Entrevista com Claudia Lage sobre os Mundos de Eufrásia
Postado em livros no dia 31/08/2009Está rolando uma troca muito boa entre os blogueiros que estão no Book Crossing da Editora Record promovido pela Bites. O papo, que acontece no nosso grupo do google, promete se transformar em posts interessantes oferecendo uma visão plural e colaborativa sobre as obras, como já aconteceu com o livro Como falar com meninas, de Alec Greven, postado por @cybelemeyer no Falando sobre.
Eu comecei minhas leituras por Mundos de Eufrásia, de Claudia Lage, que conta a trajetoria de uma mulher incrível para seu tempo: Eufrásia Teixeira Leite, que na divulgação do livro é noticiada como enamorada de Joaquim Nabuco (aquele mesmo, famoso da História do Brasil por suas posições políticas liberais no Segundo Império e no início da República). A Eufrásia que se descobre na leitura desta obra é uma mulher incrível, que recebeu uma educação especial (seu pai resolveu desafiar os conceitos da época, que criam que o cérebro da mulher era bem inferior ao do homem e não aprendia coisas avançadas), foi uma financista quando mulheres não geriam o próprio dinheiro e se tornou uma das investidoras mais respeitadas do mundo (foi a primeira mulher a entrar na Bolsa de Valores de Paris).
Se você se interessou pela obra, vale ler a entrevista abaixo (feita pela @editora_record) com a autora do livro que, aliás, tem um blog bem simpático. Certamente com as palavras dela fica fácil entender meu entusiasmo com a obra e com a figura de Eufrásia.
Eu enviei uma única pergunta a mais para Claudia Lage, curiosa que sou pela atuação das pessoas na redes sociais. Perguntei como a experiência do blog e a chance de interagir com os leitores de forma tão direta na web 2.0 tem sido vivenciada por ela tanto como escritora quanto como pessoa. E ainda quis saber se no blog estas duas figuras conseguem se separar. A resposta foi:
A experiência de escrever no blog tem sido essencial, porque a proposta do meu blog é registrar o processo de criação, os arredores e bastidores da escrita literária. É uma forma de pensar literatura e compartilhar idéias e vivências literárias. Não existe muito uma divisão: pessoa e escritora, ambas estão presentes o tempo todo. Não dá para separar uma da outra, porque é a Claudia pessoa que vive a experiência da Claudia escritora. O blog é justamente a reelação dessa unidade. Por trás da autora, ou na frente mesmo, está a pessoa que escreve, sofre, se diverte, reflete, etc. No blog, desabafo, reflito, revelo minhas influências, textos que me inspiram, autores que me tocam, e escuto/leio o retorno dos leitores, sabendo que é um retorno franco, de leitor para blogueiro, sem intermediações, apenas e simplesmente o interesse pela leitura e escrita.
Agora a entrevista feita pela Record:
Eufrásia Teixeira Leite é uma personagem real. O que há na história dessa mulher que te levou a querer escrever o romance?
A proposta do romance partiu da minha editora, Luciana Villas-Boas, a partir do livro de ensaios de José Carlos Bruzzi, que resgata a figura de Eufrásia e o romance dela com Joaquim Nabuco. O que me interessou, em primeiro lugar, foram as relações, totalmente folhetinescas. Um pai que exige das filhas a promessa de não se casarem e nunca se separarem. A relação quase obsessiva das irmãs, muito rodrigueana. E, claro, a postura emancipada de Eufrásia, em pleno século XIX. Ela não abre mão de sua independência, assumindo todas as conseqüências, que não foram poucas, para o bem e para o mal. E também havia outro apelo, também irresistível, do tema abolicionista, da personalidade forte de Nabuco, como também da emancipação feminina que iniciava um burburinho na metade do século XIX, principalmente por meio dos jornais femininos como O Jornal das Senhoras, presente no meu romance.
Numa variação do que Katherine Anne Porter disse e fez, Clarice Lispector afirmou certa vez que não se interessava pelos
fatos em si, mas pela repercussão dos fatos no indivíduo. Na história de Eufrásia e Nabuco, uma sucessão de fatos exteriores gera decisões e reações interiores que alteram o curso de suas vidas de forma dramática. No entanto, as ações internas são condicionadas por valores e padrões de comportamento imperativos. Você sentiu o impulso de alterar o rumo dos acontecimentos, de modo a “reorganizar” essas vidas? Enfim, você lamentou pelos destinos que tiveram e gostaria de ter contado uma história diferente?
Como gosto muito do folhetim, foi exatamente o drama, a impossibilidade, que me atraiu. Uma impossibilidade interna, subjetiva, dos personagens, influenciada muito também pela mentalidade da época. Literariamente, é interessante que Eufrásia tenha cumprido a promessa sem querer. É interessante que Nabuco tenha negado a separação de bens. Que Eufrásia tenha afirmado a sua independência. Podemos lamentar pelo destino dos personagens, mas entendemos, de certa forma, suas escolhas e atitudes. Essa é a riqueza dessa história. Não há certo ou errado, bem ou mal, mas uma complexidade de circunstâncias e perspectivas, sombra e luz, que direcionam os personagens e determinam suas vidas. É belo e triste, é, enfim, humano. Não é uma história de final feliz ou infeliz, mas de afirmações e escolhas fundamentais.
