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Aug
05

O rochedo e a estrela

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Minha mãe anda meio ligada em possíveis raízes judias (enfim, era só o que faltava para completar a assembléia da ONU que são meus ancestrais) e acabo pensando nela quando vejo noticias sobre o tema. Hoje acontece a pré-estréia de um documentário que traça um panorama da presença judaica em Pernambuco no século XVII, mostrando como uma parte forte da cultura dita brasileira teve forte influência dos judeus. O Rochedo e a Estrela, de Kátia Mesel, abre o 12º Festival de Cinema Judaico de São Paulo, às 21 horas, o Centro da Cultura Judaica. Interessei-me porque Gui e eu vimos neste ano um documentário novaiorquinho que comentava estar em Pernambuco a mais antiga sinagoga das Américas, a Sinagoga Kahal Zur Israel, construída no ano de 1636 por judeus holandeses e ibéricos. Ao ver este filme lembrei de imediato deste dado histórico.

O longa mostra um panorama da permissão do judaísmo e sua expansão em Pernambuco no século XVII, ora se adaptando a novas situações culturais, ora mantendo suas bases de referência para povos de várias nações, e como Maurício de Nassau foi fundamental para esta libertação religiosa.

Kátia diz que o filme reflexiona sobre a interferência dos judeus na formação étnica e cultural de Pernambuco, mostrando também a grande mistura étnica nordestina, terra de encontro de diversas culturas como a portuguesa, a africana e a indígena.

O 12º Festival de Cinema Judaico de São Paulo, parceria entre o Centro da Cultura Judaica e A Hebraica, ocorre entre os dias 5 e 10 de agosto. Neste ano, a mostra terá como tema os 60 anos de Israel e será dividido em quatro mostras temáticas: Ficção, Documentário, Israel 60 e Pré-Estréias Nacionais.

As exibições do Centro da Cultura Judaica ocorrem no Teatro (300 lugares, sujeito à lotação do espaço). A programação tem entrada gratuita, mas quem quiser contribuir com o Departamento Sócio-Cultural do CCJ, pode trocar o ingresso por um quilo de alimento não perecível a ser doado ao Programa Ajuda Alimentando, mantido pela instituição. Os ingressos são limitados a dois por pessoa e devem ser retirados a partir das 14 horas na Bilheteria.

O Centro da Cultura Judaica está localizado à Rua Oscar Freire, 2500, ao lado do metrô Sumaré. Informações pelo telefone (11) 3065.4333 ou no site.

Serviço:

  • 12º Festival de Cinema Judaico de São Paulo
  • Pré-Estréia Nacional de “O Rochedo e a Estrela”
  • Direção: Kátia Mesel
  • Terça-feira, dia 5 de agosto, às 21 horas.
  • Teatro: 300 lugares. Idade Mínima: 12 anos.
  • Entrada: 1 quilo de alimento não perecível a ser doado ao projeto Ajuda Alimentando.
  • Ingressos limitados. Retirar a partir das 14 horas na Bilheteria. Sujeito à lotação do espaço.
  • Centro da Cultura Judaica
  • Rua Oscar Freire, 2500 telefone (11) 3065.4333 site www.culturajudaica.org.br

Outros filmes do festival: Read the rest of this entry »

Jul
24

Histórias do Brasil

Quando estava no hospital em Curitiba, contei minha história num post para o Nossa Via. Ele já estava rascunhado para publicação - um convite para que as pessoas conhecessem o site e no espaço Histórias do Brasil contassem da sua vida - mas não esperava escrever minha própria história de superação, como foi o caso do meu filho mordido por um pitbull.

O caso reverberou no meu blog e em outros espaços amigos, aproximando todos, criando correntes de orações e reunindo pessoas distantes fisicamente, mas que partilham de valores, raízes e legados. A internet é fundamental para que todas as vozes, não só a de profissionais de comunicação, sejam ouvidas e para que as micro-histórias sejam contadas.

