Categoria: Artes

“Anônimos e Artistas” e “Mulheres dos Outros”: viagens à década de 1950 em belas imagens

Postado em Artes, Comportamento, Pintura no dia 23/03/2011

“Para as pessoas que conhecem a história do design e da publicidade, a exposição será uma descoberta preciosa. Já para o público em geral, uma oportunidade de ver, ou mesmo rever, exemplares de uma publicidade menos agressiva, realizada por quase cinco décadas por talentosos artistas”
Norberto Gaudêncio Júnior

Mulheres dos outros - Eduardo Muylaert - reprodução de site

Duas exposições em Sampa me encantaram recentemente por trazerem uma visão sócio-cultural que nos permite antever e divagar sobre os conceitos que permeavam os valores familiares do meio do século XX. Em “Mulheres dos outros” (que infelizmente não está mais cartaz), o advogado Eduardo Muylaert, que em 2006 expôs na Pinacoteca do Estado fotos em preto e branco na mostra “Boa Noite, Paulicéia”, traz à tona os melhores momentos de uma caixa de cromos que comprou numa feira de antiguidades. Muylaert ampliou, tratou (mas sem perder o charme das fotos antigas guardadas) e reviveu o jeito da década de 1950 de retratar a nudez feminina.

Gostei da sua releitura que se atém a detalhes e recorta os que foge da estética que faz bem aos olhos. Como escreveu Laura Lopes, ele “mistura conceitos de pin-up, da exploração do corpo da mulher nas revistas dos anos 50, e dá às fotos, quase pornográficas à época quando foram tiradas, a beleza clássica das esculturas gregas, valorizadas pelas marcas do tempo”.

Exposição Anônimos e Artistas - Tomie Otake - reprodução de site

Se Em Mulheres dos outros o que se mostrava era o descarte e o que estava à margem da sociedade, em Anônimos e Artistas, em cartaz até 10/04 no Instituto Tomie Ohtake (Rua dos Coropés, 88 – Pinheiros, São Paulo -SP), a viagem visual é pelo que era aceito pelo status quo no Brasil de JK e Getúlio. O projeto traz, em duas exposições paralelas - Atelier MirgaCaprichosamente engarrafada: rótulos de cachaça - uma miniviagem ao design gráfico brasileiro. Segundo li, Atelier Mirga, que tem curadoria de Norberto Gaudêncio Júnior, traz uma seleção de 300 obras do espaço que entre os anos de 1928 e 1970 produziu mais de 8 mil anúncios veiculados em bondes e ônibus de São Paulo.

Uma comunicação tão popular quanto a que vemos nas encantadoras cachaças, não é mesmo? Sou apaixonada pela forma comos e pensa os rótulos destas bebidas populares – cachaça, tubaína, cajuína – e meu flickr frequentemente tem fotos do tema. Na última viagem que fizemos à Paraty perdemos horas vendo os rótulos e o modelo de comunicação com o consumidor do que hoje se chama “produto da terra”.

Cachaças numa loja de Paraty - foto de Sam Shiraishi

Caprichosamente engarrafada: rótulos de cachaça apresenta 400 desses desenhos gráficos, guardados de coleções do designer e pesquisador Egeu Laus (curador do evento) e do acervo da Fundação Joaquim Nabuco, centro de estudos sociais do Nordeste brasileiro.

Eu me encantei e fiquei pensando nos papos que teria com meus avós – se estivessem vivos – sobre esta diferença na publicidade e sobre os valores que os rótulos, propagandas e até a visão mais sensual das pessoas tem entre nosso tempo e o deles. Se você tem uma pessoa com mais idade por perto, não deixe de ter este papo por mim, hein?

;-)

Recortando o Belenzinho

Postado em Artes, Cotidiano e sociedade no dia 16/03/2011

SESC Belenzinho

Nesta semana uma das Oficinas do SESC acontece aqui perto de casa e conta a história de parte desta região que acolheu minha família em 2005: o Belenzinho. Nos dias 16, 17 e 18/03, das 14 às 17 horas, o artista Silvio Alvarez ensina sua técnica de colagem em oficinas gratuitas (sem necessidade de inscrição antecipada) numa reflexão sobre o bairro do Belenzinho, o processo de urbanização e a relação entre homem e ambiente. A partir de recortes de revistas serão criados pequenos quadros numa construção coletiva de intensa integração e troca entre os participantes da proposta Recortando o Belenzinho.

