May
01

35 anos para ser feliz


Terça-feira foi aniversário de uma amiga e ela postou no seu blog um texto legal sobre a idade que temos. Lembrei do aniversário de 16 anos dela, quando éramos amigas adolescentes, e eu coloquei uma música do Ira para surpreendê-la na escola. A música era Envelheço na Cidade e hoje penso no quanto ela fazia e ao mesmo tempo não fazia qualquer sentido. Risos.

35 anos para ser feliz
Martha Medeiros
Uma notinha instigante na Zero Hora de 30/09: foi realizado em Madri o Primeiro Congresso Internacional da Felicidade, e a conclusão dos congressistas foi que a felicidade só é alcançada depois dos 35 anos. Quem participou desse encontro? Psicólogos, sociólogos, artistas de circo? Não sei. Mas gostei do resultado.
A maioria das pessoas, quando são questionadas sobre o assunto, dizem: "Não existe felicidade, existem apenas momentos felizes". É o que eu pensava quando habitava a caverna dos 17 anos, para onde não voltaria nem puxada pelos cabelos. Era angústia, solidão, impasses e incertezas pra tudo quanto era lado, minimizados por um garden party de vez em quando, um campeonato de tênis, um feriadão em Garopaba. Os tais momentos felizes.
Adolescente é buzinado dia e noite: tem que estudar para o vestibular, aprender inglês, usar camisinha, dizer não às drogas, não beber quando dirigir, dar satisfação aos pais, ler livros que não quer e administrar dezenas de paixões fulminantes e rompimentos. Não tem grana para ter o próprio canto, costuma deprimir-se de segunda a sexta e só se diverte aos sábados, em locais onde sempre tem fila. É o apocalipse. Felicidade, onde está você? Aqui, na casa dos 30 e sua vizinhança.
Está certo que surgem umas ruguinhas, umas mechas brancas e a barriga salienta-se, mas é um preço justo para o que se ganha em troca. Pense bem: depois dos 30, você paga do próprio bolso o que come e o que veste. Vira-se no inglês, no francês, no italiano e no iídiche, e ai de quem rir do seu sotaque. Não tenta mais o suicídio quando um amor não dá certo, enjoou do cheiro da maconha, apaixonou-se por literatura, trocou sua mochila por uma Samsonite e não precisa da autorização de ninguém para assistir ao canal da Playboy. Talvez não tenha se tornado o bam-bam-bam que sonhou um dia, mas reconhece o rosto que vê no espelho, sabe de quem se trata e simpatiza com o cara.
Depois que cumprimos as missões impostas no berço — ter uma profissão, casar e procriar — passamos a ser livres, a escrever nossa própria história, a valorizar nossas qualidades e ter um certo carinho por nossos defeitos. Somos os titulares de nossas decisões. A juventude faz bem para a pele, mas nunca salvou ninguém de ser careta. A maturidade, sim, permite uma certa loucura. Depois dos 35, conforme descobriram os participantes daquele congresso curioso, estamos mais aptos a dizer que infelicidade não existe, o que existe são momentos infelizes. Sai bem mais em conta.
Apr
28

Mulheres do Sol

Chega ao fim em grande estilo, com a presença das cantoras Miriam Mirah e Isabel Parra, o o projeto Mulheres do Sol no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-SP). Durante todo o mês de abril, essa programação especial traçou um mapeamento musical da América Latina através de suas mais representativas vozes femininas com cantoras de diferentes partes deste lado do continente. Toda terça, duas artistas – uma brasileira e outra de algum país vizinho – apresentaram um repertório influenciado pelo cancioneiro popular de sua região de origem, como farão Miriam e Isabel nessa apresentação de encerramento. No final do espetáculo, ambas sobem ao palco para uma apresentação especial. Os shows são realizados em dois horários: às 13h e às 19h30.

Serviço:

  • Mulheres do Sol
  • Data: 29 de abril
  • Terças-feiras - 13h e 19h30
  • Teatro - Rua Álvares Penteado, 112 - Centro - São Paulo
  • Ingressos: R$ 6,00 e R$ 3,00 (meia-entrada)
  • Informações: (11) 3113-3651 / 3113-3652
  • Horário de funcionamento da bilheteria: das 09h às 20h
  • Acesso e facilidades para pessoas com deficiência física // Ar-condicionado // Loja
  • Opções de estacionamentos particulares nas ruas Boa Vista, Senador Feijó e Libero Badaró.
  • Confirmar preços, dias e horários de funcionamento.

