Ajuda aos dekasseguis
No dia 19/12/2008 meu marido escreveu uma mensagem para o Deputado Federal Aldo Rebelo sobre a situação crítica que os dekasseguis brasileiros vivem no Japão com a atual crise na economia. País que vive de exportações, o Japão foi muito afetado pela crise nos EUA. Justamente para as áreas de exportações os brasileiros filhos e netos de imigrantes japoneses foram convidados pelo governo japonês a trabalhar temporariamente no país a partir da mudança de uma lei de imigração no final da década de 1980.
Numa fase na qual o Brasil vivia ainda em recessão contínua (antes do Plano Real), os nisseis e sanseis viram na oportunidade de trabalhar, ainda que como operários (só por alguns meses, pensavam ao ir), e ganhar em dólar, seria a chance de fazer um pé-de-meia, quitar dívidas, comprar uma casa ou carro, pagar a faculdade (sua ou do filho). E foi para muitas pessoas, mas acima de tudo para famílias inteiras, alterando a realidade de cidades inteiras nas regiões de concentração de descendentes de japoneses.
Com uma população fixa que gira em torno de 300 mil brasileiros em território japonês, posso afirmar que o número de famílias nipo-brasileiras que já teve um membro trabalhando no Japão é incalculável. Em tempos aúreos o movimento dekassegui enviava ao Brasil divisas em valor pouco inferior ao movimentado com a exportação de soja. Sim, falamos de milhões de dólares que estes trabalhadores (a maioria gente que desistiu de carreiras enfraquecidas ou fugiu da falta de oportunidades aqui) enviaram ao País, incrementando a economia forma espantosa.
Agora, quando a situação é crítica e há necessidade de intervenção (como já houve no caso dos Brasileirinhos Apátridas, sobre o qual falei aqui e batalhei em várias frentes na web), o governo brasileiro tem se calado. Não queremos nos calar também e por isso eu publico abaixo a carta que meu esposo enviou ao deputado e que enviamos também para o Deputado Federal Aldo Rebelo sobre a situação dos dekasseguis brasileiros que vivem no Japão e sofrem muito com a atual crise. Contatei também alguns colegas jornalistas e conto com a ajuda de todos para amplificar as informações e assim forçarmos uma ação da sociedade em prol deste grupo de brasileiros.
A seguir posto a íntegra da carta:
Prezado Deputado
Declaro que fui seu eleitor nas ultimas eleições. Confesso que acompanho os trabalhos dos parlamentares, especificamente o seu, enquanto responsável pelo voto que lhe confiei. Sei das dificuldade em ser eficiente e construir com rapidez, medidas do interesse público. Os caminhos da democracia são esses, e graças a Deus e estamos evoluindo da cada ano.
Minha mensagem é um apelo. O senhor deve ter informações dos dekasseguis brasileiros, aqueles patrícios que imigraram para o Japão em busca de trabalho e dinheiro em suas fábricas. O senhor também tem ciência de que eles sempre representaram durante anos um fator de equilíbrio das contas externas brasileiras, pois ao longo de 20 anos injetaram bilhões e bilhões de reais na nossa economia. Hoje, senhor deputado, esse povo necessita de ajuda. Com a crise mundial os brasileiros estão sem emprego, passando fome, sem moradia (pois são cedidas pelos empregadores), morrendo de frio (literalmente, óbito).
Pais de família estão sendo obrigados a deixar seus filhos para quem tem um teto e pode oferecer comida, por desespero extremo. Está na hora do Brasil e do Japão pagarem a dívida que têm para com esse povo, que nunca teve nenhum investimento do Brasil e nem do Japão em prol de uma seguridade, de educação, saúde, de nada, ou seja, o Brasil só recebeu dividendos e o Japão potencializou a sua economia com a força de trabalho e a criatividade do nosso povo. Não consigo ficar calado. A crise é tão grande, senhor, que não tem lugar nos vôos e as empresas estão despejando as pessoas na rua. Estamos no início do invernos por lá, senhor, que é frio.