E você ligou o nome à novela Ti-ti-ti? É sim o bairro da Zona Leste no qual cresceram Ariclenes Martins e André Spina, os costureiros da trama das sete que acaba nesta semana. O SESC fica na frente do cemitério da Quarta Parada, que considerado um bairro da região sudeste do município de São Paulo, com território em três áreas diferentes: Mooca, Belém e Água Rasa. Como o nome dá a entender, Quarta Parada era uma parte da linha férrea e tem íntima ligação com o início da urbanização da região ligada ao desenvolvimento da imigração européia em São Paulo a partir do primeiro quarto do século XX.

O Belenzinho na cidade cenográfica de Ti-ti-ti

Fui pesquisar a história do Belenzinho também:

“Ano de 1899. Surge um novo bairro que foi desmembrado do bairro do Brás por decreto do presidente Dr. Fernando Prestes Albuquerque. Seu nome? Belém. Ou melhor, como o próprios moradores antigos corrigem: Belenzinho. Dois anos antes era inaugurada a paróquia São José do Belém, que pertencia a Igreja Bom Jesus do Brás, em 15 de agosto de 1897. Neste mesmo dia foi realizado o primeiro batismo na paróquia; a criança era Izolina, filha de José de Augusto da Rocha e Rosa Garcia Passos. O primeiro casamento ocorreu em 4 de setembro deste mesmo ano entre Dário Francisco Chaves e Antônia de Castro.

Pelo fato da região ser cercada por chácaras, pomares e ar puro era procuradíssima pelas ricas famílias de São Paulo. Em 1909, o bairro ganha sua primeira escola: Grupo Escolar do Belenzinho, posteriormente chamado de Amadeu Amaral. Quem hoje entra no colégio que foi tombado pelo patrimônio histórico, se surpreende com a conservação da sua estrutura, mantida pelos seus dirigentes. No ano de 1908, a população do Belenzinho chega a 10.000 habitantes. Já em 1910, os belenenses ganham seu primeiro lazer: o Cine São José de Belém. Dentro em pouco, aparecem as fábricas que iriam impulsionar o desenvolvimento na região, começando pelas vidrarias. Como diria Jacob Penteado, autor do livro “Belenzinho 1910″, eram chamadas pomposamente de cristalerias. Entre elas: a Germânia, a Multividros, a Barone e a Lusitana. Depois vieram as tecelagens, Santista, Matarazzo, Lanifício Inglês, Fileppo, Gasparian e Varan.”
Revista IN Online

A reportagem continuava atualizando e contando que o bairro enfrenta dificuldades na atualidade. “Com o passar dos anos, muitas indústrias foram embora deixando enormes galpões desativados. As mansões da Celso Garcia transformaram-se em cortiços. Falta lazer em toda extensão do bairro. Não há cinemas, shoppings e lojas âncoras na região, além do agravante de ter dois cadeiões próximos a Febem. O comércio enfraqueceu, como atesta Manoel Pitta: “Seu grande concorrente são os shoppings em bairros vizinhos”. A construção da Avenida Alcântara Machado (Radial Leste) dividiu o bairro ao meio. Sendo que estas partes são ligadas através do Viaduto Guadalajara. Apesar disso, os próprios moradores tentam reverter o quadro.”

De um dia para outro, demoliram o prédio da esquina da Subprefeitura da Mooca

Creio que este novo quadro estará nas obras das oficinas que acontecem nesta semana. Estou ansiosa para vê-las! E se você tiver tempo numa destas tardes, passe lá e participe.

Recortando o Belenzinho acontece no SESC Belenzinho, na Sala de Oficinas 2 e podem participar os maiores de 12 anos. Informações: Rua Padre Adelino, 1.000. Belenzinho São Paulo – SP CEP 03303-000 telefone: 11 2076-9700 fax: 2076-9798

SESC Belenzinho (lojinha)

Arte da Colagem para pais e filhos no SESC

Postado em Artes, Criatividade em familia no dia 05/03/2011

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Nesta terça de carnaval, 08/03, o artista avisou que as oficinas foram canceladas.
“@SilvioAlvarez: A suspeita de uma conjuntivite acarretou o cancelamento das oficinas de hoje. Já estou retornando ao ateliê.”
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Foto de Silvio Tanaka.

Lembram das oficinas de criatividade com o artista plástico Silvio Alvarez? Muitos pais me perguntaram quando ia ter novos encontros e fui descobrir na agenda do Silvio: nestes dias de carnaval ele estará no SESC Consolação com atividades intituladas Arte da Colagem, propondo aliar a arte do carnaval, conscientização ambiental e estimular a criatividade por meio da técnica da colagem. As oficinas acontecem hoje (05/03), 07 e 08/03 (segunda e terça de carnaval), das 11h às 17h, na unidade que fica na Rua Dr Vila Nova, 245, São Paulo, perto do metrô República.

