Arquivo: July, 2011

Educativo, bonito e sustentável é o “brincar desestruturado”

Postado em Consumo Consciente, Sustentabilidade no dia 31/07/2011
Para quem estava curioso com a casa na árvore da casa do vô ;-) #curitiba

"Foto da Casa na árvore que o vovô fez para #aos8 #aos11 e suas primas de Curitiba"

“Brinquedos entram na moda ‘ecofriendly’ e já usam até energia solar”, dizia a chamada de um artigo de Valéria França outro dia sobre uma nova onda no consumo, a de brinquedos educativos que ensinam sustentabilidade.  Segundo a jornalista, dentre as novidades está “uma casa de bonecas cheia de engenhocas que desperta interesse até de meninos. No telhado, ela tem placas de energia solar, que funcionam de verdade – carregam baterias e acendem lâmpadas. A construção ainda apresenta em menor escala conceitos modernos de moradia, como reaproveitamento de água, lixeiras recicláveis, plantação com energia eólica, e por fim, uma estufa.”

Confesso que tenho minhas críticas a esta mania de brinquedos educativos (e à moda sustentável também) porque vejo muita gente simplesmente redirecionando seu consumismo para estas marcas sem, de fato, rever o consumo exagerado que é a grande questão sustentável na realidade atual.

Para mim, sustentável é deixar a criança brincar, livremente, sem imposição de brinquedos e orientação de brincadeiras por parte dos adultos ao seu redor. É mais sustentável a brincadeira de casinha usando as cadeiras da mesa de refeições com um cobertor como telhado do que estimular o consumo para ensinar a ser um adulto “legal”.

Há alguns dias estivemos em Curitiba e meus filhotes puderam conhecer a casa na árvore que o avô (meu sogro) fez para os netos brincarem no quintal. Sonho de toda criança, a simples menção da casa na árvore, que fiz no meu Instagram dias antes, deixou muito adulto sonhando com uma situação assim.

Creio que, já que não somos mais como Cebolinha e Cascão a fazer casas e carrinhos com madeira usada que reaproveitamos por aí, criar um universo artificial de brinquedos educativos ecológicos não é o caminho mais sustentável. Eu adotaria (na verdade eu adoto, em paralelo à “corda” que damos na inserção dos meninos no universo geek dos tablets e afins) uma postura de incentivo da criatividade genuinamente infantil, do brincar que inventa e faz sem exigir muito, da fantasia que transforma caixas em brinquedos sem precisar de muita estrutura (e tinta, adesivo, comercialização) e que funciona há milênios com as cores que a imaginação nos dá, de graça, esta sim, muito sustentável e imensamente mais feliz.

O que vocês acham?

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Fico feliz por contar que este post inspirou a @deniserangel a fazer um outro texto e contar de muitos brinquedos e brincadeiras dela, da filha e da neta. Adorei Denise!
:-)
Como eu comentei lá, fiquei com vontade de brincar de tudo. E felizmente, muitas vezes quando vou buscar meus filhos na escola, eu pulo um pouco de amarelinha com as meninas do pátio, que me fazem companhia enquanto espero os mocinhos brincarem com alguma “bola de papel” (não é mais de meia) ou algo do gênero.
Os meus meninos brincam muito solto, criam muitos brinquedos (em especial com LEGO, este sim um brinquedo bom porque hiper durável e uber mutante) com caixas de sobras e mil outras coisas, mas também porque muitas vezes precisam só de imaginação para inventarem histórias e se transportarem para o mundo da magia.
Acho que, tanto para crianças quanto para pais, falta muito esta liberdade de inventar, de imaginar, de sonhar sem precisar de objetos que materializem o que se sonha.
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The cat in the hat para iPhone

Postado em Little readers no dia 31/07/2011

Neste sábado, “forçada” a manter um garotinho de 8 anos quieto e sob observação, relembrei de um livro para iPhone (creio que também iPod e iPad) com uma das obras de Dr. Seuss gratuitas para download na App Store, The cat in the hat (O Gato da Cartola).

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O livro, de história antiga e bastante simples, é uma chance para os crescidinhos reforçarem o inglês e para os pecorruchos aprenderem a reconhecerem os objetos que são nomeados cada vez que a criança clica na imagem na tela.

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É uma alternativa para quem gostaria de testar a reação dos pequenos aos livros com som (e um pouco) de animação e dos crescidinhos aos sons e possibilidade de leitura e compreensão do contexto da história.

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E a história?

