Jul
04

Amor tem dor também

Abraço em família no quarto de hóspedes da casa da minha mãe antes de voltarmos para São Paulo na segunda-feira

Dia de arrumação em casa, pois voltei de Curitiba na segunda à noite e as malas ainda estão no canto da sala - que foi limpa e as coisas para triagem mudadas de lugar. Esta coisa de mudar de lugar o que precisa ser arrumado é, infelizmente, a minha cara. Nem feng shui consegue consertar esta minha mania de protelar as arrumações! Sempre acho algo mais interessante e produtivo para fazer antes de organizar armarios, pastas de arquivos no computador (hoje até meu media player vai passar por uma faxina), contas pagas e outras baguncinhas que eu acumulo.

Preciso me ocupar. Como previsto, bateu a saudade, não aguentei nem uma semana sem ficar chorona com a falta dos meninos. Na terça me ocupei, cheguei super tarde em casa, na quarta o trabalho online e a companhia da faxineira me distrairam, mas ontem não teve jeito. Nem o entusiasmo do dia com Orbita do Terra na Daslu (já vou postar sobre o evento), almoço no Curry House do Top Center com amigos e a  instalação de 2 giga de memória no meu notebook me deixaram contente de verdade. Voltei para casa perto das 20h, sozinha (meu amor demorou mais ontem no escritório), peguei o carro limpinho (sem brinquedos nem farelos) no estacionamento do lado do metrô, passei no mercado e foi meio vazio fazer compras para dois adultos. Claro, pensei numa comidinha especial para meu amor, comprei vinho, mas foi meio "vazio". Jantamos, trocamos idéias sobre o dia sem interrupções e eu fui ficando quietinha, com aquele jeito de que vai entrar na concha. Em alguns momentos eu achava que sentia os bracinhos do Giorgio envolvendo meu pescoço ou o Enzo chegando de mansinho perto de mim. Peguei no sono chorando quietinha e meio escondido - pro Gui não pensar que era algo com ele - e acordei louca para ligar para os meninos. Sabe-se lá porque a webcam não ia servir hoje, tinha que ser no fone.

Enfim, estou me preparando para passar o primeiro final de semana sem eles - serão muitos até o final de julho - me enchendo compromissos adultos para me convencer de que serão férias para mim também como mãe. Amor tem dor também, mesmo quando é plenamente correspondido! A dor da saudade.

Jun
24

O maior problema do filho único é a solidão

Um texto do Desabafo de Mãe me emocionou. Isabel Cristina, filha única e mãe de uma garotinha de 2 anos, fala sobre A solidão do filho único . Ela diz em certo trecho:

Atualmente, esta é a realidade de muitas famílias, que por vários motivos preferem ou podem ter um único filho (maternidade tardia, condições financeiras, etc.). E não estamos preparados para criar filhos únicos. O principal receio dos pais de filhos únicos é criar filhos tiranos e egoístas. Mas este é o menor dos problemas, que com uma boa dose de limites, muito diálogo e boa vontade dos pais pode ser superado. O maior problema do filho único é a solidão.
Já notaram como no mundo de hoje é comum a solidão? As famílias estão menores, as pessoas não interagem umas com as outras como antigamente, até uma visita ao vizinho é rara. A violência nos prende em casa. Se já é bastante solitário para o mundo adulto, imagine para uma criança criada em meio a adultos. O maior desafio para os pais de filhos únicos é desenvolver em seus filhos o espírito da socialização, a capacidade de buscar o outro, ou mesmo a capacidade de conviver bem sozinho.

Sou de uma familia grande e sempre falo que queria dar aos meus filhos esta experiência de ter irmãos, porque os meus foram - e são - muito importantes para mim. E eu vejo os filhos únicos, mesmo que não tenham ninguém para provocar, pegar e estragar  os brinquedos, dividir carinho e presentes, pessoas tristes, solitárias, ansiosas por momentos de troca com outros iguais. As crianças se sentem bem entre os que são da sua idade, que lhes entendem, numa confraria. Os adultos não conseguem fazer as mesmas brincadeiras, os mesmos desafios, mesmo jogando super trunfo, assistindo tudo do Backyardigans, sendo companheirões.