Quando vou ao MCDonald’s ou passo pela Sé, vejo que os pontos de acesso gratuito à internet reúnem pessoas muito diferentes e interessantes. Confesso que tenho o hábito  de observar o uso que fazem, não para xeretar, mas para deixar minha imaginação correr solta e viajar no que seria a história de vida de cada um. Imagine se este uso que fazem de recados no orkut pudesse ser reunido para contar suas histórias?

Bem, alguns contos pessoais podem e merecem ser públicos. Um colega (editor da Bites e um jornalista que considero ótimo para contar histórias) me disse que leu que na cidade de Salgueiro, no sertão pernambucano, havia uma quantidade enorme de lan houses em relação à população urbana. Curioso, ele foi conferir e descobriu que eram pequenas lan houses, mas todas ativas, o que fazia da cidade um lugar muito geek. A democratização da informação - que já se alardeou tanto que a internet traz - caminha assim, pelos rincões do Brasil, pela lan house que tem apenas dois ou três computadores. Os veículos que agora convidam o telespectador, ouvinte, leitor, internauta, a enviar a notícia que testemunham (ao vivo, in loco) tira proveito desta novidade e da nossa tradição de ser um povo gregário e solidário.

Há muito que se contar nas fotos, vídeos e textos pessoais e, no final, serão parte da história do nosso país. Vou contar minhas histórias também porque quero ser parte desta mudança de foco, na qual o cidadão pode ser o protagonista. E você, qual a sua história?

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Jul
09

Nove de julho

Imagem:Cartaz Revolucionário 1.jpgImagem:Cartaz Revolucionário.jpgImagem:Mulheres Paulistas.jpg

Só aqui em São Paulo vi esta data ser feriado e ainda me espanto com a importância que a Revolução Constitucionalista tem para os paulistas. O feriado é só estadual, mas aqui tem importância imensa, pois consideram a Revolução de 1932 como o maior movimento cívico da história do estado. Enfim, é importante, foi a primeira grande revolta contra o governo de Getúlio Vargas - que foi um ditador, apesar de ter tanta gente que o adora por seu populismo - e o último grande conflito armado corrido no Brasil. Foram 85 dias de combates - de 9 de julho a 2 de outubro de 1932 - com um saldo oficial de 934 mortos. Estimativas não oficiais contam até 2.200 mortos, sendo que inúmeras cidades do interior do estado de São Paulo sofreram danos devido ao combates. Enfim, a luta é chamada também de Guerra Paulista e foi um movimento armado na tentativa de derrubar o governo provisório de Getúlio Vargas. Temos que admitir  foi uma atitude corajosa, que inclusive recrutava mulheres - como se vê no cartaz acima -  na tentativa de instituir um regime constitucional após a supressão da Constituição de 1891 pela Revolução de 1930.

Zemanta Pixie
Jun
17

Hospedaria do Imigrante

Nesta semana, por mais que tente, não consigo me desligar totalmente no Centenário da Imigração Japonesa no Brasil. Sou muito ligada às minhas raízes e, apesar da ascendência nipo-teuto-lusitana
(mistureba muito brasileira) este lado é muito forte para mim, pesa mais. Talvez pese muito o fato de, embora com traços faciais amenizados, eu tenha um biotipo muito oriental. Vi isso com exatidão ao visitar o Museu da Imigração em maio. Vejam a foto acima: sou eu ao lado de fotos em tamanho real de japonesas que passaram pela Hospedaria do Imigrante na década de 1930.

Estes orientais, que estão sendo tão festejados e comentados nesta semana, vieram ao Brasil para fazer a América como os bisavós e avós da maioria dos brasileiros. Alguns, como os meus bisavós alemães (Dietzel e Hoffmann) que vieram da Rússia por volta de 1860, nem passaram pela Hospedaria, mas são parte da mesma história.

