Categoria: preconceito

Dó-ré-mi-fábrica traz sonho da música e da igualdade

Postado em preconceito, TV no dia 23/12/2009

do re mi fabrica

Não sou super fã de TV aberta, mas eu adoro musicais da Globo. Tenho um carinho imenso pelos meus LPs (disco de vinil mesmo) com musicais infantis como Casa de Brinquedo, Arca de Noé, Turma do Pererê…

A Globo prepara mais um destes sonhos para o final de ano. Segundo dizem, será uma história com elementos brasileiros e sentimentos universais, ao mesmo tempo que um programa que faz um tributo à música e aborda o direito da criança ao sonho. Vai ao ar na quarta-feira, 23/12 após a novela das oito (meio tarde para crianças, admito) o programa Dó-Ré-Mi-Fábrica. (more…)

Dia Mundial do Combate à AIDS

Postado em Comportamento, preconceito no dia 01/12/2009

“No início da epidemia da Aids, a proporção de pessoas contaminadas era de 1 mulher para cada 25 homens.
Atualmente esta proporção é de quase uma mulher para cada homem.
A principal forma de contaminação pelo HIV é através de relações sexuais.
A casa 15 segundos, uma mulher é vítima de violência no Brasil e os principais agressores são maridos, namorados, companheiros ou ex.
A estimativa de casos de estupro no Brasil é de cerca de 100 mil casos por ano.
O isolamento e a falta de informação tornam as mulheres ainda mais expostas à violência e à contaminação pelo HIV.”

Dados do Coletivo Feminista de Sexualidade e Saúde para a Cartilha Mulheres e Violências da Campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra as Mulheres

Para não dizer que eu não falei no Dia de Combate à Aids.

Adão e Eva é o 1º filme da Campanha de 2009 realizada pela JWT-SP para o GAPA-BS (grupo de apoio à prevenção à aids da baixada santista). A produção conta com o apoio de diversos ilustradores de duas agências de artistas: a Bernstein&Andriulli, de NY, e a Möve, de SP, reunindo 11 artistas renomados (more…)

Violência familiar – A paz começa dentro de casa

Postado em Cotidiano e sociedade, mulher, preconceito no dia 26/11/2009

mulhereseviolencia campanha contra violencia a mulher

contraviolencia3Ontem foi o Dia internacional da não-violência contra as mulheres. Queria ter escrito algo, mas, confesso, a inspiração não veio e eu queria mesmo fazer algo especial. Já tratei muito do tema aqui, apoiando as iniciativas relacionadas à lei Maria da Penha, sempre pensando nas vítimas que conheci no tempo em que minha mãe era defensora pública.

Segundo li

“A data foi reconhecida oficialmente pelas Nações Unidas (ONU) em 1999 (more…)

Acesso em reverso: Seminário Internacional sobre Cultura e Acessibilidade

Postado em Artes, preconceito no dia 20/11/2009
Acessibilidade da Gibiteca Henfil no CCSP

Acessibilidade da Gibiteca Henfil no CCSP

Filósofos, artistas, educadores, agentes e gestores culturais, além do público interessado, estarão reunidos na próxima semana (25 a 27/11) no Centro Cultural São Paulo (rua Vergueiro, 1000, São Paulo, SP) para debater aspectos filosóficos, históricos e empíricos da noção geral de “cultura de acessibilidade” e seus desdobramentos em diferentes esferas da cultura e da ciência.

Participam do seminário (more…)

Clementina de Jesus: Cantar era seu sonho!

Postado em Música, preconceito no dia 20/11/2009

clementina_de_jesus“Ela virou letra de música, enredo de samba e foi homenageada por muitos cantores”

Gostaria de homenagear no Mãe com filhos uma figura neste dia da Consciência Negra e encontrei na imagem de Clementina de Jesus. (e a homenagem é republicada aqui porque merece ser replicada!)

Nascida em Valença, Rio de Janeiro, ela conheceu a música ainda pequenina, quando a mãe entoava cantigas de ninar para fazê-la dormir. Um pouco mais crescida, cantava e dedilhava a viola do pai… trazia na cor de sua pele a magia e o ritmo da África, transformando-se, mais tarde, num elo entre as duas culturas.

