Jun
10

Vc repórter do Terra

Há um mês eu estava na Paulista passeando com minha mãe e nos deparamos com uma cena: um carro estava caído na escadaria de um prédio. O guincho tentava puxar mas ele deslizava e , detalhe, tinha um ponto de ônibus atrás da escadaria (não me perguntem como o cara colocou o carro lá). A notícia, claro, saiu nos portais (amigos me falaram que no G1) e na hora não deixei de reparar: todo mundo era meio repórter por ali . Minha mãe mesmo, advogada e toda séria na nossa ida ao Masp, me estimulou a tirar fotos para publicar no meu blog um furo. Não publiquei, cheguei tarde em casa e, com este timing de internet que adquiri, nem achei mais que seria novidade. Mas ficou na memória a cena dos outros, tantos engravatados, ambulantes ou mesmo policiais que ajudavam ali, munidos de seus celulares, fotografando e filmando a vida acontecendo ali.

De todas as vantagens que a nova mídia (a social) traz à sociedade nesta década creio que a melhor é a chance de sermos protagonistas das histórias. Falo porque o rádio, o telefone, vários veículos contaram com o público para criar pautas (lembram-se que Nelson Rodrigues escreveu “A vida como ela é” aproveitando histórias que as pessoas contavam por telefone ao repórter no jornal), mas agora, com a internet, há menos filtros e mais oportunidades. E podemos ser os autores das nossas próprias histórias e crônicas do cotidiano.

Hoje me convidaram para conhecer o concurso cultural do Vc Repórter, do Terra e saí do site com meu cadastro preenchido. Virei repórter de lá. Não foi só a chance de ser repórter nas Olimpíadas de Pequim, com tudo pago e ainda levando um kit repórter (notebook, filmadora e câmera digital) que me seduziu - embora não negue que fiquei com vontade de ir sim! - mas o fato de ter um canal legal para enviar estes furos e notícias da minha cidade. Se naquele 13 de maio eu tivesse este canal, certamente teria enviado algo - o site aceita fotos, vídeos, textos e áudios - para o canal para ser publicado.

Se você se interessou, passe lá , faça seu cadastro e aproveite para enviar seu material. Eu mandei, mas não vou contar o que é até ver se publicam! ;) Ser publicado é uma das condições para concorrer à viagem à China - e você pode enviar e participar várias vezes. Quem sabe você vira um repórter constante no Terra? A promoção acaba nesta sexta-feira, mas o espaço Vc Repórter continua por tempo inderteminado.

[update] Meus amigos - e parceiros de Nossa Via - Wagner Fontoura e Alessandro Martins também postaram sobre o Vc Repórter e foi muito legal ver o enfoque diferente de cada um! Ale relembrou o que nós, focas, pensávamos quando sonhávamos publicar nossa primeira matéria e Wagner viu o lado do negócio - blog - acontecer e ser um sucesso - com direito a “Dicas para maximizar as chances do seu texto ser publicado “.

[update 2] Sabe que publicaram mesmo? Está em vc repórter: SP oferece diversas exposições sobre cultura japonesa .

Apr
14

Imperdível: Ventura e Gikovate

Hoje à noite tem dois bate-papos imperdíveis:

  • No twitter @tvcultura (Você ainda não segue a Cultura no twitter? Shame on you!) avisou há pouco que Zuenir Ventura estará no centro da Roda. O programa Roda Viva desta segunda-feira recebe o jornalista e escritor, ao vivo, às 22h40.
  • Escutei na CBN convite do Flávio Gikovate para palestra do lançamento de seu livro Uma História de Amor… com Final Feliz (MG Editores, 168 páginas, preço médio de R$ 34,40), hoje, às 18h30, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, sala Eva Herz (av. Paulista, 2.073, São Paulo).

P.S. Li a entrevista com o famoso psiquiatra na Folha Online sobre o livro e é impossível não se interessar. A jornalista afirma que suas idéias podem fazer mal aos românticos inveterados, em parte por suas afirmações de que há dois finais para as histórias de amor atuais:

“Um deles aponta para um novo molde das relações afetivas: O romantismo do século 21 não será mais essa idéia de fusão de duas metades, e sim a aproximação de dois inteiros. Uma coisa mais parecida com a amizade, com mais afinidade intelectual do que física. A outra opção de final feliz, diz, é a solidão -tão temida.”

