Na parede lá de casa: Poética (Vinícius de Moraes)
Postado em poesia no dia 17/01/2010Poética
De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.
A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.
Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem
Nasço amanhã
Ando onde há espaço:”
– Meu tempo é quando.
Vinícius de Moraes
A Nova Regra da ortografia na poesia de uma menina de 11 anos
Postado em Música, poesia no dia 01/09/2009Vi no blog Ler para Crescer e não tinha como não republicar – e espero que a autora, Theodora Rangel Carvalho (de 11 anos e que cursa 6º ano do Ensino Fundamental), autorize e entenda que foi impossível não me deliciar diante de suas palavras.
NOVA REGRA
Mataram o acento,
Assassinaram o hífen,
Agora sentem-se no assento,
que lá vem nova regra.A onomatopeia ficou muda,
A assembleia, sem assunto,
A centopeia perdeu as pernas
e a ideia saiu da minha cabeçaTadinha da velha senhora,
Que agora não sabe de nada
E o senhor?!
Que horror!As crianças estão confusas,
Sem saber
o que fazer
para a nova regra aprender
P.S. O texto dela me lembrou uma música que eu adorava quando tinha a sua idade.
“Assaltaram a gramática, assassinaram a lógica, botaram poesia, na bagunça do dia-a-dia”
( Lulu Santos e Wally Salomão)
[Manhã fazendo tarefa com meu filho de 6 anos que está sofrendo com as regras de português]
Basta ser o colo que acolhe
Postado em poesia no dia 10/08/2008
Assim que abri o Twitbin hoje vi uma mensagem do @msoma contando que o filho mais novo lhe deu um desenho feito na escola com um poema de Cora Coralina. Googlei o excerto que ele twittou e olhem o que achei:
Saber Viver
Cora Coralina
Não sei… Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura… Enquanto durar
Livro das Perguntas em Ipanema
Postado em poesia no dia 28/06/2008“Há alguma coisa mais triste no mundo que um trem imóvel na chuva?”
“Por que se suicidam as folhas quando se sentem amarelas?”
“As lágrimas que não choramos esperam em pequenos lagos?”
“Há coisa mais boba na vida que chamar-se Pablo Neruda ? ”

Quem passar pela livraria da Travessa de Ipanema, Rio de Janeiro, neste sábado irá se deparar com balões contendo essas e outras perguntas espalhadas por todo o espaço. O motivo é a comemoração do lançamento do Livro das perguntas, um dos mais importantes de Pablo Neruda, com tradução do Ferreira Gullar e ilustrações do artista plástico espanhol Isidro Ferrer.
Segundo Angela Lago, “o Livro das perguntas é um ousado experimento vanguardista com esmerado projeto gráfico e impressão cuidadosa. Nesta viagem ao imaginário de Pablo Neruda, um dos maiores poetas do século xx, surgem questionamentos sobre os animais, os elementos da natureza, o significado da vida e da morte, a sua própria existência. Com ilustrações feitas através da reprodução fotográfica de colagens e instalações, o artista plástico espanhol Isidro Ferrer, ao invés de tentar responder às perguntas de Neruda, capturou a essência dos poemas e criou questões próprias por meio de uma série de pequenos cenários surrealistas – metáforas da sua maneira de perceber o mundo.”
A inocência das perguntas instiga as crianças a produzirem conhecimento, cultivando nelas a inquietação e a curiosidade.
“Isidro Ferrer também é dos que preferem perguntas a respostas, grupo para o qual este livro foi feito e que inclui certamente as crianças”.
No dia 28/06, a partir das 16h, crianças e adultos estão convidados para um recital de perguntas na loja, com leitura performática de Diana Hime.
