ao seu poder, a começar por Banquo. Protegido por uma nova profecia, que o torna imbatível, Macbeth aterroriza a todos, até ver-se cercado por forças invasoras, lideradas por Malcolm, que veio para recuperar o trono e reestabelecer a ordem.

Lady Macbeth é uma das maiores vilãs de todos os tempos!

macbeth.jpgA história, disponível em livros traduzidos por todo o mundo, foi escrita nos anos da maturidade do autor, entre 1605 e 1606, segundo li no blog 100 livros para ler. De lá também é a dica deste pocket book da Coleção L&PM Pocket, com preço sugerido de 9 reais! Helô apresentra resenhas de outras obras shakespereanas, vale a pena conferir:A tempestade, O Rei Lear, Hamlet,Muito barulho por nada (minha favorita), A megera domada e Sonhos de uma noite de verão.

Não sou fã nem entendo tão bem a obra dele, mas Macbeth era um dos livros da biblioteca da minha mãe - na versão em português-, mas admito que os conflitos dos personagens são imortais e as histórias, mesmo trágicas, continuam a nos envolver. Quando comecei a aprender inglês de verdade (na prática, fora da escola de inglês que frequentava duas vezes por semana, na convivência com amigos intercambistas do Rotary Club), me disseram que eu precisava ler Shakespeare no original um dia. Não comprei, mas hoje os e-books de obras classicas (e já sem direitos autorais) nos ajudam muito. Macbeth pode ser lida no original aqui.

O cinema já fez várias adaptações, sendo uma delas do cineasta japonês Akira Kurosawa (1957) e o norte-americano Orson Welles (1948). Mas vários europeus se dedicaram a ela, como o italiano Mario Caserini (1908), o austríaco Richard Oswald (1921) e o polonês Roman Polanski (1971). Faltou uma versão tão boa quanto a de Muito Barulho Por Nada, de Kenneth Branagh (um dos maiores intérpretes de Shakespeare na atualidade), não é mesmo?

Serviço:

  • MACBETH - A Peça Escocesa
  • Local: Teatro João Caetano - Rua Borges Lagoa 650 - Vila Clementino; tel (11) 5549.1744.
  • Horários: sextas e sábados às 21h; domingos às 20h
  • Temporada: de 25 de janeiro a 02 de março de 2008.
  • Ingressos (fora desta promoção): R$ 15 (inteira); R$ 7,50 (estudantes, aposentados e portadores de deficiência, clientes do Banco Nossa Caixa que apresentarem o cartão do banco no ato da compra do ingresso).

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Feb
20

Cremação

946007_cherry_blossoms__arlington_cemetery.jpgO tema é estranho, mas passei as últimas horas falando dele com Giorgio. Hoje pela primeira vez em sua vidinha de 5 anos e 4 meses ele foi ao velório de uma pessoa da família, um tio-avô do Gui. Estes eventos no geral são oportunidade para nos encontrarmos com pessoas da família ou amigos há muito deixados para trás na correria do cotidiano e hoje não foi diferente: primos de segundo grau, suas famílias, os tios mais velhos. Sensação boa de estar com gente querida num momento importante.

Na minha infância os velórios eram situações cheias de sussuros, com velas, coroas de flores (que eu achava fedidas) e pessoas em romaria beijando as mãos do morto. Nunca gostei disto. Prefiro celebrar a vida de quem vai. No enterro de minha Batian (avó) minha prima Leninha, que na época tinha 12 ou 13 anos, teve um gesto que ficou marcado em minha memória. Ela pediu para ler uma poesia antes de descerem o túmulo. Parece-me que a Batian ia com mais leveza para o espaço que comprara no cemitério onde estava enterrado o Ditian, um túmulo de granito negro com kanjis japoneses do nosso sobrenome e que repousava à sombra de uma bela árvore.

Na minha família japonesa a morte é encarada com mais naturalidade e depois destes eventos sempre há uma confraternização. Este costume choca algumas pessoas, mas a chance de conversarmos mais longamente com pessoas queridas, se inteirar de sua vida atual e relembrar momentos com aquele de quem nos despedimos é rica e reconstrói relacionamentos.