E para quem gosta da brincadeira, nos dias 13 e 27/03 (domingos, das 15h às 17h) tem uma parecida no SESC Belenzinho: Retrato-Falado. Segundo li, “inspirados na ideia de retrato-falado policial, cada participante desenvolve um retrato do colega ou familiar em imagem desenhada somente com papel rasgado e colagem, e será utilizada em jogo de adivinhação coletivo”. A proposta, que lembra muito a técnica do Silvio, é de Mariana Zanetti e sugere-se que seja aproveitada por pais e filhos. A unidade fica na R. Padre Adelino, 1000, São Paulo, perto do metrô Belém.

Bonecões vão desfilar pelo entorno da Estação da Luz

Postado em Artes, Música no dia 05/03/2011

Como viajamos na semana passada, pretendemos aproveitar o carnaval nesta São Paulo que fica deliciosa em feriadões. E hoje a gente pretende aproveitar a dica do @jlgoldfarb no Twitter: O Museu da Língua Portuguesa (Praça da Luz, s/nº, Centro, tel. 3326-0775) promove neste sábado desfile de Bonecões de Carnaval, das 13h às 16h, no entorno da Estação da Luz.

Claro que os visitantes do Museu, paulistanos e turistas estão convidados a acompanhar o desfile. Vamos cantar as marchinhas tradicionais como “ Sassaricando”, “ Me dá um dinheiro aí”, “ Aurora” e tantas outras que escreveram nossa história cultural?

Pelo quarto ano consecutivo, a folclorista Neide Rodrigues Gomes realizou, em janeiro e fevereiro, um curso de Criação de Bonecões de Carnaval no Museu da Língua Portuguesa. Os Bonecões confeccionados no curso sairão em desfile pelas proximidades do museu ao som da Banda de Joanópolis, que tocará as tradicionais marchinhas de carnaval. Para engrossar o cordão da folia, além dos bonecões criados na oficina, o evento terá a participação de cerca de 30 bonecões no Município de São Sebastião.

P.S. O MLP funcionará normalmente no sábado (5) e domingo (6), mas permanecerá fechado na segunda feira, (7) e na terça-feira (8). Reabre na quarta-feira (dia 9), a partir do meio-dia. Entrada gratuita para as atividades.

Água na Oca – ou como ver a água por trás das coisas

Postado em Artes, Famílias interativas no dia 13/02/2011

Dica para o final de semana – quem sabe se ver e tocar a água no Parque Ibirapuera não dá sensação de frescor neste verão fora de série?

Quando a gente é criança bem pequena sempre tentamos “pegar” a água com as mãos para que ela não fuja, não é mesmo? Com o tempo percebemos qeu ela não pode ser represada com facilidade e começamos a deixar água de lado, vivendo com ela sem prestar muita atenção. Aí entramos na escola e começamos a ouvir falar da importância do tema para o bem-estar da sociedade e para o planeta, não é mesmo? E como fazemos para não deixar de ver a água e entender a complexidade de seu papel na nossa vida?

Uma exposição no Ibirapuera promete nos dar as condições para começar a pensar sobre o tema mesclando sensibilidade artística e curiosidade científica. O Águas na Oca, exposição interativa que mescla arte e tecnologia, celebra e desvenda a substância mais importante do planeta, traçando um panorama que mostra como a água vêm moldando o mundo, definindo o curso de civilizações e inspirando a arte e a música.

E o que podemos ver por lá?

Um supercinema com capacidade para até 50 visitantes e que exibe um curta sobre a última fronteira inexplorada pelo homem, as profundezas dos oceanos e seus mistérios.

Supercinema

Laboratório de Aprendizagem com três atividades: observação de artêmias ao microscópio, teste de como os cactos evitam a dessecação e eletrólise da água para entender a produção de energia.

Laboratório de Aprendizagem

Casa D’Água, uma instalação que recria o drama das enchentes, mostrando um caminho alagado que leva a um casebre prestes a sofrer uma inundação causada por uma tempestade terrível.

Casa D’Água

Balança de Água, com projeções virtuais de dois seres vivos comparadas em uma balança que, em vez do “peso”, mede a porcentagem de água em cada um.

Balança de Água

Caiu na rede é peixe: um jogo multiplayer que desafia os participantes a diferenciar os peixes criados em aquicultura dos que são capturados na natureza.

Caiu na rede é peixe

Terrário com animais em 3D que se movimentam em um ambiente que recria o ecossistema dos manguezais.

