Agressão física
Agressão verbal é uma forma de violência psicológica. Muita gente não percebe isto, mas é a verdade. Por que nossa sociedade aceita a agressão física e não dá a mínima para agressão verbal?
O tema, apesar de não fazer parte da minha realidade cotidiana, é um dos que busco divulgar, pela triste realidade que conheci acompanhando o trabalho de minha mãe, também defensora pública (no Paraná). Os posts que escrevi sobre a Lei Maria da Penha e sobre Delegacia de Mulheres são, há semanas, os que mais trazem leitores para este blog nos mecanismos de busca, o que quer dizer que minha militância com palavras está tendo resposta. Recebi até alguns comentários emocionados, verdadeiros desabafos, que me dão ânimo para escrever mais e mais sobre mundo feminino aqui.
Enquanto escrevo, estou “zapeando” um programa de TV e escuto: “Pelo menos eu não apanho”. A frase é de uma entrevistada do programa The Oprah Winfrey Show. Susan Still, hoje militante dos direitos femininos, contava que pensava isto ao ouvir histórias de mulheres que sofriam abusos dos maridos e se consolava dos maus-tratos verbais porque ele não a agredia fisicamente. Mas a agressão começou a piorar e os filhos, num depoimento, contam que sempre souberam quando as agressões físicas aconteceriam, pois sucediam discussões feias. O comportamento é repetido aqui em nosso país, com a diferença de que aqui não é considerado um delito gravíssimo um homem chutar a mulher estando de tênis ou usar um livro para bater nela. O uso destes instrumentos foi considerado um agravante na condenação do ex-marido de Susan. Mas aqui sei que não teria a mesma importância e ainda me pergunto o que nos faz tão atrasados neste aspecto.
Curiosamente - ou não - eu estava lendo o post da Tânia sobre o mês da mulher na cidade onde ela é defensora pública e pensava em divulgar aqui algumas das ações em Cuiabá. Seguem abaixo:
No dia 03 de Março a Defensoria Pública (de Cuiabá) fará uma apresentação de teatro de fantoches explicando a Lei Maria da Penha às vítimas da Casa de Amparo de Cuiabá. Para o dia 8 de Março haverá na sede da Defensoria Pública de Várzea Grande um mutirão voltado para às mulheres daquele Município. Além disso, o Núcleo Estadual de Execução Penal estáde / programando uma visita ao Presídio Feminino (Pascoal Ramos) onde será feito atendimento jurídico pelo Programa de Assistência ao Segregado, oportunidade em que as reeducandas assistirão ao teatro.
Oi Samantha:
Este é um assunto muito desagradável para a mulher. Aliás, assuntos. Agressão física e verbal.
Digo o desagradáveis pela sensação de impotência gerada pela situação. Quem nunca sofreu com isto não pode imaginar como é e como se livrar dela. Quando a pessoa recebe ajuda ainda vai. Mas quando toma a resolução sozinha, é barra. E o ridiculo disso tudo é o julgamento das pessoas não envolvidas. Nunca pensam que o agredido tem razão. Então sair dessa situação é dificil, solitário, doloroso e leva muito tempo…Tinha até esquecido desse assunto. Foi bom lembrar, para dizer que é possível mudar as coisas. Com a crença em si mesma, em Deus e uma fé inabalável em sua criatividade, quer dizer seu poder de transformar e resignificar tudo que está perto de você. Começar de outro modo. Qualquer coisa melhor do que aceitar, engolir sapo, adoecer…
Qualquer solução que parte do auto respeito por si mesma, pode e deve ser feito. E se há pessoas que ajudam melhor ainda.
Acho (rs!) que me empolguei. Virou depoimento. Desculpe!
Abraço
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Oi Sam!
Que bom saber que existem mulheres como vc, que não sofre violência, mas que se sensibiliza com às vítimas.
Quando fui atuar na Vara de Violência Doméstica pesquisei muito sobre o assunto e descobri que as mulheres que vivem esse tipo de relacionamento sofrem de uma doença chamada co-dependência. Estudei a co-dependência para tentar entender o universo das vítimas. Fiz visitas a grupo de auto-ajuda como MADA(Mulheres que amam demais anônimas) e CODA(co-dependentes anônimos) e isso me ajudou a suportar o estresse de ter que lidar com a vítima arrependida de ter denunciado o marido agressor.
Agradeço vc em nome todas as vítimas de violência doméstica
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Assisti esse programa também. Acho que não é um fato apenas brasileiro esse “atraso”, mas algo comum nos países em desenvolvimento. Por incrível que pareça, no México, por exemplo, muitas esposas ainda referem-se ao marido como “senhor”. Esse tipo de violência, na minha opinião, é ainda pior que a física, porque destrói completamente o lado emocional… um tapa na cara (não que isso seja permitido também) é mais fácil de cicatrizar que anos e anos de humilhação que resulta em baixa estima, depressão e muitos outros problemas que levarão anos e anos para serem resolvidos. Muito triste isso, ainda mais triste é saber que existem milhares de mulheres nessa situação (pode ser nossa amiga, nossa vizinha) que se calam com medo do marido, e vergonha dos amigos, familiares… e também por falta de coragem de aprender a viver por si só.
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Uma vez ouvi alguém dizer que bate quem pode, apanha quem merece. Fiquei tão irritada que precisei respirar fundo dezenas de vezes para não responder o tal comentário de forma ríspida.
Sempre pensei que bate quem é fraco e apanha quem engole a fraqueza do outro.
Fiz treinamento de defesa pessoa na adolescência e certa vez defendi uma mulher que estava apanhando no meio da rua. Minha atitude acabou por machucar o marido dela que teve uma leve entorse no braço. A mulher ficou irritada e disse que eu tinha machucado o marido dela. Foi uma das poucas vezes que tive pena de alguém.
Poucos entendem que apanhar em determinado momento torna-se prazeroso pra quem apanha. É doentio, mas infelizmente é realidade. E a omissão quanto ao agressor nem sempre ocorre devido ao medo.
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Samanta,
Um link que escrevi sobre violência verbal, porém mais voltado ao âmbito corporativo:
http://blog.felipecoury.com/jep/2008/02/intimidacao-verbal-ou-como-tra.html
Espero que goste!
Abraços,
Felipe.
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