Jun
28
“Há alguma coisa mais triste no mundo que um trem imóvel na chuva?”
“Por que se suicidam as folhas quando se sentem amarelas?”
“As lágrimas que não choramos esperam em pequenos lagos?”
“Há coisa mais boba na vida que chamar-se Pablo Neruda ? ”

Quem passar pela livraria da Travessa de Ipanema, Rio de Janeiro, neste sábado irá se deparar com balões contendo essas e outras perguntas espalhadas por todo o espaço. O motivo é a comemoração do lançamento do Livro das perguntas, um dos mais importantes de Pablo Neruda, com tradução do Ferreira Gullar e ilustrações do artista plástico espanhol Isidro Ferrer.
Segundo Angela Lago, “o Livro das perguntas é um ousado experimento vanguardista com esmerado projeto gráfico e impressão cuidadosa. Nesta viagem ao imaginário de Pablo Neruda, um dos maiores poetas do século xx, surgem questionamentos sobre os animais, os elementos da natureza, o significado da vida e da morte, a sua própria existência. Com ilustrações feitas através da reprodução fotográfica de colagens e instalações, o artista plástico espanhol Isidro Ferrer, ao invés de tentar responder às perguntas de Neruda, capturou a essência dos poemas e criou questões próprias por meio de uma série de pequenos cenários surrealistas – metáforas da sua maneira de perceber o mundo.”
A inocência das perguntas instiga as crianças a produzirem conhecimento, cultivando nelas a inquietação e a curiosidade.
“Isidro Ferrer também é dos que preferem perguntas a respostas, grupo para o qual este livro foi feito e que inclui certamente as crianças”.
No dia 28/06, a partir das 16h, crianças e adultos estão convidados para um recital de perguntas na loja, com leitura performática de Diana Hime.
Serviço:
- 28 de junho, a partir das 16h
- Livraria da Travessa (Av. Visconde de Pirajá, 572, Ipanema), fone (21) 3205-9002
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May
26


A idéia que perpassa a Estética Surrealista sugere várias reflexões, elocubrações e devaneios, não? Pois um curso na terça e quinta desta semana promete desvendar a “palavra e imagem” surrealistas. Ministrado pelo poeta, crítico literário e tradutor Carlos Felipe Moisés, o encontro de dois dias pretende, a partir da leitura e análise de quadros de René Magritte e de poemas de Murilo Mendes, encarar o automatismo psíquico do surrealismo como forma geradora de sentido. O objetivo é o conhecimento da estética surrealista como refinamento da percepção do real.
Serviço:
- “A Estética Surrealista: palavra e imagem”, com Carlos Felipe Moisés
- 27 e 29 de maio (terça e quinta), das 20h às 22h
- Instituto Cidadania Global – Al. Ministro Rocha Azevedo, 419, Jardins (próximo ao Metrô Trianon-Masp)
- Quanto: R$ 90,00
- Vagas: 50 lugares
- Informações: (11) 3083-0996
- Inscrições: www.universodoconhecimento.com.br
Carlos Felipe Moisés Read the rest of this entry »
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May
12

Tenho várias amigas virtuais mães e desejo que tenham passado um domingo delicioso com seus familiares ontem. O Dia das Mães aqui foi completamente offline, passeando com meus amores na companhia de meus sogros, que vieram de Curitiba para passar conosco o aniversário do Enzo - hoje meu filho mais velho completa oito anos! Tomamos café da manhã na Cepam (na Vila Prudente), passeamos de Maria Fumaça no Museu da Imigração e conferimos novamente a exposição O Florescer das Artes no Período Edo na Pinacoteca antes de almoçarmos no Bar Mooca. Um dia que agradou às duas mães da família. No almoço uma pequena surpresa: no lugar do tradicional mapa das ruas do bairro o papel que faz as vezes de toalha americana para o prato tinha uma poesia atribuída a Mário Quintana que transcrevo abaixo. Tem as palavras que meus baixinhos me falariam:
Mãe… são três letras apenas
As desse nome bendito:
Também o céu tem três letras
E nelas cabe o infinito.
Para louvar nossa mãe,
Todo bem que se disser
Nunca há de ser tão grande
Como o bem que ela nos quer
Palavra tão pequenina,
Bem sabem os lábios meus
Que és do tamanho do Céu
E apenas menor que Deus!
P.S. Meus agradecimentos à querida Veridiana Serpa que fez um post gentil sobre o Dia das Mães no qual elencou algumas mães blogueiras - muitas amigas minhas - e me incluiu na lista! 
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Apr
28
Perguntas em forma de Cavalo-Marinho, de Carlos Drummond de Andrade, em homenagem aos meus filhos Enzo e Giorgio, na blogagem coletiva Abre Aspas de nossa amiga em comum Lunna Guedes.

