Calar é permitir, denunciar é combater
Postado em Ação e Cidadania, Blogagem coletiva, mulher no dia 25/11/2011“Não se trata de um tema para punir o homem, mas para envolvê-lo, porque a questão afeta homens e mulheres e pode destruir a família”.
Luis Felipe Miranda
No começo do ano, especificamente no Dia da Mulher, escrevi que tenho orgulho porque entre os posts mais buscados no @avidaquer estão textos sobre Lei Maria da Penha e outros direitos da mulher pelos quais toda sociedade deve lutar sempre. Comentava que, como conquistamos espaço e direitos neste século XXI, meu desejo era de que demonstremos no cotidiano que as lições da luta registrada em 08/03/1911 de valorizar a vida, criar oportunidades para todos e que unir forças para construir um futuro mais justo e digno perdurem em nossos corações e mentes. E que, neste caminho, não deixemos de lado o amor e a capacidade humana (e aqui fica minha crítica a quem enaltace como femininos os sentimentos de amor de que o ser humano é capaz) de amar, acolher e entender o próximo.
Mas nem todas as mulheres vivem esta realidade. Dados divulgados em julho, levantados na pesquisa Instituto Avon / Ipsos intitulada Percepções sobre a Violência Doméstica contra a Mulher no Brasil dão conta de que seis em cada 10 brasileiros conhecem alguma mulher que foi vítima de violência doméstica. (more…)
“Há um tempo de nascer e tempo de morrer” e o que importa é sermos felizes
Postado em Comportamento, Famílias interativas, Mãe com filhos, mulher no dia 05/04/2011“Tem muito preconceito. Não falam para mim, não são doidos. Mas dizem: “Nessa idade, tinha que ser avó”. Dia desses, no supermercado, uma mulher falou: “Tsc, palhaçada”. Não podia revidar porque não sabia se era comigo, mas só tinha eu e ela no corredor.”
Solange Couto, grávida aos 54

Hoje pela manhã li uma entrevista de Solange Couto – a eterna Dona Jura, de O Clone, mas de quem eu lembro na sua estreia em Sinhá Moça – sobre sua gravidez tardia. Eu tinha ouvido falar da gestação, mas, como não tenho tempo para os programas que tratam da vida privada de celebridades, nem sabia que teve especulação sobre a possibilidade de ser fruto de fertilização in vitro ou de ser apenas um golpe de marketing para levantar a carreira.
Nos comentários da atriz – que tem outros filhos, de 36 (!) e 19 anos – o que se nota é uma defesa contra o preconceito. Daí eu pensei: a pessoa já deve ter sofrido pacas por ser uma mulata linda (sim, ainda pesa ser mulata e bonita no Brasil, mais ainda quando ela era jovem e começou a carreira) e agora que é uma “senhora” e conquistou espaço e respeito como atriz, precisa sofrer porque está grávida? Ser abençoada com uma saúde excelente e poder viver uma gestação natural e saudável, num relacionamento estável, não é uma coisa boa? Por que será que a sociedade questiona e classifica esta situação como um equívoco?
“E o que é idade de ser avó? Por que depois dos 45 a mulher só pode ser avó? Se tiver saúde, vida sexual ativa, onde é que está o senão? É preconceito, cara. Por que o homem não é tratado assim? É preconceito contra a mulher, e principalmente da mulher contra a mulher.”
Quer um exemplo: no dia da posse as pessoas não criticavam o Temer (casado com Marcela, 40 anos mais jovem, com quem tem o filho Michel), apenas comentavam a beleza da esposa dele. Minha mãe teve um pai mais velho – meu avô tinha 20 anos mais do que minha avó – e sinto que ela e minha tia tiveram muito mais do pai maduro do que teriam tido de um pai jovem (considerando a realidade da época, gente, meu avô nasceu em 1904 e minha mãe em 1948).

E aqui quero chamar atenção para outros preconceitos embutidos na visão que temos atualmente da maternidade. Um deles, o de achar que “toda mulher nasceu para desejar ser mãe“, eu já debati, há anos, ao compartilhar aqui o livro L’amour en plus (Um Amor Conquistado – O Mito do Amor Materno), da filósofa francesa Elisabeth Badinter, que na década de 1990 surpreendia o mundo ao defender que o amor da mãe pelo filho se constrói no dia a dia e que o instinto materno não é inerente a qualquer mulher.
Em seu novo livro, o, Le conflit, la femme et la mère (O Conflito – A Mulher e a Mãe), a pensadora que é referência no debate da figura feminina atual, coloca como centro do debate o dilema (obsessão) naturalista que vê como desafios para as mães de hoje que, segundo ela, buscam uma perfeição sem sentido.
