Mitos do amor intenso
Postado em Comportamento no dia 04/02/2008
Sabem que esqueci de avisar aqui? Como sempre às segundas, hoje tem artigo meu sobre comportamento e relacionamentos no Nossa Via. Trato dos Mitos do amor intenso. O título, meio estranho, eu sei, é uma mescla de dois textos sobre relacionamentos que li e mereceram minha reflexão no final de semana. Tonobohn em Epifania, me fez pensar na intensidade que exigimos do amor romântico na atualidade e Nospheratt me fez pensar em nós e nos mitos do casamento feliz. Tratei de ambos revendo as razões que me permitem ser feliz e casada há mais de dez anos.
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Alguns amigos já deram sua opinião e você vai me contar também? Clique aqui e comente lá.
Números para pensar
Postado em Comportamento no dia 03/02/2008
Não quero ser chata só porque não sou apaixonada por carnaval, mas num domingo em que só se ouve falar das caras, bundas e selinhos (e pensar que desfilar comportada é um desafio!), achei uns números interessantes na sobre o Brasil. E não são sobre os valores gastos pelos ministros Orlando Silva e Matilde Ribeiro com cartão de crédito corporativo do Governo, que, aliás, já anunciou tarde mudanças nas regras para uso. (este tema deixo para Letícia Coelho e Fábio Mayer tratarem). São para pensar no país que temos:
MORTALIDADE INFANTIL
- 20 …é o número de crianças que morrem antes dos 5 anos no Brasil, para cada mil que sobrevivem. Isso põe o país um pouco à frente da China e um pouco atrás da Romênia
- 57 …era a taxa do Brasil em 1990. A melhora representou um ganho de 27 posições no ranking mundial
TRABALHO ESCRAVO
- 5.877 …é o total de trabalhadores libertados de situação análoga à escravidão em 2007. É o maior número desde 1995, quando esse tipo de fiscalização começou
- 25.000 …pessoas no país ainda trabalham em “condições degradantes”, com remuneração precária e cerceamento de liberdade
ACIDENTES
- R$ 20 bilhões …é o prejuízo anual que os acidentes de trânsito causam ao país, segundo o ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Com base em números como esse, o governo proibiu a venda de bebidas alcoólicas em rodovias federais
- R$ 40 bilhões …é a perda de arrecadação estimada com o fim da CPMF. Sem acidentes, 35 mil vidas seriam salvas todo ano – e metade do problema de caixa do governo estaria resolvida
P.S. Com a confusão do uso do cartão corporativo do Governo, descobri o Portal da Transparência. Vale a pena passar por lá às vezes.
[update] Em 11/02 O Bem Amado (o uso do nome da novela do Odorico Paraguaçu é um trocadilho que precisa ser lido lá) Cartão Corporativo no Nossa Via.
Por que não nos incomodamos mais com o que fazem com o nosso dinheiro? Será que não nos consideramos donos?
Congo
Postado em Comportamento no dia 03/02/2008 Ainda se fala na Segunda Guerra Mundial como um conflito sem comparação na história moderna. Como descendente de japoneses e alemães, não posso negar a gravidade e a importância daqueles eventos. Talvez por esta ascendência (meu marido sempre fala brincando para mim que falou pouco para eu ser o próprio Eixo, falha que ele completou com sua ascendência italiana), não deixo de olhar para eventos recentes em que a humanidade caminha para erros de julgamento tão graves quando aqueles. Nesta semana a revista Época tem uma nota sobre a República Democrática do Congo. Segundo informam as estimativas sobre o número de mortos durante os seis anos da Guerra do Congo saltou de 4 milhões – embora historiadores e ativistas falavam em 30 mil pessoas por mês – para 5,4 milhões de pessoas. O novo número foi divulgado pelo Comitê Internacional de Resgate e inclui dados sobre os congolenses mortos mensalmente depois do cessar-fogo, cerca de 45 mil, sendo que metade são crianças! O site BBC para Africa confirma as informações.