As artistas: Read the rest of this entry »

Apr
24

Ser Mãe É Tudo de Bom

coruja.jpgRaramente compro livro no susto, sem pensar muito - quer dizer, só se for coisas como biografia escrita pelo Ruy Castro… - mas ao receber e-mail avisando deste lançamento, nem pensei duas vezes: mandei ver no Submarino (e recebi direitinho menos de 24h depois). A razão do consumismo? Ajuda uma instituição legal (Amparo Maternal, que ficou com os direitos autorais da obra) e trata de um tema que é bem conhecido meu: a maternidade. Só o título me deixou meio de nariz torto, parece aquela frase horrorosa de que ser mãe é padecer no paraíso. Não é, é hard work mas tem compensações à altura.

Com o livro em mãos, fui ver com calma os nomes das autoras. A historinha é legal: no final de 2007 mães famosas do Brasil foram convidadas para escrever um texto sobre a maternidade para compor um livro que ajudaria uma instituição tradicional no atendimento a grávidas sem recursos e desassistidas socialmente. Bem, 33 mulheres assumiram a empreitada e a visão delas está em Ser Mãe É tudo de Bom – A Maternidade na Visão de Mães Brasileiras Famosas (Matrix Editor, 192 págs, preço médio R$ 29,90). A resenha diz que “elas contam na obra suas experiências de filho nascendo, mamando, crescendo, saindo de casa, tendo seus próprios filhos. Textos emocionantes, sinceros, alegres e belos, como só as mães seriam capazes de escrever.”

O mais legal, para completar o quadro para mim, é que o livro o lançamento do livro é num dos lugares que mais adoro atualmente em São Paulo! E eu vou, claro, com os guarda-costas junto, para ter muita história para contar quando chegar minha vez!

Serviço:

P.S. A blogueira Carolina, do Vignamaru, contou que a mãe dela, a escritora Elvira Vina, é uma das autoras do livro. Eu sigo a filha no Twitter e fiquei muito curiosa sobre os livros da mãe.

Quem são as autoras: Read the rest of this entry »

Apr
22

Os papéis da mulher no mundo atual

convite-divino-os-papeis-da-mulher.jpg

Amelinha Amaro, da Divino Espaço, recebe para palestra com a psicanalista Elisabeth Saporiti sobre o tema “Os papéis da mulher no mundo atual” em comemoração aos cinco anos da loja de decoração. O evento acontece no dia 24 de abril, às 15 horas.

Há 50 vagas disponíveis e os interessados devem fazer a inscrição, antecipadamente, por telefone. Após o bate-papo, será servido um chá aos participantes.

Serviço:

  • Palestra: “Os papéis da mulher no mundo atual”
  • Palestrante: Dra. Elisabeth Saporiti
  • 24 de abril, às 15h
  • Divino Espaço – Alameda Jauaperi, 45, Moema.
  • Inscrições pelo telefone (11) 5051-1268
  • Evento gratuito

psicanalista-elisabeth-saporiti.jpgP.S. Googlando o nome da psicanalista Elisabeth Saporiti, descobri um título super legal: A Interpretação. A resenha diz:

Sabe-se hoje que nem a lingüística, nem a semiologia centrada sobre o verbal, dão conta das questões colocadas quanto às relações possíveis entre significante e significado. Ao contrário, a problemática do sentido constitui uma via sem saída, um impasse, uma via crucis quando abordada desses pontos de vista.
Este livro consiste na abordagem da problemática da interpretação psicanalítica centrada na teoria geral dos signos e da significação através de um exame preciso de textos pouco conhecidos de Charles S. Peirce.
Apr
18

Meu lado B (meu primeiro meme)

skinferragamo2-778092.JPG

Hoje no Nossa Via Max tocou - em Salão de Móveis de Milão… ou, meu lado B queria ser designer! - num tema que tinha tudo para render um post meu. Mais do que isso, comentei lá com ele que valia um meme - e vejam, nunca antes eu criei um meme ou blogagem coletiva. Mas aqui está, deixo o convite para quem me lê contar do seu lado B. Desafio e tanto, não é? Mas quem vai me dizer que ao ver aquela propaganda do cara imitando a pose de “Bee Gees” na rua (e sua linda Brastemp Club em casa) não parou para pensar no seu lado B? Eu pensei, Gui e eu rimos à beça imaginando-nos e até os meninos entraram na onda.