”Em vez de pedir às mulheres que lavem as fraldas sujas dos bebês ou seus tampões higiênicos, como faziam nossas avós, seria melhor pedir à indústria que fabrique fraldas biodegradáveis. O cuidado com o planeta não deve se transformar em uma nova religião em que as mulheres sejam escravas.”
Vale ler aqui uma entrevista com Badinter sobre o assunto. E para um pensar coletivo sobre o tema, não só da maternidade tardia (como a de Solange Couto), mas do papel que homens e mulheres querem desempenhar em suas vidas pessoais, sugiro a leitura dos textos que o Estadão trouxe neste final de semana com um breve perfil dos blogs de mães e de pais no Brasil, trazendo inclusive parte do debate sobre as mães que usam a internet para alardear aos quatro ventos a perfeição de sua vida de @dorianamae (alusão ao comercial de margarina) e as que são vítimas de bullying por outras mães “mais xiitas” (militantes de extremos no desempenho das funções maternas como parto, aleitamento, consumo e relação com a mídia) que são chamadas ou se autointulam @maedemerda.
Da minha parte, a conclusão sobre o tema é a que rege minha vida como um todo: em primeiro lugar, cada um sabe seu tempo e sua hora para viver (lembram que eu adoro a passagem de “há um tempo para tudo” em Eclesiastes 3?), em segundo lugar, como ouvi hoje num vídeo, há um equilíbrio que não está nem em você, nem em mim, mas num meio termo entre nós dois.
[update em 11/04/2011]
Dois posts que são interessantes para quem está lendo este aqui:
Culpa zero no Lichia Doce
A construção da irrealidade no Vinhos, viagens, uma vida em comum… e dois bebês
[/update]
A militância por um mundo mais justo para todos #diadamulher
Postado em A Vida Como A Vida Quer, mulher no dia 08/03/2011“Minha militância por um mundo mais igualitário é formar homens que saibam conviver em sociedade com correção e justiça. Os meus filhos, que seguem o exemplo de meu marido e dos outros homens da família, que sabem valorizar as pessoas pelo que elas são e pelo que fazem de suas vidas. A verdadeira militância é viver a vida dentro dos princípios que defendemos.”
Neste Dia Internacional da Mulher me envolvi num papo no Twitter sobre o valor de relembrar o 08/03/1911 e a luta das primeiras mulheres a encarar várias jornadas de trabalho, dentro de fora de casa, que teve como ápice a greve das operárias da indústria têxtil contra a fome, cujo massacre resultou neste dia para lembrar a importância da igualdade de direitos.
Ao responder à @tarsila e @gabibianco porque eu não me considero feminista (me considero um pouco sim, tenho orgulho porque entre os posts mais buscados no @avidaquer estão textos sobre Lei Maria da Penha e outros direitos da mulher pelos quais toda sociedade deve lutar sempre), conclui que eu não quero discutir se sou ou não, acho perda de tempo, prefiro a conscientização do dia a dia ao título.
Neste dia do centenário desta luta que foi tão importante no século XX e, felizmente, perde importância e sentido conforme conquistamos espaço e direitos neste século XXI, deixo aqui meu desejo de que demonstremos no cotidiano que as lições da luta registrada em 08/03/1911 de valorizar a vida, criar oportunidades para todos e que unir forças para construir um futuro mais justo e digno perdurem em nossos corações e mentes. E que, neste caminho, não deixemos de lado o amor e a capacidade humana (e aqui fica minha crítica a quem enaltace como femininos os sentimentos de amor de que o ser humano é capaz) de amar, acolher e entender o próximo.
P.S. Posts sobre violência doméstica aqui no blog nos últimos anos:
- Palmada não resolve e não há castigo corporal tolerável
- E o sociólogo não me convenceu do valor da lei da palmada #rodaviva
- Um tapinha não dói
- Lei Maria da Penha
- Delegacia de Mulheres (relato da minha experiência fazendo uma denúncia lá)
- Agressão verbal é uma forma de violência psicológica
- Violência familiar – A paz começa dentro de casa
- Infância rima com Paz – Blogagem coletiva sobre violência infantil
- A militância por um mundo mais justo para todos
Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher
Postado em Ação e Cidadania, mulher no dia 25/11/2010Há uma semana falei sobre a violência doméstica e não sinto que deva me repetir, mas fica este lembrete no Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher. A data foi designada em 1999 pelas Organização das Nações Unidas (ONU) para lembrar à sociedade dos direitos das mulheres.
E segundo li, no domingo começa a campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, lançada semana passado no Congresso Nacional – e osobre a qual eu já tinha falado há um ano, a convite de @cozinhamatilde. Os lemas são “Uma vida sem violência é um direito das mulheres” e “Está na lei! Exija seus direitos”. A campanha é desenvolvida há 17 anos em 135 países, de 25 de novembro a 10 de dezembro.