Muito simples, para crianças pequenas e com ritmo de rimas em inglês, conta da surpresa de dois irmãos que estão muito chateados por não poderem brincar porque está chovendo lá fora e não há o que fazer dentro de casa. Foi interessante ouvir do filhote questionamentos com a surpresa das crianças estarem em casa sem a mãe (sem um adulto) e não pensarem em brincadeiras indoor!

Os livros infantis, tão tradicionais nas estantes das crianças estadunidenses, foram adaptados para o cinema duas vezes, mas sem sucesso.Tanto em 2003, com a direção de Bo Welch, com Mike Myers e Dakota Fanning estrelando a adaptação, quanto How the Grinch Stole Christmas, estreado por Jim Carrey em 2000, os filmes receberam muitas críticas negativas. Mas Horton e o Mundo dos Quem, também baseado em uma de suas obras, é altamente recomendável, embora muito adulto.

E o autor?

Theodor Seuss Geisel (1904-1991) ficou conhecido pelo pseudônimo Dr. Seuss, sob o qual publicou mais de 60 livros infantis. Curiosidade: Seuss serviu ao exército americano por vontade própria por odiar os nazistas.

P.S. E se você gosta deste universo de leitura e cultura para crianças, visite também o blog coletivo que eu e muitos pais e filhos mantemos: o Pequenos Leitores.

Katazukê! (ou quem é responsável por juntar a bagunça dos amigos?)

Postado em from posterous no dia 30/07/2011

Quando um amigo vem brincar com seu filho em casa, quem arruma a bagunça?


Este foi o tema de um post da @priperlatti e eu achei que o tema valia um comentário e link aqui para fechar as férias.

Acredito que devemos contar com a ajuda das crianças, afinal, Pedir para ajudar é diferente de explorar mão de obra infantil ou sobrecarregar as crianças, é educar para cidadania. Certamente que os adultos acabarão fazendo a maior parte do trabalho, mas ao ajudar as crianças aprendem o valor de seu papel e do trabalho em conjunto.


Aqui em casa – mesmo quando há amigos visitando – as crianças ajudam e muitas vezes assumem todo cuidado com os seus brinquedos. E aí, como você administra?

P.S. Katazukê é a expressão que a mãe usa, em japonês bem informal, para dizer: “vamos juntar tudo”! (risos)

Agradecendo a companhia na madrugada de febre no @maecomfilhos

Postado em Mãe com filhos, Saúde e Bem Estar no dia 30/07/2011

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Madrugada preocupante por aqui:
#aos8 teve uma febre alta repentina, que não cedia com o tratamento de sempre (medicamento, banhos, compressas e etc), culminando em ida ao Pronto Atendimento onde fez hemograma para tentar detectar as causas. Ele voltou para casa quase de manhã e a febre continua alta!
Prevejo um ultimo final de semana de ferias de muitos cuidados e atenção redobrada por aqui.
Agradeço muito aos amigos que leram meu tuite antes da ida ao médico e manifestaram sua preocupação e cuidados com a gente. ;-)

P.S. Sabem o que assusta? Ontem pegamos as crianças na festa de despedida da colônia de férias, as 18h, e eles estavam super felizes e bem. Fomos até comemorar! Mal chegamos casa e a febre começou a subir… Quando vimos que nem com banhos e etc baixava de 38,5 graus, o jeito foi ir ao Pronto Atendimento – onde se passaram mais quatro horas de febre, exames e nada de diagnóstico. o.O

[update]

Opa, estamos melhorando… Só 37,5 graus de temperatura. E olhem o sorrisão!

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A Copa América em números (por @angelaernesto)

Postado em Esporte, midia social no dia 29/07/2011

Logo Copa America

No último domingo chegou ao fim a Copa América 2011, então é hora de nos despedirmos das hashtags #copaamerica e #ca2011. Durante os 24 dias de competição monitoramos  mais de 90 mil menções somente em nosso idioma às hashtags oficiais da competição.

Ao longo da competição, registramos em média  a ocorrência de 35,56 tweets por minuto, número que poderia ser ainda maior, visto que as hashtags oficiais concorriam com outras criadas para criticar ou elogiar os jogadores e a competição.

Sendo a maior região em população, foi fácil para o Sudeste liderar o número de menções as hashtags monitoradas, onde registramos 46,08% dos tweets publicados, considerando é claro somente os perfis com identificação de localização. O Nordeste também se mostrou “plugado” na rede, levando o segundo lugar com 26,63%. No mapa apresentamos o índice por região para comparação.

