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Casa da Bóia

Eis uma exposição que agrada aos meus amores - casa com muitos homens é assim, sabe, pensamos em coisas masculinas até em exposições! Fui contatada pela assessoria da Casa da Bóia que me passou um release interessante sobre este local que, eu não sabia, é a primeira fundição de cobre do Brasil e comemora 110 anos de atividades. Interessante pensar no quanto a história desta casa reflete as mudanças no Brasil na virada no século XIX - outro dia estive no Museu da Imigração e vi que São Paulo era uma vila sem janelas de vidros nesta época. Mais antiga que o Teatro Municipal e a Estação da Luz, a Casa da Bóia reuniu em seu museu peças que ajudam a contar a história do centro e do comércio paulistano.
Fundada pelo imigrante sírio Rizkallah Jorge Tahan em 1898, três anos após ter chegado ao Brasil, a casa reflete a história dos nossos antepassados empreendores. Sem saber falar português, Rizkallah Jorge empregou-se como faxineiro em uma empresa que vendia peças de metal. Aos poucos, vencendo a barreira da língua, prosperou, comprou a empresa e fundou a “Rizkallah Jorge e Cia”, que viria a ser a primeira indústria brasileira a produzir peças de cobre.
A empresa prosperava, fabricando peças de decoração, como corrimãos, arandelas, lustres, caixas de correio, etc. Com os surtos de febre amarela que assolaram o Rio de Janeiro e São Paulo no final do século XIX e início do século XX, a demanda por material hidráulico crescia e a necessidade de equipar as casas com caixas d’água, que precisavam das bóias para regular a entrada de água, acabou mudando nome da empresa, que passou a ser conhecida como “A casa que tem a bóia”. O nome informal pegou. A Rizkallah Jorge e Cia. se rendia à força do mercado e assumia em sua razão social o nome popular. Assim surgira a “Casa da Bóia”.
Esta e outras histórias podem ser conhecidas no museu da Casa da Bóia, que foi criado em 1998, quando a empresa completou 100 anos de atividades, e passou por uma ampliação em 2003 – época de seus 105 anos. No museu da Casa da Bóia o visitante poderá conferir diversos objetos que ajudam a contar a história do centro da cidade e do comércio paulistano. São balanças, caixas registradoras, documentos, fotos, móveis, máquinas de escrever, moldes utilizados na confecção das peças, uma morsa e também os variados modelos de bóia já comercializados pela casa.
Uma vez por ano, na véspera de seu aniversário, o museu abre as portas ao público. Ele permanecerá aberto de 20 a 31 de maio, de segunda a sexta das 9h às 17h e sábados das 9h às 12h, com entrada gratuita. (Fora deste período as visitas precisam ser agendadas com antecedência.)

Serviço
- Casa da Bóia – 110 anos
- Data: 20 a 31 de maio
- Horário: Segunda a sexta das 9h às 17h e sábados das 9h às 12h.
- Endereço: Rua Florêncio de Abreu, 123, centro, São Paulo – SP.
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