Gente do bem – não tem preconceito!
Postado em preconceito no dia 20/07/2011“Preconceito… não serve para nada. Ninguém é melhor do que ninguém. Não existe cidadão de primeira nem de segunda categoria.”
Do livro Gentileza, de Gabriel Chalita
Esta era a mensagem na camiseta que vestia hoje o @tuliomalaspina numa reunião que tivemos na @cozinhaconversa para um novo projeto no qual nossa empresa, Otagai Mídias Sociais, trabalha em joint venture com SustentaLab, a incubadora de negócios sustentáveis dos irmãos Túlio e Lucas Malaspina. Estão conosco também queridas amigas: @cler do Hit na Rede, @djmisscloud do DaSound e @alinekelly do @sustentavel20, além da nossa parceiríssima @angelaernesto.
O resultado de fazer negócios com gente boa está aí: uma reunião regada a boa comida, numa cozinha amiga, comemorando o dia da amizade com bons amigos que vieram do virtual, mas se tornaram parceiros reais com os quais compartilhamos trabalho e ao mesmo tempo ética e fé no futuro.
Como ajudar as vitimas de violência sexual na sua reintegração à sociedade
Postado em Comportamento, preconceito no dia 13/07/2011Como é importante, como disse a americana, “mostrar a outras pessoas que elas podem passar por situações difíceis e sobreviver”.

Relembrando o caso de uma vizinha que sofreu violência sexual quando éramos crianças, comentei com meu marido que a gente precisa fortalecer não só a cobrança de justiça e a prevenção de situações como esta, mas reforçar a capacidade de sobreviver e de serem felizes independentemente das situações adversas pelas quais passaram e das quais foram vítimas. Ao vir para o computador me deparei com esta notícia:
“A americana Jaycee Dugard, que passou 18 anos em um cativeiro após ser raptada aos 11, em 1991, deu a primeira entrevista à TV desde sua libertação, em 2009, assista ao vídeo com trechos da entrevista.”
O caso, que pode ser conhecido aqui, me faz pensar em outros dois aspectos do nosso papel social diante de casos como este.
Em primeiro lugar, como no caso dos longos sequestros na Austria, eu me pergunto se não devemos repensar os conceitos de respeito à privacidade e reagir com mais veemência quando nos deparamos com situações “estranhas e suspeitas” na nossa vizinhança. Neste caso, anos depois do sequestro (e quando a menina já era mãe de duas crianças) um vizinho avisou à polícia local de suspeita de cativeiro no emaranhado de barracas (sério, barracas, ao ar livre, nada de bunker/porão como no caso austríaco) e os policiais respeitaram o espaço da propriedade privada, deixando de flagrar o crime.
Em segundo lugar me pego pensando na importância de criarmos uma estrutura social, muito além de clínicas ou centros de apoio, mas de “educação social” geral e coletiva para apoiarmos, abraçarmos e reinserirmos na sociedade, de forma saudável e honesta, estas vítimas. Tem importância inegável a prevenção a estes crimes – e no @avidaquer sempre trago estes temas à tona, divulgando grupos que atende às vítimas e aos grupos que vivem sob risco – e a punição dos criminosos, mas é momento também de pensarmos, de forma leiga e humana, como podemos receber as vítimas de volta e apoiá-las de forma a continuarem suas vidas e, finalmente, viverem toda plenitude de suas vidas, de seu potencial e de sua felicidade no cotidiano.
Se você, leitor, souber de espaços que trabalhem com foco nesta promoção humana, por favor, compartilhe nos comentários! E quem tiver alguma disponibilidade para ajudar, conte também como pode fazer, quem sabe não criamos um grupo?
[update] Depois de publicar este post vi um artigo interessante de Ruth de Aquino contando um caso real britânico que envolve esta reação de uma vítima de violência sexual doméstica. Com o título Menina estuprada se forma em Direito e consegue prender o padrasto 20 anos depois, o texto conta a história de Tina Renton e relembra que “a lição mais importante a se tirar deste caso é que, mesmo anos depois de uma criança ser sumbetida a abusos desse gênero, o culpado ainda pode ser condenado e preso”. E ainda informa que “Segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância, cerca de um milhão de crianças são vítimas de violência sexual no mundo a cada ano. E todos os estudos apontam para um fato muito triste: a grande maioria sofre abusos de um parente, ou alguém que more em sua própria casa. No Brasil, um levantamento de 2008 do Ministério da Saúde com base em atendimentos em hospitais públicos de 27 municípios indicou que 800 crianças foram vítimas de estupro naquele ano. Estima-se que o número real seja bem mais elevado porque muitos abusos não são registrados.”
