Você já ouviu falar em CrowdFouding?
Postado em Carreira e dinheiro no dia 30/05/2011“No crowdfunding quem busca investimento para alguma iniciativa publica o projeto em um site, estabelecendo quanto quer arrecadar. Os internautas que gostarem da ideia podem, então, colaborar financeiramente. Se a meta for atingida, quem investiu ganha compensações, desde ingressos para o show financiado, por exemplo, até ações da empresa em questão. O site fica com uma fatia do capital repassado, geralmente 5%. Caso o projeto não atinja a meta de arrecadação em determinado tempo, o dinheiro dos que apostaram é devolvido.”

A ideia parece boa, não é mesmo? E está ganhando espaço no Brasil. Inspirado em experiências internacionais, este modelo de arrecadação de recursos apareceu por aqui há poucos meses, mas já conta com 12 sites funcionando e diversos outros recém-criados ou a caminho – e dizem que atraindo pelo menos R$ 600 mil em investimentos dos bolsos de 3.500 internautas.
Mas afinal, o que é crowdfunding?
“De forma bem simples, é o termo para usar quando a gente fala de iniciativas de financiamento colaborativas. Traduzindo para o português seria algo como “financiamento pela multidão”. A ideia é que várias pessoas contribuam, com pequenas quantias, de maneira colaborativa, a viabilizar uma ideia, um negócio, um projeto.
O Wikipédia – que, por sinal, é uma iniciativa “crowd” – define crowdfunding como uma ação de cooperação coletiva realizada por pessoas que contribuem financeiramente, usualmente via internet, para apoiar iniciativas de outras pessoas ou organizações.”
Matéria do Globo dava conta de que dos nove principais sites de crowdfunding do Brasil 67,77% do total investido foi para projetos artísticos, como a produção de filmes e de livros, atendendo a demanda cultural que tem dificuldade de apoio, mas está habituada a buscar fundos. Surpreendeu-me saber que os projetos de empreendedorismo, tanto para criação de empresas quanto para desenvolvimento de produtos inovadores, respondem por 28,83% do atual croudfunding brasileiro. O restante fica 3,40% fica como iniciativas de cunho social.
E para quem acha que este tipo de incentivo passa longe da sua vida, um exemplo interessante: o Ajude Um Repórter é considerado exemplar, apesar de não ser uma plataforma de crowdfunding porque o relações-públicas Gustavo Carneiro conseguiu implantar o projeto graças à “vaquinha” online na qual cerca de 180 pessoas contribuíram com a campanha realizada no Catarse, que precisava de 15 mil reais para tirar a ideia do papel – para quem não conhece o @ajudeumreporter conecta jornalistas e produtores de conteúdo a fontes e personagens para matérias e outros conteúdos em produção. O serviço é gratuito e o levantamento é todo feito por crowdsourcing.
Se você quer procurar projetos no Brasil, comece por aqui: Incentivador, Catarse e Queremos, sites que mostram esta forma de investimento. E se você tiver outros projetos em mente, não deixe de compartilhar nos comentários!
“Enquanto lá fora o chamado financiamento colaborativo pela internet se firma como uma alternativa viável aos fundos de capital e a outros instrumentos de crédito que viabilizam investimentos, no Brasil as iniciativas de crowdfunding avançam a passos lentos, ainda concentradas em projetos artísticos, e escorregam na insegurança jurídica, causada pela falta de uma legislação específica.”
Viva o Amanhã Mais Verde
Postado em moda e estilo, Sustentabilidade no dia 29/05/2011
Há alguns dias fui informada desta campanha da Avon e na hora simpatizei. Duas coisas que me interessam profundamente como ativista estão nesta campanha que sugere: sustentabilidade e serviço social. Acho importante que as campanhas vejam o todo da sustentabilidade, incluindo seres humanos – e a Avon tem uma bela história de inclusão feminina com seu trabalho door-to-door que promove a melhoria substancial da renda de muitas famílias, sem falar no aumento da autoestima de mulheres que estariam fora do mercado de trabalho sem esta oportunidade de trabalho que é um dos primeiros homesourcing de que ouvi falar. Sei que o Instituto Avon também tem campanhas interessantes como a da violência contra mulher, sobre a qual já falei aqui no blog e que tem na atriz Reese Whiterspoon sua imagem pública. E tem meu lado de ativista do Outubro Rosa, né?
