May
01

Kit terremoto

Nos dias que se seguiram ao terremoto em São Paulo , conversei com muita gente (até no ônibus e metrô) e a curiosidade sobre o fato de eu ter vivido alguns terremotos quando morava no Japão foi imensa. Prometi que ia escrever aqui sobre o kit terremoto, que deixou muita gente curiosa nas conversas.

No Japão, ele segue um padrão e pode ser comprado pronto em home centers ou supermercados grandes, mas aqui vai uma lista que imaginei para a realidade brasileira. Meio absurdo, porque na verdade as casas brasileiras não suportariam os abalos, como comentou Lunna , e uma das providências seria ter menos coisas que possam cair na sua cabeça ou obstruir sua passagem para escapar. Páre um minutinho e pense no quanto temos coisas assim nas casas brasileiras e imediatamente entenderá porque falo que é meio absurdo pensar nisto aqui. Mas vale como um insight para pensar sobre a forma como organizamos tudo. Se sua casa não tiver mesmo escape fácil, uma medida no caso de terremoto é se abrigar embaixo de uma mesa. Neste ponto a mesa de copa que herdei da minha avó, com tampo e pés firmes de imbuia, é perfeita, abrigaria nós todos.

Nunca usei o meu no Japão, mas em dois abalos eu cheguei a pega-lo nas mãos para escapar pela porta. Dizem que manter este kit a mão pode garantir a sobrevivência até que a situação se normalize. Se desejar se aprofundar sobre o tema, há uma lista bem completa da Cruz Vermelha Americana no San Francisco Chronicle. Nos EUA os terremotos são mais frequentes e há vários textos e fotos elucidativos sobre o tema.

Confira alguns ítens essenciais de um suposto do kit terremoto brasileiro: Read the rest of this entry »

Apr
25

Children see. Children do.

Dica da Lunna e cheguei num blog que comentava o controle dos pais que eu uso para os meninos navegarem via Internet Explorer. Separar meu Firefof do I.E. deles foi uma forma de controlar os filtros e identidades no desktop.

Assinando o feed, vi outro post, O que ensinamos aos nossos filhos, que trazia este vídeo. As crianças seguem nosso exemplo e ver as mini-sombras dos adultos nas cenas chega a doer, mas vale a pena. Assistam o vídeo, ele realmente diz tudo! Infelizmente, uma das cenas me lembrou dois posts meus que sempre me trazem leitores e, admito, amigas novas por solidariedade à sua situação pessoal: Agressão física e Lei Maria da Penha.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=7d4gmdl3zNQ[/youtube]

Apr
18

Dengue e crianças

Há tempos quero comentar aqui sobre a dengue, que vai chegando, aos poucos, ao quintal da casa da gente. Pela primeira vez eu invejo menos quem mora em Pinheiros, perto do querido parque Villa Lobos, e me acho mais segura aqui na Mooca. Mas será?

Na quarta à noite Giorgio teve um febrão e ontem passamos a manhã no Pronto Socorro. Como ele não tinha sintomas de sinusite nem nada na garganta (males que o acometem depois da cirurgia de adenóide e amídalas), ficamos preocupados. O médico pediu observação, não falou nada, mas ficamos com aquela sensação: pode ser dengue. Aí cuida com o que dá de antitérmico, cuida de hidratar, enfim, ficamos meio neuróticos. Fui ver os sintomas da dengue e, felizmente, não bateram: febre súbita e alta (único que bateu), dor na cabeça, dor atrás dos olhos, nos ossos e articulações, falta de apetite e paladar, moleza e cansaço, naúsea e vômitos, manchas vermelhas na pele (parecida com sarampo). Mas é bom sempre saber os sintomas e cuidar, porque “período de incubação” é de 3 dias até que os primeiros sinais comecem a aparecer e o primeiro é a febre repentina e muito alta (que pode passar dos 40º C) e depois dos sintomas se desenrolam até mais ou menos uma semana. Mas aqui em casa, acredito que tudo bem, não evoluímos e acredito mais numa somatização pelo excesso de trabalho e compromissos da mamãe! Nada que um feriado em casa não resolva! ;)

Apr
14

Você adotaria um spam?

IMAG0180

Não resisti. Quer dizer, resisti a tarde toda ao convite com esta pergunta estranha no Twitter, mas quando @babifranzin me chamou e vi o vídeo e as fotos da Spam no blog do Anderson, tive que aderir à campanha. Se eu morasse numa casa, tentaria ficar com ela, mas no apartamento não dá. Enfim, deixo o recado da Babi e as fotos da Spam (e se ficou curioso com o nome, a explicação está aqui):

Encontramos uma cadelinha na rua - acredito que estava perdida - e ela entrou em uma casa da vizinhança e foi muito mal tratada. Apesar de não poder criá-la (já tenho cães e gatos) gostaria de encontrar um lar para ela. Aparenta ser vira-lata, mais ou menos 6 meses (os dentes definitivos estão crescendo), é bem carinhosa e, como todo cachorro da sua idade, adora morder. Vamos levá-la no veterinário para as primeiras consultas. Ela está em São Paulo, SP.