#prapensar
Vovós no volante – e ativas na sociedade. Este é o futuro!
Postado em Comportamento, preconceito, Trânsito e Mobilidade no dia 06/06/2011Como o país se ajustará à realidade de que em poucos anos não seremos mais o Brasil jovem, mas sim uma sociedade equilibrada e madura na qual os adultos mais velhos terão que ser inseridos em projetos sociais, culturais, tecnológicos e econômicos como parte importante a ser integrada nos planos de governo com mais do que assistencialismo ligado à saúde e previdência?
Minha mãe adora dirigir. Não sei se consigo imaginar sua vida sem poder dirigir, que dirá sem um carro dela. Depois dos 60 ela assumiu como condição alguns confortos extras, como câmbio automático, e felizmente não vive ainda uma situação que a chamada “melhor idade” vivencia no trânsito: o preconceito.
Incrível, não é mesmo? A pessoa é “idosa” (no Brasil passou dos 60 é idoso, às vezes antes disso já tem gente sendo incluída na terceira idade) tão cedo numa realidade na qual vivemos cada vez mais e melhor a idade madura. Uma reportagem de Marli Olmos mostrava outro dia quatro histórias de paulistanas desta faixa etária e que são desbravadoras novamente na questão do trânsito. Se tornaram condutoras de veículos quando isso ainda era um privilégio para poucos homens no Brasil – uma das senhoras, que tem “mais de 90 anos”, foi das primeiras a tirar carta de motorista quando as mulheres alcançaram este direito no Brasil – e agora são da primeira geração de vovós ainda no volante em grandes cidades.
Às vezes estou no trânsito e vejo estas senhoras com seus carros impecáveis dirigindo tranquilas e impassíveis em avenidas como a 23 de Maio – outro dia até tentei fotografar uma que estava num Corcel I intacto, parecia saída do subúrbio de Don Draper no seriado Mad Men, uma coisa linda de se ver.

Mas a realidade delas parece não ser tão doce. Embora ainda sintam muita segurança ao dirigir seus carros – as senhoras da reportagem tanto tinham Fuscas originais de 1982 quanto Volvos hidramáticos com poucos anos de uso – e não raro sejam as condutoras oficiais de netos (como já foram de filhos), elas sofrem uma grande pressão familiar para deixar de usar carro e parar de se expor aos perigos.
Daí eu me lembro de duas senhoras queridas da minha vida. Minha vizinha, dona Tereza, que aos 80 anos sofria quase “crises de abstinência” da falta de seu carro, companheiro de uma vida inteira (o esposo tinha um problema motor e ela foi sempre a motorista da família, papel que perdeu quando passou a ter problemas ósseos na bacia) e eu ouvia relatar com carinho detalhes da sua vida no vai e vem de São Paulo. Minha vizinha, como as senhoras da reportagem, não tinha histórico de multas, acidentes e descuidos ao volante.
Já minha avó Maria, que hoje teria perto de 90 anos, era uma anciã dependente de taxis quando aos 61, atravessando uma rua em Curitiba, sofreu um grave acidente e fraturou o fêmur, resultando numa recuperação lenta que trouxe à tona outros problemas de saúde até então ocultos e abreviou sua vida. Faleceu às vésperas de completar 64 anos, tendo vivido as últimas décadas bastante limitada em alguns aspectos, creio, por conta da falta de independência e autonomia.
Afinal, até quando pode vovó no volante?
A legislação não estabelece limite de idade para parar de dirigir, cabe a cada condutor saber quando parar. É importante ser cuidadoso com alguns detalhes porque, no trânsito, estamos ligados numa rede com outras pessoas e todo risco não é só individual, é coletivo.
André Horta, analista de segurança viária, lembra que é importante cuidar com alguns detalhes:
- Visão e audição: Com o passar dos anos há alterações na capacidade visual e na auditiva e dirigir se baseia muito nestas funções. Quem pretende continuar dirigindo deve verificar graus de óculos e fazer exames periódicos de audição.
- Legislação: as regras formais e informais de trânsito mudaram muito – o motorista deve se manter sempre atualizado sobre as mudanças nas sinalizações.