Meu lado B tem tudo a ver com o Salão de Milão, porque nele deixo aflorar a futilidade, o gosto por coisas requintadas (mais do que sofisticadas, admito) e a queda por objetos inovadores em decoração. Se vierem no meu apartamento verão o contrário, vivo numa decoração típica sulista: com conforto, discrição e quase nada de luxo e estilo. Mas namoro revistas de decoração e o lado B aflora. Ter uma madrinha que é decoradora e cujos projetos em Casa Cor conheci com privilégios pesa, claro. E ter a antiga melhor amiga da faculdade (e madrinha do meu casamento) que fez pós em moda em Milão ajuda ainda mais. Mas o que conta é a força com que o lado B vem à tona, independente da nossa vontade, como aquela mãozinha esticada do cara no comercial de TV. Involuntário, por isso tão real, causando tanta empatia. (Aliás, tem um blog, que eu visito há um tempo, onde você pode criar uma imagem do seu lado B, é bem divertido)

Eu sou de uma família meio fashionista (até meu pai é vidrado em roupas e não vai desarrumado nem na esquina comprar pão) e minha mãe é para muitos sinônimo de elegância e sofisticação. Quando eu era bem pequena, lembro dela saindo nas colunas sociais dentre as mais elegantes da cidade e as fotos dos jornais me provam que era verdade. Eu saí meio patinho feio nisto, no meio de uma irmã que é fashionista assumida (ela sempre está na última moda, mas guardando o requinte da mãe) e outra que é adepta do clássico (pudera, médica cardiologista tem que ser meio séria). No meio disto, eu saí como mais descolada e avessa às imposições da moda. Será? No fundo não, sucumbo a tudo que é belo, mas não queria ser designer, meu lado B é consumista! (risos) E nestes dias, o sonho de consumo está no blog Milão, que Max comentou. Nele Camila Cecchi conta detalhes do evento e de quebra dá notícia de sua busca por objetos e lugares inspiradores na cidade italiana que é uma das capitais da moda e berço das melhores escolas de design do mundo. Até Milão tem um lado B inimaginável! Vale ver as fotos dela para entender.

collage1.jpg

P.S. Consumir de verdade ainda não dá, mas encontrei dois amigos online que estão se tornando companheirões offline e adoram ver coisas bonitas. Helton, que também comentou sobre o Salão no nosso blog Style, e Renata Ruiz, que está me convencendo a começar a freqüentar os desfiles e eventos fashion de São Paulo! :)

P.P.S. O convite para o meme está aberto para quem topar o desafio, é só avisar nos comentários. Mas a intimação é para Luma Kimura, Evellyn, Veridiana, Anny, Kaká, Luma Rosa e minha prima Leninha. Mas se a Palpiteira, a Carla do Brasil e meu novo amigo Zé quiserem aderir, vou adorar saber seu lado B também. ;)

Apr
18

Mulher de fases (ou quem levou o livro da Maitê Proença)

No sábado, ao chegar ao Newscamp, fui recebida com comentários de que minha aparência não era mais de mais mãe e sim de executiva. E muita gente só puxou papo mãe comigo por conta do Desabafo de Mãe. Aí lembrei -e como não - dos estereótipos que se formam e dos mil preconceitos que rondam as pobres das mulheres que escolhem ser mais de uma coisa na vida. :( Eu sempre fui jornalista, antes de ser mãe, sempre fui militante das causas que acredito, não sou politicamente correta (embora busque ser ética), sou consumista quando dá na telha (já disse que é meu lado B) e uma espartana quando acho bom sê-lo, sou meio irmã mais velha em tempo integral (Helton e Kaká que o digam), admito que vejo TV (a cabo) e nunca cometi orkuticídio e, mesmo não falando palavrão e nem gostando de cigarro, gosto de ir no bar e tomar chope black da Brahma com amigos. Lembram-se daquela música que dizia Complicada e perfeitinha? Mais ou menos naquela confusão… Bom, não era sobre mim nem sobre o Newscamp. Cumpro aqui um compromisso meu que já está atrasado: contar o ganhador do livro da Maitê Proença. Demorei mais do que tinha prometido, quis primeiro terminar a leitura do meu exemplar. Não li de sopetão como o Max, mas saboreei as aventuras femininas dela.