Mas hoje não era a família japonesa, era o lado da ascendência espanhola do Gui. Em certo momento a situação me lembrou o personagem do Orlando Bloom (Drew Baylor) no filme Elizabethtown. O vazio de decidir o que fazer com as cinzas do pai, os reencontros com familiares que não reconhecemos, a estranheza dentro daquilo que, infelizmente, deveria ser familiar e emocionante são sentimentos que percebo nestas situações. Estivemos no Crematório da Vila Alpina e confesso que foi meio assustador ver o caixão subir por um elevador, vindo de um espaço no centro do ambiente na sala circular onde acontecia a cerimônia ecumênica*. O nome da cerimônia não condizia a situação, porque nada tinha de religioso.

Nós, os familiares, nos sentamos lá e ficamos em silêncio, ouvindo Quatro Estações do Vivaldi (que Giorgio adorou) e, como dizia num cartaz pregado à porta de entra, “O silêncio é foi uma forma de prece“. Gui (lembrando-me muito a postura de seu pai) pensou em se levantar e falar algo, mas não o fez, nem ele se sentiu à vontade. Fizemos em silêncio nossas orações e fiquei espantada com a sensibilidade que o Giorgio demonstrou, preocupando-se sinceramente com o “último tchau” e com os primos que choravam a perda do avô. Nestes momentos aprendemos a ser gente e só é possível fazê-lo na vivência pessoal. Vi que meu filhinho já aprendeu.

* No Dicionário Aurélio ecumenismo é um movimento que visa à unificação das igrejas cristãs (católica, ortodoxa e protestante). A definição eclesiástica, mais abrangente, diz que é a aproximação, a cooperação, a busca fraterna da superação das divisões entre as diferentes igrejas cristãs.

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Feb
18

Vó Gorda

“O Senhor te abençoe e te guarde!
O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti e te seja benigno!
O Senhor mostre para ti a sua face e te conceda a Paz! ”
Nm 6,22,26

vo-gorda.jpegA bênção acima é para minha avó Maria Augusta, mãe de minha mãe. Eu sempre lhe pedi “a bênção Vó” nos encontros e despedidas, ao acordar e ao dormir, com aquele beijo na mão retribuído por ela com beijos no rosto. Hoje, quando faz exatos 20 anos que ela se foi, quem a abençoa sou eu. Foi neste exato horário de final de tarde, ao sair da sessão de hemodiálise na Santa Casa, que ela simplesmente não aguentou. O coração parou e, segundo nos relatou um amigo que estava com ela, Vó Gorda sorria contando alguma história sobre nós. Era jovem, tinha apenas 63 anos. Certamente não é idade para deixar a família, mas certas coisas não se escolhe. No entanto, como neta (mais velha e eu sempre digo aos meus primos, para fazer ciúme, que era a favorita) escolho lembrar dela quando tenho vontade e me permitir imaginar como seria ainda tê-la. Ela sempre repetia que seu sonho era me ver fazer 15 anos, um marco na sua visão de mundo. No entanto, sei que se orgulhou mesmo em minha formaturinha de primeiro grau. Analfabeta funcional, apesar de viúva de um jornalista -e dono de jornal- ela via no estudo a maior bênção da vida. Viu os filhas se formarem na faculdade e dos netos não mais esperava, tinha plena certeza de seu sucesso naquilo que lhe parecia o melhor, o estudo, a educação.

Talvez ela devesse ter desejado me ver realizar mais porque faleceu 13 dias depois dos meus 15 anos. Não me viu me formar outras vezes, no segundo grau técnico e na faculdade, não me viu casar, ser mãe, ser feliz. Mas nestes 20 anos eu tenho me permitido imaginar como seria se ela estivesse aqui e creio que esta capacidade de vivenciar seu amor a faz presente. Se olho para trás, parece-me que não foi há tanto tempo e que ela de fato estava aqui, realizando-se com minha felicidade na carreira, na maternidade, no casamento. Digo aos meus filhos que nenhuma bisavó teria um colo tão bom quanto o da vó Gorda e como na história de Bisa Bia, Bisa Bel penso se um dia eu serei esta bisavó que ela não foi. Terei este colo delicioso, o andar quieto no corredor a levar um leitinho morno para a neta que está estudando até tarde, o carinho de se lembrar de comprar meias, enfim, as coisas que fazem as avós serem mais tão diferentes das mães, das tias, das babás.

Hoje é um dia especial. Vejo a vida em sua plenitude, acontecendo à revelia da nossa vontade. E agradeço a Deus pela vida que vivo.

P.S. Hoje também é o dia em que meu sobrinho CJ completa um mês de vida. :)

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