A Avon tem, várias ações voltadas para a mulher, além desse programa que tem a Reese, que no Brasil é o “Fale Sem Medo” tem o “Avon Contra o Câncer de Mama” que já doou mais de R$ 25,9 milhões para organizações e ajudou mais 3.142 casos de câncer de mama a serem diagnosticados.
Mas eu não sabia desta vertente mais verde da empresa. Segundo me contaram
“O Viva o Amanhã Mais Verde, é o braço da Avon que busca cuidar da sustentabilidade e que começou com o projeto elaborado pela ONG TNC (The Nature Conservancy), para tentar frear o acelerado desmatamento de nossa Mata Atlântica, Em março de 2010 a empresa promoveu, entre seus revendedores no mundo inteiro (mais de 6 milhões), a campanha Viva o Amanhã Mais Verde (Hello Green Tomorrow) e este ano, a campanha volta com as camisetas feitas de malha PET.
100% do lucro obtido com as vendas será revertido para a ONG The Nature Conservancy, para aplicar a este um programa de recuperação da Mata Atlântica, incluindo reflorestamento, proteção das fontes de água potável e desenvolvimento sustentável das comunidades locais.”
Fica a dica para quando sua consultora Avon (todo mundo conhece alguma mulher que complementa a renda sendo representante dos produtos) aparecer, né? A camiseta, de malha pet (sabem que são as mais gostosas de usar, né?), tem uma modelagem grande, podem comprar sem susto (a minha é M e ficou até folgadinha no corpo). Clique na imagem abaixo para ter mais informações e para apoiar a causa também.
A campanha apoia projetos de preservação da Mata Atlântica, um dos ecossistemas mais importantes do mundo e um dos mais ameaçados – é “a Muralha” que os desbravadores do Brasil tinham que transpor para chegar ao interior e que hoje tem 93% de sua área destruída. O interessante na mobilização Viva o Amanhã Mais Verde é a ideia de inspirar um movimento ambiental feminino que patrocinará o plantio e regeneração assistida de 1 milhão de árvores na Mata Atlântica na América do Sul e arrecadação adicional de fundos para restaurar seu ecossistema vital.
E nosso trabalho pode ser só doar os dez reais, como diz na minha camiseta, mas a gente espera, sinceramente, que esta doação seja apenas o começo de um novo olhar para o meio ambiente e para o nosso papel na preservação do que nos cerca e do que verdadeiramente tem valor para o futuro.
P.S. E antes que falem, um aviso: este post NÃO é publieditorial;
La rue Gallimard
Postado em livros, Viagem e Turismo no dia 27/05/2011“Sem nenhuma ligação política ou religiosa, Gaston Gallimard só tinha uma ambição: reunir, sob sua grife os maiores escritores”
Michel Winock, historiador, resumindo a motivação do fundador da editora que completa 100 anos em 2011

Se eu estivesse em Paris daqui a algumas semanas visitaria a editora Gallimard (Les Editions Gallimard) já na rua que, a partir de 15/06, passará a ter o nome do fundador de um dos símbolos da universalidade do espírito literário francês.
Conheci a editora dos tempos do curso de francês, através das publicações da Folio, de livros de bolso, e de clássicos que li por força minha professora do idioma, Ariete Scheremeta. Como Ariete (uma professora em vias de se aposentar quando me deu aulas, de 1990-92) e eu, várias gerações devem parte de sua cultura à editora que completa 100 anos de funcionamento ininterrupto e soube se reinventar para se manter em funcionamento e agradar a gregos e troianos.
“Costuma-se dizer, nos meios editoriais, que o sucesso da Gallimard se deve, sobretudo, ao fato de que a editora foi criada sem apego a linhas ideológicas, e sempre aberta aos diferentes estilos e movimentos literários, como o surrealismo e o existencialismo, sem levantar a bandeira de nenhum tipo de causa”, relembra Daniela Fernandes em artigo recente sobre o centário da editora.
Quer ver como a maioria de nós teve influência da editora? Na imagem conta a lista dos mais vendidos da Gallimard em 2010 e o primeiro é O Pequeno Príncipe (de Antoine de Saint-Exupéry), seguido de duas obras de Albert Camus (O Estrangeiro e A Peste) e algumas de Jean-Paul Sartre e Ernest Hemingway.

E é do número 5 da (atual) rue Sébastien-Bottin que eu me despeço dos posts oficiais desta semana em Paris. Um lugar simbólico, nos arredores do Museu d’Orsay, e que representa muito do que a cidade significou sempre para mim, uma fonte de cultura que não é erudita ou excessivamente culta, mas aberta para mesclar o velho e o novo, a reunir em si elementos para convidar a um pensamento que tem começo, mas não fim, sobre o propósito de nossa presença e existência humana no mundo que compartilhamos.