(Se tiverem estômago, googlem e vejam algumas mas imagens. O Guardian tem uma série de fotos tristes e belas tiradas em 2001.)
Tento ser informada, mas me surpreendi com minha ignorância sobre alguns dados daquele país divulgados na nota da revista:
Com 63 milhões de habitantes, a República Democrática do Congo é um dos maiores países africanos. Sua floresta tropical é a segunda maior do mundo (só menor que a Amazônica), abundante em diamantes, ouro e cobre, entre outros minérios. Apesar da riqueza em recursos naturais, a taxa de investimento em saúde é uma das mais baixas do mundo: US$ 15 anuais por pessoa. A média brasileira em 2005, por exemplo, era US$ 206. No relatório da Situação Mundial da Infância 2008 do Unicef, o país ocupa a nona pior colocação em mortalidade infantil.
Sinceramente, não entendo como algumas pessoas conseguem conviver com os eventos históricos com tanta piedade e se chocar tanto com notícias sobre tragédias individuais e ao mesmo tempo fingir que situações como esta que o povo do Congo (e outros países africanos ou não) vive passem por uma nota fictícia no intervalo das novelas que a Globo transmite toda noite. Não estará se esvaindo de nós a condição humana quando adotamos esta postura?
*Em História, Eixo refere-se a um dos contendores da Segunda Guerra Mundial. Seus inimigos eram os Aliados. Encabeçado pela Alemanha de Adolf Hitler, pela Itália de Benito Mussolini e pelo Japão de Tojo Hideki e do Imperador Hirohito, seus membros se referiam a ele como “Eixo Roma-Berlim-Tóquio”. Além destas três nações principais, faziam parte outras menores. (fonte Wikipedia)
Street Art
Postado em Comportamento no dia 02/02/2008Para quem, como eu, não é afeita a carnaval (nada contra, mas não é da minha cultura sulista), acabei de saber pela Lunna da exposição Street Art – Do Grafite à Pintura Itália/Brasil, que abriu no dia 17/01 e estará no MAC até 17/02. A exposição é resultado da parceria com o Instituto Italiana di Cultura e o Consolato Generale d’Itália, de são Paulo. São 60 obras de artistas brasileiros e italianos sob curadoria de Vittorio Sgarbi e Fábio Magalhães.
A imagem de “Brilho da Força” foi divulgada no Notizie d’Italia e é de Higraff e compõe a série “Aspectos da Força”.
- Serviço:
- Street Art – Do Grafite à Pintura Itália/Brasil
- onde: Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP, no Ibirapuera
- endereço: Av. Pedro Álvares Cabral, s/ nº, Vila Mariana, São Paulo.
- entrada franca
- data: de 17/01 a 17/02
- horário: das 10 às 19 horas, de terça a domingo.
- informações: 5573-5255 / 9932
Agressão física – ou porque agressão verbal é uma forma de violência psicológica
Postado em Comportamento no dia 01/02/2008
Agressão verbal é uma forma de violência psicológica. Muita gente não percebe isto, mas é a verdade. Por que nossa sociedade aceita a agressão física e não dá a mínima para agressão verbal?
O tema, apesar de não fazer parte da minha realidade cotidiana, é um dos que busco divulgar, pela triste realidade que conheci acompanhando o trabalho de minha mãe, também defensora pública (no Paraná). Os posts que escrevi sobre a Lei Maria da Penha e sobre Delegacia de Mulheres são, há semanas, os que mais trazem leitores para este blog nos mecanismos de busca, o que quer dizer que minha militância com palavras está tendo resposta. Recebi até alguns comentários emocionados, verdadeiros desabafos, que me dão ânimo para escrever mais e mais sobre mundo feminino aqui.