Melodias como “Eu não sou daqui, Marinheiro só. Eu não tenho amor, Marinheiro só” (more…)

Juntos somos ótimos

Postado em from posterous, livros, preconceito no dia 18/11/2009
Clarinha, interpretada por Joana Mocarzel, portadora de Síndrome de Down, e Francisco, personagem de Gabriel Kaufman, seu irmão na trama.

Clarinha, interpretada por Joana Mocarzel, portadora de Síndrome de Down, e Francisco, personagem de Gabriel Kaufman, seu irmão na trama.

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O livro de leitura da classe do meu filho mais velho no mês passado tratava da inclusão. Juntos Somos Ótimos, de Franz-joseph Huyaning e Verena Ballhaus (Editora Scipione), retratava uma sala de aula inclusiva daquelas de novela do Manoel Carlos. Cito-o a propósito porque um dos personagens era portador da síndrome de Down, assim como a Clarinha, personagem de uma das novelas ambientadas naquele Leblon dos sonhos de novela das oito.

Infelizmente os bairros, mesmo o Leblon, não são assim tão gentis com as pessoas diferentes e nem todas as escolas aceitam e atendem bem alunos de inclusão. Na escola dos meus filhos não há um sequer com dificuldade de locomoção (pudera, a escola tem vários andares só escadas para transpô-los), tampouco alunos com dificuldade de aprendizado. Mas conviver com o diferente não é fácil. (more…)

Igual a você – e contra o preconceito!

Postado em preconceito no dia 16/11/2009

Acompanhei ao vivo na TV, via GloboNews, o lançamento da campanha da ONU no Palácio Itamaraty. “Igual a Você” defenderá a igualdade de direitos e chamará a atenção da sociedade brasileira sobre a questão da discriminação que homens, mulheres e crianças sofrem diariamente no Brasil.

Segundo contava o R7, durante a cerimônia as agências da ONU fizeram um panorama da realidade de cada segmento da população (estudantes, gays, lésbicas, pessoas vivendo com HIV, população negra, profissionais do sexo, refugiados, transexuais e travestis e usuários de drogas). Serão apresentados 10 filmes de 30 segundos que integram a campanha. (Vou achar no youtube e fazer update aqui!). (more…)

Acolhimento dos menores em situação de risco

Postado em Cotidiano e sociedade, preconceito no dia 22/09/2009

resgate social

Acontece nesta terça, 22/09, das 9h às 18h, no Salão Nobre da Câmara Municipal de São Paulo, o Seminário “Reflexões e Perspectivas da Política Municipal de Acolhimento em São Paulo” (organizado pela Comissão de Defesa dos Direitos da Criança, do Adolescente e da Juventude).

No release que recebi dizia-se que o encontro objetiva “analisar e discutir de forma crítica a rede de proteção social existente na cidade de São Paulo para as crianças e adolescentes em situações de risco”. Desde que mudei para cá, em 2005, ver os menores em situação de risco largados pelas ruas da cidade, sem ações como as que testemunhei em Curitiba no sentido de convidar os menores de rua (ou em situação de risco de virar moradores de rua) para lares como os do projeto Piá,  me deixava à beira da desesperança. Saber que este tema e possilvemente as políticas públicas para o acolhimento e resgate destes moradores de rua me deixa com esperanças renovadas. Não sei se poderei ir até o evento, mas gostaria de presenciar os debates sober o descumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a nova Lei de Adoção, o papel dos Conselhos Tutelares, a ineficiência dos abrigos e CRECAS e falhas nos serviços de acolhimento dos jovens em casos de drogadição e pedofilia.

Cartaz Criança e Adolescente

clique sobre a imagem para amplia-la e ver a programação

Estarão presentes os vereadores de São Paulo, o juiz de Direito da Vara da Infância e Juventude, Dr. Reinaldo Cintra Torres de Carvalho, representantes da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS), do Ministério Público e da Defensoria Pública, conselheiros tutelares e coordenadores de abrigos. A promessa é de que após o término do Seminário o grupo formule uma carta-proposta, que indicará diretrizes e políticas públicas voltadas à expansão e aperfeiçoamento desta rede de proteção social.

War on race ou epistemicídio?