Quando eu engravidei do Giorgio - sem planejar e com o Enzo ainda mamando no peito - a mãe de uma amiga minha citou um ditado que ela conhecia da Espanha (onde nasceram os 8 filhos): vai ser bom, pois "um é nenhum" . E foi ótimo terem quase a mesma idade e serem do mesmo sexo. Mas vejo relatos como os da Evellyn e de sua irmã, da Andréa e da Fabiana, tantos anos de diferença, e vejo que não importa, o que conta é o  vínculo afetivo. Claro, este vínculo pode ser de primos - minha sogra tem uma prima que é uma irmã e mais ligada a ela do que o irmão - mas precisa existir.

Um colega de escola do Gio que adora vir aqui brincar é filho único e a mãe foi filha única, criada sendo mimada e muito amada pelos pais e a avó. Ela conta que, em poucos anos, os três morreram - "Eles me abandonaram", diz - e se viu completamente só no mundo. Já pensaram que isso pode acontecer com o filho da gente?

P.S. Por falar em Desabafo de Mãe, ontem foi o último dia  da Promoção Clifford e o Comportamento Infantil, amanhá Sueli e eu anunciaremos o vencedor! :)

Jun
21

O lado B da maternidade (e da paternidade)

viagem_de_chihiro06.jpg

Já que citei o paizão no post anterior, lembrei de uns posts interessantes sobre pais e filhos que li recentemente.  Aliás, todos sabem, a maternidade - e o questionamento sobre ela ser natural ou não - é tema recorrente aqui . O primeiro post que indico dá nome ao post, achei a frase tão boa que estou citando aqui - mas com link e crédito - com podem ler abaixo.

Citando novamente um trecho de livro publicado pela Renata:

O lado B da maternidade (e da paternidade)
"Raising a child is easily the most maddening thing I’ve ever done . It is, of course, also the most rewarding thing I’ve ever done. The latter gots a lot of attention - frozen in time and assembled neatly in picture albums, scrapbooks, family stories - while the former, nearly as significant in th ebig, day-to-day cheme of things, is the subject of ominous public service announcements and scolding lokks from strangers, your parents and your mate. Everybody gets mad at their kids; nobody likes to talk about it"
(Greg Knauss, Peas and domestic tranquility, uma das crônicas do livro Things I learned about my dad (in Therapy), organizado e editado por Heather B. Armstrong )

Para ler a reflexão dela, vá até lá. ;)

http://depoisfalamos.files.wordpress.com/2007/04/pursuit-of-happyness-2006.jpg

Outro post que indico é da Lella no Nossa Via com dicas de filmes que falam deste relacionamento familiar em Pais e Filhos: Não deveria ser uma via de mão única ! Fiquei muito curiosa com a dica de “Ninguém pode Saber ” (Dare mo Shiranai), porque é cinema japonês e eu assumi uma parte das coisas como filha mais velha quando meus pais se separaram. Acho que, se conseguir a proeza de encontrar o filme para ver, vou chorar muito! Imaginem a trama: "Uma mãe jovem demais, que um belo dia abandona os 4 filhos, numa de que ela tem direito de ir curtir a vida. Então, o mais velho, com 11 anos, faz de tudo para ser pai e mãe dos irmãos." O outro japonês que ela indica, “A Viagem de Chihiro ” (Spirited Away ), adoramos aqui em casa - e temos uma cópia que vemos sempre, como outros tantos do mestre Hayao Miyazaki . Outro que adorei e que eu resenhei no Desabafo de Mãe foi “À Procura da Felicidade ” (The Pursuit of Happyness). ;)

E você, tem dicas de filmes que mostrem a relação entre pais e filhos? Avise aí nos comentários, eu adoro conversar sobre este tema!

Jun
21

Esses novos homens…

… me deixam orgulhosa da minha geração! Não é fofo o cara ir na SPFW e falar da paternidade? E voltar rapidinho para casa para ficar com a esposa e as filhas?  Vi no EGO . ;)

Iwi Onodera/Globo.com

Rodrigo Faro está maravilhado com a paternidade. Sua segunda filha, Maria, nasceu na quarta-feira, 18. "Não tem nada igual à emoção do parto", revelou o ator da fila A do desfile do estilista Miguel Vieira. "Estou no momento mais feliz da minha vida".
Mas quem pensa que vida de pai é só alegria, está enganado. Também requer muito trabalho e noites em claro. "Só vim mesmo assistir ao desfile, tenho que voltar rapidinho para casa". Rodrigo é casado com Vera Viel e também é pai de Clara, de três anos.