P.S. Vocês se lembram de quando éramos crianças e os nossos amados cachorrinhos eram vira-latas? Os meus e do Gui eram e temos lembranças maravilhosas deles. :) Se você ou algum amigo está em busca de um cão, uma dica que recebi hoje foi do site Guia Vegano de Adoção Animal, onde tem galerias de fotos de animais com uma descrição boa para nos orientar na escolha.

[update] A Babi não resistiu e decidiu adotar a Spam, segundo ela conta aqui.

Apr
06

Pão e circo no caso Isabella

854540_-handprint.jpgNem ia tocar neste tema aqui, apesar de ter sido a história da semana na mídia, como bem escreveu Najda: o caso de Isabella Nardoni, vítima de um crime ainda sem explicação plausível e que, por isso mesmo, foi explorado ao extremo pela mídia. Tudo no crime assusta: a pouca idade da mãe (23), do pai (29, já com 3 filhos), da madrasta (24), a sucessão de histórias mal-contadas, a decisão da polícia de assumir suas dúvidas sobre a história (que deveria ser sigilosa, para evitar pré-julgamentos, mas serve para trampolim e promove imagens pessoais de muitos envolvidos na repercussão) e a impossibilidade de se conter uma comoção coletiva em casos como este. Quem lembrou do menino João Hélio? Eu lembrei imediatamente e pensei na família, que conseguiu me surpreender dia a dia com atitudes como a de liberar imagens da menina via orkut.

Estudante de comunicação, Nadja, no blog Quase Tudo, relembrou a gravidade dos julgamentos precipitados que a mídia tem feito e nos faz pensar no quão importante é termos uma postura isenta diante dos casos.

Lembram do caso da escola Base em São Paulo?Em que a mídia julgou previamente o fato, e depois da descoberta da inocência dos seus diretores, nenhum deles tem uma vida normal hoje. E o pior é uma ferida que a própria mídia não curou, e não aprendeu.(A mídia no caso Isabela)

A comparação com a Escola-Base foi feita em dois textos que o Observatório de Imprensa destacou: A leviandade também é crime (de Clovis Rossi na Folha de S. Paulo) e O caso Isabella Nardoni é uma nova Escola Base (de Luiz Antonio Magalhães, no Diário de S. Paulo).

Ruth de Aquino, redatora-chefe da revista Época, levanta o mesmo caso (e como não?) na sua coluna Nossa Antena, comentando como o Brasil esqueceu da dengue, do dossiê contra Dilma e de tudo o mais para vasculhar o orkut da família da vítima.

O sorriso de Isabella, os olhos castanhos de Isabella, as fotos no Orkut de Isabella abraçada à mãe e no colo do pai, o corpo de Isabella com marcas de asfixia, as cartas de despedida a Isabella escritas pelo pai e pela madrasta em papel com coraçãozinho. Só mesmo um crime pavoroso de classe média para derrubar das manchetes Lula e os fantasmas que rondam o país: o terceiro mandato, a farra dos sindicatos entregues a Deus e a ministra que sonhava ser dama de ferro, mas derrete no primeiro escândalo chinfrim. Dilma quem?
A morte covarde da menina de 5 anos, arremessada como um traste inútil pelo buraco tosco recortado na tela, hipnotizou o Brasil. Depois de assistir, na televisão, a mais detalhes sobre o crime, Brasília fica parecendo cenário de Casseta & Planeta, uma capital desconectada da realidade. (Um corpo que cai)

Como a sociedade pode mudar tão radicalmente de foco? Pão e circo, infelizmente, o povo reage com paixão e a miséria alheia serve como cortina de fumaça para os problemas da nação. Não minimizo a gravidade do caso, nem tampouco deixo de entender a curiosidade acerca do trabalho da polícia forense neste caso, mas não estamos vendo o filme Gladiador ou um episiódio do CSI.

Max reverberou o tema ontem no Nossa Via, levantando o ponto que devemos focar e que eu lembro bem de outros casos. Lembram da morte do Senna? Eu estava na faculdade e lembro bem das discussões na aula de sociologia da comunicação. Quantas vezes mataram Airton naquele ano? Quantas vezes o faremos com Isabella?