Enquanto escrevo, estou “zapeando” um programa de TV e escuto: “Pelo menos eu não apanho”. A frase é de uma entrevistada do programa The Oprah Winfrey Show. Susan Still, hoje militante dos direitos femininos, contava que pensava isto ao ouvir histórias de mulheres que sofriam abusos dos maridos e se consolava dos maus-tratos verbais porque ele não a agredia fisicamente. Mas a agressão começou a piorar e os filhos, num depoimento, contam que sempre souberam quando as agressões físicas aconteceriam, pois sucediam discussões feias. O comportamento é repetido aqui em nosso país, com a diferença de que aqui não é considerado um delito gravíssimo um homem chutar a mulher estando de tênis ou usar um livro para bater nela. O uso destes instrumentos foi considerado um agravante na condenação do ex-marido de Susan. Mas aqui sei que não teria a mesma importância e ainda me pergunto o que nos faz tão atrasados neste aspecto.
Curiosamente – ou não – eu estava lendo o post da Tânia sobre o mês da mulher na cidade onde ela é defensora pública e pensava em divulgar aqui algumas das ações em Cuiabá. Seguem abaixo:
No dia 03 de Março a Defensoria Pública (de Cuiabá) fará uma apresentação de teatro de fantoches explicando a Lei Maria da Penha às vítimas da Casa de Amparo de Cuiabá. Para o dia 8 de Março haverá na sede da Defensoria Pública de Várzea Grande um mutirão voltado para às mulheres daquele Município. Além disso, o Núcleo Estadual de Execução Penal estáde / programando uma visita ao Presídio Feminino (Pascoal Ramos) onde será feito atendimento jurídico pelo Programa de Assistência ao Segregado, oportunidade em que as reeducandas assistirão ao teatro.
Artigos interessantes sobre o tema:
- Palmada não resolve e não há castigo corporal tolerável
- E o sociólogo não me convenceu do valor da lei da palmada #rodaviva
- Um tapinha não dói
- Lei Maria da Penha
- Delegacia de Mulheres (relato da minha experiência fazendo uma denúncia lá)
- Agressão verbal é uma forma de violência psicológica
- Blog Diga não à erotização infantil
- Aprendendo a prevenir: orientações para o combate ao abuso sexual
- Cotidiano violento: oficinas de promoção em saúde mental em Porto Alegre
- Atenção a vitimizadores sexuais, suas vítimas e acompanhantes no município de Florianópolis
- Lições de Gravelina: violência fatal contra a mulher
- IBGE Teen explica os diversos níveis de agressão contra a criança e traz estatísticas sobre violência corporal e violência econômico-social, como o trabalho infantil, com links para os temas em destaque
- Infância na mídia traz um resumo diário de notícias sobre crianças e adolescentes, publicadas em mais de 80 revistas e jornais brasileiros
- Infância rima com Paz – Blogagem coletiva sobre violência infantil
Coworking offline
Postado em Comportamento no dia 31/01/2008
Na blogosfera, ainda mais com os condomínios de blogs que se formam a cada dia, reunindo blogueiros com afinidades (temáticas, monetárias ou de caráter), o coworking é “ponto pacífico”. Até quem se acha acima dos mortais por suas milhares de pageviews por dia atualmente admite que é bom estar numa rede, ligado a outros seres humanos, numa troca humana saudável e sempre profícua para todas as partes.
Mas o coworking offline nem sempre acontece, mesmo que desejemos. Tenho tentado conhecer e trazer para minha convivência contatos com os quais sinto afinidades – no meu caso, as que importam são as de valores – e, mesmo que alguns evitem isto – e é preciso respeitar e calar diante deste limite que o outro impõe – tenho tido grandes acréscimos à minha vida. Lunna é um deles, ela e seu “amore” se tornaram amigos de toda família nesta temporada dela no Brasil. Simone e Gábi são amigos que não admitimos mais não ver quando vamos a Curitiba, assim como Manu não vem para cá sem me avisar. Breve espero conhecer Helton e Kaká, amigos de msn com quem combinei um lanchinho numa das manhãs do Campus Party.