Serviço:
- 28 de junho, a partir das 16h
- Livraria da Travessa (Av. Visconde de Pirajá, 572, Ipanema), fone (21) 3205-9002
A estética surrealista
Postado em from posterous, Pintura, poesia no dia 26/05/2008
A idéia que perpassa a Estética Surrealista sugere várias reflexões, elocubrações e devaneios, não? Pois um curso na terça e quinta desta semana promete desvendar a “palavra e imagem” surrealistas. Ministrado pelo poeta, crítico literário e tradutor Carlos Felipe Moisés, o encontro de dois dias pretende, a partir da leitura e análise de quadros de René Magritte e de poemas de Murilo Mendes, encarar o automatismo psíquico do surrealismo como forma geradora de sentido. O objetivo é o conhecimento da estética surrealista como refinamento da percepção do real.
Serviço:
- “A Estética Surrealista: palavra e imagem”, com Carlos Felipe Moisés
- 27 e 29 de maio (terça e quinta), das 20h às 22h
- Instituto Cidadania Global – Al. Ministro Rocha Azevedo, 419, Jardins (próximo ao Metrô Trianon-Masp)
- Quanto: R$ 90,00
- Vagas: 50 lugares
- Informações: (11) 3083-0996
- Inscrições: www.universodoconhecimento.com.br
Carlos Felipe Moisés (more…)
Dia das mães offline
Postado em Família, from posterous, Mãe com filhos, poesia no dia 12/05/2008Tenho várias amigas virtuais mães e desejo que tenham passado um domingo delicioso com seus familiares ontem. O Dia das Mães aqui foi completamente offline, passeando com meus amores na companhia de meus sogros, que vieram de Curitiba para passar conosco o aniversário do Enzo – hoje meu filho mais velho completa oito anos! Tomamos café da manhã na Cepam (na Vila Prudente), passeamos de Maria Fumaça no Museu da Imigração e conferimos novamente a exposição O Florescer das Artes no Período Edo na Pinacoteca antes de almoçarmos no Bar Mooca. Um dia que agradou às duas mães da família. No almoço uma pequena surpresa: no lugar do tradicional mapa das ruas do bairro o papel que faz as vezes de toalha americana para o prato tinha uma poesia atribuída a Mário Quintana que transcrevo abaixo. Tem as palavras que meus baixinhos me falariam:
Mãe… são três letras apenas As desse nome bendito: Também o céu tem três letras E nelas cabe o infinito. Para louvar nossa mãe, Todo bem que se disser Nunca há de ser tão grande Como o bem que ela nos quer Palavra tão pequenina, Bem sabem os lábios meus Que és do tamanho do Céu E apenas menor que Deus!P.S. Meus agradecimentos à querida Veridiana Serpa que fez um post gentil sobre o Dia das Mães no qual elencou algumas mães blogueiras – muitas amigas minhas – e me incluiu na lista!
Blogagem coletiva Abre Aspas
Postado em poesia no dia 28/04/2008Perguntas em forma de Cavalo-Marinho, de Carlos Drummond de Andrade, em homenagem aos meus filhos Enzo e Giorgio, na blogagem coletiva Abre Aspas de nossa amiga em comum Lunna Guedes.

Que metro serve
para medir-nos?
que forma é a nossa
e que conteúdo?
Contemos algo? somos contidos? dão-nos um nome? estamos vivos? A que aspiramos
Que possuimos?
Que lembramos?
Onde jazemos? Nunca se finda
Nem se criara
Misterio é o tempo
Inigualavel
Thiago de Mello na Casa das Rosas
Postado em poesia no dia 13/04/2008Lembram-se da presença de Thiago de Mello em Sampa? Hoje na Casa das Rosas Fernanda de Almeida Prado organiza um Sarau da Chama Poética para homenagea-lo. A programação está na imagem.
Abre Aspas: Estatutos do Homem, de Thiago de Mello
Postado em poesia no dia 09/04/2008[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=XylbBRdiRdI[/youtube]
Os Estatutos do Homem (Ato Institucional Permanente)
Por Thiago de Mello
A Carlos Heitor Cony
Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira. Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo. Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança. Artigo IV
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu. Parágrafo único:
O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino. Artigo V
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa. Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora. Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo. Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor. Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura. Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
uso do traje branco. Artigo XI
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã. Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela. Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor. Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou. Artigo Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem. Santiago do Chile, abril de 1964
P.S. Créditos para o pessoal que publicou o texto na internet, tornando-o acessível ao ctrl C + ctrl V.