A espetacularização da violência, o julgamento em praça pública, os desvarios de uma mídia que faz tudo pela audiência têm que acabar. Temos que entender que a mídia influi na consciência da população e que isso, em minha opinião, até agora tem sido feito de uma maneira bastante equivocada! (Basta de espetacularização do sofrimento alheio!)
Mar
12

McCain, Obama, Hillary

Li dois textos sobre as eleições americanas ontem. Pedro Dória discorria sobre os democratas - em O pesadelo democrata está começando - comentando a indefinição (que ainda deve se prolongar enquanto durarem as primárias nos estados importantes) e a dificuldade que os candidatos ao Congresso e Senado estão tendo para serem ouvidos pelo público e para arrecadar fundos para campanha neste ano. Seu post me lembrou o vaticínio que meu marido tem feito há tempos, sempre que ouve uma notícia sobre Obama e Hillary - e isto inclui meu animado texto Direitos para um mundo mestiço - de que mccain.jpgJohn McCain ia passar a perna nos dois e chegar lá, porque tem um perfil mais digerível. Não concordava com ele até ler a matéria Enquanto eles brigam… na Época desta semana.

“O mundo está atento à disputa entre Hillary e Obama. Mas é o republicano John McCain quem está se fortalecendo”

McCain tem alguns trunfos que podem fazer os votos dos indecisos (nem assumidamente republicanos, nem democratas) migrarem para ele: mesmo republicano, é declaradamente contra a prática de tortura contra os suspeitos de terrorismo e ao cárcere em Guantánamo, práticas do governo Bush que são absurdas e tomaram proporções descabidas nestes anos pós 11 de setembro. Em 26 anos no congresso, combateu interesses das indústrias de cigarro, energia, telecomunicações, etanol e automóveis e se posiciona quanto ao aquecimento global - ponto para ele, pois a ecologia tem que estar na pauta e no programa de governo! E para ficar ainda mais no “centro”, não é tão democrata que concorde com casamento homossexual (nisto discordo dele, preciso deixar claro) e o direito ao aborto, mas defende o perdão e a legalização da situação dos imigrantes. Quer um grand finale? Enquanto ter sido combatente pesa muito, ele foi prisioneiro de guerra no Vietnã por 5,5 anos. Não é mesmo cinematográfico?

P.S. No jornal hoje vi que, ao contrário das previsões, Obama ganhou de Hillary em Mississipi!

Feb
27

Mulheres

Hoje recebi aviso ou convite para três eventos relativos ao Dia da Mulher e faço questão de divulgar:

  1. Lunna convida para a postagem “Eu gosto de ser mulher” no dia 01/03.
  1. Meire e Lys estão promovendo uma Pela Valorizaçao da Mulher Brasileira no dia 08 de março.
  2. No dia da mulher acontece também a 1ª Jornada Internacional de Mulheres Escritoras e o lançamento do livro Talento Brasileiro em Prosa e Verso. A promoção é da Rebra (Rede de Escritoras Brasileiras) e quem me convidou foi a Vivi, uma querida amiga de infância, que é um dos talentos descobertos pela entidade.
1ª Jornada Internacional de Mulheres Escritoras
Encontro para o intercâmbio de experiências entre mulheres escritoras do Brasil e do mundo. Por meio de palestras, debates, bate-papos e apresentações musicais, a Jornada proporcionará o diálogo entre as escritores e a comunidade riopretense sobre temas relacionados ao universo literário feminino.
De 07 a 09/03, de sexta a domingo.
Feb
25

Parto anônimo

juno.jpgNo dia seguinte ao Oscar, quando o filme Juno ganhou o prêmio pelo roteiro original e a atriz Ellen Paige concorreu ao Oscar como Melhor Atriz interpretando uma adolescente grávida que decide entregar o bebê para adoção, precisamos rever os conceitos brasileiros sobre a adoção e a obrigação que as mães têm por aqui de ficar com seus filhos não-desejados. (Não vi o filme ainda, mas para quem quiser ler, Lella do Companheiros de Jornada fez uma boa resenha).

O Direito de Família sempre me atrai, considero uma extensão dos direitos femininos pelos quais luto. E neste caminho, cruzo freqüentemente com os posts de Tania, Defensora Pública em Várzea Grande, MT. Hoje ela levanta um tema interessante, ao qual já tinha sido alertada pela Simone Zelner, do De tudo um pouco: o parto anônimo.
O tema não deixa de criar controvérsia, como demonstram os comentários no blog da Simone. De minha parte, sou a favor da vida. Se for para preservar a vida e dar uma chance de conforto material e equilíbrio emocional à criança, melhor. Chegamos num ponto em que recriar a tal “roda” do anonimato nas maternidades até parece uma coisa humanitária!

