Branco ou negro? Brasileiro.

Postado em Artes, Música no dia 20/11/2008 |

O termo mameluco sempre me levou a divagações. Talvez por eu não ser branca, negra ou índia, encontrando um espelho no que é misturado e indefinível – o que me faz pensar no termo com certa simpatia. Quem se lembra da definição de mameluco que aprendemos na escola? É uma mistura de branco e índio? E se for mameluco afro brasileiro? Negro que não é negro, um branco que não é branco, índio que não é índio, um brasileiro.

Revivi estas reflexões a partir de um release que recebi avisando do lançamento do CD do cantor e compositor paulistano Wesley Nóog que tem este nome, “Mameluco Afro Brasileiro”. Funk, Soul e Samba conversam no CD que se inspira no povo brasileiro e pode ser baixado no site da produtora. Fui pesquisar o termo na internet e achei este vídeo do Lênine cantando Leão do Norte em que também se diz mameluco. Não seremos todos nós?  Nóog lança o CD num show neste Dia da Consciência Negra e como ele mais gente usa a música para se manifestar nesta data. Um evento gratuito na Praça da Sé promete vários shows para celebrar a diversidade e as raízes negras da nossa sociedade, com Virgínia Rodrigues às 10h, Rita Ribeiro, Jussara Silveira e Teresa Cristina (Meninas do Brasil) ao meio-dia e Fabiana Cozza (16h), Banda Black Rio (fazendo um tributo a Tim Maia, às 18h), a dupla Seu Jorge & Paula Lima (20h) e DJs nacionais e internacionais, entre eles Mzuri Sana e Rah Digga. E na véspera do feriado a  hip-hopeira Kelis se apresentarou no Memorial da América Latina com hits como “Caught Out There”, “Milkshake” e “Bossy”. 

O feriado é marcado pela valorização da cultura negra, mas o Dia da Consciência Negra deve ser uma ocasião para conscientização pós-racial – mais do que discutirmos raças, é tempo de discutirmos a colaboração e interação entre as diferentes etnias de nosso país. Um bom momento de reflexão sobre os papéis que todos nós desempenhamos na sociedade – e que deveriam estar cima de raças e credos.

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Sam @samegui Shiraishi

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Mãe, jornalista e blogueira no @avidaquer, hub multiplicador de cultura e conhecimento. Paranaense de alma nipônica morando na Mooca, apaixonada por gente.


4 Responses to “Branco ou negro? Brasileiro.”

  1. excelente texto, concordo com você quando diz que é “tempo tempo de discutirmos a colaboração e interação entre as diferentes etnias de nosso país.” bjs e um ótimo feriado!

  2. Flavia says:

    É isso aí!!!

    Tem um texto no blog do Caetano falando um pouco sobre isso: http://www.obraemprogresso.com.br/2008/11/10/mulato-maca-cande-80-aleijao-rc-e-cv-cd-dvd-acj/

    E no texto onde o Roberto da Matta analisou a vitória de Obama (Estão, 12/11/08) ele menciona lição de um antropólogo chamado Louis Dumont, onde ele fala que os universalistas falavam que eram “primeiramente humanos e casualmente franceses”.

    bjs

  3. Wesley Nóog says:

    Olá, beleza, tudo certo?

    Parabéns pela análise!!!

    Em função de problemas pedagógicos, a história da pedagogia no Brasil, por ser herança francesa, não coloca de fato discussões sérias sobre nossas verdadeiras origens.

    O branco europeu ao chegar neste espaço geográfico em meados do século XVI já encontrara o índio que aqui estava há milhares de anos. O negro africano só chegara apartir do século XVIII, portanto, duzentos nos depois. Ambos os povos sofreram com a escravidão, contudo, porém, o negro que é mais lembrado. E o índio que caiu no ostracismo tanto pela elite aristocrática, como também, pelo movimento negro.É bom lembrar que somos genéticamente a junção das três raças, o branco europeu, o negro e o índio.Portanto, somos Mameluco Afro Brasileiro, não podemos escapar da nossa etinia…

    Não sei quem fez está análise apartir do release descrevendo o lançamento no meu novo albúm, mas, está de parabéns, pois, precisamos assuir nossa etinia…

    Um abraço!!!

    Wesley Nóog

    Sam Shiraishi Reply:

    @wesley quem escreveu o texto, esta colcha de retalhos, fui eu e o release realmente me inspirou a pensar. Aliás o nome do teu CD me fez pensar no termo. Sou descendente de japoneses e alemães, pouco tenho do tradicional sangue mameluco brasileiro, por isso me considero uma pessoa da era pós-racial (casei com um bisneto de italianos e neto de espanhóis e portugueses, nossos filhos são simplesmente brasileiros de tão “sem raça definida”) e isso me faz reflexionar sempre sobre a importância da origem para sabermos em que direção queremos ir como individuos e como sociedade.
    Gostei muito da revisão histórica que fez, o caminho é este mesmo. Olhar para trás sem deixar de caminhar buscando um futuro mais natural.
    Abraços
    Sam

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