A “insensibilização” coletiva tem cura?
Postado em Cotidiano e sociedade no dia 21/07/2010 |“Pais ficaram sem seus filhos de modo não natural. Toda a sociedade deve assumir o “mea culpa” nos dois casos.”
@charlesbigfoot
Hoje na hora do almoço peguei carona numa conversa que @ladyrasta @jhcordeiro @mob_igormaia estavam tendo no Twitter sobre dois casos que estão na mídia com destaques diferentes, mas que refletem o mesmo problema: a falta de segurança nas cidades. Mais, no decorrer da conversa (à qual se juntaram depois @evandrocesar @lalubr @anaaragao @bqeg) levantei o ponto que acho mais triste na história, que é o fato de, mesmo um garoto classe média alta, ter que usar um tunel interditado na madrugada para fazer manobras de skate.
Quando morei no Japão eu me admirava muito com o fato de as quadras e outros espaços nas escolas serem usados pela comunidade como área de lazer. Voluntários faziam as vezes de treinadores e promoviam atividades durante todo o dia (sim, criança precisa de guias, não dá para só abrir as escolas e largar as crianças lá como se fosse o campinho de terra no terreno baldio do bairro de antigamente).
E por falar em escola, o papo começou (fui ver para entender) com a indignação da Flávia sobre o destaque que se deu para o caso do atropelamento e o pouco caso que se fez com o menino baleado em classe. Os irmãos feridos pelo padrasto em Embu também perderam espaço, mesmo sendo um caso terrível.
“Eu acho muito mais relevante um aluno morrer dentro da sala de aula do que um atropelamento. Você não?”
Entrei no papo porque acho ambos tristes sintomas de uma sociedade que não sabe para onde dirigir seus esforços. Sabe quando sua casa fica tão, mas tão bagunçada (tipo depois de uma mudança ou de uma mega festa) que você olha e não sabe nem por onde começar para arrumar? Nem para para dar ordens à arrumadeira você consegue reagir sem antes avaliar bem o que está lá, o que pode ser jogado fora, o que é frágil e precisa de cuidados especiais, o que é dispensável e pode ser descartado, o que estragou e precisa ser consertado ou reciclado.
Precisamos reciclar nossa visão acerca destas tragédias urbanas! A advogada da nossa thread (debate online) aludiu à falta de condições do Estado em assumir suas funções (ainda mais no Rio, quem conhece bem a cidade ou pelo menos viu filmes recentes como Meu nome não é Johnny e Tropa de Elite entende) e eu concordo que a partir do momento em que o Estado não entra ali, há outro estado exercendo poder – e isso cria conflito.
É verdade, não importa o que se faça, sempre haverá atropelamentos e que muitos países não vivem em guerra civil… e os que não vivem em guerra civil fazem sua parte, reagem e não admitem que sua vida (não só sua timeline do Twitter, com quem dá unfollow em quem fala de coisas sérias, ou sua TV, como quem muda de canal quando o tema fica chato e politizado) seja guiada por quem não está nem aí para o “futuro da Nação”.
E você, ainda se sensibiliza e quer pensar coletivamente em como fazer do País um lugar melhor?
Sam @samegui Shiraishi
Mãe, jornalista e blogueira no @avidaquer, hub multiplicador de cultura e conhecimento. Paranaense de alma nipônica morando na Mooca, apaixonada por gente.





Oi Sam. Olha, fico chocada com muita coisa sim, as vezes mais com o fato de acharmos um atropelamento algo normal e cotidiano. Não deveria acontecer. Nenhum dos casos. Os dois tem solução sim, a medio e longo prazo, e são daquelas de verdade, que duram mais que um mandado de eleição. Eu, no entanto, honestamente, não sei o que fazer, como agir, e nem tenho confiança em mim mesma ou no sistema o suficiente pra tentar arregaçar minhas mangas e fazzer algo a respeito.
Então, quando to cansada e querendo desligar, desligo a cabeça e ignoro jornais, noticias ou filmes politizados.
beujos
Oi Sam, ontem fiquei muito abalada com a notícia de que a filha de uma conhecida que tem problema no coração piorou e teria que operar, a neném acaba de fazer 1 ano. Em seguida uma amiga contou sobre o plantão médico da prima onde os pais imploraram para que ela internasse os filhos porque não tinham nem o que dar para eles comerem.