A campanha, que começou com Maria da Penha Maia Fernandes, do vídeo abaixo, se fortalece a cada ano e hoje conheci um novo espaço de divulgação de informações: http://www.quebreociclo.com.br. E ainda são muito úteis http://www.violenciamulher.org.br e http://www.leimariadapenha.com
P.S. Posts sobre violência doméstica aqui no blog nos últimos anos:
- Palmada não resolve e não há castigo corporal tolerável
- E o sociólogo não me convenceu do valor da lei da palmada #rodaviva
- Um tapinha não dói
- Lei Maria da Penha
- Delegacia de Mulheres (relato da minha experiência fazendo uma denúncia lá)
- Agressão verbal é uma forma de violência psicológica
- Violência familiar – A paz começa dentro de casa
- Infância rima com Paz – Blogagem coletiva sobre violência infantil
- A militância por um mundo mais justo para todos
Descubra que boneca você é! #teste
Postado em Comportamento, mulher no dia 16/07/2010“Ah, a infância! Que fase mais gostosa, né? Pular amarelinha, brincar de pique, de boneca, correr, atacar o bolo quentinho na casa da vovó, fazer arte, ser princesa, fada, borboleta… É uma fase mágica de descobertas, criatividade, novas sensações e liberdade. Brincando, descobrimos o mundo e, aos poucos, nós mesmas. Agora, imagine só poder voltar a ser criança!”

Dica da minha irmã Sheron (a médica, sem @ nem blog) que se divertiu porque se viu sendo a Emília – sim, ela foi uma das crianças mais sapecas (traquinas) que eu já conheci! E como fazia o mundo à sua volta mais animado, benza Deus!
Eu, que fui bem certinha, “a mocinha do papai”, não podia ser diferente do resultado, né? Olhem só quem eu sou:
Susi
Romântica e sensível, você gosta de se sentir amada e querida, mas também adora dar carinho a quem precisa. Você tem uma percepção aguçada das necessidades do outro, aproveite esse seu lado e saiba tirar da vida e das pessoas o que elas têm de melhor.
E você, que tal fazer o teste visual (demora 1 minutinho) e depois me contar qual boneca você é? As opções são umas gracinhas da década de 1980: Susi, Barbie, Fofolete, Bebezinho, Emília ou Moranguinho.
P.S. O teste está num site ”em prol de um mundo cor-de-rosa, mais otimista, mais sensível, mais solidário, muito mais feminino”, que inspira os leitores a terem atitudes, digamos, mais meigas.
Quem é a nova mulher brasileira?
Postado em midia tradicional, mulher no dia 27/05/2010“É pioneira nas conquistas e tradicional nos valores
Se preocupa com beleza e estética e quer se sentir mais bonita
Sonha com uma casa organizada e relaxante
Se orgulha das suas conquistas e valoriza suas novas estreias
Está passando por constantes e profundas transformações
Tem autoestima fortalecida
Investe em estilo e beleza
Usa a moda para expressar atitude
Cuida do corpo e da saúde por meio da alimentação saudável”
Uma revista promete desvendar esta nova mulher da classe média brasileira. A Máxima, publicação mensal que a Abril lança oficialmente hoje, diz que
“Ela é uma mulher pioneira, que cresceu com o próprio esforço, subiu na vida e se orgulha de cada nova conquista, desde o emprego em uma grande empresa à aquisição de carro ou apartamento. Uma mulher que valoriza pequenos prazeres, como colecionar sapatos e investir no lazer.”
Viram a imagem? A área de culinária é a menina dos olhos da @glaugasparetto, responsável pelo blog de AnaMaria Receitas (aka @mreceitas), com quem ontem eu estive lá na editora em reunião de trabalho do MdeMulher. Mas creio que as outras editorias – Moda, Beleza, Culinária, Saúde, Nutrição, Bem-estar, Comportamento, Autoconhecimento, Casa e Decoração – estarão igualmente bem “cobertas” e que as mulheres da emergente classe C vão se sentir retratadas com carinho por lá.
E sabem do que eu gostei mesmo? (more…)
A Juíza dos Afetos e o Direito das Famílias (no plural)
Postado em Comportamento, mulher no dia 10/05/2010No final de abril uma decisão do STJ abriu um precedente que traz otimismo às novas famílias brasileiras. Trata-se do desfecho do processo que um casal gaúcho travava desde 2005 objetivando adotar legalmente duas crianças. O diferencial é que o casal é gay, composto de duas mulheres (lembram-se que citei outro dia um filme que tratava disso?) e, diferentemente de outros casais gays que adotam individualmente filhos – são frequentes casos de casais gays que optam por realizar o processo de adoção como solteiros, mesmo compondo uma família estável com o parceiro – fizeram-no como casal.