Mas a idéia não é tornar o relacionamento assexuado, como diz neste trecho da entrevista, numa fórmula na qual assino embaixo:

Como o sexo ocorre nesse amor que parece amizade?
Isso é um problema porque, em nossa cultura, o sexo vai melhor quando há briga. As pessoas gostam mais de transar com inimigos do que com amigos. Isso mostra como precisamos avançar no entendimento da questão sexual. Ainda é preciso inventar um erotismo que não seja comprometido com vulgaridade e violência. Para superar isso, é preciso ser criativo e entender que as leis da atração sexual não são as mesmas das relações afetivas de boa qualidade. Na hora do sexo, talvez seja necessário mudar o canal, no qual o outro tem de deixar de ser o parceiro sentimental para ser um outro. É assim que os casais que se amam de verdade descobrem estratégias para que o sexo flua.
Apr
12

Ética nos blogs

O post está agendado, pois na verdade já estou no Newscamp, desconferência que reune jornalistas, estudantes de comunicação e blogueiros no Gafanhoto, mas deixo uma reflexão aqui que deve pautar minha participação lá:

A ética está na pauta da blogosfera nas últimas semanas, trazida pelo amadurecimento desta nova mídia, pelo enfrentamento - encontros e desencontros de idéias - que os encontros offline estão promovendo. As pedras no sapato começam a surgir e vejo nelas mais do que uma luz no fim do túnel, vejo várias janelas de oportunidades se abrindo. A blogosfera, como mídia social, ainda é um terreno no qual não se definiram regras de sobrevivência e por isso parece uma terra sem xerife - ou no máximo na qual cada condado tem um xerife e leis próprias. Isto é liberdade de expressão, dirão alguns, e eu concordo plenamente. Mas um pouco de ética não faz mal a ninguém.

Navegando encontrei uma idéia interessante na womma, uma associação de Marketing que se propõe colocar algumas boas práticas e limites éticos para esse tipo de comunicação. Eles têm uma sugestão interessante, são 20 questões que podemos nos fazer antes de assumir qualquer campanha de marketing e acho que poderia ser uma medida para os blogueiros neste começo de monetização da mídia social no Brasil - até porque a monetização é inevitável e cada vez mais os blogs serão vistos como meios de comunicação nos quais valerá a pena investir em publicidade.

Aqui estão as questões, numa tradução absolutamente livre - mas você pode ler o original (em inglês) aqui.

Antes de começar qualquer ação de marketing faça algumas perguntas a si mesmo e obtenha respostas também de seus parceiros, pensando nos riscos para sua reputação. Acima de tudo lembre: leitores/consumidores vêem primeiro, honestidade não é uma opção e o “engano” acaba sempre vindo à tona.
As observações a se fazer são: ser honesto na relação com o interlocutor, na opinião que apresenta, na identidade que assume, assumir a responsabilidade sobre seus atos, respeitar as regras, observar a conjuntura quando defender uma idéia, pessoa, agência, empresa.
Acima de tudo use uma medida extra de segurança perguntando-se: eu me sentiria confortável com esta campanha ou há algo nela que me deixaria envergonhado se assumisse em público?

Não é porque optamos por um modelo de jornalismo gonzo que precisamos sair por aí cambaleantes e sem rumo, dando tiros para todo o lado - alguns podem acabar sendo tiros no próprio pé.

P.S. No ano passado, Conrado Navarro, do Dinheirama e Guilherme Valadares, do Papo de Homem, lançaram a “Campanha pela Transparência On Line“. Segundo Cabianca, que aderiu imediatamente à campanha, “a proposta tem duas frentes. A primeira é o respeito ao público leitor pela responsabilidade do que se escreve e sendo transparente com ele, mostrando exatamente a opinião da pessoa\profissional a frente do blog, apresentando argumentos que sirvam de base para a formação da opinião de quem lê. A segunda, é voltada para as empresas anunciantes e as agências de comunicação, pois o canal blog é muito novo e ainda não se tem idéia da melhor maneira de utilizá-lo como tal.”