Jun
18

É hoje! Centenário da Imigração Japonesa.

É hoje. Dia do imigrante, festa do Centenário da Imigração Japonesa e, para mim, dia do aniversário do meu pai. Curiosamente ele, meu vínculo mais real com o Japão,  é do dia em que se comemora a chegada do primeiro navio japonês ao Brasil. E meu pai, o tio Dinho (apelido de Eiji, nome que só tem em casa, porque nasceu na guerra e não pode ser registrado com pré-nome japonês), é um japonês de araque, como se diz, falsificado, do Paraguai. Apesar da carinha japonesa, do biotipo (baixinho, magro, olhinhos puxados) ele não faz questão de comida japonesa, não fala quase nada (entende um pouco) do idioma e já não tem mais nada da culturade seus pais. Dez anos atrás, quando comemoramos esta data em Tokyo e por coincidência era o domingo de dia dos pais lá, ele me pediu para fazer uma rabada de almoço. Pode? Pode sim, meu pai, como muitos filhos de imigrantes, é na verdade um brasileiro .

Creio que esta é a grande surpresa que os "japas" viveram ao chegar no Japão - a percepção de que  mesmo japas aqui, eles (nós) são (somos) muito brasileiros - e a questão que a sociedade brasileira encara neste momento em que esta etnia completa cem anos aqui e coreanos completam 40 anos, alemães 150 anos, italianos cento e poucos, e portugueses sabe-se lá ao certo (brincadeira). Acima de tudo somos brasileiros!

No entanto, acho lindo e me emociono com as homenagens que a sociedade brasileira tem feito aos pioneiros e seus descendentes neste mês. Apesar de ser mestiça e neta de japoneses, cresci imersa nas atividades e bebendo valores e tradições da "colônia japonesa" no Paraná. Meu pai nasceu em Paraguaçu Paulista, mas passou a infância no Norte Velho paranaense, na cidade de Ribeirão do Pinhal, onde meus avós Sadanari e Matsuno se estabeleceram depois da Segunda Guerra Mundial. Nossas raízes brasileiras são da comunidade do norte velho e da região de Castro e Ponta Grossa (cidade natal de minha mãe, onde as famílias Dietzel e Hoffmann se estabeleceram com secos e molhados no tropeirismo do final do século XIX).  Meus pais foram preletores da Seicho-no-Ie por 20 anos e as atividadades desta filosofia, junto a festividades no kaikan de Paranaguá e Rolândia, marcaram minha vida nikkei. Hoje, com meu marido trabalhando na Liberdade, numa empresa nipo-brasileira de recrutamento de dekasseguis, sou eu a pessoa que liga a família ao Japão. E, como um retrato da imigração japonesa no Brasil, é o Gui (brasileiro, descendente de italianos, espanhóis e portugueses) quem me ensina muito da cultura mais tradicional, do idioma, da etiqueta e da ética japonesas.

Posso repetir as palavras escritas hoje por outro blogueiro nikkei, pois meus familiares também "como os 781 japoneses pioneiros que estiveram a bordo do navio Kasato Maru, que em 18 de junho de 1908 chegou no porto de Santos trazendo os primeiros imigrantes que vieram ao Brasil, conseguiram, com muito trabalho e persistência, reconstruir suas vidas e deixar suas marcas por aqui. "

A história dos  meus avós eu contei no ano passado, neste mesmo 18 de junho, num post intitulado Nada como um bom blend! e no meu perfil do Abril nos 100 anos da imigração. E o mundo dos descendentes eu tento retratar diariamente no blog Nihon Nikkei - Movimento Dekassegui .