Terrário

Aquário com mais de 60 espécies de animais em seis ecossistemas de diferentes lugares do mundo com e um jardim subaquático.

Aquário

As cores da Amazônia em um grande mapa com as regiões da bacia amazônica no qual chove forte na cor da água dos rios da área selecionada.

As cores da Amazônia

A exposição, que no Brasil tem curadoria de Marcello Dantas e apresenta os aspectos físicos, biológicos, ambientais, simbólicos, e artísticos do líquido mais precioso que temos, chega a São Paulo numa parceria do Instituto Sangari e Movimento Cyan com o Museu de História Natural de Nova York. Como nos melhores espaços culturais do mundo, nela crianças, professores e pais (afinal, programa cultural é para família curtir junto, mesmo que a escola também leve as crianças) poderão aproveitar 8 mil metros quadrados de de instações artísticas, científicas e de entretenimento que se apresentam com uso de tecnologia em fotografias, audivisuais, aquários reais e virtuais.

O Herói que queremos

Postado em Artes, HQ, Little readers no dia 18/01/2011

Neste mês a Gibiteca Henfil, uma das pioneiras e mais famosas do Brasil, completa 20 anos. Na esteira da comemoração do nascimento do espaço, que leva o nome do cartunista falecido em 1988 e um dos grandes nomes do cartunismo brasileiro, o Centro Cultural São Paulo oferece várias atividades que Ouvindo o vídeo que incorporo abaixo, parte das homenagens que as curadorias de Literatura, Dança, Cinema e Educativa do CCSP criou para as comemorações dos 20 anos da Gibiteca Henfil, percebe-se claramente como é importante termos cartunistas que falem de nossa realidade, de nosso cotidiano, que enalteçam e valorizem nossos herois.

Neste mês a Gibiteca Henfil, uma das pioneiras e mais famosas do Brasil, completa 20 anos. Na esteira da comemoração do nascimento do espaço, que leva o nome do cartunista falecido em 1988 e um dos grandes nomes do cartunismo brasileiro. Ouvindo o vídeo que incorporo abaixo, parte das homenagens que as curadorias de Literatura, Dança, Cinema e Educativa do CCSP criou para as comemorações dos 20 anos da Gibiteca Henfil, percebe-se claramente como é importante termos cartunistas que falem de nossa realidade, de nosso cotidiano, que enalteçam e valorizem nossos herois.

O Heroi que queremos é o mote do projeto colaborativo entre as curadorias, instigando a curiosidade e levando à reflexão sobre o valor dos quadrinhos na formação do caráter, na socialização de valores e de habilidades (adorei a parte na qual a consultora de vendas conta que com o tio Patinhas obtém dicas de vendas e com o Fantasma aprende a evitar assaltos), além de ser uma forma de lazer deliciosa.

Hoje acontece por lá o workshop para crianças: dance esta história, com coordenação de Alexandre Medeiros e Anderson Gouvêa (Cia. Balagandança) e que, a partir de referências literárias disponíveis na Gibiteca Henfil e outras sugeridas pela Cia. Balagandança, convidada a criança a dançar e brincar a narrativa, organizando ideias e inventando diversas soluções para as imagens e/ou roteiros das obras. Esta oficina se inicia em uma sala própria para dança e tem como desenvolvimento uma pequena apresentação que pode ser realizada nos espaços do Centro Cultural São Paulo. São 30 vagas por turma, a partir de 5 anoscom agendamento pelo e-mail visitasccsp@prefeitura.sp.gov.br ou pelo tel. 3397-4036/3397-4037, com Flávia. O workshop acontecerá também no dia 25 (feriado de aniversário de São Pauilo) e, como acontece hoje, será das 14h às 16h30 na Sala Adoniran Barbosa.

E no final do mês o projeto terá um workshop para educadores sob o tema Por uma vila chamada Tarsila com coordenação de Miriam Druwe (coreógrafa e professora), tratando do processo criativo do espetáculo Vila Tarsila, visando propostas práticas pedagógicas inspiradas na obra de Tarsila do Amaral para serem utilizadas em sala de aula, integrando dança, música, teatro e artes plásticas. As 30 vagas são para professores do ensino formal do Infantil ao Fundamental II mediante inscrição por e-mail enviado a dace.ccsp@gmail.com com uma cópia do holerite. A lista com os nomes dos selecionados será publicada no site até dia 27/01 e a oficina acontece no dia 29/01, das 10h às 13h.

