Mar
28

Final de mês

Aos DemocratasNeste final de tarde que deveria ser outonal, mas é de uma calor de matar em São Paulo, me preparo para um happy hour agradabilísismo que vai fechar com chave de ouro este terceiro mês do ano, como pode? mês. O tempo voou em março, mas foi super trabalhado, cheio de novidades, de conquistas, de projetos realizados. Meu braço sente, minha mão já está começando a ficar sem posição de descanso - está sempre tensa, pronta para digitar ou usar o mouse - e já aceitei a realidade de que serei uma velhinha com as mãos feiinhas… mas, como seremos todas assim (não é amigas blogueiras?), tudo bem, aceito.

Estou precisando de “um sonho de consumo” como o que postei há pouco no Style: uma semana anti-estresse num spa! Vejam se não é divino (e a minha cara!):

“O relaxamento e o auto-conhecimento como mecanismos de controle do estresse”, esse é o tema escolhido para a semana de 13 a 19 de abril, com assuntos ligados à educação e saúde, consciência corporal, relaxamento e espiritualidade. (…) O pacote inclui refeições diárias (dieta), consultas médicas, exames laboratoriais, três massagens, caminhadas ecológicas, meditação cristã, hidroginástica, sauna, oficina da coluna, ginástica localizada, alongamento, atividades de entretenimento, palestras sobre nutrição, medicina naturista, alimentos orgânicos e atividades físicas e oficina de artes.

Enfim, fico com o programa anti-estresse paulistano: um encontro, daqui a pouco, com alguns colegas do Nossa Via, no QG da familia, Bar Mooca, onde crianças são bem vindas e o chope é perfeito. Ah, por falar em bar, fomos Aos Democratas, bar do meu primo Minoru com o Cabianca no dia em que chegamos em Curitiba (como mostra a foto). Foi ótimo, apesar de o SPFC ter sofrido um empate no final do segundo tempo! O bar é para ver futebol, mas tem música ao vivo bem agradável. Minoru foi super gentil, estava na casa dos meus tios na praia, mas deixou uma mesa reservada para nós, pena que perto dos fumantes. Primo que a gente não vê desde criança é assim, não sabe bem, né? Se eu tivesse encontrado com ele teria aproveitado para falar para fazer um blog, porque adorei o blog do Luderia! Fica para uma próxima. ;)

[update] Fotos do encontro com Vinicius, Babi Franzin, Renata Ruiz, Helton e Wagner estão no meu Flickr. ;)

Jun
27

Arte e reciclagem

O inverno e meu saudosismo de Curitiba. Hoje li que a feira do Largo terá identidade visual e fiquei imaginando se vai manter o charme. O belo de lá é ter tanta gente diferente com artesanato e arte se espalhando por aquelas ruas onde a cidade de Curitiba nasceu. Enfim, pode ser só antipatia minha porque que a campanha é promoção da prefeitura e do Ministério do Turismo, que ficou mal visto depois do que a Ministra disse do caos aéreo. Ou uma vontade de ser dona de lá e não deixar nada mudar, para conservar a parte da minha vida, todos os domingos que passeei lá com o Gui quando namorávamos, éramos recém-casados ou passeávamos com nossos bebês. A gente tem esta mania de querer que os lugares que foram marcantes na nossa vida sejam sempre iguais e fiquem lá nos esperando, como ficam em nossa memória e sonhos.
Enfim, surpreen
deu-me saber que cerca de 18 mil pessoas passam pela feira todos os domingos e que é a terceira maior feira do Brasil, com cerca de mil artesãos. Dentre eles descobri no blog da Lu Ivanike um grupo que me lembrou as carteiras de Carité (Manu me presenteou com uma lindíssima): Manga de Pano, que estão todo domingo na Feirinha do Largo da Ordem (na curva depois da Mesquita). Ainda sobre artistas: vi uma dica de reportagem sobre um artista autista carioca no blog Melhoramento Constante que vale a pena conferir em Caveirão de papel, do temor à arte. Feitas com papel de jornal, verniz, cola, tinta, garrafas pet e madeira, as miniaturas chamam a atenção pela perfeição. Dois pontos lindos nesta história me chamaram atenção de imediato: o uso construtivo de materiais recicláveis e a pureza de espírito do artista.
H
oje meus artistas e eu voltávamos da feira e tivemos uma conversa que me trouxe o mesmo sentimento. Sempre converso com uma moça que vive de reciclagem de lixo e costuma estar aqui na região no dia da feira, a Fátima. Pergunto das crianças (filhos de 16, 14 e 7 e netos de 1 e 2 anos), para quem dôo eventualmente roupas, calçados, gibis e livros (dou lápis de cor e livro para criança porque acredito que fazem parte de uma infância saudável e feliz) e cobro os estudos, pois tenho dado materiais escolares para eles no começo do ano letivo. Enfim, ela conversava conosco e ao mesmo tempo amassava latinhas de alumínio e os meninos ficaram curiosos, então quando voltávamos para casa me perguntaram: Com que ela trabalha, mamãe? Expliquei que era com reciclagem de lixo e eles responderam: Mas então ela tem o melhor trabalho do mundo! Enzo ainda complementou falando que reciclagem é um trabalho muito importante. Tive uma sensação de que estou fazendo bem meu próprio trabalho - o de mãe.