Que metro serve
para medir-nos?
que forma é a nossa
e que conteúdo?
Contemos algo?
somos contidos?
dão-nos um nome?
estamos vivos?
A que aspiramos
Que possuimos?
Que lembramos?
Onde jazemos?
Nunca se finda
Nem se criara
Misterio é o tempo
Inigualavel
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Apr
13
Lembram-se da presença de Thiago de Mello em Sampa? Hoje na Casa das Rosas Fernanda de Almeida Prado organiza um Sarau da Chama Poética para homenagea-lo. A programação está na imagem.

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Apr
09
[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=XylbBRdiRdI[/youtube]
Os Estatutos do Homem (Ato Institucional Permanente)
Por Thiago de Mello
A Carlos Heitor Cony
Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.
Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.
Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.
Artigo IV
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.
Parágrafo único:
O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.
Artigo V
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.
Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.
Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.
Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.
Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.
Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
uso do traje branco.
Artigo XI
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.
Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.
Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.
Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.
Artigo Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.
Santiago do Chile, abril de 1964
P.S. Créditos para o pessoal que publicou o texto na internet, tornando-o acessível ao ctrl C + ctrl V. 
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Apr
09
Não fui a única a reagir em êxtase, @lufreitas twittou disso outro dia. O motivo é que é raro este poeta sair do seu paraíso - sua heartland - e ele está em Sampa desde domingo, concedendo entrevistas e se preparando para o que será o relançamento de Amazonas - Pátria da Água, livro que tem fotos de Luiz Cláudio Marigo. O evento acontece às 19h30 na Saraiva Mega Store Pátio Paulista.
Ainda não se achou? Vou ajudar: Thiago de Mello é um poeta amazonense e eu o conheci com a paixão de meus sogros por seus textos, especialmente Os estatutos do homem. O texto é lindo e vou deixar no meu Abre Aspas de hoje. Interessante como sua história lembra a de muitos autores importantes de sua geração, que foram mandados para longe de casa para estudar (ele saiu de Manaus para o Rio de Janeiro fazer faculdade de Medicina) e acabam se encontrando numa nova profissão. A diferença é que o Rio não se tornou nunca a Heartland dele (eu adoro esta palavra, soa uma escolha, diferente da correspondente em português, que soa a imposição) e é no Amazonas onde vive e produz. Desde que decidiu que não seria médico, Thiago de Mello já escreveu mais de uma dezena de livros de poesia - “Faz escuro, mas eu canto”, “De uma vez por todas” e “Os Estatutos do Homem” - e de prosa - “Arte e ciência de empinar papagaio” e o próprio “Amazonas, pátria da água”.
Neste livro, lançado em 1991, prosa e poesia estão intercaladas com imagens para contar a história do Rio Amazonas e como a floresta e a população ribeirinha dependem dele para sua subsistência. Não o li ainda, mas a editora promete uma viagem amazônica “desde seu nascimento através das águas de degelo dos Andes e a chegada de Vicente Pizón em 1500, até a guerra com a água salgada do Oceano Atlântico, os dias atuais e o alerta para a importância da preservação para o bem de toda a humanidade”. Nada mal, não? O relançamento é das editoras Boccato e Gaia e o conteúdo é todo bilíngüe (o que me fez lembrar do Zé), objetivando alcançar leitores no mundo todo.
Achei bem interessante (e despertou minha curiosidade) o fato de ser prefaciado por Armando Nogueira. Pena que não ganhei um exemplar, nem para mim, nem para sortear aqui, porque seria bárbaro. Mas vejam o que contava o release que recebi, já convence a comprar (o preço é salgadinho, cerca de 150 reais, porque é livro de fotografia, né?) e conferir.
O início da obra dedica-se a expor a história do lugar, sobre os nomes que o “grande mar doce” teve antes de ser batizado Rio Amazonas e o choque cultural entre os índios de tribos primitivas e os primeiros colonizadores. Read the rest of this entry »
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Apr
04