Thiago de Mello em Sampa
Postado em poesia no dia 09/04/2008
Não fui a única a reagir em êxtase, @lufreitas twittou disso outro dia. O motivo é que é raro este poeta sair do seu paraíso – sua heartland – e ele está em Sampa desde domingo, concedendo entrevistas e se preparando para o que será o relançamento de Amazonas – Pátria da Água, livro que tem fotos de Luiz Cláudio Marigo. O evento acontece às 19h30 na Saraiva Mega Store Pátio Paulista.
Ainda não se achou? Vou ajudar: Thiago de Mello é um poeta amazonense e eu o conheci com a paixão de meus sogros por seus textos, especialmente Os estatutos do homem. O texto é lindo e vou deixar no meu Abre Aspas de hoje. Interessante como sua história lembra a de muitos autores importantes de sua geração, que foram mandados para longe de casa para estudar (ele saiu de Manaus para o Rio de Janeiro fazer faculdade de Medicina) e acabam se encontrando numa nova profissão. A diferença é que o Rio não se tornou nunca a Heartland dele (eu adoro esta palavra, soa uma escolha, diferente da correspondente em português, que soa a imposição) e é no Amazonas onde vive e produz. Desde que decidiu que não seria médico, Thiago de Mello já escreveu mais de uma dezena de livros de poesia – “Faz escuro, mas eu canto”, “De uma vez por todas” e “Os Estatutos do Homem” – e de prosa – “Arte e ciência de empinar papagaio” e o próprio “Amazonas, pátria da água”.
Neste livro, lançado em 1991, prosa e poesia estão intercaladas com imagens para contar a história do Rio Amazonas e como a floresta e a população ribeirinha dependem dele para sua subsistência. Não o li ainda, mas a editora promete uma viagem amazônica “desde seu nascimento através das águas de degelo dos Andes e a chegada de Vicente Pizón em 1500, até a guerra com a água salgada do Oceano Atlântico, os dias atuais e o alerta para a importância da preservação para o bem de toda a humanidade”. Nada mal, não? O relançamento é das editoras Boccato e Gaia e o conteúdo é todo bilíngüe (o que me fez lembrar do Zé), objetivando alcançar leitores no mundo todo.
Achei bem interessante (e despertou minha curiosidade) o fato de ser prefaciado por Armando Nogueira. Pena que não ganhei um exemplar, nem para mim, nem para sortear aqui, porque seria bárbaro. Mas vejam o que contava o release que recebi, já convence a comprar (o preço é salgadinho, cerca de 150 reais, porque é livro de fotografia, né?) e conferir.
O início da obra dedica-se a expor a história do lugar, sobre os nomes que o “grande mar doce” teve antes de ser batizado Rio Amazonas e o choque cultural entre os índios de tribos primitivas e os primeiros colonizadores. (more…)
Abre Aspas
Postado em poesia no dia 04/04/2008
Aí na barra de links do blog tem um Abre Aspas. Como eu conto lá, foi uma sugestão da Lunna Guedes, numa conversa nossa sobre direito autorais, créditos e o “roubo” de autoria de textos, em especial de poesias, na internet. Outro dia a Lunna me chamou e comentou que pensava em ampliar o Abre Aspas e eu achei a idéia ótima, mas não imaginava uma blogagem. No entanto, adorei a idéia de movimentar os blogs para cultura e falar de coisas boas!
Abaixo o texto dela para divulgação:
No dia 28 de abril – Abra Aspas para a poesia…
No dia 28 de abril você está convidado a postar uma poesia e uma breve biografia do autor da poesia escolhida por você. Então, “Abra Aspas” no seu blog, no seu tempo, na sua vida – para a poesia. (more…)
Convido vocês a participar da Blogagem Coletiva “Abre Aspas” que tem por objetivo ampliar ainda o espaço da poesia na suas leituras…