- Coordenação motora: com a idade, há uma mudança natural na coordenação motora e por isso vale a pena evitar trafegar por longos períodos nos horários de pico nas vias urbanas mais congestionadas, assim como evitar dirigir em dias de muita chuva ou em áreas com neblina e deixar de fazer manobras mais arriscadas, como conversões à esquerda.
Sei que faço apologia da vida com menos carro (e mais transporte público), mas aqui discuto mais do que deixar nossos velhinhos terem carro próprio ou não. Levanto com os leitores o debate sobre a importância de repensarmos a inserção destes adultos maduros na sociedade. Quando fui ao Senado Federal em abril esta foi minha pergunta aos senadores na entrevista que concederam aos blogueiros: “Há planos para atender as mulheres que chegam à terceira idade com a perspectiva de décadas de vida produtiva pela frente?“.
E pergunto aos leitores: vocês conhecem projetos que vão além do assistencialismo e realmente incorporam esta parcela tão importante, intereressante e crescente da nossa sociedade?
Fica aqui meu convite para este pensar coletivo e meu pedido de que se os leitores souberem de projetos ou histórias de pessoas que caracterizem esta mudança de foco com relação à “melhor idade”, por favor, compartilhem nos comentários.
Tas a ver? Qual a primeira coisa que vem à sua cabeça quando se fala em África?
Postado em Artes, preconceito no dia 13/11/2010“A ideia é abrir um espaço para uma nova imaginação sobre a África atual”
diz Juliana Borges

Achei a ideia “gira”, como diriam meus amigos portugueses: a exposição tás a ver? (que será inaugurada no dia 16/11 na Galeria Matilha Cultural) nos convida a um novo olhar para o continente africano através de fotografias que vão além dos estereótipos comumente associados à África, revelando também seu lado urbano e contemporâneo.
E o que podemos esperar de algo assim?
Fotografias que se dispõem como recortes de realidades distintas e contrastantes captadas pelas lentes de sete profissionais (integrantes do coletivo multimídia tás a ver?) que viveram e viajaram por mais de 18 diferentes países africanos. Os fotógrafos contam que os unia “uma grande curiosidade e paixão pelo continente africano” que pode ser compartilhada com o público nesta exposição, mostrando uma África contemporânea, atual, vibrante, que mistura o tradicional e o moderno.
A curadoria do material é assinada pelos cenógrafos Pedro Vieira e Claudia Afonso, especialistas em montagens de exposições.
Quem pode ver antes conta que “na entrada da galeria o visitante se depara com uma instalação de áudio com sons captados em algumas grandes cidades africanas: carros, lotações, conversas, músicas e vendedores ambulantes anunciando seus produtos. Divididas em cinco núcleos, cerca de 40 fotografias estarão expostas em móbiles com espelhos a partir de fios que saem de um grande mapa africano desenhado numa das paredes. Entre as imagens, o visitante poderá ver ruas, outdoors, mercados, estradas, retratos e texturas de mais de oito países diferentes do continente”.
Gostei também de saber mais sobre o coletivo tás a ver?, que desenvolve projetos em educação, arte e cultura para ampliar o diálogo e estreitar as relações entre o Brasil e países africanos. Criado em janeiro de 2010 por sete profissionais das áreas de comunicação e artes – Carol Misorelli, Eliza Capai, Fernanda Polacow, João Fellet, Juliana Borges, Otávio Santana, Roberta Lotti – que moraram em países africanos – como Angola, África do Sul, Moçambique, Mali e Etiópia – e voltaram com vontade de aproximar os dois lados do Atlântico. Entre os projetos em andamento estão o documentário Luanda Geografias Emocionais, sobre a capital angolana e Manos, um livro com textos de jovens escritores brasileiros e moçambicanos.
Vejam que encantadoras são as premissas do tás a ver?:
- buscar canais de troca humana, transcendendo a produção de bens culturais ou de comunicação;
- ampliar os canais de comunicação entre empresas, governos e organizações sociais do Brasil e de países africanos;
- mostrar aspectos contemporâneos dos países africanos que desconstroem os estereótipos associados à África;
- reforçar a ideia de que a África é um continente diversificado, formado por 54 países;
- estabelecer de fato uma relação de intercâmbio entre brasileiros e africanos;
- criar conteúdos que possam ser disseminados livremente (CC).