No mesmo dia acontece o encontro interdisciplinar O Herói que queremos: pedagogia e cultura com Waldomiro Vergueiro (USP), Roney Freitas (cineasta) e Tânia Alice Feix (Coletivo de Performance Heróis do Cotidiano e UNIRIO) e  performance de André Kitagawa (quadrinista) e Walmir Pavam (ator). A mediação é de Célio Franceschet (curador de audiovisual do CCSP). O encontro, que não exige inscrição e acontece no sábado, das 15h às 17h30 na Sala Lima Barreto, debate a crise das grandes narrativas e o papel assumido pelo herói com ares cada vez mais prosaicos e falíveis. Revendo a trajetória do herói em algumas expressões da cultura será discutida a lacuna deixada pelos antigos modelos de correção, que auxiliavam a sociedade na formação de seus indivíduos. Este debate abordará a compreensão do herói na atualidade e a influência dessa figura no cotidiano de pessoas nas diversas faixas etárias.

Mães (e pais) com filhos selecionam programas de férias com as crianças

Postado em Artes, Famílias interativas no dia 15/01/2011

Nesta semana, meio sem querer, o grupo Mães (e pais) com filhos no Facebook foi reunindo muitas atividades para as férias das crianças. Tem brincadeiras no Rio, em Porto Alegre, Curitiba, Itu, Santos e, claro, aqui em Sampa. O que não pode faltar é desculpa dos pais para não dar uma escapadinha da rotina e levar as crianças para exercitarem a criatividade nestes dias sem escola. Aproveito sugestões já testadas e aprovadas por mães blogueiras do grupo:

Em Porto Alegre Ingrid (@ingridstrelow) indicou duas atividades nas quais foi e que aprovou: as oficinas de verão da Território Infantil, espaço que oferecerá oficinas criativas e sustentáveis nestas férias, e o projeto Projeto Verão 2011 do clube Grêmio Náutico União. Adorei a sugestão, há dois anos meus filhos fazem colônia de férias praticando esportes e sei que é um grande estímulo para continuarem firmes e fortes depois, deixando a preguiça (e as atividades muito sedentárias) de lado.

Em Curitiba, Josecleia (@jooliveira_mae) indicou um passeio pela cidade nos ônibus da Linha Turismo. Que criança não gostaria de um passeio num ônibus aberto, passando por (e podendo descer e aproveitar um pouco) parques, praças e outras atrações. A dica é escolher o ônibus de dois andares, para ir lá em cima curtindo a paisagem e o vento no rosto. A linha percorre aproximadamente 44 km em cerca de 2 horas e meia.

E se estiver chovendo, tem programas bem indoor, como a sessão de cinema para os pequenos fissurados por Toy Story! “Buzz Lightyear do Comando Estelar: A Aventura Começa”, só neste final de semana no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro, dica da Sut-Mie (@viagempimpolhos) que animou Flávio (@paicronico) e deixa todos que têm Pequenos Buzz em casa com saudade do filme. Outra dica, via Twitter @dicasdadinda, é o Ateliê infantil: Uma história e um desenho, no qual as crianças são convidadas a pensar no que uma imagem pode contar, soltando a imaginação ao ver pinturas apresentadas para formularem histórias e desenhos. Neste sábado no Instituto Moreira Salles, no Rio de Janeiro.

E o interior também está agitado. Deborah (@deborahdubner) fez um especial com as atividades infantis em Itu, SP, que inclui a Fazenda Capoava, espaço que conheço e promete reunir aventura, aprendizagem na natureza e descontração com brincadeiras monitoradas e acampamento para as crianças a partir de 7 anos.

E para descansar do sol no horário mais quente do dia, que tal uma pausa para ler gibis e livros infantis? Esta é a proposta da Tenda da Leitura na Praia do Gonzaga, em Santos, espaço que empresta gratuitamente livros nas férias. O Espaço de Leitura PraLer, que fica no Parque da Água Branca em São Paulo e tem um acervo variado de livros que podem ser consultados pela população no próprio parque, traz nos finais de semana de férias uma novidade: oficina de malabares, acrobacia, espetáculos de palhaços e muito mais. Dica preciosa da Elaine Cunha.

E por falar em parques paulistanos, pouca gente sabe, mas o Parque do Ibirapuera tem brinquedos inclusivos para a criançada. Segundo dica do pessoal da Estante Mágica (@Estante_Magica), o novo “brinquedo”, que fica perto da marquise do Ibirapuera, chama Estação Lúdica Universal mas ganhou um apelido mais simpático: forró (pela derivação do inglês for all). Trata-se de um aparelho que foi planejado e desenvolvido para atender todas as crianças, inclusive aquelas com alguma limitação ou deficiência física. Vale conferir bem de pertinho.