“O abandono de bebês vem crescendo no Brasil. (…) Para tentar minimizar esse grave problema social, o Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM) vai encaminhar ao Congresso Nacional, no próximo dia 3 de março, um anteprojeto de lei que trata do parto anônimo. A idéia é dar às crianças indesejadas e abandonadas condições para que possam usufruir direitos constitucionalmente assegurados: direito à vida, à dignidade humana e à proteção especial. A proposta prevê que gestantes interessadas em encaminhar seus filhos para adoção recebam tratamento diferenciado nos hospitais, com garantia de sigilo. Passados 30 dias do parto, as crianças seriam encaminhadas a instituições que se encarregariam da adoção.”

Leia o texto completo de Sylvia Maria Mendonça do Amaral, advogada especialista em direito de homossexuais, de família e sucessões, aqui, no blog da Tânia Defensora.

No texto, cita-se o caso de um médico adotado que teve uma boa vida graças à adoção. Eu também conheço casos de adoção muito felizes e que criaram uma corrente, uma nova linhagem de pessoas felizes e campazes de ter uma família feliz e de ser bons cidadãos porque foram queridos.

A história deste abandono é antiga. Em novembro postei no Meu Clipping um artigo que comentava a pesquisa de Rosane de Albuquerque Porto, da Universidade do Sul de Santa Catarina. A pesquisadora conta que o assunto lhe chamou a atenção ao ler a obra do escritor carioca José Vieira Fazenda entitulada A roda e se tornou tema de dissertação de mestrado.

O Brasil também adotou a prática no século XVIII nas Santas Casas de Misericórdia, extinta apenas no governo Getúlio Vargas. (…) “Me impressionou por mostrar a questão do abandono de crianças relacionado a um mecanismo trazido da Europa para cá para resolver um problema daquela época que acontece agora”, afirma a pesquisadora. (leia a matéria completa aqui)

E você, é contra ou a favor o parto anônimo?

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[update] Não tem a ver com parto, mas como é sobre família (violência familiar), deixo uma dica de leitura: Violência doméstica. Até quando vai ser natural? no blog da Carla.

Feb
25

Direitos para um mundo mestiço

É segunda-feira e, como sempre, tem artigo meu no Nossa Via. Hoje divaguei sobre os mitos políticos, partindo de Obama e passando por Lula, Fidel, Blair e até Diana (vi o filme A Rainha há poucos dias). Apesar de ter sido uma pessoa de fé política em outras eleições, hoje vejo que não há mais espaço para o maniqueísmo, os bons e maus candidatos (se bem que George W. Bush tem se empenhado para se colocar num destes lugares), mas sim para o que nós buscamos ver de nós e nossas misérias e necessidades nos candidatos reais, como Obama e Hillary.

A revista Época trouxe um perfil do “candidato a candidato” democrata Barak Obama. Interessante, confesso que me identifiquei com ele, fruto de uma mestiçagem rara em seu país, que envolve várias religiões, etnias, continentes e que se assemelha à história familiar de muitos brasileiros.

Leia mais no Nossa Via clicando aqui. Quero ler sua opinião lá! ;)
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Feb
22

Jornalistas X Blogueiros?

blog-content-22-2-2008-11-16-00.jpgJá que falei em coworking, lembrei do artigo do Alessandro no Nossa Via ontem. Ele afirma que não há conflito entre jornalistas e blogueiros, tema de discussão no #Cparty:

“Os dois mundos não se conhecem. Jornalistas têm uma vaga idéia do que seja um blog e editores de blog têm uma vaga idéia do que seja o jornalismo”.

Será que existe o conflito entre jornalistas e blogueiros ou é estratégia de marketing? Comentei o tema no sábado, ao ler sobre uma Blog Content no Interney, e gostei de ver que a discussão está acontecendo, ainda que timidamente. A discussão não é o blog content e sim a possibilidade de co-existirmos. Acredito mais numa convergência de mídias como TV, Radio, Internet e Celular sem falar em Blogs e Jornais, como a replicada ontem no Aprenda e Faça.

Considero natural nós, jornalistas, “cortarmos caminho” quando enveredamos por esta estrada porque já chegamos com aqueles créditos extras de quem já provou a vida na escrita rápida na teoria e na prática. Mas, como conta Ale da sua troca com amigos jornalistas offline, o blog ainda não é uma realidade da nossa profissão. Fora ele, a Renata, a Babi daqui, Ceila e Lucia do Desabafo de Mãe, não encontro muito “jornalista sendo blogueiro” - de uma forma profissional - por aí. Ainda sou vista como um bicho estranho no meu meio. Por quanto tempo ainda serei?

P.S. Indico, do texto do Ale mas postado no seu Quero ter um blog! dois textos interessantes:


A Vida Como A Vida Quer


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