Born into brothels

Postado em preconceito, TV no dia 23/10/2007 |

running-puja.jpg

Sempre queremos oferecer o melhor para nossos filhos. Hoje mesmo eu indiquei algumas obras de referência (dicionários e enciclopédias temáticas) para os que estão se alfabetizando como Giorgio ou são leitores compulsivos como Enzo.

No entanto, tudo isto me parece pequeno quando nos deparamos com a dura realidade que alguns menores enfrentam, aqui, na Ásia, não importa. Criança sempre toca o coração humano. Ciente disto, eu tinha um misto de curiosidade e de receio sobre o filme Nascidos em Bordéis.

Eu já sabia que o filme narrava a vida de crianças nascidas e pasmem criadas em bordéis de Calcutá e que ganhara o prêmio do público de melhor documentário no Festival de Filmes Sundance e também o Oscar de Melhor Documentário de Longa-Metragem em 2005, numa disputa com Super Size Me – A Dieta do Palhaço. Ainda assim, o tema me dava arrepios, achei que ia chorar como uma grávida em comercial de margarina (sim, eu chorava assim, por isso posso falar) e fui evitando. Mas passou no GNT e uma das maravilhas da TV a cabo é nos trazer o mundo que não iríamos buscar voluntariamente. Mas como vêm no pacote e a gente já está pagando, não custa olhar, não é? Estou sendo sarcástica com minha vidinha burguesa, mas é verdade.

Nascidos em Bordéis (Born Into Brothels) me surpreendeu. Primeiro, não chorei, mesmo tendo sentido muito pela triste sina das mães, pais (sim, acredita que as famílias moram no quartinho do bordel onde a mãe trabalha?) e as crianças. Gui comentou o que todo mundo deve ter pensado: o enriquecimento da Índia deixa de lados os menos favorecidos e numa proporção muito pior do que a da nossa desigualdade. Creio que seja a fé deles, a crença nas castas como forma de manifestação da lei cármica, e do outro lado nossa beneficência cristã que mudam o paradigma.

O que os documentaristas Zana Briski e Ross Kauffman mostram é que individualmente há esperanças. Tia Zana, que mora há anos no bairro da Luz Vermelha (onde estão os bórdeis), decide dar aulas de fotografia para as crianças. Dá-lhes câmeras simples e pede para elas fazerem retratos de tudo que lhes chamam a atenção, conseguindo resultados inusitados e emocionantes. Passeios ao zoológico e à praia são entremeados de cenas da luta da tia Zana para conseguir internatos que aceitem as crianças para dar-lhes uma oportunidade de vida. Um belo trabalho que nos dá vontade de sair da inércia e também mudar um pouquinho o mundo à nossa volta!

Related Posts with Thumbnails

Sam @samegui Shiraishi

facebooktwittergoogle pluslinkedin

Mãe, jornalista e blogueira no @avidaquer, hub multiplicador de cultura e conhecimento. Paranaense de alma nipônica morando na Mooca, apaixonada por gente.


9 Responses to “Born into brothels”

  1. Simone says:

    interessante a história Sam, realmente a gente fica pensando em tudo que podemos oferecer aos nossos filhos e de como podemos sair da inércia e ajudar. mas as vezes é preciso tão pouco, duas horas que vc consiga passar cuidando de bebês num lar já faz tanta diferença! vc sente que o pouco carinho que dá, um colinho gostoso, um sorriso já faz muita diferença!! eu sou daquelas que não pode ver criañça em sinal de trânsito pedindo que já desato a chorar…
    obrigada pela dica do blog presente do futuro, fiz um comentário lá tbém.
    beijos,
    Si

  2. Muito interessante Sam, vou procurar assistir… nunca fui à Índia, mas tenho uma amiga alema que já viajou muito pelo mundo e foi agora à Índia e ela me disse exatamente isso, que nunca viu em parte alguma um contraste tao extremo entre o luxo e a miséria absoluta, muito triste…

    Beijos,
    Gi

  3. [...] mundo: Costumes e relação com sexo – Lino Resende Born into brothels – A vida como a vida quer Equatoriana de 16 anos é agredida na Espanha – Caixa Preta 2008 – Ano [...]

  4. [...] mundo: Costumes e relação com sexo – Lino Resende Born into brothels – A vida como a vida quer Equatoriana de 16 anos é agredida na Espanha – Caixa Preta 2008 – Ano [...]

  5. Lu says:

    Nossa,Sam. Que legal você comentar este documentário aqui. Tenho este filme e acho fantastico.Passei para meus alunos e abordei vários fatos (uma pessoa consegue fazer a diferença, sim!; situações de miséria;…) e eles adoraram. Sempre assisto porque sempre tenho mais alguma coisa a tirar. O que mais me choca são as mães que privaram os filhos de estudar, para que as meninas também trabalhassem nos bordéis.
    Parabéns pela postagem, muito boa!
    Beijos

    Lu, eu realmente gostei muito do filme… se eu tivesse contato com adolescentes creio que eu tb comentaria este e outros filmes (como o Hotel Ruanda, do qual falei há alguns dias).
    Beijos e parabéns por sua postura como docente.

  6. Kaká says:

    Muito bom Sam, como sempre!

    Vou procurar prá ver se acho o documentário por aqui!

    Beijos!

  7. Lucia Freitas says:

    Sam, lindo resumão do filme. É um dos meus documentários preferidos (já assisti umas duas vezes e não canso… )

  8. Este documentário sobre as crianças indianas nascidas e criadas em bordeis me lembrou a Gabi Leite do @humanitare http://migre.me/4JMRM

  9. Raquel Altoe says:

    RT @avidaquer: Born into brothels http://t.co/PUlj20t // um documentário sobre crianças nascidas e criadas em bordeis na India

Leave a Reply