Postado em Cinema e TV, livros, preconceito, TV no dia 08/09/2009

Precisei de umas três tentativas antes de conseguir assistir a Spinning into butter, filme sobre o racismo camuflado da fase pré-politicamente correta estrelado por Sarah Jessica Parker. Talvez seja o fato de ver a Carrie de Sex and The City obscura, brunée (sim, ela está apagada com cabelos castanho escuros e sem qualquer brilho no olhar) e sinceramente derrotada que me fez insistir no filme que está em cartaz na rede Telecine neste mês.

Ao final, valeu a pena. Sem frescura, sem hipocrisia, o filme mostra um racismo que está no âmago da sociedade norte-americana e se concentrava (pelo menos na época em que Rebecca Gilman escreveu a história que discute o politicamente correto da década de 1990) nos afro-descendentes (esta palavra perdeu o hífen ou não?).

Lento e duro, mas importante para quem reflexiona a questão racial, o filme não tem nada de blockbuster. E ele me permitiu descobrir a história de Little Black Sambo, que podia ser uma das nossas histórias de negrinhos perdidos no Brasil antigo. Quando um dos membros do conselho universitário a cita numa reunião, ele nos faz pensar que para alguns membros das minorias (e vale aqui dizer que eu me sinto minoria, porque fisicamente me identifico mais com meu lado asiático do que germânico) ser perseguido por suas diferenças é tão comum (quase natural) que é difícil não sê-lo.

[Uma das cenas do filme mostra a personagem de Sarah no antigo trabalho onde ela era minoria e a visão dela como única branca no meio de tantos negros é a da própria minoria que se dissolve. Lembrou-me de quando, no Japão, o Gui era o único causasiano em meio aos orientais e parecia um estranho, um "alien". Tudo é realmente relativo!]

Sair deste jugo social que se impõe sobre os negros (asiáticos, indígenas e nos EUA os hispânicos também) pode ser tão complicado quando viver nele – assim como ser mulher com direitos é ainda tão complicado para tantas de nós, visto que em países como o Brasil ganhamos direitos iguais aos dos homens há menos tempo do que houve a abolição da escravatura – é, livros como Mundos de Eufrásia (de Claudia Lage, que entrevistei aqui) e Um toque na estrela (Benoite Groult, que comentei aqui) andaram me influenciando muito na visão das conquistas femininas dos últimos 150 anos.

E tudo isso aconteceu quando eu descobri um programa no Canal Brasil, Espelho, idealizado e apresentado por Lázaro Ramos. O primeiro episódio que vi tratava de Epistemicídio e entrevistava a doutora em educação pela Universidade de São Paulo (USP) e diretora e fundadora do Geledés (Instituto da Mulher Negra) Sueli Carneiro.

A palavra, um neologismo, é interessante e sonora. Segundo o programa, poderia ser explicada como “morte do conhecimento e que acontece toda vez que um grupo de pessoas – ou uma nação – mais forte do ponto de vista bélico, econômico e/ou cultural domina um outro grupo, a ele impondo uma série de opressões, inclusive um tipo específico de cultura”.

A cultura que nos foi imposta dizia que os homens são superiores e que dentre eles os homens brancos são melhores e por isso podem nos ditar regras, definições, assumir uma postura paternalista de quem detém a verdade e por isso o direito de nos guiar – a seu bel prazer ou segundo seus interesses – e que a nós resta seguir, confiando nossas vidas à sua sabedoria.

P.S. O Geledés promove nesta quarta-feira, 09/09, o Seminário Violência Racial em São Paulo. Detalhes podem ser conhecidos aqui.

Aumentam penas para pedofilia e estupro

Postado em Cotidiano e sociedade, preconceito no dia 13/08/2009

Em tempo, porque guardei a notícia mas esqueci de comentar que na semana passada Lula sancionou lei que aumenta a pena para crimes de pedofilia, de estupro seguido morte e de assédio sexual de menores, e define que qualquer crime sexual que resulte em gravidez terá aumento de 50% na pena – com acréscimo de um sexto à metade da pena caso o criminoso transmita doença sexual para vítima. Aumentou também a punição para a prática de qualquer ato libidinoso contra menores de 14 anos e deficientes, que antes era considerado apenas atentado violento ao pudor e agora é um crime. No caso do estupro seguido de morte, a pena máxima que hoje é de 25 anos passa para até 30 anos de prisão.