De nossa parte, duas atividades estão na agenda para a próxima semana: as Oficinas de criatividade com Silvio Alvarez na Biblioteca São Paulo e a primeira edição do ano da Porteira Aberta Especial para as Crianças, promoção da Fundação SOS Mata Atlântica que abrirá o Centro de Experimentos Florestais para toda a família, incluindo atividades especiais para as crianças.

E aí, na sua região, qual é a boa da férias? Conte para nós!

P.S. Este post foi originalmente publicado no Mãe com filhos.

Retrospectiva de clássicos no cinema no Belas Artes

Postado em Artes, Cinema e TV no dia 10/01/2011

Como eu você pode nunca ter ido ao Cine Belas Artes, mas se já passou pela Consolação viu a fachada deste tradicional espaço paulistano.

Apesar dos órfãos do espaço e da ação que a Associação Paulista de Cineastas (Apaci) na qual pedirá tombamento do prédio (na esquina da avenida Paulista com a rua da Consolação). Mas, enquanto não se sabe se o cinema continuará aberto, uma programação especial celebra os últimos dias da casa, que fecha suas atividades no dia 27 /01/2011.

Trata-se de uma retrospectiva com os maiores títulos exibidos em suas salas ao longo dos 68 anos de sua rica história, e também uma seleção especial com outros grandes clássicos do cinema mundial. Os filmes serão exibidos diariamente, de 14 a 27/01, às 18h30 e às 21hs, com ingressos a R$4,00.

Segue abaixo a programação:

  • Dia 14 - “As Bicicletas de Belleville” (França, 2003; de Sylvain Chomet) e  Expressos” (China, 1994; de Wong Kar-wai)
  • Dia 15 - “Morte em Veneza” (Itália, 1971; de Luchino Visconti) e “O Encouraçado Potemkin” (Rússia, 1925; de Serguei Eisenstein)
  • Dia 16 - “Paixão Selvagem” (França, 1976; de Serge Gainsbourg) e “A Regra do Jogo” (França, 1939; de Jean Renoir)
  • Dia 17 - “Meu Tio” (França, 1958; de Jacques Tati) e “Segunda-Feira ao Sol” (Espanha, 2002; de Fernando León de Aranoa)
  • Dia 18 - “O Ilusionista” (EUA/República Tcheca, 1976; de Neil Burger) e “Música e Fantasia” (Itália, 1976; de Bruno Bozzetto)
  • Dia 19 – (a confirmar) “ Lúcia e o Sexo” (Espanha, 2001; de Julio Medem)
  • Dia 20 - “ Cría Cuervos” (Espanha, 1976; de Carlos Saura) e “O Balão Vermelho” (França, 1956; de Albert Lamorisse)
  • Dia 21 - (a confirmar) “A Lei do Desejo” (Espanha, 1987; de Pedro Almodóvar)
  • Dia 22 - “Pai Patrão” (Itália, 1977; de Paolo e Vittorio Taviani) e “Apocalypse Now” (EUA, 1979; de Francis Ford Coppola)
  • Dia 23 - “Gritos e Sussurros” (Suécia, 1972; de Ingmar Bergman) e “O Passageiro – Profissão: Repórter” (Itália, 1975; de Michelangelo Antonioni)
  • Dia 24 - “Z” (França, 1969; de Costa-Gravas) e “Quanto Mais Quente Melhor” (EUA, 1959; de Billy Wilder)
  • Dia 25 - “ Crônica do Amor Louco” (Itália, 1981; de Marco Ferreri) e “A Guerra dos Botões” (França, 1962; de Yves Robert)
  • Dia 26 - “Johnny Vai á Guerra” (EUA, 1971; de Dalton Trumbo) e “Vestida Para Matar” (EUA, 1980; de Brian de Palma)
  • Dia 27 - “Possessão” (Alemanha/França, 1981; de Andrzej Zulawski) e “A Malvada” (EUA, 1950; de Joseph L. Mankiewicz)

Toca-livros para quem está no Rio – ou boas dicas de livros para quem está longe

Postado em Artes, livros, Música no dia 13/12/2010

Eu tenho um fraco por biografias e mais ainda pelas ligadas à música e cultura brasileira no século XX. Adoro de paixão  Chega de Saudade: a História e as Histórias da Bossa Nova e Carmen – uma biografia de Ruy Castro (de quem li várias biografias semelhantes) e li com prazer também os mais atuais, como As aventuras da Blitz, de Rodrigo Rodrigues.