#semanaotimismo
Postado em Sustentabilidade, Viva Positivamente no dia 26/05/2011Olha eu aqui de novo à convite da Sam para um post. Dessa vez venho falar sobre a Semana Otimismo que Transforma. Começo então, contando como foi o ponta pé inicial da aventura.
No dia 17/05, embarcamos rumo ao Rio de Janeiro para uma visita a ONG @doeseulixo e conhecer o trabalho que é feito em conjunto com o Instituto Coca-Cola para melhorar a qualidade de vida, gerar emprego e renda para a população carente através da coleta seletiva de materiais recicláveis.
Presentes ao nosso bate papo estavam o Coordenador Nacional da ONG Doe Seu Lixo – Júlio Santos, a Diretora de Negócios Sociais do Instituto Coca-Cola, Claudia Lorenzo e algumas representantes de cooperativas, que através dos seus depoimentos, pudemos conhecer o funcionamento e a importância social do trabalho que é feito através da parceria de TODOS.
Durante o encontro Claudia falou a respeito da Semana Otimismo que Transforma que está em sua quinta edição, e que esse ano apoia os programas de reciclagem do Instituto Coca-cola Brasil.
Para participar da Semana Otimismo que Transforma, que está acontecendo entre os dias 22 e 29 de maio, bastar consumir qualquer produto Coca-Cola e parte da receita obtida com a venda dos produtos serão revertidas para apoiar os programas de reciclagem.
O encontro não só me ajudou a entender melhor a importância da reciclagem, como me deu uma lição de vida e de otimismo. Em minha primeira viagem com blogueiros o contato olho a olho foi fundamental para construir confiança e grandes amizades, sem contar com os depoimentos daquelas maravilhosas mulheres e representantes das cooperativas que com uma vida tão dura, mas cheia de orgulho, tiram de letra o trabalho que desenvolvem. Diferentes nas opiniões, profissões e personalidade, mas todos nós estavamos ali em busca de um único objetivo, viver positivamente e levar a vida com grande otimismo.
Angela Ernesto
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Visita ao Centre Carasso
Postado em Mãe com filhos, Saúde e Bem Estar no dia 26/05/2011
Nesta quinta-feira tenho uma programação especial, o grande motivo da minha viagem a Paris: uma visita ao Centre Carasso, a organização responsável por todas as atividades de pesquisa e desenvolvimento da marca, que em algumas regisões do Brasil é sinônimo de “iogurte”.
[Lembro que quando mudei para Sampa, ainda no hotel onde nos hospedamos para procurar o apartamento, as funcionárias da copa sempre diziam: tomou danone, lá tem danone, e eu me surpreendia por ver como a marca é sinônimo de bebidas lácteas por aqui!]
No Centre Carasso trabalham centenas de cientistas especializados em vários campos da ciência e tecnologia: nutricionistas, físicos, gastrenterologistas, cardiologistas, imunologistas, microbiologistas, biólogos moleculares, bioquímicos, engenheiros alimentares, especialistas em comportamento do consumidor e evolução comportamental e sensorial. E e outras mães convidadas, que a equipe da viagem tem chamado carinhosamente de actimães (por conta da bebida que representa o ingresso da Danone do Brasil no universo dos alimentos que cuidam da saúde, o Actimel), vamos ter a oportunidade impar de conversar com alguns destes cientistas nesta tarde. Seremos recebidos por Françoise Néant, a seguir termos uma conversa sobre a abordagem nutricional da marca com Bridget Holmes e aprenderemos sobre as pesquisas com probióticos para saúde com Gianfranco Grompone.
O cientista nos orientará também numa visita aos laboratórios do centro de pesquisas e em seguida conheceremos mais dos planos da marca (novamente com Néant), ouviremos de Felicetta Ortica como se relacionam com o consumidor e por fim nos aprofundaremos na pesquisa clínica Murielle Gagneau e sobre o que nos interessa mais diretamente e sobre o que nos consideramos um pouco conhecedoras por sermos mães, o desenvolvimento infantil, tema da palestra de Laure Burtin.