livro-maite-proenca-9.jpgMaitê se mostrou uma caixa de surpresas e eu fiquei honrada por saber que partilhamos o mesmo signo e assustada por notar a mesma espontaneidade e improviso em mim. Digo isto porque, como ela conta no livro, muita coisa boa e ruim adveio do seu jeito prático e meio “não estou nem aí” de levar a vida. Um exemplo foi o primeiro contrato que ela fechou com a Globo, no qual chegou querendo ser protagonista de novela das oito e de cuja reunião saiu com um contrato melhor do que o do Francisco Cuoco (na época, 1979, um galã global). Ela conta que sua negociação rendeu um contrato de 5 anos no qual foi mal-tratada e viveu no ostracismo dentro da emissora, duvidando até da sua capacidade de ser atriz - e ela só se achou na famosa Dona Beija, na TV Manchete.
Em outros momentos, suas reflexões sobre a atualidade (como quando fala da China) guardam muita profundidade, mas são apresentadas com leveza, como nas discussões do Saia Justa, sem o peso de quem é catedrático no assunto, mas com a tranquilidade de um papo com uma amiga. Aliás, no mesmo estilo estão as várias lembranças de viagem dela. Quando ouvi Irene Ravache comentar no lançamento do livro (ela esteve lá interpretando trechos do livro enquanto Maitê autografava) que se surpreendeu porque amiga tinha viajado muito, não imaginei que fosse tanto! São incríveis tanto a experiência como mochileira dela, quanto a cultura que ela teve na sua formação familiar. E deve ser por isso mesmo que ela consegue conservar aquela aura de que não sabe de nada, deixando o que verdadeiramente tem de bom para as pessoas que conseguem ver sem preconceito. Li o livro assim e recomendo. :)
Mirian Bottan, que estava comigo na noite de autógrafos, também comentou sobre o livro no post Revendo conceitos.

Enfim, deixa eu contar quem vai receber o livro autografado em casa: Maurício José Ferreira da Silva. Lendo o livro fui lembrando dos comentários e fui optando por oferecer o livro para ele, porque não tinha preconceitos, pelo contrário, idolatra a Maitê e por certo que para ele o livro autografado terá um valor imenso. Outra razão é que, nesta confusão de falarem mal do orkut e das comunidades de lá, o cara é moderador de uma comunidade da Maitê Proença. Aliás, falei do orkut pro Julio Dario Borges e o Gil Giardelli (lembra Kaká?) no Newscamp, porque o conceito que se tem de usuário de orkut é uma farsa. As pessoas estão lá porque querem privacidade nos foruns, pela rapidez do retorno das “conversas” de scrap e de forum e pela chance de encontrar pessoas que gostam de coisas parecidas.

P.S. Como estamos vivendo uma caça às bruxas, é bom deixar claro: a promoção não fui publieditorial. A Editora mandou dois exemplares de presente para alguns blogueiros, através de uma agência de publicidade, e só. Mas adorei e como eventualmente recebo livros de outras editoras, estou planejando outras promoções aqui. :)

Apr
16

Vivienne Westwood

westwood.jpgUma manhã offline me deixa com trabalho acumulado para fazer por dias. Ontem um amigo me falava a mesma coisa e comecei a pensar no quanto nos enchemos de afazeres com a vida online, porque ela poupa tempo e acabamos inventando o que fazer com o tempo ocioso. No final, ficamos tão sobrecarregados que não sobra nada!

A manhã offline com os técnicos da virtua mudando meu ponto de internet fixa foi relativamente proveitosa. Como eles não conseguiram instalar o software do modem da motorola (aquele padrãozinho da virtua) no meu notebook que usa Vista (pedi para instalarem, mesmo eu usando no desktop e deixando o notebook para a rede wi-fi), falaram que logo viria um supervisor para vir arrumar - o cara não veio, quem arrumou fui eu mesma!

Mas enquanto eu esperava, inventei o que fazer. Arrumei as estantes de livros (como temos livros, benza Deus!) enquanto ouvia o noticiario e depois eu vi uma reprise de entrevista inusitada e que me fez rever preconceitos (adoro quando isso acontece): Vivienne Westwood falava sobre moda, afirmava várias vezes que nunca gostou de ser estilista, elogiava Yves Saint Laurent e dizia que trabalha pensando “quero acabar longo isso para poder ler meu livro“. Impossível não se identificar com a simplicidade e a naturalidade dela. E eu admito que nunca tinha prestado a menor atenção nos conceitos que ela passa nas suas coleções, da mulher muito feminina e de uma certa crítica política, que ela garante que é basicamente da idéia de que a cultura pode mudar o mundo. Na entrevista ela usava um broche incrível que tinha Rembrandt de boina de Che Guevara, numa alusão a uma revolução cultural. Amei, mas o que me chamou mais atenção foi sua defesa da idéia de que atualmente compramos muito e a sugestão de que, ao invés de sairmos todo final de semana para fazermos compras e assim preencher nosso vazio existencial, fiquemos em casa lendo um livro! Que tal?