Mapa do Brasil

O monitoramento também revelou que a audiência no twitter cresceu, e muito, com disputa da segunda fase da competição, porém com a desclassificação das seleções do Brasil e Argentina o índice retroagiu, mas ainda assim registrou na final da competição a marca de 35,21 tweets por minuto, sendo superior a média inicial do torneio, o gráfico abaixo permite visualizar facilmente variação de menções a cada fase do torneio.

Ao longo da primeira fase da Copa América, acompanhamos também a torcida, ou críticas, a nossa seleção, um estudo que revelou a queda na confiança dos torcedores brasileiros, a cada jogo reduzia-se a torcida antecipada pela vitória da seleção.

Durante as exibições brasileiras  foi também alto o índices de criticas ou torcida contra o Brasil, mas o peso dos péssimos jogos, era apontado ao término de cada partida onde o índice de menção negativa a seleção chegou a superar os 91%.

Tweets por jogo

Nota: O percentual foi calculado considerando somente menções positivas e negativas.

Para menções consideradas negativas prosseguimos com o estudo avaliando as críticas dirigidas ao elenco, ao técnico ou simplesmente uma torcida contra a seleção, confira o resultado:

tweets negativos

No fim da competição, Uruguai se deu melhor frente a seleção do Paraguai e levantou o caneco, teve também um destaque em menções, sendo citado em 48,78% dos tweets monitorados do último dia do torneio, frente aos 28,83% de seu adversário. Só no último dia de competição as hashtags acompanhadas foram exibidas 7.181.079 de vezes nas TL mundo afora!

Abaixo destacamos os 7 usuários que mais tuitaram com as hashtags monitoradas:

  1. @FutebolTerra – 366 tweets
  2. @espnagora – 200 tweets
  3. @CocaFc – 169 tweets
  4. @_JPGuerra – 167 tweets
  5. @blogdotorcedor – 141 tweets
  6. @brunoitatiaia – 139 tweets
  7. @JogandoJunto – 136 tweets

As análises e os estudos foram desenvolvidos pela equipe de Métricas e Monitoramento da #Otagai. Deixe sua opinião, crítica ou sugestão.

angelaernesto

Eu não “sou” da Mooca, mas aprendi a amar este bairro e a chamar de meu

Postado em são paulo no dia 29/07/2011

Ainda tem galpões na Mooca...

Não posso dizer, de boca cheia como quem é da terceira ou quarta geração nascida e criada por aqui, que “sou da Mooca”. Mas eu adotei este bairro tradicional e peculiar de São Paulo como meu e hoje digo, com muito orgulho, que Amo a Mooca. Falo sempre desta comunidade querida que me recebeu com os braços abertos e sorrisos nas faces quando mudei para cá em fevereiro de 2005 por conta do trabalho do meu marido e que me aceita, sem perguntar de onde venho, onde cresci, interessada apenas em saber se gosto de ficar aqui.

O Mooquense é um ser à parte. Acolhe, cobra, reclama, elogia, fica feliz e fala alto quando encontra outro igual. E a gente se encontra em todo lugar porque o povo da Mooca compra aqui, come aqui, passeia aqui. Aonde quer que a gente vá na região encontra as pessoas do bairro, cumprimenta conhecidos, descobre afinidades, é como uma vida em cidade pequena – nem tão pequena, já que o bairro, apesar de aconhegante e de ser um dos menos populosos da capital, passa dos 60 mil habitantes e tem um comércio invejável.

Pensei em tudo isso quando vi, há algumas semanas, a notícia de que o sotaque da Mooca pode virar patrimônio imaterial de SP. Segundo a notícia, há um pedido no Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico) para transformar o jeito de falar do paulistano da Mooca, zona leste, no primeiro bem patrimonial imaterial protegido da capital, transformando o “mooquês“, a forma peculiar de falar dos moradores do bairro e que criou expressões hoje identificadas com o sotaque paulistano, como “um chops e dois pastel”, “orra, meu” e “belo”, em patrimônio.

Foi interessante ler as explicações, que remetem à chegada dos ancestrais de muitos de nós ao Brasil, sobre o sotaque, contando que a dificuldade em aplicar o plural ocorre porque o “mooquês” surge da mistura do português com o italiano, língua em que o plural é realizado com as letras “i” ou “e” no final das palavras, e não com o “s”.

O pessoal daqui tem orgulho disso – e eu confesso que fico na dúvida se acho lindo ou assustador quando ouço meus filhos, nascidos em Curitiba e criados aqui, “esquecendo” dos plurais como faziam os imigrantes, mas adoro quando eles falam cantado!