Apr
07

Dia do jornalista

dia-do-jornalismo.JPGQuem lembrou, logo cedo, foi a nova colega de Hitechlive blogs, Nadja, estudante de jornalismo em Salvador. Depois a querida Manu doou uns minutos da sua lotadíssima agenda de arquiteta decoradora em Natal para me dar um oi especial pelo dia. @vmontserrat no Twitter mandou um recadinho fofo como ele: Um parabéns especial para minha grande amiga e jornalista @samegui!!! E uma amiga de Curitiba, a Jô, mandou um cartãozinho virtual que tem a imagem que coloquei ao lado e dizia:

“Parabéns pelo seu dia! Que ele seja muito especial! Afinal só tenho notícias atuais pq vc existe! FELIZ DIA DO JORNALISTA”

Fiquei me perguntando se é assim mesmo. Quer dizer, quando eu era estudante como a Nadja (daqui a 3 dias eu completo 11 anos de formatura, ou seja, era estudante no advento da internet e antes dos blogs) era verdade, o jornalista ainda respondia pela notícia. Ele era o detentor do quarto poder! Mas e hoje?

Não creio mais nesta hegemonia profissional e, como falei no editorial do Nossa Via que escrevi para o esquenta do Newscamp, sinto que muita coisa vai mudar. Há uma nova geração de jornalistas que se forma, como pessoa e profissional, já com status de blogueiro famoso e com isso trata a notícia como um acréscimo à sua opinião pessoal. Eu conversava - e muito - com Renata Ruiz sobre esta mudança de foco, que tira o jornalista do papel de investigador e redator da notícia e o coloca como o personagem que a vive. Não nomeamos assim, mas eu pondero aqui, com meus botões, que o blog como mídia nos leva, inexoravelmente, ao jornalismo gonzo.

Como Wagner Fontoura contou, em O espírito empreendedor ronda as mídias sociais, no sábado estivemos no Gafanhoto, espaço inovador e que já começa a ser um “tradicional” ponto de encontro para desconferências de blogueiros, para ouvir uma proposta de Edney, vulgo Interney. Foi meu primeiro evento porque até agora não me sentia parte desta blogosfera que se reune e tem o que conversar. Na verdade, continuo sem saber se sou, mas agora eu sou a editora do Nossa Via e a presença às vezes é institucional. Mas não foi. Salvo o encontro com o sempre atencioso e simpático Manoel Fernandes, da Bites, não troquei cartões, não fui apresentada a ninguém (acho que, no fundo, Renata e eu, como as “mocinhas”, ficamos esperando esta cortesia de nossos colegas acompanhantes, que machismo!!!), mas aproveitei para reflexionar sobre esta nova “fauna” (sem ofensas, por favor, estou influenciada pela idéia bárbara de um portal de blogs científicos apresentado lá por Carlos Hotta) na qual me inseria. Quer saber? Eu gostei, achei o formato bom, as pessoas, mesmo um pouco “estrelinhas”, são abertas e principalmente a conversa de negócios funciona. Com paradas nos momentos certos e um boa condução, o evento foi bastante adulto e meu temor era, no fundo, estar num encontro de adolescentes tardios. O que encontro nos blogs atualmente é exatamente o oposto: uma seriedade, profissionalismo, competência que me animam por se apresentarem juntos. O jornalismo só tem a ganhar com isso. E, parafraseando Wagner, As mídias sociais encontram o caminho das pedras.

Por falar no jornalismo, a principal proposta do encontro era um convite para a formação de blogueiros repórteres que escreverão numa publicação (revista de verdade) com nome ainda a ser definido (Vox Blog é uma das opções). A novidade é interessante e acredito que vai aproximar blogueiros e jornalistas, porque desmistifica a idéia de que é fácil produzir notícia que contenha “fonte (no sentido jornalístico da palavra) e algum tipo de apuração (no sentido jornalístico da palavra). Não vale usar material pronto da mídia tradicional ou de outros blogs como fonte. Mas vale entrevistar pessoas da mídia tradicional ou blogueiros como fonte para o seu artigo“, tudo nas palavras do mentor do projeto.