Links:

May
29

Futebol do coração

Acabei de ler, ao acaso (clicando num link do Z de Zebra), um texto intulado Eu odeio futebol e ao ler achei graça, pois eu aprendi a gostar. Aqui em casa não tem quartas à noite, sábado das 16h às 18h, nem domingão depois das 16h sem a voz do Galvão Bueno ou do Milton Neves! Gui quis me ensinar a gostar e o tiro saiu pela culatra, porque no namoro ele me levava para ver jogos em que iam times da primeira divisão lá para Curitiba e na época Coxa e CAP estavam rebaixados e só dava Paraná Clube. Cá estou eu, tantos anos depois, ainda torcedora fiel do time da Vila Capanema. Claro que ouço mil piadas, mas nem me deixo abater… nestas horas vejo que já “entendo” o coração de torcedor! E hoje o meu está bem feliz: Paraná fez bonito jogando contra o Cruzeiro em Minas, num jogo de sete gols e um jogador a menos (para nós) e é líder isolado do Brasileirão! Que lindo!

Jan
24

Regina Vogue: 40 anos democratizando a cultura infantil

Entrevista que fiz com Regina Vogue e foi publicada no Desabafo.

Regina Vogue: 40 anos democratizando a cultura infantil

Falar de teatro infantil em Curitiba é falar das produções de Regina e seus filhos Mauricio e Adriano Vogue. Além de serem um paradigma de bons espetáculos infantis, o grupo de Regina, sua trupe e seu espaço, são sinônimos de um celeiro de bons profissionais da área na região. Poucos não trabalharam com Regina em algum momento de sua vida, não privaram da convivência de sua família artística.

Quando se descobre a história desta artista e mãe, entendemos porque ela prioriza e incentiva os novos talentos. E passamos a admirá-la por ser capaz de reconhecê-los e fomentá-los, inclusive em sua própria família.

Como muitas mulheres artistas, Regina desbravou sua terra para exercer sua profissão. No sul, “fugiu” com um circo tradicional aos 16 anos e logo conheceu o Circo Teatro de Pavilhão. Nele teve Mauricio, seu filho mais velho, que seguiu seus passos como artista de muitos talentos. Ao mudar-se para Curitiba, descobriu que faltava estímulo para produção de espetáculos infantis e assumiu para si mais um papel: o de produtora. Foi nele que viu em pouco tempo o talento de seu filho caçula, Adriano.

Tenho a honra de conhecê-los pessoalmente, pois são amigos de minha irmã, que levou Enzo aos espetáculos desde bebê. Creio que é por vê-los de forma mais particular que criei esta impressão de que eles são uma simbiose maravilhosa, em que os filhos e a mãe compõem um organismo incrível. Aos três, tenho que ser justa, é preciso incluir a assessora Nicole, braço direito deles há muitos anos.

Em abril de 2004, Regina foi homenageada com a curadoria do “Espaço Teatro Regina Vogue”, no Shopping Estação, na capital paranaense. Nele a artista continua seu trabalho incansável de oferecer cultura de qualidade às crianças e adultos e onde busca “a democratização da cultura para todas as classes sociais”.

Desabafo: Como esta parceria de mãe e filhos aconteceu e como segue tão harmoniosa?
Regina Vogue: Sempre tive o pensamento de que meus filhos seriam livres para seguir o caminho que quisessem. A ligação dos dois com a arte foi bem diferente. O Mauricio quase nasceu embaixo de uma lona de circo e acredito que não foi por acaso, pois desde pequeno trabalhou nos palcos e cresceu aprendendo a profissão de ator. Conforme o seu amadurecimento desenvolveu percepção suficiente para assumir outras funções sendo a principal de diretor teatral. Já o Adriano, sua introdução definitiva com a arte foi aos 16 anos de idade, foi meu assistente de produção na primeira montagem que realizarei após desfazer a sociedade com outro produtor. O que seria temporário acabou se tornando definitivo e com esta montagem iniciei uma nova etapa como produtora tendo meus dois filhos, cada um com o seu talento, ajudando nas montagens que fizeram me tornar uma produtora de qualidade.

