As histórias que comentei me lembraram de um filme que vi na TV, chamado Freedomland, estrelado por Julienne Moore e Samuel L. Jackson, no qual a mãe tenta contar para o detetive encarregado do caso do sumiço de seu filho em quais circunstâncias o perdeu. Ao final – e aqui tem spoiller, vou contar o final, então se preferir não saber não leia – ela acaba confessando que dava xarope para tosse para o filho dormir e ela poder sair com o namorado. Numa noite o menino tomou xarope demais e ela, ao encontra-lo morto, enterrou-o e inventou uma história para se defender.
Eu também sinto muita falta de um apoio familiar maior, de espaço e tempo para poder sair e me distrair sem ser mãe- e para driblar isso, temos oferecido uma vida cultural intensa para nossos filhos, que nos acompanham em quase todos os programas.
Aos amigos que têm uma avó ou tia que aceita cuidar das crianças às vezes eu sempre digo: valorizem este apoio. E a quem pode dar o apoio, meu conselho é fazer esta boa ação para seus queridos, pois pode ser bom para diminuir a pressão do cotidiano tanto para as crianças quanto para os pais.
<p>Uma notícia me chocou nesta manhã: uma menina de 5 anos morreu no fim da noite do sábado, 11/07/2009, após cair do 5º andar de um prédio no subúrbio do Rio de Janeiro. Parentes contaram à polícia que a criança estava sozinha na hora do acidente trancada no apartamento – e as cenas das câmeras de segurança do condominio mostram a mãe entrando com a criança e minutos depois saindo sozinha, possivelmente em direção ao uma festa que acontecia no térreo do prédio.</p>
<p>A criança desta idade não tem condições de ficar sozinha – em casa, no carro, na praia. Já ouvi relatos de pais que contam que os filhos ficavam bem na praia, enquanto eles passeavam e penso que estas pessoas tiveram sorte. Muitas coisas podem acontecer aos nossos filhos, como ressaltou hoje a defensora pública carioca Eufrásia Virgens, entrevistada no canal de notícias Globo News acerca dos deveres que os pais têm sobre os filhos menores. </p>
<p>Nossa constituição garante a segurança das crianças na medida em os pais tem o dever de guarda e vigilância e por conta deste dever <a href=”http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1079111-7823-MENINA+DE+CINCO+ANOS+MORRE+APOS+CAIR+DE+UM+PREDIO,00.html”>os pais da menina serão processados por abandono de incapaz</a>. Ainda há muito que se investigar neste caso e não vamos aqui julgar a história precipitadamente, mas o fato é que ele nos leva a uma realidade que vemos cada dia com mais frequência no noticiário. No ano passado um caso em São Paulo envolvia uma mãe que deixou a filha de cerca de dois anos trancada no carro estacionado numa casa de shows para aproveitar uma festa. A criança sobreviveu sem lesões físicas (das psicológicas pouco sabemos), mas a mãe respondeu a processo por abandono – e possivelmente perdeu a guarda da criança. </p>
<p>E vale aproveitar esta situação para reflexionar sobre a postura que adotamos como pais, como tios, como vizinhos e relembrar que nossas <a href=”http://www.sampaonline.com.br/especiais/os_direitos_da_crianca.htm”>crianças têm direitos</a> e é nosso dever – dos pais e do Estado – garantir que os menores tenham acesso a eles. </p>
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Sam @samegui Shiraishi
Mãe, jornalista e blogueira no @avidaquer, hub multiplicador de cultura e conhecimento. Paranaense de alma nipônica morando na Mooca, apaixonada por gente.
@Glauca a verdade é que nós, que enfrentamos a vida sem o apoio familiar que é tão característico do Brasil, vivemos uma realidade diferente. É como a questão do conforto, dos espaços privados pequenos que aprendemos a apreciar da mesma forma que descobrimos que o prazer de estar em espaços públicos com segurança. Por isso eu falo a quem tem este apoio que isso sim é verdadeiramente priceless.
A liberdade dos pais e os direitos dos filhos – e minha visão do caso da menina que caiu do 5o andar no suburbio do Rio http://bit.ly/DKxJI
Sam,
concordo completamente!
triste e altamente real!
bj
Sam Shiraishi Reply:
July 13th, 2009 at 9:35 pm
@Glauca a verdade é que nós, que enfrentamos a vida sem o apoio familiar que é tão característico do Brasil, vivemos uma realidade diferente. É como a questão do conforto, dos espaços privados pequenos que aprendemos a apreciar da mesma forma que descobrimos que o prazer de estar em espaços públicos com segurança. Por isso eu falo a quem tem este apoio que isso sim é verdadeiramente priceless.