Pela valorização da mulher brasileira


O dia internacional da mulher tem um significado diferente em 2008 porque vamos discutir a imagem da mulher brasileira, numa blogagem proposta pela Elysandra Figueredo e Meire Gomide. Vou entrevistar ambas sobre o resultado da blogagem e postarei na próxima semana.

Acredito que há muita história – de preconceito, por certo – para explicar o porquê de uma defesa tão exaltada pela mudança de paradigma na imagem que se passa sobre a mulher brasileira no País e, em especial, no exterior.

Entendo a indignação que as move, pois, quando morei no Japão, eu também tive momentos desagradáveis, como contei no Movimento Dekassegui. “Nunca fui festeira no carnaval, mas passei a ter uma certa raiva quando morei no Japão. Um caminhoneiro, senhor geralmente muito educado e que almoçava no mesmo lugar que eu e umas colegas (umas senhoras, obasans mesmo) brasileiras e japonesas, viu as cenas dos desfiles do Rio na TV a cabo e no dia seguinte ficou nos perguntando se a gente também pulava carnaval sem roupa. Claro que subiu o sangue, achei que ia virar samurai!


Esta é só uma das piadinhas sem graça que as mulheres ouvem quando contam que são brasileiras. O triste é saber que o estereótipo é vendido por nós mesmos, ao alimentarmos esta indústria cultural de massa (parece discurso de faculdade de comunicação, mas é a verdade) e sucumbirmos ao padrão de beleza sem questionar, seguindo a manada, sem pensar ou avaliar os caminhos à nossa frente. Mas igualmente considero que nos tornarmos escravas das lutas e da dureza do feminismo não é o caminho certo, por isso faço coro à antipatia que Lunna Guedes conta que sente pela data.

Gostaria que, como escreveu ontem Gabriel Tonobohn – em A favor da mulher feminina – pudéssemos encontrar um caminho do meio e juntar a capacidade produtiva e lutadora das mulheres à natural delicadeza que existe em todo ser humano e costuma ser mais enaltecida nas pessoas do sexo feminino. Para isto, devemos começar a permitir aos homens um outro papel também, maior do que o de mero apreciador de caras e bundas. E esta mudança começa por nós mesmas, como sempre, na nossa ação como mães, mulheres, profissionais, colegas, no velho trabalho de formiguinha. ;)

P.S. Confirmem a sua participação, no “Amigos da Blogosfera”, no “Universo Desconexo” ou no “Pensieri e Parole”.

[update] Para não me entender errado, leia também:


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9 Comentários

  1. Aline Silva Dexheimer Disse:

    Sucesso na casa nova!
    Beijos,ALine

  2. Fábio Max Disse:

    Infelizmente o Brasil mesmo alimenta essa industria de venda de corpos e essa má imagem da mulher brasileira.

    E o faz de modo hipócrita, porque nossos políticos ficam indignados com a pedofilia e a exploração sexual, mas eles mesmos as praticam em Brasilia.

    O que o Brasil precisa é de um compromisso nacional em lutar contra a coisificação damulher, partindo da sociedade a exigir que as TV(s) e a publicidade não vendem mais corpos perfeitos como mercadoria, passando pela punição rigorosa de todas as pessoas que explorem a prostituição de crianças, o tráfico de mulheres e o turismo sexual, desaguando em uma sociedade conscientizada da necessidade de valorizar suas mulheres.

  3. issamu Disse:

    Se compararmos o Brasil com o Japão em relação ao tratamento dado as mulheres pelos homens, as brasileiras estão no paraíso.

  4. Tonobohn Disse:

    “Para isto, devemos começar a permitir aos homens um outro papel também, maior do que o de mero apreciador de caras e bundas.”

    Pois é, para isso parece que vai ser preciso uma outra luta imensa. Mas vai chegar o dia que o homem aprenderá a apreciar uma mulher inteira rsss

    bjs!

  5. Maria Augusta Disse:

    Sam, eu acho que o movimento feminista errou quando adotou uma postura de negação dos valores femininos e a adoção de posturas masculinas. Mas suas conquistas foram indiscutíveis e não se deve regredir. Acho que se deve encontrar um caminho do meio como você disse, no qual as mulheres tenham a escolhas entre trabalhar ou não, sem que sejam apontadas como “dependentes” se não trabalham ou “negligentes em relação” aos filhos em caso contrário. Mas deve-se reconhecer que a independência passa pela autonomia financeira…
    Um beijo.

  6. Meire Disse:

    Sam, muito bem colocado teu texto.
    Realmente temos que mudar esta visao que o mundo tem da mulher brasileira, e como? Levantando bandeiras, falando, instruindo, explicando e por que nao Blogando…temos a faca e o queijo na mao.

    Obrigada pela participaçao.

    beijos

    Meire

  7. Pela valorização da mulher brasileira (2) | a vida como a vida quer Disse:

    [...] Pela valorização da mulher brasileira [...]

  8. Pela Valorizaçao da Mulher Brasileira III - Blogagem Coletiva Disse:

    [...] Bonfim, 47. Lola, 48. Cheers, 49. Cadinho, 50. By Osc@r Luiz, 51. Carlos Hotta, 52. Tina, 53. Sam Shiraishi, 54. Mirella, 55. Senzainchiostro, 56. Suely, 57. Grace, 58. Elzinha, 59. Celia, 60. Lulu on the [...]

  9. Michell Niero Disse:

    Olá, como vai?

    Antes de tudo, parabéns pela iniciativa de utilizar seu blog para unir pessoas em torno de alguma causa. Assim como você, acreditamos no potencial da blogagem coletiva como formato possível de união e mudança na sociedade.

    Criamos recentemente o blogagemcoletiva.org (www.blogagemcoletiva.org). Trata-se de um agregador de conteúdo voltado à divulgação de mobilizações coletivas realizadas via internet.

    A idéia é tanto auxiliar o blogueiro a potencializar suas manifestações como também divulgar os resultados obtidos através de sua iniciativa. O funcionamento é semelhante ao de indexadores como Uêba, Ocioso e Linklog. Tudo pode ser feito sem a necessidade de cadastro. O blogueiro nos envia sua manifestação por meio do link “envie uma blogagem” presente no topo da página e, se tudo estiver dentro das nossas políticas de publicação, ela será divulgada no site.

    Ah, e para incentivar a adesão da blogosfera nós criamos um ranking, onde os visitantes podem declarar por meio do voto sua participação ou apoio à causa. A manifestação mais votada a cada semana ganhará destaque especial no site.

    Podem ser blogagens coletivas, memês, petições, campanhas, protestos e toda e qualquer manifestação válida que busque contribuir de alguma maneira com a sociedade. Por isso, junte seus (suas) companheir@s de blogagem e faça da blogosfera um mais produtivo e engrandecedor. E conte com a gente para que sua iniciativa contamine mais e mais pessoas!

    Se puder divulgar a gente em seu blog, seremos muito gratos!

    Viva a democracia!
    Michell Niero

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