Foto

“Kasato Maru no tootyaku wa kyou de 100 shunen” - Chegada do Kasato Maru completa 100 anos hoje
Jun
17

Hospedaria do Imigrante

Nesta semana, por mais que tente, não consigo me desligar totalmente no Centenário da Imigração Japonesa no Brasil. Sou muito ligada às minhas raízes e, apesar da ascendência nipo-teuto-lusitana
(mistureba muito brasileira) este lado é muito forte para mim, pesa mais. Talvez pese muito o fato de, embora com traços faciais amenizados, eu tenha um biotipo muito oriental. Vi isso com exatidão ao visitar o Museu da Imigração em maio. Vejam a foto acima: sou eu ao lado de fotos em tamanho real de japonesas que passaram pela Hospedaria do Imigrante na década de 1930.

Estes orientais, que estão sendo tão festejados e comentados nesta semana, vieram ao Brasil para fazer a América como os bisavós e avós da maioria dos brasileiros. Alguns, como os meus bisavós alemães (Dietzel e Hoffmann) que vieram da Rússia por volta de 1860, nem passaram pela Hospedaria, mas são parte da mesma história.

Mais de 2 milhões de imigrantes chegaram ao Brasil e tiveram sua primeira parada na Hospedaria do Imigrante (Rua Visconde de Parnaíba, 1316, Mooca, Tel. 2692-1866). O Memorial do Imigrante, homenageado nesta semana com o lançamento de um livro (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo em parceria com o Memorial do Imigrante), fica pertinho da minha casa e foi um dos primeiros passeios que fizemos com os meninos quando mudamos para São Paulo em 2005. Lá é possível imaginar e refazer a saga desse povo que com perseverança e trabalho ajudou a transformar nossa realidade no século XX.

Neste ano se comemora os 120 anos da criação oficial da Hospedaria do Imigrante e fomos lá novamente com meus sogros, filhos e netos de imigrantes europeus, para passear com outros olhos. Vimos a exposição de objetos que refaz o ingresso deles na hospedaria (com mapas, locuções e malas e outros objetos que envolviam sua chegada) até a emocionante saída que tem nomes de familias que aportaram ali. Não achei Hoffmann nem Shiraishi, mas achei Sudo, sobrenome de solteira da minha Batian (avó) de Niigata, Japão. Minha sogra, filha de espanhola (da Andaluzia) que completou um ano no navio a caminho do Brasil, se emocionou sobremaneira. E foi belo vê-los mostrando e contando tudo para os netos!

Fizemos o passeio de Maria Fumaça que a ABPF (Associação Brasileira de Preservação Ferroviária) oferece nos finais de semana e feriados. Desta vez foi meu sogro que se emocionou. Sobrinho, irmão e tio de ferroviários, ele cresceu na região que era servida de trens - creio que da Sorocabana - e reviveu experiências de viagens, numa réplica belíssima que a associação mantém. Os voluntários refazem a viagem - curtissima e lenta - num misto de aula de história, relato do que estão fazendo na preservação e a recriação da experiência de viajar de trem como nossos avós, com direito a picotar o bilhete e passar oferecendo revista Cruzeiro. Comentário geral dos mais velhos é que faltava o sanduíche de mortadela e gasosa. huahuahua Eu fiz uma viagem com minha avó e bisavó entre Ponta Grossa e Piraí do Sul uma vez, aos 4 anos, só para ter este prazer, e me lembro nitidamente do sanduíche e da gasosa!

O passeio pelas instalações do Museu nos dá um contexto histórico da Europa em crise e do Brasil em plena expansão e sem mão de obra. Detalhes do prédio e da rotina, regulamentos internos e a preocupação com a saúde dos imigrantes - instalação de serviços médicos, postos de enfermagem e centros de vacinação nos dão a noção da situação de pobreza que a maioria deixou para trás. A parte que mostra os trabalhos mais tradicionais que foram assumidos pelas diferentes etnias é curiosa, refazendo na memória os estereótipos que se criaram na sociedade brasileira.

Estas observações e o registro histórico estão no livro Memorial do Imigrante – A imigração no Estado de São Paulo lançado no dia 15/06 e que traz um panorama da imigração e conta desde a odisséia das emigrações à chegada em São Paulo, passando pelo Porto de Santos e pela travessia da Serra do Mar, quando muitos se assustavam com tamanha exuberância e, receosos de não haver cidade depois da mata, se atiravam do trem na tentativa de retornar a Santos. Resgata, também, parte dos registros das inúmeras histórias guardadas em seu acervo, que se transformam numa grande viagem pela história da imigração para São Paulo. Organizado pela historiadora Soraya Moura, com pesquisa e textos de Odair da Cruz Paiva e Marcelo Cintra de Souza, retrata a realidade de nossos ancestrais.