E para quem pensa que aqui só tem italianos, uma correção: “o jeito de falar na Mooca foi criado por todo mundo que veio viver aqui. Italianos, espanhóis, lituanos, nordestinos”, diz Oreste Ferri – o ex-jogador da Portuguesa e do Juventus (time que é uma paixão na Mooca), corrige quem se arriscar a contar a história de forma superficial.

Li também que o mestre e doutorando em letras pela USP, Mauro Dunder, estudou o vocabulário da região da Mooca, mas joga um balde de água gelada na história do sotaque ser preservado. Segundo ele, não há como uma língua, ou simplesmente o modo de falar, ser preservado.

“A língua é um organismo vivo, que se manifesta de maneira espontânea e se perpetua ou não de acordo com uma série de fatores externos, como o crescimento do bairro, por exemplo.”

[Mooca] Mudanças na Mooca Baixa

Mas mesmo esta preservação tem seu valor, nem que seja para efeito de documento histórico, que, segundo já ouvi alguns historiadores estudiosos da imigração italiana no sul do Brasil contarem, ajuda até na preservação da identidade cultural italiana. Da minha parte, como mooquense não nascida aqui, mas que adotou com todo amor este bairro, faço votos de que, com ou sem o “tombamento cultural” do sotaque, a Mooca consiga preservar o que tem de melhor e que sua cultura afetuosa, acolhedora e natural sobreviva à especulação imobiliária que assola o bairro nos últimos anos.
:-)

P.S. No vídeo abaixo, uma brincadeira que eu e os meninos fizemos, tem um pouco da Mooca vista do café do SESC Belenzinho, bem como uma demonstração da diferença do sotaque dos meus meninos meio mooquenses e do meu, muito paranaense. (risos)

Beleza e autoestima roubadas pelo Photoshop

Postado em Beleza e estética no dia 28/07/2011

“Dois anúncios de cosméticos que usavam fotos alteradas por computador foram proibidos na Grã-Bretanha sob a acusação de que eram ‘enganosos’”
BBC

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Hoje cedo me deparei com uma notícia de que na Inglaterra anúncios de cosméticos antiidade foram “barrados” por conterem propaganda enganosa (e muito Photoshop). Na hora pensei: quero ver a regulamentação da propaganda no Brasil chegar a este ponto!

Tem regulamentação melhor do que aquela que exige que se comprove o que se promete? Pois nós temos uma lei no Brasil que nos defende da propaganda enganosa, mas creio que poucos sabem usá-la – eu mesma, apesar de ter trabalhado na assessoria de imprensa do Procon, nunca tinha feito esta correlação do excesso de manipulação digital nas fotos de artistas com a cobrança de que os efeitos prometidos pelos cosméticos funcionassem de fato com uma “propaganda enganosa”.

São direitos básicos do consumidor estabelecidos pelo artigo 6º da lei nº 8.078, de 11 de Setembro de 1990:
(…) IV - a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, métodos comerciais coercitivos ou desleais, bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de produtos e serviços;

Neste caso, ainda tem um plus: a argumentação de que “poderiam contribuir para problemas com a autoimagem dos consumidores” e de que “deveríamos ter alguma honestidade nos anúncios publicitários“.

O parlamentar inglês que fez a denúncia de propaganda enganosa lembrou que

“Há um quadro mais abrangente, em que metade das mulheres jovens, entre 16 e 21 anos, que dizem que consideram fazer cirurgias cosméticas e estamos vendo o número de distúrbios alimentares mais do que dobrar nos últimos 15 anos”.

Segundo entendi, o parecer que considerou os anúncios com retoques exagerados de Photoshop “propaganda enganosa” o fez porque as empresas não conseguiram provar que os benefícios indicados na divulgação que acompanhava as fotos eram realmente factíveis para as consumidoras. Daí que o discurso que promovia uma base “anti-envelhecimento”, foi alterado para “clarear a pele, limpar a maquiagem, diminuir sombras escuras ao redor dos olhos, deixar os lábios mais lisos e escurecer as sobrancelhas”.

Vocês acreditam que juntos, atuando de forma mais ativa ao exigir nossos direitos, alcançaremos este estágio de cidadania?

P.S. Se os temas lhe interessam recomendo pensar no Conar e o risco da autorregulamentação e no meu review do livro-estudo de Raquel Moreno A Beleza Impossível – Mulher, Mídia e Consumo.

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