Apr
10

Sexy aos 35

heidi-10-4-2008-11-17-51.jpg

Já que falei das mulheres na minha idade: o site Models.com divulgou o nome de Heidi Klum como a a top mais sexy do mundo, desbancando as brasileiras Gisele Bundchen e Adriana Lima. Aos 35 anos, ela é mãe de três crianças e casada com o cantor Seal. Li que ela afirmou: “Eu me sinto maravilhosa, especialmente depois de ter três filhos. Isso é brilhante, principalmente para uma mulher, que depois da maternidade acha difícil se sentir sexy”, contou ela à agência de notícias “Wenn”.

heidioctober2004gq_cover.jpg

Ao lado tem a imagem dela numa revista usada no Models.com (edição de 10/2004, quando ela já tinha mais de 30 e um filho, pelo menos) e acima uma montagem com cenas que eu escolhi e achei mais reais, porém não menos bonitas.

Apr
02

Maitê e os preconceitos femininos

collage.jpgUm dos temas mais freqüentes na minha escrita é o mundo feminino. O que pouca gente sabe é que penso nele como uma força para exorcizar fantasmas que me perseguem e eles estão no preconceito que tenho com as mulheres. Peraí, não precisa unsubscribe my feed! Leia tudo primeiro. :D O jornalismo e o mundo feminino me irritam freqüentemente porque abusam da piedade e do sofrimento alheios para se manterem vivos e, para mim, isto (trocadilho infame) é a morte. É ser urubu, procurar sempre a carniça.

Hoje estava lendo uma entrevista que a Folha Online publicou com Maitê Proença sob o pretexto de comentar o lançamento do livro “Uma Vida Inventada” (Editora Agir/Ediouro, 2008, 224 páginas, preço médio R$ 30,00). Como é possível ler lá, a coisa resvalou no que eu mais abomino: a exploração do sofrimento alheio, das mazelas humanas, a desqualificação da mulher por seus atributos. Maitê, no meu imaginário eternamente aquela Dona Beija linda se banhando nua na cachoeira (se os marmanjos fantasiaram com ela, acredite que as meninas igualmente se imaginavam a própria que era linda antes desta moda de silicone e lipoescultura!), foi vítima daquele preconceito medonho que as pessoas bonitas sofrem: de não poder ser inteligente. (Nesta hora entendo porque Bruna Lombardi saiu do Brasil e Brad Pitt insiste em se “enfeiar” no cinema.)

Confesso que eu sempre simpatizei com a figura dela, os olhos e voz que riem com o telespectador, com sua reação espontânea e com a sinceridade que transparece. Por isso ela é uma das figuras que me seguram ao ver o Saia Justa e os mesmos motivos me fazem saber, de antemão, que vou gostar da mistura de ficção com autobiografia que está no livro que ela lança nesta semana. Sei porque estou sendo levada pelo meu preconceito - neste caso positivo - e minha simpatia com gente que parece gente.

Maitê parece. E deve ser. A história dela, com direito a tudo que as mulheres vivem (casar, descasar, ter filho, abortar, ser filha e mãe para seus pais, ter sucesso e fracasso, sofrer elogios e críticas, ver-se exposta sem ter autorizado nada) é real. Creio que uns poucos mortais vivem uma vida completamente livre de passagens no estilo Nelson Rodrigues. Suas histórias, como as de Luís Fernando Veríssimo, são ótimas porque são verdadeiras. Contam histórias humanas, risíveis ou não, mas que encontram eco dentro de cada um de nós.

