May
26

A estética surrealista

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A idéia que perpassa a Estética Surrealista sugere várias reflexões, elocubrações e devaneios, não? Pois um curso na terça e quinta desta semana promete desvendar a “palavra e imagem” surrealistas. Ministrado pelo poeta, crítico literário e tradutor Carlos Felipe Moisés, o encontro de dois dias pretende, a partir da leitura e análise de quadros de René Magritte e de poemas de Murilo Mendes, encarar o automatismo psíquico do surrealismo como forma geradora de sentido. O objetivo é o conhecimento da estética surrealista como refinamento da percepção do real.

Serviço:

  • “A Estética Surrealista: palavra e imagem”, com Carlos Felipe Moisés
  • 27 e 29 de maio (terça e quinta), das 20h às 22h
  • Instituto Cidadania Global – Al. Ministro Rocha Azevedo, 419, Jardins (próximo ao Metrô Trianon-Masp)
  • Quanto: R$ 90,00
  • Vagas: 50 lugares
  • Informações: (11) 3083-0996
  • Inscrições: www.universodoconhecimento.com.br

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May
21

Banzai Brasil

Na onda das homenagens à imigração japonesa no Brasil, começa hoje a exposição Banzai Brasil no saguão do Edifício Altino Arantes, no centro de São Paulo. São : quadros de óleo sobre tela, aquarelas, litografia e esculturas de mármore assinadas por nomes como Tomie Ohtake, Manabu Mabe, Tikashi Fukushima, Kazuo Wakabayashi, Hiroe Sasaki, Richard Hideaki e Masako Tsukada . Entre os destaques, está a primeira obra adquirida pelo Museu: Sonho de Princeza (sic), produzida por Manabu Mabe, em 1967.

Tenho uma simpatia imensa por Manabu Mabe desde criança e creio que herdei de minha mãe, uma apaixonada pela cultura japonesa. Mais tarde eu mesma descobri Tomie Ohtake e gosto de sua obra como de sua forma de ser, de se apresentar e de se inserir na sociedade brasileira. E esta inserção dos japoneses será o mot da mostra e da homenagem que o Museu Santander faz ao "povo que tanto contribuiu para o desenvolvimento do País". Banzai Brasil é a nossa celebração ao talento dos artistas japoneses e descendentes.

Tomie Ohtake – Banzai Brasil apresenta um óleo sobre tela de Tomie Ohtake catalogado como sem título, pintado por em 1969, embora registre o nome “Caminho da Esperança” em seu verso. Uma das mais reconhecidas artistas de ascendência japonesa no País, Tomie nasceu em Kioto, em 1913 e chegou ao Brasil em 1936. Naturalizou-se quase três décadas depois. Ela começou a pintar aos 40 anos e, durante a década de 60, dedicou-se às abstrações informais, período em que aprimorou sua técnica. Aos 95 anos, é considerada a “Dama das Artes Plásticas Brasileiras ”.

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May
15

A pintura do universo

A onda nikkei está tomando as artes paulistanas e eu, apesar de admiradora da colônia japonesa, ando surpresa e estupefata com a quantidade de gente boa que tem por aí e eu não conhecia. O pintor Takashi Fukushima, homenageado na mostra A pintura do universo que entrou em cartaz no Espaço Cultural Citi da Avenida Paulista, era um desconhecido para mim. Mas o crítico Jacob Klintowitz, curador da mostra, apresenta-o em 18 trabalhos e nos faz desejar saber mais deste nissei. Algumas obras são inéditas no Brasil, parte de duas séries: “Cidade e Campo”, oito obras que estavam em Paris e nunca foram mostradas no Brasil; “Planetas”, oito trabalhos que foram realizados entre 2007 e 2008.

Klintowitz afirma no texto do catálogo: “Eu não sei se o pintor Takashi Fukushima é o mais brilhante dos nisseis que tivemos a sorte de ver nascer no Brasil. Mas tenho certeza de que em nenhum outro o sentimento profundo de identificação com a natureza é tão presente.”

Segundo um dos mais importantes críticos de arte brasileiros, Frederico Morais, “… Takashi Fukushima mantém em sua pintura um ideal de beleza associado a um domínio oficinal que beira o virtuosismo. Sua pintura, tranqüila e elegante, é o retrato de sua personalidade discreta, quase tímida, mas persistente…” e “… com seus antepassados, Takashi Fukushima contempla a natureza, mas o faz dinamicamente, com os filtros da vida moderna. Mais do que contemplar, a atitude passiva, procura refletir ativamente sobre esta mesma natureza. Não é nostálgico, nem maniqueísta. Como ele mesmo afirma: ‘Eu não contesto. Constato’ “

Serviço:

  • Espaço Cultural Citi
  • Av. Paulista, 1111, térreo, fone 4009-3000
  • de segunda a sexta-feira, das 9 às 19 horas; aos sábados, domingos e feriados, das 10 às 17
  • Entrada gratuita

P.S. Leia também: A Pintura do Universo, texto sobre Takashi Fukushima por Jacob Klintowitz.

Mar
11

Os Girassóis

girassois-de-van-gogh.jpgSempre gostei do Van Gogh. Na adolescência, os pintores mais perturbados costumavam ter a obra que mais me atraía e Van Gogh e Toulouse-Lautrec faziam parte deste time. Estou falando deles porque eram ligados ao que chamamos até hoje de marginal na sociedade, as prostitutas.