Mais de 2 milhões de imigrantes chegaram ao Brasil e tiveram sua primeira parada na Hospedaria do Imigrante (Rua Visconde de Parnaíba, 1316, Mooca, Tel. 2692-1866). O Memorial do Imigrante, homenageado nesta semana com o lançamento de um livro (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo em parceria com o Memorial do Imigrante), fica pertinho da minha casa e foi um dos primeiros passeios que fizemos com os meninos quando mudamos para São Paulo em 2005. Lá é possível imaginar e refazer a saga desse povo que com perseverança e trabalho ajudou a transformar nossa realidade no século XX.

Neste ano se comemora os 120 anos da criação oficial da Hospedaria do Imigrante e fomos lá novamente com meus sogros, filhos e netos de imigrantes europeus, para passear com outros olhos. Vimos a exposição de objetos que refaz o ingresso deles na hospedaria (com mapas, locuções e malas e outros objetos que envolviam sua chegada) até a emocionante saída que tem nomes de familias que aportaram ali. Não achei Hoffmann nem Shiraishi, mas achei Sudo, sobrenome de solteira da minha Batian (avó) de Niigata, Japão. Minha sogra, filha de espanhola (da Andaluzia) que completou um ano no navio a caminho do Brasil, se emocionou sobremaneira. E foi belo vê-los mostrando e contando tudo para os netos!

Fizemos o passeio de Maria Fumaça que a ABPF (Associação Brasileira de Preservação Ferroviária) oferece nos finais de semana e feriados. Desta vez foi meu sogro que se emocionou. Sobrinho, irmão e tio de ferroviários, ele cresceu na região que era servida de trens - creio que da Sorocabana - e reviveu experiências de viagens, numa réplica belíssima que a associação mantém. Os voluntários refazem a viagem - curtissima e lenta - num misto de aula de história, relato do que estão fazendo na preservação e a recriação da experiência de viajar de trem como nossos avós, com direito a picotar o bilhete e passar oferecendo revista Cruzeiro. Comentário geral dos mais velhos é que faltava o sanduíche de mortadela e gasosa. huahuahua Eu fiz uma viagem com minha avó e bisavó entre Ponta Grossa e Piraí do Sul uma vez, aos 4 anos, só para ter este prazer, e me lembro nitidamente do sanduíche e da gasosa!

O passeio pelas instalações do Museu nos dá um contexto histórico da Europa em crise e do Brasil em plena expansão e sem mão de obra. Detalhes do prédio e da rotina, regulamentos internos e a preocupação com a saúde dos imigrantes - instalação de serviços médicos, postos de enfermagem e centros de vacinação nos dão a noção da situação de pobreza que a maioria deixou para trás. A parte que mostra os trabalhos mais tradicionais que foram assumidos pelas diferentes etnias é curiosa, refazendo na memória os estereótipos que se criaram na sociedade brasileira.

Estas observações e o registro histórico estão no livro Memorial do Imigrante – A imigração no Estado de São Paulo lançado no dia 15/06 e que traz um panorama da imigração e conta desde a odisséia das emigrações à chegada em São Paulo, passando pelo Porto de Santos e pela travessia da Serra do Mar, quando muitos se assustavam com tamanha exuberância e, receosos de não haver cidade depois da mata, se atiravam do trem na tentativa de retornar a Santos. Resgata, também, parte dos registros das inúmeras histórias guardadas em seu acervo, que se transformam numa grande viagem pela história da imigração para São Paulo. Organizado pela historiadora Soraya Moura, com pesquisa e textos de Odair da Cruz Paiva e Marcelo Cintra de Souza, retrata a realidade de nossos ancestrais.