Eu posso não ter passado por nada disto. Mas vivi de tudo um pouco, como ela. Uma amiga, que foi criada como minha irmã, abortou aos 16. Eu era bem mais nova que ela, mas fui a pessoa que esteve ao seu lado nesta hora, quando ela tentou suicídio por conta da depressão pós-aborto e “pé-na-bunda” do namorado, quando engravidou de novo e quando sua mãe morreu. Saber das histórias parecidas, mesmo que não com as minhas, mas com a minha vida (amigos são parte da nossa vida), no livro da Maitê me fez apreciar ainda mais ela. Tenho a mesma empatia por Irene Ravache, que hoje brindará o público da Livraria da Vila com sua “presença afetuosa”. Li uma entrevista com ela certa vez e sua história de vida, de mulher de teatro quando isso era muito feio e não dava status nenhum, de mãe de um dependente de drogas, de filha e amiga, me fez apreciar ainda mais sua figura. Conhecer o outro é bom, não porque nos faz ter piedade ou explica as fotos da Caras, mas nos traz a chance de enxergar vida sob outro foco, viver outra pessoa, aceitar outra realidade.

umavidainventada_215.jpgEnfim, como meus amigos virtuais Gustavo Gitti, no Não Dois Não Um, e Max Reinart, não no Pequeno Inventário de Impropriedades nem No Ghetto, mas no Nossa Via, no melhor estilo de cada um (veja, dois homens, mas com abordagem bem distinta!), eu recebi dois exemplares do livro. Quer dizer, vou receber hoje em mãos, no lançamento, porque a greve dos correios atrapalhou uma pouco as coisas. Um dos livros vou ler e o outro eu também vou sortear para um leitor do blog.

Para concorrer você só precisa fazer um comentário interessante aqui sobre este texto ou sobre os preconceitos que afetam o mundo feminino ou das celebridades. Fácil, né? Eu estou esperando ansiosa para ler seus comentários, suas histórias, simpatia ou antipatia pelo tema. Na segunda-feira eu divulgarei quem levou o exemplar autografado! ;)

Se você for de Sampa, passa lá na Livraria da Vila, a gente pode tomar um café e conversar! :)

Serviço:

  • Uma história inventada, de Maitê Proença
  • Livraria da Vila
  • data: quarta-feira, 2 de abril, às 19h
  • leitura com participação afetiva de Irene Ravache
  • rua Fradique Coutinho, 915 - Vila Madalena, São Paulo
  • fone: (11) 381405811
Mar
31

We are what we do

943990_children.jpgDentre várias outras coisas, meu texto do Nossa Via hoje - Nossas ações podem mudar o mundo - citava um site muito interessante que eu conheci porque estava com o notebook no colo quando ouvi Betty Lago falar no programa Saia Justa sobre a idéia do We Are What We Do - Actions to change the world. Ouvi o comentário e googlei, achando uma explicação linda para um dilema humano: como fazer o mundo ficar melhor?

We Are What We Do - Actions to change the world
Here’s our list of simple, everyday actions you can do to help change the world (and have fun while you’re doing it). It could be doing something for the community like shopping locally, something for the nvironment like avoiding plastic bags, or something for you, like learning to paint, sing or speak Spanish…

A idéia é pensar em uma frase que represente uma ação que você teve naquele dia e que teria uma repercussão realmente boa para todo o planeta se, digamos, um milhão de pessoas a repetissem.

Lunna deixou um comentário no meu texto muito interessante, sugerindo que fizéssemos como os grupos de “anônimos” (AA, NA, etc) dizendo: “hoje eu não fiz isso, hoje eu não fiz aquilo e o importante é saber que conseguiram se manter sóbrios hoje. E essa sobriedade vale para nós também: hoje eu não comprei nada inútil, hoje eu reciclei meu lixo, hoje eu tive tempo para os meus filhos, para mim, hoje, apenas hoje. Já é o bastante.” Espero que ela desenvolva a idéia no Acqua.

No programa, Betty Lago leu algumas sugestões que crianças pequenas como meus filhos fizeram para melhorar o mundo, coisas bem simples como “Ajudar a minha mãe” e “Diga por favor e obrigado sempre”. As apresentadoras comentaram e Marcia Tiburi disse que sua frase seria “eu sou competente e faço aquilo que me compete”, tentando, meio que sob protestos, explicar que se referia ao fato de assumir suas obrigações e não jogar nos outros suas responsabilidades. Outras frases das apresentadoras foram “Se amar o que você é e não tentar ser diferente do que você é”, “Não compre nada que você não precise”, “Dorme tranquilo [meu filho] que vai dar tudo certo, fazer ao longo do dia coisas que lhe permitam dizer isso ao seu filho com verdade, com convição”. Esta última frase foi de Maitê Proença, que costuma trazer o lado realmente humano e emocional ao programa. :D

Já pensou no que você faria? Pois é, “nós somos o que nós fazemos e nossas ações podem mudar o mundo”.


A Vida Como A Vida Quer


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