Abacaxi no amigo oculto
Postado em poesia no dia 20/12/2007 |
Estou novamente num terreno estranho. Visito diariamente o blog que criou o amigo oculto literário, mas não sou escritora ou poeta como os envolvidos que brindaram os leitores com poesias e posts criando clima de suspense sobre o amigo.
Eu peguei um abacaxi… não no sentido figurado, é que os amigos eram frutas e escolhíamos uma. Gostei do abacaxi, porque a fruta é um espetáculo à parte: nasce majestosamente no meio de uma bromélia (um tipo de flor que aprecio) e é maravilhosa para sucos e sobremesas. Minha amiga oculta deve chamar abacaxi de pineapple ou ananas. E temos mais afinidades além do país onde fica a revista para a qual eu escrevia até abril: somos fãs dos textos da pessoa que nos convidou para esta roubada brincadeira e gostamos de deixa-la constrangida (risos), não somos poetas nem escritoras. Fácil de adivinhar, não? Ela está se apresentando aqui: Hellen Schmidt. Foi um prazer conhecê-la.
Para homenageá-la posto abaixo um poema de Baudelaire, em francês, pois soa lindo e falará mais direto à alma da homenageada neste idioma, creio eu. Para quem quiser ler a tradução, ei-la aqui. A lua é homenagem à nossa amiga em comum, que me orientou na escolha do poema.
Tristesses de la lune
Ce soir, la lune rêve avec plus de paresse;
Ainsi qu’une beauté, sur de nombreux coussins,
Qui d’une main distraite et légère caresse
Avant de s’endormir le contour de ses seins,
Sur le dos satiné des molles avalanches,
Mourante, elle se livre aux longues pâmoisons,
Et promène ses yeux sur les visions blanches
Qui montent dans l’azur comme des floraisons.
Quand parfois sur ce globe, en sa langueur oisive,
Elle laisse filer une larme furtive,
Un poète pieux, ennemi du sommeil,
Dans le creux de sa main prend cette larme pâle,
Aux reflets irisés comme un fragment d’opale,
Et la met dans son cœur loin des yeux du soleil.
P.S. Curiosidades do abacaxi na minha vida: Eu adorava abacaxi até passar a ter alergias sérias na segunda infância e ter que cortar alguns alimentos, então abacaxi virou “um abacaxi” no sentido figurado e passei a detestar até o cheiro da fruta. Ninguém me entendia e pouca gente respeitava esta minha dificuldade – já notaram que bolo de aniversário sempre tem abacaxi? E, interessante, ao engravidar eu tive vontade de comer abacaxi e isto denunciou que alguma coisa estava estranha em mim antes mesmo do teste de gravidez.
Sam @samegui Shiraishi
Mãe, jornalista e blogueira no @avidaquer, hub multiplicador de cultura e conhecimento. Paranaense de alma nipônica morando na Mooca, apaixonada por gente.




Boa noite Samantha, ainda bem que apenas a fruta (ananas) é um espetáculo. Quanto a mim, fico em comungar o prazer de deixar a Lunna sem graça com mais alguém.
Merci pelo poema em francês. Gosto de Baudelaire e digo que ficaria feliz em encontrar um pouco de seu estilo nos escritores atuais. Mas também sei que se isso acontecesse, não teria tanto apreço por Baudelaire. A propósito, excelente extensão do poema a Lunna.