Agora imaginem estar com os caras, ouvindo suas visões sobre as obras e, mais, podendo “conversar” com eles de fã para fã? É o que os encontros promovidos pela Caixa Cultural do Rio de Janeiro e o Oi Futuro promovem com o projeto Toca – livros, aproximar público e escritores dedicados a observar e contar a história da música brasileira através dos livros. Realizado desde 2009, o projeto apresenta a vida e a obra de doze artistas, a partir do relato ao vivo de autores e da participação do público.

“É uma série de encontros sonoros na biblioteca da música brasileira”, define o idealizador do projeto, o radialista e produtor Edison Viana Teixeira, para quem o formato mistura entrevista coletiva e programa de rádio. Em outubro, os encontros reuniram : Nelson Motta, autor da biografia de Tim Maia; Os jornalistas Hérica Marmo e Luiz André Alzer, autores de Titãs – A Vida até Parece Uma Festa; Rodrigo Rodrigues, apresentador da TV Cultura, para contar As aventuras da Blitz; e encerrou a programação com o jornalista Jamari França, autor de Os Paralamas do Sucesso: Vamo batê lata.

No dia 30/11 foi a vez de Gonzaguinha e Gonzagão: uma história brasileira, de Regina Echeverria, livro sensível que tenta responder à pergunta: Onde termina o pai e onde começa o filho? A biografia de dois grandes nomes da música brasileira mostra como foi a convivência de Gonzagão com o filho durante o seu crescimento. Lendo livro, os leitores e fãs poderão explorar a genialidade e os momentos íntimos dos dois mestres. E em 1/12 bate-papo com Ricardo Alexandre, finalista do Prêmio Jabuti este ano por Nem vem que não tem, biografia de Wilson Simonal, que se dedica a decifrar um enigma, talvez o maior de toda a história da música popular brasileira: como e por que o Brasil virou as costas para o cantor que era a voz e a cara do Brasil?

Dia 14/12 é a vez da pesquisadora musical Edinha Diniz falar de Chiquinha Gonzaga: uma história de vida, escrita com ponto de vista mais educativo do que a versão televisionada pela Rede Globo, com roteiro de Lauro César Muniz e Marcílio Moraes, mas tão rica quanto – uma vez que a vida da maestrina, sempre que colocada no contexto de sua época, é fantástica.

No dia 15/12, com a participação de José Louzeiro, autor de Elza Soares: Cantando para não enlouquecer. casada aos 12 anos, mãe aos 13, viúva aos 21 -, que impôs seu talento vocal às condições adversas em que nasceu e viveu, transformando-se na maior sambista do Brasil.

As releituras artísticas ensinam?

Postado em Mãe com filhos, Pintura no dia 07/12/2010

Esta é uma pergunta que pode me fazer ser apedrejada. Mas é justo que o faça: será que as releituras artísticas ensinam às crianças pequenas o significado da obra de arte “copiada”? Ao rever um quadro de Monet eles conseguem entender o coração e a alma do artista que pintava lindos quadros do seu jardim?

O assunto veio à tona porque vi uma obra, compartilhada pelo amigo @SilvioAlvarez (artista plástico que tem uma grande ligação com a sustentabilidade e usa e abusa de colagens em suas obras), de uma releitura coletiva de Monet proposta por @telma31rj para alunos da escola MOPI, no Rio de Janeiro. Postei a imagem no grupo Mães (e pais) com filhos no Facebook e logo começamos uma conversa por lá sobre este modelo de educação artística tão em voga atualmente. Em poucos minutos @1001roteirinhos postou a imagem de um trabalho sobre Tarsila do Amaral feito pelas crianças do Jardim1 da escola de seu filho.

E será que as crianças aprendem de fato com estas colagens e desenhos?

Eu acreditava que não até vivenciar duas situações: Giorgio, que teve uma tarefa de releitura de Tarsila do Amaral no Jardim 1 (#aos3) foi meu companheiro de passeio na exposição da pintora na Pinacoteca algum tempo depois. Claro que ele – como todos, creio – se emocionou (ou sentiu-se impactado) ao ver de perto o Abapuru, obra que me impressionou muito na primeira Bienal de Artes que vi em São Paulo (#aos14), reconhecendo-a como a obra sobre a qual a turma fizera a releitura. Até aí, achei natural. A surpresa veio com o genuíno interesse – e certo desconforto com obras como Operários – e a noção sincera de que ele sabia o significado da obra.

No mesmo passeio uma outra curiosidade: Enzo (#aos7) e já um desenhista apaixonado, se encantou com os desenhos da artista que retratavam paisagens que vira em viagens pelo interior (creio que de Minas Gerais) e ficou conversando sobre o que via com nossos acompanhantes. E uma senhora que passeava por lá ficou ao seu redor, ouvindo e aproveitando a interpretação infantil dos “rascunhos” de paisagens da grande artista brasileira.