Um dia intenso, que me trará muito aprendizado, especialmente por ser eu uma das pessoas com leve intolerância a lactose, sempre em busca de uma opção saudável para repor o calcio no meu organismo (e desejando fazer o mesmo com o filho mais velho, que herdou esta condição da mãe). E sabem que acho que voltarei mais animada, né? Quando ganhei a torradeira de Actimel no Dia das Mães (na ação explicada aqui, no Meio & Mensagem) decidi fazer um teste e passei alguns dias tomando direitinho o iogurte, que me tinha sido recomendado por uma amiga. Foi uma boa surpresa, tão positiva quanto a que tinha tido com o Densia, uma opção saudável com calcio extra. Vamos ver como eu volto da imersão cultural na Danone, né? Prometo contar tudo na semana que vem – ou, se o chip 3G francês funcionar, posso até tuitar durante o evento!
E, por fim, quem estará lá comigo, representando as mães brasileiras: Glauciana Nunes (do Coisa de Mãe) e Carolina Longo (do Rede Mulher e Mãe), Flávia Fiorillo (do Mamãe sabe tudo) e Giovana Reobol (do Nascendo uma mãe), as mães citadas com entusiasmo no vídeo abaixo.
Breakfast Reminder from Simone Santos on Vimeo.
Paris, J’arrive!
Postado em Viagem e Turismo no dia 25/05/2011Como contei, queridos, passo esta semana em Paris e hoje, ao chegar, já dei umas voltas na Cidade Luz.
A cidade de Paris merece este título, não só pelos letreiros, prédios iluminados (mas que não ultrapassam 3 andares para não “enfeiar” a paisagem), mas pela claridade natural. Hoje estávamos num restaurante perto da catedral de Sacre Coeur (de onde tirei a foto com visão panorâmica da cidade), quando vi o relógio marcar 22h antes da noite cair. Uma delicia que franceses e turistas aproveitam.
Estamos num hotel muito bem localizado – entre o Louvre e a igreja de São Eustaquio – e o passeio foi de metrô, já que tem uma estação frente ao hotel. Ao entrar no trem hoje pensei em conhecidos que reclamam tanto do metrô no Brasil. Como nossa malha ferroviária, pelo menos de metrô, é jovem, os carros são bem melhores. Mas quem nunca se transportou de metrô em cidades como Paris ou Nova York não tem a noção exata do quanto é melhor. Fiz um vídeo no youtube (www.youtube.com/samegui) que mostra um pouco disso.
Uma opção é a bicicleta, apesar do caos do trânsito daqui. As ruas, no geral, são estreitas e com as obras na cidade (sempre há obras, né?), fica difícil fluir. Mas vi mais bikes de empréstimo paradas nas esquinas (há muitas na região central), do que ciclistas de fato.
Vamos ver se esta impressão se mantém nos próximos dias. Outro ponto legal de comentar foi que soube muitos detalhes sobre a vida cotidiana francesa com minha colega de avião, uma jovem filha de (pai) brasileiro que vive na França desde os 5 anos com a mãe. Soube detalhes da pratica de descarte de lixo, acompanhamento escolar dos filhos, política interna e muito mais que deve render muitas reflexões em posts.
E é nesta cidade antiga, mas sempre em obras para melhorar, cara mas com uma vida noturna e social incrível, cheia mas capaz de se fazer aconchegante, que passo os próximos dias. E se puder vou contando por aqui (via iPhone, portanto perdoem eventuais erros), minhas impressões.
Beijos e boa quinta por ao queridos.
Yves de La Taille: “As crianças notam contradições éticas”
Postado em Comportamento, Mãe com filhos, todos pela educação no dia 25/05/2011Quem já viu este vídeo (campanha australiana, creio que de 2006) nunca mais esquece. Em Children See, Children Do, somos colocados forçosamente diante do que o exemplo representa para uma criança. Se você nunca viu, pare alguns minutos e veja. Se já viu, sempre vale rever.
Ao ler o conteúdo que compartilho com vocês neste post eu pensei muito no tal vídeo, que já postei aqui há anos. Sim, eu estou fora, neste horário devo estar atravessando o Oceano Atlântico a caminho de Paris. Mas deixo para vocês a reprodução de uma entrevista interessante que li há alguns dias na Época. Nela o especialista em psicologia moral Yves de La Taille, um francês que se naturalizou brasileiro, autor de Moral e Ética: Dimensões intelectuais e afetivas, nos convida a pensar como uma criança enxerga os costumes e as atitudes de seus pais e professores.
Partindo as impressões de um garoto sobre a ética do mundo adulto, seu novo livro, Ética para meus pais (Editora Papirus), La Taille mostra, através da sensibilidade infantil para os desvios e as contradições éticas e morais dos adultos (segundo li, o personagem vê, registra e usa essas falhas para construir seus próprios costumes) e nos coloca frente a frente com o desafio de ensinar pelo exemplo.