Não sei se estamos prestes a encontrar um novo formato e uma nova forma de convivência e de produção de notícia, mas fico contente com a oportunidade de debate ou mesmo embate. E estou ansiosa para o Newscamp, que no próximo sábado vai discutir estes e outros temas lá no Gafanhoto. Você ainda não decidiu se vai? Passa no blog oficial, leia um pouco e acompanhe o esquenta (semana passada Conversamos sobre jornalismo e novas mídias) e creio que você acabará deixando seu nome como possível participante. :)

gonzo-thompson.jpgP.S. Segundo a wikipedia: O jornalismo gonzo é por muitos nem considerado uma forma de jornalismo, devido à total parcialidade, falta de objetividade e pela não seriedade com que a notícia é tratada, fugindo a todas as regras básicas do jornalismo. O estilo vigora até os dias de hoje e ganha maior número de adeptos entre jovens, que se interessam pela narrativa literária de vivências e descobertas pessoais em situações extremas ou de transgressão. Se o jornalismo gonzo é ou não um modelo jornalístico, se é subjetivo demais ou se não é digno de crédito, são questões que permeiam o ambiente acadêmico.
O originador do estilo foi o jornalista norte-americano Hunter S. Thompson. O termo foi cunhado por Bill Cardoso, repórter do Boston Sunday Globe, para se referir a um artigo de Thompson. Segundo Cardoso, “gonzo” seria uma gíria irlandesa do sul de Boston para designar o último homem de pé após uma maratona de bebedeira.
Mar
24

Segunda à noite na TV

Segunda-feira à noite é dia de ficar zapeando para acompanhar o Manhattan Conexion, CSI (agora na AXN às 20h), Cold Case, Without a Trace e Roda Viva. Eu me divirto com o controle e com a salada russa que faço na minha cabeça acompanhando tudo misturado.

Mas o Roda Viva de hoje vai merecer atenção especial: soube agora, em release da TV Cutlura, que o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, estará ao vivo no centro do Roda Viva, hoje, às 22h40, com apresentação do jornalista Carlos Eduardo Lins da Silva, na TV Cultura.

Imagino que a entrevista tratará das atribuições do Ministério das Relações Exteriores (negociar acordos, tratados, abre frentes para o comércio exterior e também marca a presença política brasileira nos debates e nos conflitos internacionais), com ênfase na atuação de Amorim frente às crises “diplomáticas” recentes na América do Sul (entre Colômbia, Venezuela e Equador), no caso dos brasileiros impedidos de entrar na Espanha e na carne nacional barrada no mercado europeu.

A bancada de entrevistadores de hoje será formada por Lourival Sant’anna (repórter especial do jornal O Estado de S. Paulo); Marcelo Cavallari (editor de internacional da revista Época); Demétrio Magnoli (geógrafo, especialista em relações internacionais e editor do jornal “Mundo, Geografia e Política Internacional”); Cláudio Camargo (editor de Brasil da revista Isto É); Eliane Cantanhêde (colunista do jornal Folha de S. Paulo); e Maria Lúcia Pádua Lima (coordenadora de relações internacionais da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas).

Mar
07

Ainda os blogs…

… porque há muita discussão sobre eles. O que me anima é que começo a ver também estudos sobre os blogs mídia social, como nos links que li hoje sobre a mídia social. Vi no Boombust uma entrevista do Wagner que faz parte do Blogumentário, um documentário gravado no Campus Party Brasil e que se propõe a mostrar o momento atual dos blogs no Brasil. Lembram-se que falei outro dia que vamos ser personagens históricos com nossos blogs atuais?

Por falar em história, o Intermezzo postou links para a dissertação do engenheiro Marcelo Sávio, defendida em setembro de 2006, na UFRJ. Interessante parar para pensar que, em 2006, um “monte” de coisas que vivemos hoje pareciam uma insanidade! Para vocês terem uma idéia, é desta época Segredos Públicos - Os blogs das mulheres do Brasil, um estudo da pesquisadora Luiza Lobo sobre o fenômeno da passagem do privado para o público em termos de confidências femininas. E nós já deixamos de usar blogs para contar segredos há um tempão!