Ontem recebi um comentário aqui que me deixou chateada - não com a pessoa que comentou, mas comigo, porque não consegui me expressar bem e deixei uma impressão que, para mim, é das mais odiosas, envolvendo preconceito e falta de solidariedade. Quando escrevi sobre o caso da rede de tráfico de mulheres, Ethel Scliar entendeu que eu dizia que elas mereciam o trabalho escravo por sua profissão. O que quis dizer no post foi que se é opção - elas montaram perfis no orkut para mostrar suas habilidades, pagaram as passagens do próprio bolso - não podem ser tratadas como vítimas, pois de certa forma faziam parte da quadrilha que migrava irregularmente. E por fazerem isto, deixam numa situação delicada toda mulher brasileira que vai para Espanha fazer turismo.

P.S. Por falar em turismo, postei no Movimento Dekassegui uma notícia típica de turista ou “prá inglês ver”: um sushiman fez uma réplica deste quadro do Van Gogh com sushi e sashimi. Confiram lá em Van Gogh de Sushi. ;)

O vídeo abaixo é uma mescla de imagens de Van Gogh e vale os minutos - poucos por sinal - regados a boa musica. A pintura impressionista não é linda?

Feb
25

O arte do mito no Masp

masp-fev-2008.jpgO mito é o nada que é tudo, diz o primeiro verso do poema dedicado a Ulisses por Fernando Pessoa e impresso no único livro que o poeta viu publicado em vida, Mensagem - o mesmo onde se lê a mais conhecida passagem lembrando que tudo vale a pena se a alma não é pequena.
O mito é uma forma do sentido. Uma das primeiras formas do primeiro sentido, da primeira grande narrativa que o homem se deu. A definição aristotélica do homem como um animal político é apressada ou secundária (ou nunca foi bem entendida). O homem é, antes de mais nada, um animal que se conta histórias, é isso que o diferencia entre as espécies. Um animal que se conta várias histórias e a história da política é apenas uma entre elas e não a mais importante.”
Estas são as palavras com que o curador do Masp, Roberto Teixeira Coelho, apresenta a exposição A arte do Mito.

Estivemos no Museu no sábado, a convite dos meus filhos, que queriam oferecer “um programa especial de presente de aniversário” para o pai. Foi mesmo, nos encheu de beleza, mas sobretudo nos levou à reflexão. Quem já se deparou com as perguntas das crianças diante do que retratam as obras de arte entende o que eu digo. Quem não esteve, tente imaginar o que a série “Retirantes” de Cândido Portinari (na exposição Arte moderna e contemporânea brasileira do programa com artistas brasileiros reconhecidos), as luxuosas representações de arte italiana renascentista sobre a glória das Sagradas Escrituras (na exposição A Arte Religiosa com obras-primas da arte do século XIV à contemporaneidade) ou os generosos corpos nus com rostos delicadíssimos de Auguste Renoir (da Coleção Masp) trazem de questionamento a quem tem olhar singelo e inocente. Por que eles estavam viajando? Eram muito pobres? Jesus tinha este dourado na cabeça? E a mulher era gorda mesmo? Eles nos questionam os valores da sociedade, exatamente aqueles aos quais já nos habituamos.

Já contei aqui que Enzo se encanta com a mitologia. Agora imaginem vários mitos greco-romanos, entrelaçados nas obras de arte, permitindo-nos rever os conceitos que são passados por gerações ou alterados por elas, ao vislumbrarmos a mesma cena mitólogica (de Eros, Afrodite, Hera, Dionísio, com nomes vários) sendo representados por artistas de épocas distintas, que deixaram seus preconceitos e sua realidade impressas na sua visão do mito. Rendeu muita conversa e uma preocupação imensa dos “guardas” do Masp, que não entendiam bem porque levantávamos a toda hora as crianças para verem tudo. Nesta exposição, que está no fundo do segundo andar do masp, vê-se bem o homem como ser político -ou não- do começo do texto do curador. E foi impossível não ter até com as crianças uma conversa sobre as motivações políticas que algumas obras continham. Em tudo que retrata a humanidade há uma forma de política. A Vênus Vitoriosa (escultura de Renoir) que ostenta a maçã de ouro, prêmio de sua vitória na competição de beleza com Hera e Atena, arbitrada por Páris, ganhou graças ao acordo para conquistar Helena de Tróia. Em tudo parecemos animais políticos sim, mas capazes de ver e sonhar a beleza até na feiúra do comportamento degradado dos deuses antigos.

Serviço:

  • Exposição A Arte do Mito
  • Local MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand
  • Av. Paulista, 1578 - Cerqueira César - São Paulo - SP
    Data: De 3/10/2007 a outubro de 2008
  • Horário terça-feira a domingo e feriados, das 11h às 18h; quinta-feira até 20h.
    (A bilheteria fecha com uma hora de antecedência)
  • Ingresso R$ 15 (inteira) e R$ 7,00 (estudante), gratuito para menores de 10 anos e maiores de 60 anos.
  • Dia Gratuito Todas as terças-feiras entrada gratuita até as 18:00 horas

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