Ontem outro amigo que já conhecemos (Gui e eu), o Wagner, escreveu sobre Coworking e relacionamentos não apenas virtuais. Chamou-me atenção os comentários e os ilustres comentaristas ao texto que fazia um apanhado das reflexões sobre esta necessidade presencial que talvez seja coisa dos “velhos” como nós, da geração que incorporou a internet nos relacionamentos já depois de adulta.
Eu estive envolvida em dois trabalhos não presenciais, uma revista do Japão (de 2001-04) e outro aqui em São Paulo entre 2006-07) e embora eles tenham me deixado ótimas lembranças e contatos, não sei se teria me mantido tanto tempo ou me portado da mesma forma se o presencial tivesse acontecido antes. Por outro lado, um pequeno gesto de simpatia que temos ao tomar um café num final de tarde com alguém pode significar uma parceria para toda vida, como também já pude vivenciar. Então, que venha o Campus Party e como consequência dele vários espaços e grupos de coworking em 2008.
Envelhecendo feliz
Postado em Comportamento no dia 31/01/2008
Ontem saiu mais uma edição do jornal eletrônico que Aline faz. Para quem não sabe, ela é uma entusiasta do positivismo e oferece mensagens positivas em seus blogs, editando bimensalmente um jornal que nos incita a ter uma postura de vida otimista. Na edição de janeiro e fevereiro de 2008 o tema é o envelhecimento feliz e Aline publicou uma poesia do meu sogro, que eu postei aqui no blog na data de seu aniversário de 65 anos, chamada O Umbral dos Tempos Maiores. Quem quiser conferir este e outros textos que refletem uma forma positiva de encarar a nova fase de vida que é a idade madura (e ela tende a ser longa e produtiva para as gerações que a alcançam agora) pode baixar o jornal em pdf aqui. Este texto já fez parte também da Coletânea Artesanal, da Lunna.
Uma das atitudes que meu sogro tomou ao se aposentar, em 2006, foi escolher atividades para se dedicar. Começou uma horta em casa, passou a cantar em dois corais (já gravou o CD La Piccola Città para um deles, o Coral Folclórico Italiano de Santa Felicidade) e faz aulas de natação. Mas as duas atividades que, creio eu, lhe dão maior prazer são as tardes em que conduz a neta para escola (e neste ano esta função de avô aumenta com outras duas netinhas em sua casa) e as aulas noturnas de alfabetização de adultos. Pelo que me lembro descobriu a ong que presta este serviço no bairro onde mora há 14 anos. Mas vou perguntar para ele a história inteira para contar aqui.
Livemocha
Postado em Comportamento no dia 23/01/2008Tribos
Postado em Comportamento, Consumo de Cultura no dia 16/01/2008
Perguntinha da Luma hoje: do que o homem é capaz quando quer conquistar? Vale passar lá e responder, além de rir com a foto de lingerie para homens. (Ugh… ainda prefiro uma cueca boxer basiquinha mesmo, meus três amores ficam lindos com elas) Se preferir saber o que eles querem, Elisabete postou sobre dez coisas que os homens apreciam numa mulher.
O ser humano é capaz de muita coisa para conquistar, verdadeiras loucuras, depende muito das exigências da outra parte, não é mesmo? Meu marido me conquistou de fato, depois da fase de atração física, sendo inteligente e companheiro e por isso sempre merece meus elogios. Mas ele ainda não é muito bom na separação de roupas para a máquina de lavar… no entanto, cozinha super bem!
E por falar nos homens, Kaká ontem relembrou uma matéria da Revista da Folha sobre as Tribos Urbanas. Eu, de minha parte, pensei naquele programa da Daniele Suzuki no Multishow, que acho muito legal e me diverte ver, bem naquele esquema de entrenimento. Como disse a Myla ontem, minha família é meio refém da telinha – e da telona também – mas com controle. Afinal, ontem mesmo comentei os 15 efeitos negativos que a televisão pode causar. Faltou um: preconceito contra mulher, em especial se for negra, como discorre bem Denise e soube no Meu Google Reader da Veridiana.