Aí na barra de links do blog tem um Abre Aspas. Como eu conto lá, foi uma sugestão da Lunna Guedes, numa conversa nossa sobre direito autorais, créditos e o “roubo” de autoria de textos, em especial de poesias, na internet. Outro dia a Lunna me chamou e comentou que pensava em ampliar o Abre Aspas e eu achei a idéia ótima, mas não imaginava uma blogagem. No entanto, adorei a idéia de movimentar os blogs para cultura e falar de coisas boas!
Abaixo o texto dela para divulgação:
No dia 28 de abril - Abra Aspas para a poesia…
Convido vocês a participar da Blogagem Coletiva “Abre Aspas” que tem por objetivo ampliar ainda o espaço da poesia na suas leituras…
No dia 28 de abril você está convidado a postar uma poesia e uma breve biografia do autor da poesia escolhida por você. Então, “Abra Aspas” no seu blog, no seu tempo, na sua vida - para a poesia. Read the rest of this entry »
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Mar
28
Soube pelo @agendacult desta nova exposição na Casa das Rosas. A julgar pela reação dos meninos na última - a exposição Cem Com Cem Sem, uma homenagem a Guimarães Rosa e Machado de Assis- vale dar uma passada lá. O espaço não é grande, o que permite uma visita mais rápida, mas sempre muito agradável, e assim podemos entender quando uma modelo estiver quase nua de lingerie comendo chocolate na Paulista, o por quê de ser exatamente nesta casa. Aliás, esta casa antiga com jardim e de portões abertos perdida no centro de São Paulo é um espetáculo à parte.
A Casa das Rosas foi projetada no final da década de 20 pelo arquiteto Ramos de Azevedo para ser a residência da sua filha, que morou lá por 51 anos. Em 1985 a casa foi tombada pelo patrimônio histórico e passou por uma reforma. E em 2004 foi reinaugurada com nova vocação: o primeiro espaço público do país destinado à poesia, nomeado de Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura, abrigando o acervo de cerca de 20 mil volumes da biblioteca do poeta, tradutor e ensaísta Haroldo de Campos (1929-2003).
A exposição que começou nesta semana é PeacePlease e tem obras da artista tridimensionalista Rosane Gaspar sobre a paz. Ela conta que:
A idéia para a exposição nasceu na época em que se decidia a invasão do Iraque pelos EUA e seu aliados. Na ocasião, vivendo em Santiago do Chile, participei de muitas manifestações contra a guerra.
Em Santiago foram muitos os protesto contra a invasão. Nada conseguimos. Mais uma vez a sensação de impotência.
Dessa situação nasceu o desejo de fazer um trabalho sobre a paz que está ao nosso alcance, a paz que podemos exercer.
A paz no conviver cotidiano de todos nós.
Escolhi materiais que fazem parte do nosso dia a dia.
O cimento, a tela de proteção das construções, a pelúcia dos brinquedos.
Construí então a instalação peaceplease.
Serviço:
PEACEPLEASE
- De 26 de março a 18 de abril
- De terça a sexta, das 10h às 20h, sábados e domingos, das 10h às 18h
- GRÁTIS
- Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura
- Av. Paulista, 37 –Bela Vista – próx. ao metrô Brigadeiro
P.S. As fotos são da nossa visita à Casa das Rosas no Art Night São Paulo.
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Mar
19
Hoje às 19 horas a Livraria da Vila vai reunir oito poetas e convidados para falar sobre a poesia através dos tempos. A leitura de poemas será a “desculpa” para uma conversa animada sobre os cenários atuais da poesia nas diferentes mídias, gêneros, grupos, formatos.
Mesa para Oito leva poetas convidados para uma mesa, como o próprio nome diz, com oito integrantes – o que surpreende no formato é a possibilidade de ver poetas das mais diferentes gerações e estilos, sentados sob a benção de uma meia estação (entre o fim verão e o começo do outono) numa completa e irrestrita ausência de luz – apresentando seus estilos e singularidades. Você custa entender que é um evento, mas a proposta é exatamente essa – te induzir a um debate, a uma audição ao mesmo tempo em que você se percebe inserido em uma contradição: “o que é poesia para você?” e a resposta chega de todos os lados, carregada de tons e meios tons e de uma singularidade infinitamente pessoal.
O encontro foi idealizado pela poeta Lunna Guedes que realizou dois encontros do gênero em 2007 – nesta edição o evento Mesa para Oito está sendo produzido por Francy´s Oliva – uma produtora brasileira que aos poucos começa a se destacar no cenário depois de uma longa temporada em Portugal produzindo eventos do gênero. (Identidade própria)
E no fim, trata-se apenas de um convite a poesia…
O evento pede que os poetas convidados a compor a mesa levem seus poemas, um livro de um autor que seja significativo para sua composição e diferentes assuntos na manga para que sejam discutidos livremente. Para a confecção do folder do evento, fui convidada a entrevistar os poetas participantes e o resultado que obtive, ao mesclar as respostas (mandei-lhes perguntas idênticas, algumas bem fora da minha visão, como uma provocação minha) me permitiu imaginar quão rico será o encontro desta noite. Como os convites estão esgotados há um tempo, deixo-os com as respostas e que elas possam incitar sua vontade de pensar na poesia com novos olhos.
Serviço:
Evento Mesa para Oito
Poetas Convidados:André Amaral – Frederico Barbosa - Eduardo de Santiago - Eduardo Lacerda - Hernani Zanin Junior - Letícia Coelho – Lunna Guedes – Rodrigo Capella
Participação Especial:Emerson Natividade - Gilberto Junior – Kadu Ayala – Roberta Gutti
Apresentação: Vanessa Morelli
Data: 19 de março, às 19 horas
Entrada Gratuita
Local. Livraria da Vila
Rua Fradique Coutinho, 915 - Vila Madalena
Leia a seguir as respostas dos poetas sobre a poesia atual ou olhar o resumo na imagem do folder.
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