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Abre aspas

 

Tenho o dever de me fechar em casa no meu espírito e trabalhar quanto possa e em tudo quanto possa, para o progresso da civilização e o alargamento da consciência da humanidade (Fernando Pessoa, carta a Armando Côrtes-Rodrigues)

Sugestão da minha amiga Lunna Guedes numa conversa e que eu adoto com toda alegria. Abrir aqui um espaço para poesia. O nome da página, “abre aspas”, é presente dela também, como este poema que me foi dado no meu aniversário deste ano.

[Os créditos estão nos links e as fotos, exceto digam o contrário, são do Stock.Xchng.]

http://www.sxc.hu/photo/775223

A foto é homenagem a esta cara nova amiga, que sinto ser eterna amiga pela afinidade e naturalidade que temos. Pedras e borboletas, coisas que ela aprecia. ;)

Primavera…

Transpor as horas
Viver…
Ser metáforas
… sentir o peso das coisas por entre os vãos!
Permitir o sorriso no verso dos lábios
Ser simples…
Contradições embaladas por memórias!

A quem me encontrar
Investigue minhas cortinas ao vento
Meu passado é um olhar atento sobre meus murais!

Não trago promessas
Algumas sombras podem ser vistas
Quem não tiver as suas,
que ouse reclamar as minhas!

Sou papel fino…
Em branco!
Retrato emoldurado há poucas horas
Não tenho ponteiros
Foram abandonadas na primeira hora do dia!

Venha me visitar amanhã
Conte os seus passos
Até chegar aqui…
Irá encontrar-me sorrindo
De braços abertos
…num ninho de pequenos bolivares!
Ouça! Eles cantam assim que o dia desperta
São minha unica herança!
Meu legado que irá ficar…

Então, visite-me amanhã,
…logo cedo!
( Lunna Guedes)

18/03/2008

Para meu amor:

“Eis que és gentil e agradável, ó amado meu: Nosso leito é viçoso.”

(Cantares 1:16)

24/03/2008

Achei este poeminha que postei no meu aniversário de 2007:

Soneto do amigo

Vinicius de Moraes

Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica…

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