Como foi o processo de investigação para chegar a essa história como um todo? Até que ponto foi teu compromisso com a realidade e a tua liberdade para ficcionalizar?
Mergulhei totalmente no século XIX. Li livros sobre o século XIX, passados no século XIX e escritos no século XIX. Às vezes me detinha em romances, fases que fui de Machado de Assis a Balzac, passando por Flaubert, George Sand e tantos outros. Às vezes em livros históricos e sociológicos sobre o Brasil no Século XIX, o Rio de Janeiro no século XIX, Vassouras no século XIX, toda a obra de Joaquim Nabuco, fora os livros sobre ele, e tudo que encontrei ligado ao regime escravocrata e o movimento abolicionista; além disso, livros sobre a França no século XIX, a emancipação feminina na França e também no Brasil. A pesquisa foi imensa, mas maior ainda foi o processo de colher o material necessário, torná-lo um elemento criativo dentro da narrativa e do universo ficcional do livro. Considerando que “a realidade” é representada pela pesquisa história, porque não há outro modo de viajar até o século XIX, eu tinha fatos à minha frente e desenhos de personalidades históricas. Quer dizer, tinha o “o quê”, mas não o “como”, e é justamente no “como” que a ficção entra nesse livro e encontrou o seu espaço para acontecer. A primeira frase do romance “Eufrásia e a sua irmã Francisca estavam de mãos dadas desde a noite anterior, quando foram chamadas às pressas para despedirem-se do pai” ilustra bem isso. Eu tinha o fato: a morte do pai de Eufrásia e Francisca, apenas isso. A ficção entra nas circunstâncias dessa morte, na reação das irmãs, de mãos dadas desde a noite anterior, sobressaltadas com o pai doente. E em tudo o mais que envolve a narrativa, inclusive a linguagem. Nesse sentido, a liberdade foi total. É possível dizer que não há nenhuma linha nesse romance que não seja ficção, e, ao mesmo tempo, dizer que não há nada que fira as pesquisas históricas.
Você mencionou autores como Flaubert, Sand, Machado de Assis, que ajudaram na construção da base dessa história e contribuíram para um maior entendimento sobre o século XIX. Que autores fazem parte da construção da tua base como escritora? E por quê?
Clarice foi a primeira revelação estética para mim. Ela disse, uma vez: “quero escrever movimento puro”. Essa frase me espantou, como assim? Mudei completamente meu olhar sobre o texto, buscando esse movimento. É mais do que um autor ter uma técnica, um estilo, é possuir uma visão artística, uma proposta que ultrapassa a questão de escrever livros, mas toca no cerne da própria criação, a escrita. Continuo lendo e aprendendo muito com Clarice Lispector, Hilda Hilst, Machado de Assis, Cortazar, Calvino, Fernando Pessoa, Caio Fernando Abreu, João Gilberto Noll, Sérgio Sant’anna, Nelson Rodrigues, Antonio Torres, entre tantos outros. São autores que possuem um caminho criativo único, bem determinado. Leio sempre procurando vislumbrar esse caminho.
Andrew Keen conversa com Jorge Pontual
Postado em Carreira e dinheiro, midia social, midia tradicional no dia 31/08/2009Lembram-se que fiz uma resenha entusiasmada após minha leitura de O culto ao amador – como blogs, MySpace, Youtube e a pirataria digital estão destruindo nossa economia, cultura e valores, de Andrew Keen? Neste domingo a gentil @annylinha me avisou que o vídeo com a entrevista do escritor para o jornalista @JorgePontual está disponível na web.
Na conversa o jornalista reitera sua visão da democratização cultural na internet como empecilho à vida cultural de qualidade e sua tese de que a rede pode ser a propagadora de mediocridade e por isso ameaçar a cultura.
E numa troca de papéis bem interessante, o jornalista inglês entrevista Pontual para saber mais sobre a relação do jornalismo no Brasil com as novas mídias.
40 anos do Jornal Nacional
Postado em midia tradicional, TV no dia 30/08/2009Uma das minhas lembranças mais antigas de infância é da minha irmã Sheron comigo dizendo “boa noite” para o Cid Moreira. A gente ficava ansiosa, sentadinha lá na frente da TV da sala, esperando ele “falar com a gente”… risos! Esta lembrança é uma pequena amostra da importância e da ligação sentimental que as famílias brasileiras tem com este que é “o” jornal da TV brasileira.
Li na Folha de S. Paulo hoje que na semana em que completa 40 anos, o JN ganha novo cenário e uma programação visual que vão surpreender o telespectador. Mas o legal mesmo será ver, a partir nesta semana os repórteres mais antigos do JN visitando a nova bancada para contar suas trajetórias no telejornal. E na outra semana os telespectadores verão uma série especial sobre as quatro décadas.