A exposição fotográfica tás a ver? estará em cartaz na Galeria Matilha Cultural (R. Rego Freitas, 542 – próximo à estação República do metrô, tel. (11) 3256-2636) de 16 a 27/11, das 12h às 20h, com entrada gratuita.
Começa hoje o especial A Cor da Cultura no Ação
Postado em preconceito, Terceiro Setor, TV no dia 06/11/2010Eu sou fã do programa que Serginho Groismann apresenta aos sábados, bem cedinho, num horário oposto ao do famoso Altas Horas. Pode ser uma super ilusão minha, mas imagino que @oserginho tem este lado mais “terceiro setor” porque ele se sai muito bem entre as “pessoas de bem” que leva ao estúdio e entrevista.

Neste mês o programa faz um especial chamado A Cor da Cultura (@cordacultura), projeto de valorização do patrimônio cultural afro-brasileiro e hoje o programa vai exibir um consolidado do que o telespectador poderá ver nas próximas semanas, com curiosidades sobre a história dos povos que vieram da África e ajudaram a construir o Brasil, e a herança cultural que eles deixaram em diferentes estados.
A sequência nos levará:
- No dia 06/11 à Bahia com o candomblé, o azeite de dendê, o ritmo da capoeira, do samba de roda e os grupos que valorizam a cultura africana.
- No dia 13/11 ao Maranhão com a história dos quilombos e o bumba meu boi recheiam o programa, no segundo estado com maior população de negros e afrodescendentes do Brasil.
- No dia 20/11 a Minas Gerais, numa descoberta da herança que os negros deixaram na mineração e na arte barroca.
- No dia 27/11 o programa gira em torno das mulheres negras e o preconceito.
A pena é que o Ação vai ao ar aos sábados num horário sofrível para os mortais: a partir das às 7h40. Mas tem reprise no canal Globo News e normalmente conseguimos ver os programas inteiros mais tarde no site http://g1.globo.com/videos/acao.
Educação para a tolerância
Postado em preconceito, todos pela educação no dia 13/10/2010
Você já ouviu falar do Museu da Tolerância? O projeto, assinado por Juliana Corradini e José Alve e lançado em setembro pela USP, terá 15 mil metros quadrados, tem previsão de ser entregue em três anos e custará cerca de R$ 75 milhões. Iniciativa do Laboratório de Estudos sobre a Intolerância (LEI) da USP, o museu (que está demonstrado no vídeo abaixo) contará com exposições fixas e temporárias, dois auditórios, um cinema, um espaço pra show e salas de estudo.
“O Museu será um espaço mais voltado para a área educacional, para ensinar os estudantes a conviver na diversidade. Terá um aspecto interativo e uma concepção próxima a do Museu da Língua Portuguesa” conta a coordenadora do LEI Zilda Iokoi.
O que um museu da tolerância mostra?
O museu tem o objetivo de devolver à sociedade os conhecimentos e resultados das pesquisas desenvolvidas no LEI e de outros centros de pesquisa nacionais e internacionais. A entrada será gratuita para estudantes e a expectativa é de receber 5 mil visitas diárias.
E como aprendemos a tolerância?
Tento ensinar diariamente aos meus filhos, mas o melhor caminho é nunca deixar de estar aberto para aprender. Eu estou. Recebi (e aceitei) o convite de Sheila Finger, do Instituto Mãe Pessoa, que coordena um curso à distância sobre o tema oferecido pelo Centro de Estudos sobre Psicanálise e Intolerância (CEPI).
[Há tempos conheço a plataforma Moodle através dos relatos de minha querida Cybele Meyer que ministra cursos por lá e desta vez serei eu a testar o formato.]
Se você também se interessou, vale olhar: além de gratuito, é aberto a todos os interessados e não requer conhecimentos prévios de psicanálise, sendo conduzido na web através da troca entre os participantes e professores no Forum Online e nos Chats realizados em tempo real durante o curso, ministrado com apoio de textos em formato PDF. O curso inicia no dia 25/10 e acontece, em aulas virtuais às 2ªs e 5ªs feiras, até 10/12/2010. Ao final o aluno receberá um certificado conferido por sua participação nos chats, discussões no Forum e envio de texto (máximo de 3 páginas, na fonte Arial 12, com espaço duplo) no final do curso, escrito com base em suas reflexões sobre o conteúdo das aulas.
“Educação para a Tolerância: Contribuições Psicanalíticas”
A partir de diferentes perspectivas e abrangências, serão discutidas questões ligadas à educação, compreendida no seu sentido amplo, como um processo ininterrupto, que dura toda a vida.