“Muito se fala sobre imigração de uma forma geral, mas até agora não havia nenhum registro que contasse a história da Hospedaria do Imigrante e mostrasse o que ela significou nesse movimento migratório. Nesse livro, resgatamos tudo o que diz respeito ao prédio e às mudanças ao longo dos anos e aproveitamos para divulgar o acervo do Memorial, já que toda a pesquisa foi feita lá”, comenta Soraya Moura.
A leitura promove o reencontro com a história de nossos antepassados e homenageia aqueles que vindos de lugares tão distantes, fugindo de guerras, de perseguições políticas ou simplesmente da fome, ajudaram a construir o país . Foi na antiga Hospedaria de Imigrante, que hoje abriga o Memorial, que anseios, angústias e expectativas de mais de 2,5 milhões de pessoas de 75 nacionalidades e etnias se entrecruzaram entre 1887 e 1978. Lá se encontram os registros desses trabalhadores que vieram substituir o trabalho escravo na lavoura de café.

P.S. Vi naquele dia que o Memorial do Imigrante ainda é uma hospedaria onde funciona a Associação Internacional para o Desenvolvimento – Núcleo São Paulo (ASSINDES-SP), conhecida como Arsenal da Esperança, uma entidade sem fins lucrativos com caráter beneficente e que abriga homens que não têm moradia, migrantes carentes – principalmente da região nordeste e refugiados políticos. É lá que se pode solicitar alguns documentos para obtenção de dupla cidadania, passaportes, retificação de nome, sucessões hereditárias. O mais comum é a Certificação de Desembarque, que se usa para entre outros.

May
29

Casa da Bóia

Eis uma exposição que agrada aos meus amores - casa com muitos homens é assim, sabe, pensamos em coisas masculinas até em exposições! Fui contatada pela assessoria da Casa da Bóia que me passou um release interessante sobre este local que, eu não sabia, é a primeira fundição de cobre do Brasil e comemora 110 anos de atividades. Interessante pensar no quanto a história desta casa reflete as mudanças no Brasil na virada no século XIX - outro dia estive no Museu da Imigração e vi que São Paulo era uma vila sem janelas de vidros nesta época. Mais antiga que o Teatro Municipal e a Estação da Luz, a Casa da Bóia reuniu em seu museu peças que ajudam a contar a história do centro e do comércio paulistano. Read the rest of this entry »

Apr
23

Que obra de arte é o homem!

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Mais um daqueles cursos da Casa do Saber que me deixam com vontade de ir… sonho de consumo por enquanto, porque não dá para pagar a conta do curso e ainda a hora extra da empregada para eu ir. :( Mas adorei saber e divulgo aqui por isso. Assinamos a revista História Viva e a edição sobre esta fase nos deixou encantados. Gui certamente seria meu colega neste curso, pois gosta ainda mais do que eu dos temas.

“Que obra de arte é o homem!”, proclamam os humanistas do Renascimento. Com o declínio da Idade Média, as explicações religiosas, o peso desta autoridade e a tradição do gótico começam a perder lugar para o mundo do indivíduo, do espírito científico e da polifonia musical. O mundo, como o conhecemos hoje, começa a se forjar neste “outono” da Idade Média. O curso trata das forças em ascensão na Europa da Renascença e das origens do pensamento moderno.

Aulas:

  • 23/04: Religião e Declínio da Magia na Idade Moderna com Leandro Karnal (doutor em História Social pela USP)
  • 30/04: O outono da Idade Média e a nova cultura humanista com Luiz Estevam de Oliveira Fernandes (mestre em História pela Unicamp e professor de História)
  • 07/04: O pensamento político moderno: Maquiavel e Hobbes com José Alves de Freitas Neto (doutor em História pela USP e professor de História na Unicamp)
  • 14/05: A grande transição musical - Canto gregoriano, polifonia de Palestrina e Barroco com Leandro Karnal

Serviço:

  • Professores: José Alves de Freitas Neto, Leandro Karnal e Luiz Estevam de Oliveira Fernandes
  • Duração: 4 encontros
  • Dias: Quartas-feiras, às 20h (23/04, 30/04, 07/05, 14/05)
  • Local: Casa do Saber (Higienópolis)
  • Preço: R$ 180 na inscrição + 1 parcela de R$ 180
  • Inscrições pelo telefone (11) 3707-8900. Vagas limitadas.

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