Segue a reprodução da entrevista (tão boa que não resisti a colocar aqui):

O personagem principal de seu livro parece um refém da ética de seus pais…
Sim, pela idade dele, ali por volta de 7, 8 anos, ele ainda é refém da ética dos adultos com os quais convive. As noções de moral e ética começam a aparecer cedo na criança, por volta de 3, 4 anos. É quando ela começa a perceber que há diferença entre deveres rotineiros, como tomar banho e comer na hora certa, e os deveres morais. Nessa fase, a criança é heterônima, ou seja, ela entrou no mundo da moral e da ética, mas costuma esposar os valores do meio onde está. Só a partir dos 9 ou 10 anos é que ela se torna autônoma e começa a demandar critérios racionais, além de usar apenas fontes prestigiosas, como pais e irmãos, para decidir o que é certo ou errado.Isso significa que a ética é aprendida pelo exemplo dos pais?
Dos pais e da escola. No livro, ética tem um sentido global, e não o tradicional, só voltado para o bem e para o mal. Ética são costumes, e costumes não nascem inscritos no DNA de ninguém, por isso as influências sociais são essenciais na formação ética e moral. Para a criança, essas influências vêm da família e da escola. Tomás, o personagem principal, observa e narra situações em casa e com professores e colegas da escola.Há uma receita que garanta que os filhos aprendam ética e moral?
Não. O principal que os pais devem ter em mente é que crianças são extremamente observadoras. Elas olham muito, apesar de ainda não serem capazes de raciocinar ou fazer deduções com aquilo que estão vendo. O comportamento dos pais, portanto, é essencial. Principalmente porque, desde pequenos, os filhos percebem as contradições entre o discurso dos pais e sua prática. Eles notam as contradições éticas. E isso fica lá guardado com a criança, que constrói, em cima disso, seus próprios costumes e atitudes.Há alguma passagem do livro que exemplifica isso?
A da festa de aniversário de Tomás, organizada pelos pais em um bufê infantil caro, com muitos convidados (o personagem pediu para os pais uma festa em casa, para convidar apenas seus três melhores amigos. Mas os pais acharam “muito pouco”). Ele não se divertiu na própria festa, não gostou. Ele tem a sensibilidade para não gostar, mas não racionaliza isso, ou seja, não sabe dizer o porquê.As escolas conseguem ensinar ética para os alunos?
A escola poderia ter estratégias pensadas e conscientes para trabalhar essa questão. Mas em geral não tem. O que elas têm em excesso são regras. Ou seja, são muito legalistas. O que pode e o que não pode está escrito, vem dos regimentos internos. Se aparece uma situação que não está prevista no regimento, ninguém sabe o que fazer. É claro que a escola, assim como a família, não pode garantir a formação ética das pessoas. Há sempre o imponderável. Não é como alfabetizar a criança ou ensinar matemática. Essas coisas, se não há problemas com a criança e a escola for boa, podem ser garantidas. Mas não comportamentos éticos. O que dá para fazer é trabalhar algumas questões, criar um terreno fértil.Em algum momento a discussão sobre ética nas escolas se mistura com a discussão sobre bullying?
Deveria. Um agressor demonstra uma lacuna ética ou moral ao humilhar e bater em alguém. É uma fraqueza de senso moral. Agora, se as escolas trabalham pela questão moral e ética o problema do bullying, aí eu tenho dúvidas. A tendência é a escola “psicologizar” a questão. Ou seja, tratar o agressor como alguém que tem problemas em casa. Não nego que alguns dos agressores tenham, sim, problemas, mas no geral as escolas ignoram a questão do bem e do mal. Para mim, o mal existe. Em muitos casos, os agressores acham que a violência é brincadeira – e, se é brincadeira, pode.O que vemos muito nas escolas brasileiras são campanhas pontuais para combater o bullying ou para falar sobre ética. Isso funciona?
Tem efeito zero – ou até perverso, porque passa a ideia de que, se é assunto para uma campanha, então não precisamos olhar para isso no dia a dia. Muitos trabalhos benfeitos sobre o tema também são projetos ou iniciativas individuais de professores. Não funciona. Claro, é melhor ter isso do que não fazer nada, mas a ética é cotidiana, tem de ser trabalhada o tempo inteiro. Não se trata de criar uma disciplina específica para isso. O que a escola, como instituição, tem de cuidar é do convívio diário entre alunos e professores.