A psicanálise, ao deter-se na constituição e desenvolvimento do sujeito, permite aprofundar o olhar sobre as condições necessárias ao processo pedagógico e seus desdobramentos. Levando sempre em conta as relações intersubjetivas, auxilia também na compreensão das diversas relações envolvidas neste processo. Uma educação para a tolerância visa a compreensão e busca dar condições éticas para que possamos nos voltar para o Outro, de modo a acolher as diferenças e contribuir na construção de um mundo mais solidário.
Informações da equipe:
- Coordenação do CEPI: Ilana W. Novinsky
- Organização do Curso Virtual: Sheila Skitnevsky Finger
- Colaboração: Taly Szwarcfiter
- Professores: Ilana W. Novinsky, Liliana Emparán, Luanda Francine Garcia da Costa, Mara Selaibe, Maria de Fátima Henriques Duarte de Oliveira,
- Miriam Halpern Goldstajn, Myriam Chinallim, Sheila Skitnevsky Finger, Susan Markuszower, Vera Lucia Marinho de Carvalho
Vivendo um outro olhar
Postado em Política e Cidadania, preconceito no dia 14/09/2010Há pouco, dando uma olhadelha no Facebook, me deparei com este recado da @vanessa_aguiar:
Domingo o IBGE passou lá em casa. E assim que o recenseador saiu, minha filha me perguntou se eles iam mesmo a todas as residências. ‘Todas mesmo, mãe? Até nas casas dos traficantes?’. Na falta do que dizer, respondi que essa era realmente uma boa pergunta.
Dia seguinte (ontem), assisti a uma mesa com o Guillermo Planel, após a apresentação de seu novo documentário – ViVendo um Outro Olhar, que trata a questão da comunicação, sobretudo do fotojornalismo, sob a ótica da favela – no curso JPPS do professor Evandro Vieira Ouriques. Na saída, entre outros assuntos, falei com o Guillermo sobre a pergunta de minha filha. Surpresa boa foi receber um e-mail dele hoje refletindo sobre a questão… Enfim, a questão sempre rende. Semana que vem terei uma cópia do filme e, para quem quiser, disponibilizo com prazer.
O olhar das crianças e dos jovens é transformador porque talvez seja mais questionador e curisso do que o nosso. E acho que taí nosso grande papel como pais, tios, comunicadores, o que sejamos… não massacrar esses ‘por ques?’ com respostas prontas, pré-fabricadas. Mas dizer, simplesmente, ‘eu não sei’. E procurar a(s) resposta(s) junto com eles.
P.S. By the way, o IBGE ainda não passou aqui em casa… mas segundo Marcelo Ivanovitch, “Toda pergunta tem resposta: http://bit.ly/9uRZ6S. Em área de risco os recenseadores contratados são das próprias comunidades para que estes circulem sem problemas”.
A tênue linha entre ser panfletário e ser natural #GLBTT
Postado em preconceito no dia 28/08/2010
Há alguns meses, numa viagem de trabalho, conversei durante o vôo com uma pessoa que vive uma união homoafetiva, mas que insiste em argumentar de modo fugidio sobre o tema. Até aí, respeito completamente seu direito à privacidade, mas quando me deparo com alguém que critica abertamente a liberdade de outros se assumirem eu fico cabrera. Não pode ser “normal” a pessoa criticar algo que está ali, visível para todos, como uma escolha de vida sua não é mesmo?
Pois pode. Escrevi para o NoGhetto um post contando de uma entrevista na Oprah da cantora country estadunidense Chely Wright. Acompanhada do pai, ela assumia sua homossexualidade e enfatizava um ponto que @maxreinert, editor do @noghetto, já tinha tratado em outros posts: a importância de se ter figuras públicas positivas nesta área. Sem me perder na discussão do certo ou errado no assumir e no possível estímulo dos jovens a adoção de uma postura sexual diferente, concentro-me aqui (como fiz no post) na importância de ser aceito como ser humano.
Chely admitia para Oprah que tinha a mesma atitude que vi no companheiro de viagem que citei no começo: criticava gays em público para evitar ser “reconhecida” por eles. Como dizia o pai da cantora, “ao invés de fechar uma porta, abra seu coração”. O pai disse que, embora ele tivesse sido criado numa sociedade que tratava a homossexualidade como um “pecado”, ao saber da filha ele pensou “eu a conheço, sei do seu coração e da sua mente, ela é uma boa pessoa”.
