A vida até parece uma festa
Postado em Cinema e TV no dia 29/01/2009 |

Na verdade, parecia uma festa. Sempre que vejo imagens e entrevistas das bandas brasileiras de 1980 eu noto um clima que era irreal, um Brasil paralelo àquele que vivia a abertura política com anistia do regime militar e Diretas Já, a recessão econômica com filas para comprar comida (lembro que minha avó ficava na fila para comprar leite e frango para nós depois do Plano Sarney) e muitas outras agruras que a geração dos nosso pais sofreu enquanto a gente cantava “não confio em ninguém com mais de 32 dentes”.
Ontem eu estava no cinema e vi o trailler do documentário Titãs – A vida até parece uma festa que Branco Mello fez da história da banda. Pelo nome que escolhi para meu blog – A Vida Como A Vida Quer é uma frase da música Comida – não há dúvida de que eu gosto dos Titãs e que suas músicas impactaram minha vida.
O documentário está em cartaz em várias salas de cinema de Sampa e traz registros desde 1986 com imagens exclusivas de bastidores em viagens, estúdios, hotéis, shows e por onde mais passassem. Branco conta que foi o estouro de vendas do disco Cabeça Dinossauro que conseguiu comprar a câmera. Embora hoje seja uma banda quase light, com músicas como É preciso saber viver, os Titãs foram na década de 1980 um dos grupos que os pais proíbiam os filhos de ouvir. E boa parte disso está no documentário (dirigido por Branco e Oscar Rodrigues Alves).
Segundo a crítica, a dupla optou por fugir do formato tradicional de se fazer documentário, abolindo o recurso do entrevistado, sentado, falando sobre o Titãs diante das câmeras, ou um possível narrador. Os próprios integrantes contam essa história à sua maneira. Uma cronologia dos fatos é seguida, mas nada que os impeça de fazer um ziguezague na linha do tempo. Drogas, excessos, perdas e reviravoltas também fazem parte dessa aventura e Branco não deixou de contá-las. Garante que só descartou cenas pelo simples fato de não considerá-las relevantes e não por pudor em exibi-las.
Sam @samegui Shiraishi
Mãe, jornalista e blogueira no @avidaquer, hub multiplicador de cultura e conhecimento. Paranaense de alma nipônica morando na Mooca, apaixonada por gente.