“Muito se fala sobre imigração de uma forma geral, mas até agora não havia nenhum registro que contasse a história da Hospedaria do Imigrante e mostrasse o que ela significou nesse movimento migratório. Nesse livro, resgatamos tudo o que diz respeito ao prédio e às mudanças ao longo dos anos e aproveitamos para divulgar o acervo do Memorial, já que toda a pesquisa foi feita lá”, comenta Soraya Moura.
A leitura promove o reencontro com a história de nossos antepassados e homenageia aqueles que vindos de lugares tão distantes, fugindo de guerras, de perseguições políticas ou simplesmente da fome, ajudaram a construir o país . Foi na antiga Hospedaria de Imigrante, que hoje abriga o Memorial, que anseios, angústias e expectativas de mais de 2,5 milhões de pessoas de 75 nacionalidades e etnias se entrecruzaram entre 1887 e 1978. Lá se encontram os registros desses trabalhadores que vieram substituir o trabalho escravo na lavoura de café.

P.S. Vi naquele dia que o Memorial do Imigrante ainda é uma hospedaria onde funciona a Associação Internacional para o Desenvolvimento – Núcleo São Paulo (ASSINDES-SP), conhecida como Arsenal da Esperança, uma entidade sem fins lucrativos com caráter beneficente e que abriga homens que não têm moradia, migrantes carentes – principalmente da região nordeste e refugiados políticos. É lá que se pode solicitar alguns documentos para obtenção de dupla cidadania, passaportes, retificação de nome, sucessões hereditárias. O mais comum é a Certificação de Desembarque, que se usa para entre outros.

Jun
14

Tempos de quadrilha e casório

Já tem gente me cobrando alguma notinha aqui sobre a festa junina da escola dos meninos. Há tempos este blog deixou de ser um diário pessoal e eu realmente esqueço que, como é meu, posso contar uma besterinha pessoal aqui de vez em quando. Vamos dizer que elegerei os sábados para as corujices com meus guarda-costas.

A curiosidade sobre a festinha dos meninos foi porque contei no IM para alguns amigos que Giorgio seria noivo da quadrilha da festa junina. É um colégio que vai até segundo grau, mas a quadrilha e a representação do casamento caipira é privilégio do primeiro ano - com razão, porque os pecorruchos com roupinha de casamento ficam lindos e os maiores nunca iam pagar este mico!

No ano passado eles não participaram da festa, não queriam dançar e eu, confesso, me esquivei da obrigação de comprar prendas e depois passar o dia inteiro lá comendo besteiras e torrando dinheiro. Mas festa junina é uma coisa muito brasileira, faz parte da nossa realidade e tenho pensando muito no quanto devemos deixar as crianças conhecerem a brasilidade que, na verdade, não vivemos no cotidiano. Eu cresci no interior, em cidade pequena onde os tipos retratados nas festas juninas não eram tão distantes da realidade e podiam ser vistos nas ruas. As quermesses, que para meus filhos são coisa do gibi do Chico Bento, aconteciam na praça da igreja, perto da minha casa.

No ano passado a Simone nos mandou de presente um livro e um CD com musicas e idéias de brincadeiras para esta época do ano. Foi ótimo e acabou me entusiasmando neste ano. Mas o ponto alto foi mesmo o casamento! Lá na festa os meninos nem quiseram pescar, brincar nas barracas, nadinha, ficamos lá na bagunça das turminhas dançando. A noivinha era uma aluna da turma da tarde e foi um blind date, porque os meninos não se lembravam um do outro - se conheciam de um aniversário porque os irmãos mais velhos tinham feito jardim juntos - e foi uma graça ver o jeito deles quando se encontraram. Logo engataram uma conversa animada e em pouco tempo sorriam a todos, vários fotógrafos amadores, como costuma ser atualmente em qualquer evento infantil - máquinas digitais a postos, pais fotografando tudo e as crianças se sentindo celebridades.