E foi o que eu pensei quando conversava no voo e a pessoa citou um dos meus amigos – daqueles que podiam ser descritos como “gay para apresentar à família”, de tão bem educado que foi (por uma mãe e um pai amorosos que o aceitam incondicionalmente) – criticando-o como uma pessoa que exibe seu lado gay demais.
Mas como é não exibir? Quer dizer, como se faz para não ser a gente e ser outro alguém (como Chely contou que sempre fez!) sem soar falso o tempo inteiro?
A sensualidade GG – e as insuportáveis regras de moda para quem é “diferente”
Postado em moda e estilo, preconceito no dia 05/07/2010“Parece que tudo que não segue o padrão ditado precisa ser disfarçado. Odeio.”
@smiletic que em suas fotos de look sempre debate a ditadura da moda
Vi uma chamada no MdeMulher outro dia que me chamou atenção: no blog da Milu, a autora (que se assume uma gordinha feliz) falava sobre Lingerie tamanho GG cheia de charme e sensualidade e trazia dicas de estilo para comprar lingerie. Curiosamente eu tinha aberto este debate no nosso ótimo grupo de discussões e tinha subsídios para a conversa aqui. Sei que vão me falar que eu sou mais para magra e reclamo de barriga cheia (como me fala meu cabeleireiro quando reclamo da falta de volume do cabelo – liso, de japa, que não exige cuidado), mas eu falo porque sou mulher e estou cansada de ver chamadas para a gente disfarçar a barriga.
Sinceramente? Se o seu amante (marido, namorado) não gosta de sua barriga e você tem vergonha dela, exercício ou plástica resolvem. Mas o certo é entender que sua vida sexual não será menos ou mais prazeirosa por conta da calcinha que segura a barriga ou que você precisa usar uma camisola transparente para ele não ver a flacidez. Uma sexualidade plena só é vivida por quem se gosta e convive bem com o próprio corpo. (more…)
Uma provocação, uma fuga, um duelo ou um tipo de dança em campo? Drible!
Postado em Esporte, preconceito, TV no dia 06/06/2010Já contei aqui que eu só descobri o que era escanteio quando já namorava o Gui… mas sabem que eu sabia o que era drible? Acho que todo brasileiro sabe, não é mesmo? Gosto da ideia de que nós nascemos com jogo de cintura, sabendo “driblar” as adversidades, prontos para encarar os desafios e surpreender as adversidades.
Pois drible é o foco de um especial do Globo News hoje, às 23h30. Pedro Bial vai atrás da origem do drible como conhecemos hoje no futebol, partindo da tese de que seria uma invenção do negro brasileiro para escapar do racismo, viés abraçado por muitos historiadores. O debate, que reunirá o narrador esportivo Luiz Mendes; o sociólogo Ronaldo Elau; o cineasta Victor Lopes; a ex- jogadora de vôlei Isabel Salgado e o sambista Delegado, trata de uma questão importante (e pertinente para este blog): o preconceito. Teria o drible se originado de uma prática do início do século XX na qual os negros teriam passado a usar suas habilidades na capoeira e em outras manifestações de origem africana para a construção do drible, discutindo a relação do drible com o preconceito racial no Brasil? (more…)
Tolerância? Precisamos mesmo é exercitar a igualdade!
Postado em Mãe com filhos, preconceito no dia 14/01/2010Nesta quarta eu fiz minha estreia num blog do qual eu era colaboradora há tempos, mas trabalhando nos bastidores, apenas indicando pautas. Em No Ghetto, meu amigo @maxreinert trata da homossexualidade. E, mesmo sem um vínculo maior com a causa, eu sou uma simpatizante da igualdade.
[Meu texto lá tratava de um presídio italiano para transexuais e lembrava da experiência que minha mãe teve como defensora pública no sistema carcerário do meu estado
]
Mas minha militância não é pela aceitação dos gays, lésbicas, transexuais. É por um mundo mais igualitário, no qual detalhes e escolhas não nos marquem ou nos classifiquem, no qual alcancemos o direito de ser quem somos e conviver com respeito com o que o outro é. Sem criticar, segregar, tampouco tolerar ou fingir que não vê – às vezes, quem finge que não vê magoa mais do que quem agride abertamente! (more…)







