A Dialética da Banana e o Profissão Repórter

Postado em Conversas de Cozinha, Cotidiano e sociedade no dia 29/09/2009 |

Feira Livre em foto de @boombust

Feira Livre em foto de @boombust

Eu já contei, aprendi a apreciar a feira livre aqui em Sampa. Antes eu achava que o clima amistoso (às vezes beirando o desrespeitoso, mas nada que não se resolva com facilidade e em definitivo, pois o cliente tem sempre razão) e divertido era coisa de novela da Globo… mas aqui eu aprendi que é uma característica de alguns lugares e dentre eles ainda acho que São Paulo é dos melhores.

Verdade, aqui acontecem umas confusões de feira, né? Este mês tem o que João Ubaldo Ribeiro chamou na sua coluna do Estadão de Dialética da Banana (Caderno 2, 27/09/2009). Como agora até os feirantes vão ter que vender banana a quilo (e tradicionalmente banana é algo vendido por unidade/dúzia) estamos numa confusão! E não falta gente para reclamar por aqui! No texto do João Ubaldo, supostamente num debate sobre o tema num bar em Itaparica (BA), esta tentativa de proteger o consumidor (garantindo que se compre o produto com a mesma medida em todos os lugares e assim podermos saber se o preço é equivalente ou não!) tudo virou uma vitória do lobby antibananinha, uma coisa do agronegócio imperialista! (risos, este personagem marxista é muito interessante, né? O autor fez bem ao inclui-lo!) E neste sentido, o discurso seguia assim:

Bananas em foto de @flavitavalsani

Bananas em foto de @flavitavalsani


“Agora ninguém mais vai vender aquela bananinha pequenininha, aquela mais saborosa, porque é preciso juntar muitas para conseguir um quilo, vai dar prejuizo ao feirante,  começar pelo transporte. Acabaram com a bananinha, acabaram com o pequeno produtor, agora só vai ter daquelas bananonas de mercado. Quem quiser comer bananinha em São Paulo vai ter que sair do estado ou então recorrer ao mercado negro de banana proibida. Senhores, o paulista que comprar bananinha em dúzia para comer em casa estará levando a família à ilegalidade!”

Enfim, a feira é o tema de um dos programas mais interessantes da TV aberta hoje. O Profissão Repórter mostrará diferentes feiras livres, suas características e curiosidades:

  • Caco Barcellos irá até a Feira do Rato, em Maceió, um espetáculo à parte no cenário alagoano. Considerada uma das mais impressionantes do país, esta feira reúne os comerciantes e suas mercadorias sobre os trilhos de um trem que, por 16 vezes ao longo do dia, passa a poucos centímetros de distância dos visitantes.
  • Gabriela Lian e Thaís Itaqui visitarão a feira mais famosa do Nordeste, a Feira de Caruaru, em Pernambuco. E entre uma barraca e outra, as repórteres conhecerão a curiosa história de três irmãos casados com três irmãs e que juntos se dedicam ao comércio de roupas na região.
  • Em São Paulo, os repórteres Felipe Suhre e Mariane Salerno percorrerão as tradicionais feiras que lotam as ruas da cidade. Em meio a promoções, surpresas e muitos obstáculos, procurarão histórias e personagens peculiares que caracterizam as manhãs paulistanas.


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Sam @samegui Shiraishi

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Mãe, jornalista e blogueira no @avidaquer, hub multiplicador de cultura e conhecimento. Paranaense de alma nipônica morando na Mooca, apaixonada por gente.


One Response to “A Dialética da Banana e o Profissão Repórter”

  1. Cultivo o hábito regular de fazer o desjejum de sábados comendo pastel com caldo de cana na feira livre que acontece na rua ao lado da onde moro. Passear e comprar coisas na feira são um prazer frugal que me faz um bem inestimável! Me lembra da infância, me divirto com o jeito sui generis dos vendedores abordarem a gente como só se vê em feiras livres, o jeito das pessoas se comunicarem enquanto trocam sugestões de receitas nesses ambientes, a maneira como vizinhos acabam se conhecendo e se encontrando (outro dia me encontrei com o Marcelo Coutinho, nosso amigo em comum, e descobri que somos vizinhos e nem sabíamos) enfim… sei lá de onde vem exatamente esse bem estar todo que isso me proporciona; só sei que adoro e que sinto a maior falta quando não estou em SP nos finais de semana e por isso não posso cumprir meu pequeno ritual matinal de sábados.

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