Peço que se inteire do assunto com a Embaixada brasileira de Tóquio, que leia esse e-mail no parlatorio. A situação é muito, mas muito grave, diria que correlata a uma situação de guerra civil.Se o senhor não tinha ciência da situação, agora tem e passa a ter responsabilidade enquanto representantedo povo de São Paulo que é o estado com maior número de dekasseguis naquele país. Se ler o meu apelo no parlamento, todos os senhor deputados serão responsáveis. Sugiro inclusive que seja criada em regime de urgência uma comissão de autoridades para constatar “in lucus” o que acabo de denunciar.
Agradeço a atenção e rogo por providencias urgentes: no mínimo comida e teto, para os adultos e respeito aos direitos das crianças, pelo amor de Deus.
Guilherme Nunes da Silva








Thursday, Thu Feb 2009
Oi, acabei de ler o artigo sobre os dekasseguis, achei muito legal a atitude que vocês tomaram em defender a situação dos brasileiros que vivem no Japão. Também moro no Japão, agora de férias no Brasil, e acompanho de perto o sofrimento e o desespero daqueles que perderam o emprego e muitos sem teto. Algo precisa ser feito, afinal de contas os brasileiros contribuíram muito para que a economia japonesa se mantivesse ativa no país e fora dela. Faço a minha parte, ensino em meu blog o básico da língua japonesa, e com isso sei que estou ajudando muita gente. Você mora no JP ou no BR? Gostaria de saber se posso colocar o seu artigo em meu blog, os brasileiros q estão no JP ficarão felizes por saber que existem pessoas como vc que os ajudam, vai servir como incentivo para que continuem a lutar pelos seus direitos e continuarem a sonhar com uma vida melhor. Obrigada e sucesso… sempre! bjs
Monday, Mon Feb 2009
[...] Ajuda aos dekasseguis – A vida como a vida quer [...]
Wednesday, Wed Feb 2009
Noticia da Gazeta do Povo, dia 25/02/2009
http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/economia/conteudo.phtml?tl=1&id=860909&tit=Recessao-manda-dekasseguis-a-rua-E-ao-Brasil
A retração abrupta da economia japonesa, que recuou 12,7% no último trimestre de 2008, foi um baque para a comunidade brasileira no Japão. Acostumados a encontrar trabalho com facilidade, os dekasseguis – como ficaram conhecidos no Brasil os descendentes de japoneses que foram trabalhar na terra dos antepassados – estão sendo demitidos às centenas. São comuns relatos de pessoas sem moradia, sem dinheiro suficiente para pagar as contas básicas e sem perspectiva de encontrar novos empregos.
A crise econômica global derrubou as exportações japonesas de carros e eletrônicos, justamente os setores onde os nikkeis (descendentes de japoneses) encontraram seu nicho no mercado de trabalho. Como os estrangeiros são geralmente contratados através de empreiteiras terceirizadas, são sempre os primeiros a perder os empregos quando a produção cai.
“As fábricas estão dispensando todos os funcionários contratados por empreiteiras. Só ficam aqueles empregados diretamente”, conta André Luiz Assunama, nikkei que mora há 18 anos no Japão e foi demitido no fim do ano passado de uma fábrica em Chiryo, província de Aichi. Assunama decidiu viajar quando tinha 18 anos para trabalhar em fábricas de autopeças que abastecem as grandes montadoras japonesas. Foi ficando, casou-se, teve um filho – hoje com 1 ano e 7 meses – e tomou a decisão de não voltar mais para o Brasil.
Para ele, a onda de demissões é uma fase que vai passar quando o Japão voltar a exportar. Até lá, haverá muito aperto. Em dois meses, o brasileiro de Araçatuba (SP) encontrou um mercado de trabalho pouco receptivo, mesmo para alguém ainda jovem, com 36 anos, e que domina o japonês – características preferidas das fábricas. “Ainda estou recebendo o seguro-desemprego, mas a partir do mês que vem vai ficar muito difícil. Minha esposa conseguiu um trabalho em uma lanchonete para quatro horas por dia, quatro dias por semana. Não é suficiente para pagar as contas”, diz.
A situação é ainda mais dura para quem não conta com o seguro-desemprego e não aluga o próprio apartamento. Marco Miasato, pastor da Igreja Batista Vida de Higashiura, também em Aichi, conta que dois brasileiros que não têm onde morar foram recolhidos pela igreja. Isso porque é comum que os dekasseguis que foram mais recentemente, com a intenção de retornar ao Brasil, fiquem em alojamentos ou apartamentos alugados pela própria empreiteira. Quando são mandados embora, tornam-se sem-teto. Também acontece de as empreiteiras não pagarem o seguro social, o shakai hoken, que garante o atendimento de saúde e o seguro-desemprego – em alguns casos, a pedido dos próprios empregados, já que o desconto de 11% é pesado para quem quer economizar.