E aí, com os meus filhos tão pequenos relendo tão bem a alma e as motivações dos artistas, confesso que passei a confiar na argumentação dos professores sobre a importância da aprendizagem por meio da vivência e experiências do fazer artístico, do desenvolvimento do olhar estético e da contextualização histórica da arte.

E vocês, o que acham? Reler arte ensina ou só grava por memorização? Seria melhor criar livremente sem copiar estilos?

P.S. Sut-Mie, a @viagempimpolhos, é mãe coruja e acha que sim: olhem a releitura de Vik Muniz que a filhota dela fez na escola.

Exposição Energia faz a ciência se tornar palpável para todos

Postado em Artes, Mãe com filhos no dia 05/12/2010

“Uma viagem lúdica e interativa ao universo da energia em seus mais diversos contextos, numa visão inovadora sobre o tema. Essa é a proposta da exposição “Energia”, realizada pelo SESC Itaquera, aberta ao público desde 17/09/2010 e que ficará disponível para visitação até 11/9/2011.”

Imaginem um galpão de 1400 m² construído com os melhores conceitos arquitetônicos, materiais e tecnologias que visam reduzir impactos ambientais feito para ensinar. Não estou falando de uma escola moderna ou de um novo museu, trata-se do projeto Energia (realização do SESC São Paulo com concepção arquitetônica e cenográfica da Tero Engenharia e Design e direção de criação e arte de Ary Perez) que desde setembro leva ao público 12 espaços expositivos, num percurso de 400m uma imersão no universo da energia.

Ao passear pelas salas temáticas – “O Sol – Nosso Grande Gerador de Energia”, “Energia e Vida”, “Linha do Tempo”, “Energia do Mundo Fóssil”, “Eletricidade”, “Energia Nuclear”, “Fontes Renováveis de Energia”, “Cultura do Consumo”, “Corpo”, “Casa”, “Cidade” e “Construindo o Futuro” – boa parte da curiosidade que seu filho (e você,  porque não?) tem sobre a energia em nossa vida pode ser respondida de forma divertida, com elementos cenográficos e interativos. Segundo a organização, cada tema retrata os principais aspectos e usos da energia, tão atual quanto necessário para compreensão da condição humana, e sua harmonia e equilíbrio com o planeta.

O passeio começa com uma breve introdução no auditório de recepção e um acesso imersivo no Sol (espaço I), origem de toda a energia e, conseqüentemente, das formas de vida existentes no planeta, passando pela breve história da cultura da civilização e sua relação com a manipulação dos meios de transformação da energia. Dali a viagem segue pelo universo da energia em seus mais variados aspectos corpo, casa, cidade e planeta, demonstrando como tudo está ligado por um mesmo fluxo energético que circula pelo mundo e como o dia-a-dia é estabelecido pela relação energia/homem.

As crianças vão adorar, desde o começo, quando os visitantes entram numa estrutura amarela, esférica, com 8 metros de diâmetro odne assistem um vídeo com imagens da superfície do sol e uma cabine envidraçada despeja água cada vez que alguém aproxima as mãos, dando uma ideia de como o calor age na formação das chuvas.

Outro ponto alto é a sala “Energia e Vida”, que usa mangueiras iluminadas suspensas no teto para ilustrar o processo de fotossíntese dos plânctons. Em seguida vem a “Linha do Tempo”, um túnel que se ilumina a cada pisada, revelando a evolução do homem no domínio das formas de energia. A risada vai correr solta no “Eletricidade”, gerador que concentra energia estática e deixa os cabelos em pé, surpreendendo a criançada. E para trazer tudo mais perto e a ciência para o dia a dia, a instalação “Casa” quantifica o nosso consumo diário de energia elétrica por meio de eletrodomésticos cenográficos (alguns, como o micro-ondas e o vaso sanitário, guardam surpresas divertidas).

A exposição Energia pode ser visitada no Sesc Itaquera, Av. Fernando do Espírito Santo Alves de Mattos, 1.000 (tel. 2523-9286), de quarta a domingo, das 9h às16h30. Tem classificação livre e os ingressos custam de R$ 1,50 (trabalhador do comércio ou de serviço matriculados) a R$ 7.

P.S. Merece destaque: a exposição atende aos princípios de acessibilidade universal pois o projeto foi concebido com adaptação de seus espaços e recursos para os mais diversos grupos com necessidades especiais, incluindo áudio-guias e vídeo-libras, maquetes e pisos táteis e identificação de espaços por meio de etiquetas em braile.

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