Pela valorização da mulher brasileira
mulher March 8th, 2008
O dia internacional da mulher tem um significado diferente em 2008 porque vamos discutir a imagem da mulher brasileira, numa blogagem proposta pela Elysandra Figueredo e Meire Gomide. Vou entrevistar ambas sobre o resultado da blogagem e postarei na próxima semana.
Acredito que há muita história – de preconceito, por certo – para explicar o porquê de uma defesa tão exaltada pela mudança de paradigma na imagem que se passa sobre a mulher brasileira no País e, em especial, no exterior.
Entendo a indignação que as move, pois, quando morei no Japão, eu também tive momentos desagradáveis, como contei no Movimento Dekassegui. “Nunca fui festeira no carnaval, mas passei a ter uma certa raiva quando morei no Japão. Um caminhoneiro, senhor geralmente muito educado e que almoçava no mesmo lugar que eu e umas colegas (umas senhoras, obasans mesmo) brasileiras e japonesas, viu as cenas dos desfiles do Rio na TV a cabo e no dia seguinte ficou nos perguntando se a gente também pulava carnaval sem roupa. Claro que subiu o sangue, achei que ia virar samurai!”
Esta é só uma das piadinhas sem graça que as mulheres ouvem quando contam que são brasileiras. O triste é saber que o estereótipo é vendido por nós mesmos, ao alimentarmos esta indústria cultural de massa (parece discurso de faculdade de comunicação, mas é a verdade) e sucumbirmos ao padrão de beleza sem questionar, seguindo a manada, sem pensar ou avaliar os caminhos à nossa frente. Mas igualmente considero que nos tornarmos escravas das lutas e da dureza do feminismo não é o caminho certo, por isso faço coro à antipatia que Lunna Guedes conta que sente pela data.
Gostaria que, como escreveu ontem Gabriel Tonobohn – em A favor da mulher feminina – pudéssemos encontrar um caminho do meio e juntar a capacidade produtiva e lutadora das mulheres à natural delicadeza que existe em todo ser humano e costuma ser mais enaltecida nas pessoas do sexo feminino. Para isto, devemos começar a permitir aos homens um outro papel também, maior do que o de mero apreciador de caras e bundas. E esta mudança começa por nós mesmas, como sempre, na nossa ação como mães, mulheres, profissionais, colegas, no velho trabalho de formiguinha.
P.S. Confirmem a sua participação, no “Amigos da Blogosfera”, no “Universo Desconexo” ou no “Pensieri e Parole”.
[update] Para não me entender errado, leia também:
Comments
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March 8th, 2008 at 1:22 pm
Sucesso na casa nova!
Beijos,ALine
March 8th, 2008 at 4:52 pm
Infelizmente o Brasil mesmo alimenta essa industria de venda de corpos e essa má imagem da mulher brasileira.
E o faz de modo hipócrita, porque nossos políticos ficam indignados com a pedofilia e a exploração sexual, mas eles mesmos as praticam em Brasilia.
O que o Brasil precisa é de um compromisso nacional em lutar contra a coisificação damulher, partindo da sociedade a exigir que as TV(s) e a publicidade não vendem mais corpos perfeitos como mercadoria, passando pela punição rigorosa de todas as pessoas que explorem a prostituição de crianças, o tráfico de mulheres e o turismo sexual, desaguando em uma sociedade conscientizada da necessidade de valorizar suas mulheres.
March 8th, 2008 at 4:57 pm
Se compararmos o Brasil com o Japão em relação ao tratamento dado as mulheres pelos homens, as brasileiras estão no paraíso.
March 8th, 2008 at 5:16 pm
“Para isto, devemos começar a permitir aos homens um outro papel também, maior do que o de mero apreciador de caras e bundas.”
Pois é, para isso parece que vai ser preciso uma outra luta imensa. Mas vai chegar o dia que o homem aprenderá a apreciar uma mulher inteira rsss
bjs!
March 8th, 2008 at 5:59 pm
Sam, eu acho que o movimento feminista errou quando adotou uma postura de negação dos valores femininos e a adoção de posturas masculinas. Mas suas conquistas foram indiscutíveis e não se deve regredir. Acho que se deve encontrar um caminho do meio como você disse, no qual as mulheres tenham a escolhas entre trabalhar ou não, sem que sejam apontadas como “dependentes” se não trabalham ou “negligentes em relação” aos filhos em caso contrário. Mas deve-se reconhecer que a independência passa pela autonomia financeira…
Um beijo.
March 10th, 2008 at 2:54 pm
Sam, muito bem colocado teu texto.
Realmente temos que mudar esta visao que o mundo tem da mulher brasileira, e como? Levantando bandeiras, falando, instruindo, explicando e por que nao Blogando…temos a faca e o queijo na mao.
Obrigada pela participaçao.
beijos
Meire