“Aqui na igreja estamos arrecadando alimentos para poder dar cestas básicas aos mais necessitados. Tem gente que não economizou quando tinha emprego e agora está sem dinheiro e sem chance de encontrar uma vaga”, diz Miasato. Segundo ele, há brasileiros deixando o país com dívidas, ou abandonando o carro que ainda não terminaram de pagar. Outros não conseguem nem levantar o dinheiro para a passagem de volta ao Brasil.
Os relatos mostram a profundidade da crise no Japão. Seu efeito pode ser um retorno em massa de brasileiros. O Centro de Informação e Apoio ao Trabalhador do Exterior (Ciate), entidade formada por associações nipo-brasileiras e apoiada pelo Ministério do Trabalho do Japão, informa que há estimativas apontando para a volta de 70 mil dos cerca de 325 mil dekasseguis que viviam por lá no fim de 2007 – dos quais 80 mil são do Paraná.
“Até março todos os voos vindo do Japão estão lotados e essa tendência vai continuar. Não dá para dizer até quando”, diz Teruhiko Sakura, diretor-superintendente do Ciate em São Paulo. Na avaliação dele, o fluxo tem tudo para se inverter no futuro, quando as fábricas japonesas voltarem a contratar.
Wednesday, Wed Feb 2009
Noticia da revista Veja, 21/02/2009
O fim do sonho dos dekasseguis
http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/fim-sonho-dekasseguis-422781.shtml
Os dekasseguis, ou trabalhadores temporários, foram as primeiras vítimas dos efeitos da recessão no Japão. Dos 300 000 brasileiros lá instalados, estima-se que entre 38 000 a 51 000 terão de retornar ao Brasil até o final do mês que vem. A premência da volta não é resultado apenas da perda do emprego, que, só no setor metalúrgico, deve atingir perto de 30 000 brasileiros até março, quando termina o ano fiscal japonês.
Boa parte dos dekasseguis vive com suas famílias em apartamentos providenciados pelas empreiteiras que lhes conseguem trabalho e que são responsáveis pelo repasse dos seus pagamentos. Como elas descontam diretamente dos salários o valor dos aluguéis, findo o emprego e o ordenado, os dekasseguis perdem também o seu teto.
Mais de 40% dos brasileiros desempregados, ou que cumprem aviso prévio, já saíram ou terão de sair de suas casas, segundo uma pesquisa da Associação Brasil Fureai, criada em dezembro para ajudar os dekasseguis. A maioria tem conseguido abrigo na casa de amigos e parentes. Outros têm sido obrigados a dormir no próprio carro ou em barracas montadas nos parques.
Na semana passada depois de manifestações organizadas por grupos de dekasseguis para reivindicar assistência e protestar contra as demissões nas fábricas , o governo japonês anunciou a criação de um comitê dedicado a cuidar exclusivamente dos problemas dos estrangeiros afetados pela crise.
Entre as medidas prometidas, estão a facilitação do ingresso de crianças estrangeiras em escolas públicas japonesas, a organização de cursos de japonês para melhorar a qualificação dos candidatos a novos postos de trabalho e a disponibilização de apartamentos para desempregados, com aluguéis subsidiados. As providências deixaram os dekasseguis mais esperançosos. Mas, para os milhares de brasileiros que tiveram de deixar para trás anos de sonho e sacrifício, elas chegaram tarde demais.
Leia a reportagem completa em VEJA desta semana (na íntegra somente para assinantes)
Friday, Fri Feb 2009
Oi Sam, tudo bem?
Por favor, entre em contato comigo pelo e-mail.
Estou buscando informações para tentar ajudar os dekasseguis que estão no Japão e querem voltar…
Obrigada
Saturday, Sat Mar 2009
Parabéns pela iniciativa! Espero que o apelo sja ouvido pelo deputado e que alguma atitude seja tomada pelo governo brasileiro.
Monday, Mon Jul 2009
É tão bom ver que as pessoas se importam, parabéns pela atitude.
Isso sim foi atitude!