Li um pouco do bate papo no Twitter e digo:
1. O caso do filho da Cissa também merece toda a atenção. Não foi um simples atropelamento. Cogita-se pega e o túnel estava interditado. O motorista também não prestou qualquer socorro.
2. Acredito que cause uma comoção maior porque a atriz esteve “nos lares” brasileiros por muitos anos. Muitos ficam com a sensação de conhece-la realmente o que parece aproximar a dor de nossas vidas.
3. Vergonha e tristeza pelo caso do menino baleado na escola.
Meus pais durante anos fizeram inúmeros trabalhos voluntários e ajudaram a tentar mudar nosso mundo. Eu já ajudei mais e faço a minha parte atualmente com algumas doações e cobrando no lado da política. Quero fazer mais…
Na minha opinião as doações e trabalhos voluntarios não bastam. É preciso o governo fazer sua parte… como isto pode mudar? Não sei mas não perdi a esperança. Cobro, fico de olho, vou em algumas reuniões encontros com políticos…acredito que se todos fizessem isto era capaz de gerar mudança sim.
DIscutimos esta semana isso num almoço. Quando uma pessoa querida disse que acredita não ter mais jeito perguntei se então era para sentarmo de braços cruzados e esperarmos a morte, sem agir, sem nada fazer pq para mim viver sem esperança de melhora não faz muito sentido. Pode parecer exagero mas é como sinto
O jornalismo em geral foca mto na posição social dos envolvidos. É mais ou menos como a publicidade que nos oferece uma ‘vida surreal’. Ao invés de focar em um determinado assunto (como o caso do Bruno ou o atropelamento do Rafael), poderiam se dividir e falar de outros casos, pro mundo tomar consciência da brutalidade desse país!
Eu falo, vc fala e mtas outras pessoas falam sobre essas brutalidades nos seus blogs. Eu tenho vontade de ir lá no presidente e dar um soco na cara dele e dizer pra se preocupar com a educação e parar com essa facilitação. Pq toda essa guerra se dá início na educação (ou falta dela). E é isso o q revolta, pois eles não demonstram preocupação verdadeira qto a isso!
E eu tô como a Adriana “no entanto, honestamente, não sei o que fazer, como agir, e nem tenho confiança em mim mesma ou no sistema o suficiente pra tentar arregaçar minhas mangas e fazzer algo a respeito.” O que fazer, além de escrever nos nossos blogs e em comentários de outros blogs e discutir no twitter?
Qndo o caso começa a ficar chato ou qndo começam a fuçar demais, eu paro de ler/ouvir sobre. Me cansa!
Um beijo
[...] Leia o artigo inteiro. [...]
RT @bqeg: Mais um excelente artigo da @samegui http://ht.ly/2eDxP
RT @samegui: A "insensibilização" coletiva tem cura? http://bit.ly/dqCcRz
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#meusfeeds A “insensibilização” coletiva tem cura? http://bit.ly/bD8NPX
By @samegui A “insensibilização” coletiva tem cura? http://bit.ly/bD8NPX – Texto maravilhoso. Aconselho a todos meus seguidores que leiam.
RT @Luzdeluma: A “insensibilização” coletiva tem cura? http://bit.ly/bfxvBf
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Bem bacana esse post e a cho que as pessoas de bem tem muito potencial pra agir, mas muitas vezes não sabem por onde começar!
Oi Sam. Me chamou muita atenção o titulo do seu post. Desde maio estou trabalhando com orientadora em um projeto sócio-educativo da rede de proteção básica da Secretaria de Assistencia Social,e percebo que esta insensibilização, começa cedo. Nosso público são adolescentes de 15 a 17 anos, todos de baixa renda e a grande maioria moradores de locais de risco. Ao discutir com eles violência, me assusta o quangto para eles, é normal, faz parte do cotidiano, não que eles achem certo, mas que eles constantemente estão expostos a situações de violência. Recentemente estamos trabalhando exatamente esta questão da sensibilização, eles não podem achar que é algo normal, por mais que esteja presente no cotidiano deles, mas realmente é um grande desafio.
Sobre o caso do menino baleado na escola e o filho da Cissa RT @samegui: A "insensibilização" coletiva tem cura? http://bit.ly/dqCcRz