Segundo li, o estupro contra maiores de 14 anos e menores de 18 anos passará de seis a dez anos atuais para uma pena de oito a 12 anos de reclusão. As informações dizem também que

“Para o crime de assédio sexual de menores de 18 anos, a pena, que hoje é de um a dois anos de reclusão, será aumentada para um mínimo de um ano e quatro meses a dois anos e oito meses. Em caso de corrupção de menores, a pena será ampliada de um a quatro anos, para dois a cinco anos de reclusão. O mesmo projeto classifica agora como crime o estupro de vulnerável, que são os menores de 14 anos, e os deficientes, assim como qualquer ato libidinoso com menores de 14 anos e outros vulneráveis, estabelecendo uma pena de oito a quinze anos para quem praticá-los.”

E no caso de tráfico de pessoas (infelizmente são as mulheres as vítimas frequentes) dentro ou fora do país a pena será de reclusão de dois a seis anos (dentro do território nacional) ou de três a oito anos (se for internacional). A pena é aumentada da metade, nos dois casos, se a vitima for menor de 18 anos ou se, por enfermidade ou doença mental, não tiver discernimento para a prática do ato.

Liga da Canela Preta

Postado em Esporte, preconceito, TV no dia 29/06/2009

Ontem assisti no Esporte Espetacular uma matéria de Tino Marcos sobre uma liga que é uma prova de resistência brasileira, válida até para pensarmos na postura que nosso país deve adotar quanto a questões combatidas como as cotas raciais. O jornalista contou que em meados da década de 1920 os negros eram impedidos de atuar nos clubes do Rio Grande do Sul  e que, para jogar, eles fundam um torneio próprio só com jogadores da raça negra.

Para quem não lembra, os negros gaúchos são fora do padrão. Por que eu falo isso? Primeiro porque conheço pessoalmente um dos líderes do movimento racial lá, um grande amigo da família do Gui. Segundo porque o Gui mesmo sempre me fala como eles foram para nós, na época da Guerra do Paraguai, o que os Buffalo Soldiers foram nos EUA na Guerra da Secessão. Como o Brasil colônia não tinha fazendas de café, minas de ouro nem canaviais no sul do Brasil -região que ficou em litígio, como sabem, naquela luta sobre a qual tem livros incríveis do Erico Verissimo – não tinha mão de obra negra escrava por lá. Mas eles chegaram com força e ficaram como homens livres na época da Guerra do Paraguai, pois receberam a promessa de liberdade caso lutassem – e sobrevivessem.

Foi sob este ponto de vista que eu vi a matéria ontem. E ficamos Gui e eu conversando sobre o futebol brasileiro no século XX, que ficou marcado pelo maior jogador de todos os tempos, Pelé, um negro, mas começou com histórias como a Liga da Canela Preta. No meu estado uma história racista determinou o apelido de um dos times da capital. As más línguas dizem que os jogadores (e hoje os torcedores) do Coritiba são chamados de Coxa Branca porque o time, fundado por alemães, não aceitava jogadores “de cor” por muitas décadas. Mas ahistória oficial dá conta de que

“O apelido nasceu em 1941. Foi na decisão do campeonato paranaense daquele ano, na primeira vez que a dupla AtleTiba disputou uma final.
O mundo vivia Segunda Grande Guerra Mundial e o cartola Jofre Cabral e Silva decidiu agitar o clássico, com uma provocação: “Quem for brasileiro deve torcer pelo Atlético“. 
O Coritiba tem até um alemão no elenco, o Breyer, aquele COXA BRANCA” – teria vociferado o dirigente atleticano. Hans Hergon Breyer, teve sua carreira abreviada no futebol por causa por causa do rótulo que lhe impuseram. Torcedores do Atlético o chamavam de quinta coluna e coxa-branca.”

De uma forma ou de outra, o time ficou marcado como o que valorizada os que tinham a pele alva – e sobre esta vontade de branquear o Brasil começando pelo Paraná eu já falei quando contei que os japoneses não foram autorizados a migrar para lá (chegaram ao estado somente depois, já como proprietário de terras, mais baratas que as paulistas.

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