Então deixo minhas fotos (algumas estão no Flick e no orkut) e o desejo de um mês de festas juninas divertido para todos. Eu hoje tenho festa de aniversário da amiga mais especial do Enzo e já estou meio atrasada! ;)

P.S. Já que falei tanto em festa junina, a Abril tem um hotsite legal sobre o tema, descobri navegando hoje de manhã.

Jun
11

Família que bloga unida

Hoje pela manhã uma surpresa me esperava no meu gmail: o post inaugural do blog do meu irmão. Há muito tempo eu o incentivava a ter um blog, aliás, como faço com todo mundo que tem idéias e com elas pode fazer do mundo um lugar melhor. E, por ser meu irmãozinho foi mais especial, claro.

Herman é cinco anos mais novo que eu e foi meu companheiro de infância nos jogos de Atari, na paixão pelos filmes, nas madrugadas de clipes e Speddy Racer na MTv e nos gibis importados de Marvel e D.C. Comics que ele colecionava. Quando casei demorei para acostumar sem a presença dele roubando metade dos meus sanduíches e me provocando para saber se eu lembrava decor o nome das músicas sem ver qual era (tenho memória de elefante e ela é melhor em alguns temas por conta da sinestesia), tanto que lhe dei uma cópia da chave do apartamento para ele aparecer sempre que quisesse.

O menino que deveria ser desenhista virou Engenheiro Florestal e bambuzeiro - e em muitos momentos sim, ele é um ecochato de primeira - e quando nos encontramos na casa dos meus pais ele agora é uma voz exaltada no meio das três irmãs que considera consumistas, mas é também uma presença lúcida, um “grilo falante” a nos chamar à razão sobre o planeta.

Agora suas teorias sobre política, economia e meio ambiente ganharam um espaço e espero que este primeiro post OS BIOCOMBUSTIVEIS, A FALTA DE ALIMENTO E O DESMATAMENTO DA AMAZONIA seja o primeiro de muitos.

Da minha parte, fico feliz que a blogosfera finalmente tenha ganho esta voz combatente que quer trazer lucidez ao mundo consumista que o cerca. Longa vida ao seu blog, meu irmão, e que ele lhe traga oportunidades, amizades e espaço profissional e de vivência da cidadania como o meu tem me trazido.
Adorei a surpresa!

Jun
03

Melhorando

Tenho várias coisas para blogar, mas antes um agradecimento aos amigos que me mandaram mensagens preocupados com o Enzo. Obrigado pela preocupação. A febre está cedendo deste esta madrugada - o antibiotico deve estar fazendo efeito - mas ele ainda tem muitas dores de cabeça, está só no quarto, deitadinho no escuro. Enzo sem criar coisas no Lego nem ler nada, sem vir toda hora me contar de alguma teoria sobre dinossauro, enfim, é muito estranho ele quieto. E o rostinho tá inchado, com aquela cara que a sinusite deixa. Lella me chamou no msn para avisar que estou com comments off - não descobri ainda porque, no administrativo está tudo ok! - e ensinar a passar vick vaporub na sola dos pés para reduzir a febre. Gentil, não me esquecerei. ;)

P.S. Por sorte, Giorgio está ótimo, foi à escola sozinho ontem e hoje - vai almoçar a tudo lá, sem o mano. Sinal de maturidade do meu caçulinha e da alegria dele com os ensaios da festa juninha. Ele vai ser o noivinho!

Jun
01

Domingo de frio - e gripes!

É no plural mesmo. Enzo começou a mostrar sinais de gripe na sexta-feira e ontem foi o Gui quem tombou. Os dois estão imprestáveis, sabem, daquele jeito que a gripe vem e derruba a gente: dores de cabeça, vontade de ficar no escuro, sem barulho, sono ruim, falta de apetite, dores no corpo. O pior é que Giorgio está indo pelo mesmo caminho, então estamos os dois aqui na sala, quentinhos com edredons no sofá, vendo Crônicas de Nárnia 1. Giorgio só pára vendo filme!

P.S. Claro que a idéia de ir ao Lasar Segall ver ouvir histórias já era, né? Que pena! Quando agendei este post na quinta ainda estava um tempo bonzinho! :(


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