Desabafo: Adriano atua como Produtor e Mauricio como Diretor de grande parte dos espetáculos. Como é para a mãe ter os filhos no comando?
Regina Vogue: Sinto-me segura em saber que mesmo em momentos que não estou presente, a busca do meu trabalho estará sendo continuada. Sabemos que toda empresa familiar tem suas peculiaridades que muitas vezes não soam positivamente. Mas como equilíbrio, buscamos respeitar o “papel” que cada um representa para o desenvolvimento do nosso trabalho.

Desabafo: Regina começou no circo, onde teve e criou Maurício. Qual a influência da arte circense nos seus espetáculos infantis?
Regina Vogue: Na verdade, minha primeira e única participação num Circo Tradicional foi logo que saí de casa, aos 16 anos. Um ano depois, descobri o Circo Teatro de Pavilhão que utiliza a lona de circo, porém realizava exclusivamente apresentações teatrais e shows musicais. A grande magia do Circo Teatro de Pavilhão é que todos os dias eram apresentados espetáculos diferentes. E esta diversidade de espetáculos, senso de improvisação e ter que fazer todos os dias uma personagem diferente me deu grande influência nas minhas produções, inovar a cada espetáculo e aprimorar cada obra realizada mesmo depois da sua estréia.

Desabafo: Há muito de canto e de dança nos trabalhos e na formação profissional de vocês, o que enriquece os espetáculos teatrais. Que área os fascina mais na concepção de um novo trabalho?
Regina Vogue: Seria injusto pensar numa área específica. É preciso buscar o equilíbrio de todos os elementos para a realização de um grande espetáculo. Desde o canto, a dança, a concepção cenográfica, figurinos, iluminação, entre outros, acredito que uma área complementa a outra.

Desabafo: As montagens da sua companhia são encenadas especialmente para escolas há muito tempo. Que público lhes parece mais competente para a formação de um consumidor de cultura: o que freqüenta com a escola ou com a família? Há uma diferença notável na reação das crianças às peças quando estão com a escola ou os familiares?
Regina Vogue: Com a escola é muito importante devido a participação da criança junto com seus colegas. Isto possibilita uma identificação maior e a troca de idéias com quem também está descobrindo um “mundo novo”. Mas, é com a família aprendemos nossos valores e também o direcionamento para o nosso desenvolvimento intelectual. Porém, sabemos que devido às dificuldades mundo moderno, os pais acabam precisando muito do suporte dos educadores nesta missão.

Desabafo: A companhia tem “pratas da casa” brilhando no cenário regional, como o ator Diehgo Kozievitch (o mais jovem ganhador de um kikito no Festival de Gramado) que cita a infância atuando nos espetáculos da sua companhia como primordial para sua formação artística. A formação de novos artistas é uma meta?
Regina Vogue: Realmente temos como um dos nossos focos de trabalho a descoberta de novos talentos. Sabemos que, como produtores, temos o compromisso de fomentar o mercado de trabalho para quem quer uma primeira oportunidade. E para as nossas montagens é importante a renovação, pois a probabilidade de criarmos algo novo torna-se mais forte. Também temos a possibilidade de aprendermos e nos reciclarmos com estas pessoas.

Desabafo: O sonho de montar um barracão para a companhia se tornou o Espaço Teatro Regina Vogue, num shopping que nasceu para ser um centro de eventos e lazer em Curitiba. Quais os novos sonhos para este espaço?
Regina Vogue: O Teatro com quase três anos de atividades vem buscando um amadurecimento do seu compromisso com a cidade de Curitiba. Ao longo deste tempo, percebemos que nossa principal meta é cada vez mais a democratização da cultura para todas as camadas sociais. Por isso, temos buscado parceiros da iniciativa privada para nos ajudar na formação de platéias.As ferramentas para estas parcerias são as leis de incentivo à cultura. Com elas, as empresas podem colaborar para a criação de diversas ações que possibilitem ingressos mais baratos e até mesmo gratuitos. Apresentações de qualidade para crianças, jovens e adultos e uma programação intensa que possibilitará cada vez mais o fortalecimento da nossa cultura e o crescimento intelectual da nossa sociedade.



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