O reviver da mídia sobre estas histórias me lembrou uma entrevista de Patrícia Zaidan e Iracy Paulina que li na revista Claudia em março sobre a juíza Maria Berenice Dias, carinhosamente conhecida como “a juíza dos afetos”. Seu nome está ligado a causas justas como a elaboração da Lei Maria da Penha, aos projetos de divórcio direto, de paternidade presumida e do Estatuto das Famílias (e integra o Instituto Brasileiro de Direto da Família). Não bastasse este currículo, é dela também a iniciativa de incluir o afeto nas leis brasileiras.
E o que significa incluir o afeto? Ao interpretar a lei, valorizar os vínculos de afetividade. A lei que vê o conceito de família no plural: “uma relação íntima de afeto, que gera comprometimento, enlaça pessoas, produz identidades e prevê responsabilidades. Não interessa o formato nem quais são os ingredientes: homem, mulher, sexo, filhos. Família é plural, não dá para vê-la como um só modelo iniciado no casamento”. (more…)
Dando um jeito nos X-fios do meu cabelo
Postado em mulher no dia 17/02/2010Hoje eu estava dando um jeito nos mutantes que surgem aqui e ali no meu cabelo escuro… eles são branquinhos, nem tão lisos quanto os outros e sua presença me incomoda um pouco. Sim, cabelo branco, quem passou dos trinta e não os têm? Quando eu era criança, lembro de gente que não aparentava um fio de cabelo branco até bem depois dos 50, mas não é o meu caso e eu não sou militante da Gray War. Minha genética é de cabelo branco muito cedo, tanto do lado Shiraishi quanto Hoffmann, e eu vou na onda japonesa de sempre cobrir. Por conta disso, a cada dois ou três meses (sim, os retoques são espaçados aqui) eu cubro os brancos e aproveito para fazer um tratamento para dar brilho e hidratação aos fios.
Mas, como não tenho a menor paciência de ficar no salão de beleza muitas horas, eu faço em casa mesmo. Já fui ao salão mensalmente pintar, mas, calculando o tempo perdido, falei para minha cabeleireira que só voltava a pintar lá quando ela colocasse uma lanhouse ou uma sala de cinema no local… (more…)
Plásticas “vazias”
Postado em mulher no dia 06/01/2010Hoje pela manhã mandei no twitter um link de uma história absurda: uma modelo teria retirado mamilos e grandes labios vaginais, que ficariam preservados em nitrogênio liquido até passar o carnaval, para poder desfilar totalmente sem roupa. A notícia era uma brincadeira de um dos blogueiros mais famosos do Brasil, @bobagento, conhecido por seu blog de humor, no fundo uma crítica ácida a muitas coisas da nossa sociedade. Por conhecer o Rafael pessoalmente, nem pensei em dizer que era brincadeira, mas teve gente acreditando e por isso estou fazendo este post, como mea culpa. E aproveito o tema para reiterar minha opinião sobre as plásticas.
Não vou falar mal das plásticas, pelo contrário, tenho gratidão por esta especialidade médica. (more…)
Violência familiar – A paz começa dentro de casa
Postado em Cotidiano e sociedade, mulher, preconceito no dia 26/11/2009
Ontem foi o Dia internacional da não-violência contra as mulheres. Queria ter escrito algo, mas, confesso, a inspiração não veio e eu queria mesmo fazer algo especial. Já tratei muito do tema aqui, apoiando as iniciativas relacionadas à lei Maria da Penha, sempre pensando nas vítimas que conheci no tempo em que minha mãe era defensora pública.
Segundo li
“A data foi reconhecida oficialmente pelas Nações Unidas (ONU) em 1999 (more…)
Dia de menina sem os meus guarda-costas #mapfremulher
Postado em mulher no dia 10/11/2009
Eu e Veri com as blogueiras da MapfreMulher: @babifranzin (Salto Auto), @gabibianco (Bem Vinda), Evelin Ribeiro (Bolso da Saia) e @lilianeferrari (Viva Bela)
Sábado eu saí de casa disposta a me dar um dia de menina. Não foi uma ideia minha, tenho que agradecer publicamente à super-mega-master promotora de eventos @lilianeferrari que organizou cada detalhe perfeito do dia #mapfremulher e me convidou. E para ser perfeito, amigas queridas foram convidadas também, o que me permitiu viver horas deliciosas trocando ideias, conversando descompromissadamente – de mecânica de automóveis e dicas de finanças a aula de culinária mediterrânea e mapa energético – e nos distraindo com muitas coisas lindas. (more…)