P.S. Sobre as tribos, vejam só: Indios protestam no MS contra instalação de igreja em aldeia porque temem perda da identidade cultural. Clique sobre a imagem para ver o protesto.
40 razões para não ter filhos?
Postado em Comportamento, Famílias interativas no dia 15/12/2007Engraçado o que 24 horas fora da internet num dia comum fazem com a vida da gente. Ontem tive uma tarde agradabilíssima com uma amiga querida que terminou com pizza já na companhia do Gui. Como tinha compromisso pela manhã, fiquei um dia sem navegar, olhar e-mail, chatear, etc. Resultado: 350 e-mails me esperando hoje, várias janelas ontem no msn e gtalk que ficaram abertos aqui e uma polêmica da qual não vou fugir: o conteúdo do livro No Kids – Quarenta razões para não ter filhos (dica de @simonezelner).
A francesa Corinne Maier foi oportunista e neste momento usa a questão para se promover num país que tem problemas sérios no saldo de nascidos e aposentados. Mas a questão principal está no debate, que mostra o momento pelo qual passam as mulheres neste início de século. Já conquistamos o direito de ter menos filhos (com o advento da pílula) e agora surge o direito de não tê-los. Ponto final. Para quê distratar quem quer ter filhos ou quem não quer? Li numa resenha do site francês Evene que o livro busca desmoralizar os futuros pais ao atacar um dos tabus mais intocáveis da sociedade: a criança. Também foi o que Andréa entendeu.
E como o texto do Evene termina com“‘l’ enfer, c’est les enfants” (o inferno são as crianças) quero dizer que, como falei em maternidade, não acredito que ela ou eu iremos para o inferno. Acredito que faremos parte de uma geração que tem ousado questionar coisas como as mulheres do filme As Horas e as modernistas de 1922. Enfim, estamos em boa companhia e deixaremos uma obra e tanto para a posteridade! Precisamos mesmo de mais do que isto para valer a pena?
P.S. Maier havia causado polêmica na França em 2004 quando lançou Bom dia Preguiça, no qual ensinava como manter o emprego trabalhando o menos possível. Engraçado como eu vou na contramão das polêmicas: não o li, mas gostei de uma frase dela e até citei no meu blog na época.
16 anos de namoro
Postado em Comportamento no dia 29/11/2007
Gui e eu fazemos 16 anos juntos nesta data. 29 de novembro.
Foi uma noite de adolescentes para nós, nos encontramos no Cefet-PR porque ele tinha uma prova de Física e eu, incerta do que seria o encontro marcado um dia antes, ainda levei minha irmã como vela. Por garantia, pois se fosse só uma conversa de amigos, estaria acompanhada e não daria a entender minhas motivações. Mais adolescente impossível! Mas éramos quase pós-adolescentes, com 18 e 19 anos, no entanto, carregávamos as mesmas inseguranças, expectativas e indefinições que um novo amor traz aos seres humanos em qualquer fase de vida.
Saímos da escola e sem destino caminhamos pela Westphalen em direção à rua das Flores. Lá acontecia uma apresentação no Bamerindus (hoje HSBC) e paramos para ouvir a sinfônica. O prêmio (no meu entender prêmio divino pelo nosso encontro de almas) foram fogos e a música Jesus Alegria dos Homens de Bach exatamente no momento de nosso primeiro beijo. E tenho a “vela” como testemunha de que foi real, não fruto de minha imaginação e romantismo. Esta também foi, anos depois, a música que escolhemos para a troca de alianças em nosso casamento. Pode ter parecido comum aos incautos, mas é cheio de significado para nós.
Deixo aqui uma montagem antiga de nosso namoro. Tudo regado a poesia de Drummond que embalaram meu romantismo de namorada.
As sem Razões do Amor
Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no elipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=IVh0-jenY6s&feature=related]
Ao Amor Antigo
O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.
O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.
Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
a antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.
Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.