blogs corporativosFoi do Imezzo - blog sobre comunicação e jornalismo no ciberespaço - em nota da Daniela que eu soube do lançamento do livro Blogs Corporativos - Modismo ou Tendência? O evento será na quinta-feira, 13/03, às 19h, na Livraria FNAC do Shopping Morumbi. A autora, Carolina Terra, mantém o blog RPalavreando que já me soou simpático porque tenho uma irmã RP (Relações Públicas) e cheguei a começar esta faculdade depois de terminar jornalismo (mas não aguentei as greves da UFPR e larguei). No entanto sei que RP é o comunicador corporativo, mesmo que nem sempre eles gostem desta pecha. Minha irmã aceita-a, tendo até se especializado na área. Sobre a pergunta que Carol deixa em aberto no título, voto na tendência. Como ela comentou no Imezzo, “desintermediação, imediatismo, bidirecionalidade das ferramentas de comunicação digital” são parte de um novo formato de comunicação pelo qual optamos dia a dia, num caminho sem volta.

Para completar, no Nossa Via, Alessandro Martins levanta um tema polêmico: Fim da neutralidade na Rede: você pode perder direitos. Vai lá para conferir!

Mar
01

Dois momentos do jornalismo nos blogs…

… creiam, ambos aconteceram nesta semana.

  • Blog jornalístico premiado « Intermezzo: “No The New York Times: Blogueiro é o primeiro jornalista que publica exclusivamente na internet a receber o prêmio George Polk de jornalismo investigativo.”

Detalhe é que eu soube do show antes da mídia divulgar justamente via blogs, né? E eu que sou tratada com um respeito imenso e toda atenção do mundo por várias assessorias me apresentando apenas como editora de blog!

Jan
24

Jornalismo na era digital

ciranda.jpgAdoro minha profissão, mas admito que até hoje vejo aquele desânimo e sinto a “solidariedade misericordiosa” das pessoas comuns quando ficam sabendo que não trabalho na televisão. O jornalismo se tornou uma atividade basicamente televisiva para a maior parte da nossa iletrada população e eu entendo, por isso não dou bola, nem defendo outros veículos, nada, simplesmente respondo onde trabalho, confirmo que nunca trabalhei na televisão e dou um jeito de por “ponto final” no tema.

Amo TV, mas é absolutamente lazer para mim… quando trabalhamos com algo, a coisa se torna tão automática que não conseguimos mais relaxar. Há anos não leio revista alguma com isenção, estou sempre com olhar crítico e o prazer se vai, por isso fico feliz que a televisão seja minha alienação assumida.

Mas não deixei de sentir certo prazer ao ler o Bruno Rodrigues exaltar a Coragem de Fátima Bernardes que assumiu numa entrevista com Marilia Gabriela que não gosta de trabalhar com internet. Isso redime “a moça aqui” que gosta de mídia impressa - de preferência só “virtualmente” impressa. E deixa um espaço, como lembrou Bruno, para toda uma geração de profissionais de mídia que podem se especializar no que gostam ao invés de fingir que “jogam nas onze”. Tudo sem um pingo de culpa e - espero - quase sem preconceito.

Mas fazer jornalismo on line é uma tarefa árdua e exigente, porque é uma metamorfose constante, um desafio diário. Tudo muda todo dia, a atualização que se exige é imensa e somos levados por uma cyberchase sem fim, com widgets, redes sociais, tags e novos modelos para tudo surgindo diariamente. Ceila escreveu sobre o tema na terça (para a primeira edição da Ciranda de Textos do André Deak) falando do jornalismo on-line e ressaltando a diferença entre jornalista que atualiza site e o que faz jornalismo online, aquele que, nas palavras dela, “reduz a distância entre o que se quer ler e o que se escreve. E quem pode falar tão bem sobre o estreitamento de relações na blogosfera do que a Ceila, que criou uma rede de mães e pais blogueiros no Desabafo de Mãe?

P.S. Lendo a Marjorie e o “esporro” da Ana dizendo que Wikipedia não é fonte”, vejo que apesar de ser redundante, precisamos falar do jornalismo - on line ou não. Imaginem a CartaCapital dar uma notícia de capa sobre Kaká e Renascer (não li a matéria, só a repercussão) sem ouvir de fato a família, só com base nas notícias. Puxa, precisamos melhorar.


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