Segundo conta a produção,
“o Jornal Nacional foi ao ar pela primeira vez em 01 de setembro de 1969, com Cid Moreira e Hilton Gomes na apresentação. Naquele momento, o JN deixava sua marca na história da televisão brasileira: foi o primeiro telejornal a ser transmitido simultaneamente para várias cidades do país. Atualmente, cerca de 40 milhões de telespectadores fazem do JN o líder absoluto de audiência em território nacional.”
[update]
Soube que no dia 02/09 William Bonner (há 10 anos é o editor-chefe do JN) e Fátima Bernardes lançaram o livro “Jornal Nacional, modo de fazer”, que mostra os bastidores de um dos programas de maior audiência da televisão brasileira. O vídeo abaixo conta os detalhes.
[/update]
Flores nos jardins da Mooca
Postado em from posterous no dia 30/08/2009![[flores] margaridas [flores] margaridas](http://www.samshiraishi.com/wp-content/uploads/2009/08/flores-margaridas-400x300.jpg)
![[flores] margaridas 2 [flores] margaridas 2](http://www.samshiraishi.com/wp-content/uploads/2009/08/flores-margaridas-2-400x300.jpg)
Tenho esta mania de japonesa de fotografar tudo que vejo e, mais do que isso, de registrar a passagem das estações na natureza à minha volta. E meu bairro, a Mooca, tem sido especial nesta mania. Aqui tem muitas flores e, apesar dos terrenos tão apertados para meu padrão provinciano (leia-se curitibano), os jardins são cuidados com jeito de vó.
![[flores] sem vergonhas [flores] sem vergonhas](http://www.samshiraishi.com/wp-content/uploads/2009/08/flores-sem-vergonhas-400x300.jpg)
Nesta semana fui passear com a Linda (que agora já tomou todas as vacinas e está liberada para os passeios que tiram seu estresse – e o meu – de ficar muito tempo dentro de casa e encontrei algumas flores lindas no caminho.
![[flores] orquideas 3 [flores] orquideas 3](http://www.samshiraishi.com/wp-content/uploads/2009/08/flores-orquideas-3-400x300.jpg)
![[flores] orquideas [flores] orquideas](http://www.samshiraishi.com/wp-content/uploads/2009/08/flores-orquideas-400x300.jpg)
Imaginem há quanto tempo esta pessoa cuida das orquídeas que hoje carregam esta árvore e nos oferecerem este espetáculo!
Atividades culturais ocupam o Centro paulistano
Postado em Artes no dia 29/08/2009![patteo do colegio [Pátio do Colégio] por você.](http://farm3.static.flickr.com/2637/3759664282_e2d472cca5.jpg)
Soube ontem à noite pelo twitter, porque o trânsito que peguei na volta para casa não me permitiu ver o “jornal local” que geralmente me dá esta noção do que se passa na minha cidade.
[Meu pai é super defensor de jornal local, impresso ou televisionado, argumentando que a gente precisa primeiro saber o que se passa à nossa volta para depois poder enxergar e criticar bem o mundo.]
Neste final de semana o Centro Histórico de São Paulo será ocupado por uma série de atrações gratuitas, parte da Ocupação Cultural que pretende celebrar o centro da cidade, sensiblizando e estimulando a participação da população na vida cultural da área central. Segundo a organização, serão diversos palcos, montados em alguns nos principais espaços da região, como a Praça da Sé, largos São Francisco e São Bento e Páteo do Colégio com música, dança, teatro e artes visuais estão entre as atrações, todas gratuitas.
Desde as 9h de hoje tem apresentações circenses no Largo São Francisco, onde acontecerão contações de histórias e uma peça infantil. Ali perto, no Largo São Bento, muita música a partir do meio-dia com artistas regionais e ao final da tarde tem apresentação da bateria da Escola de Samba Vai-Vai (isso me lembrou a @juliareis).
Quem for à Praça do Patriarca verá dança de diversos gêneros, incluindo balé, street dance, dança clássica e contemporânea. E no Páteo do Colégio artes visuais com exposições fotográficas e oficina de grafite. Caminhe um pouquinho no final da tarde e às 19 horas verá a Praça da Sé se transformar numa sala de cinema ao ar livre para exibição de Dois Filhos de Francisco (de Breno Silveira) que será exibido em uma tela inflável num espaço para 1.200 pessoas sentadas.
E amanhã, domingo, às 10 horas o Largo São Francisco terá teatro infantil e a Praça do Patriarca será palco de balé clássico com a Tribo da Dança. No Largo São Bento a partir das 11h tem sarau comandado por Pedro Paulo Trindade, com músicas brasileiras dos anos 1920 e 1930, shows que serão encerrados às 14 horas com os Violeiros do Parque tocando o Hino Nacional.
Todos os detalhes dos horarios e locais podem ser conferidos aqui.
Exibir mapa ampliado
Dia Pulsarte
Postado em Artes no dia 29/08/2009Hoje acontece o aniversario da escola de dança Pulsarte (rua Pereira Leite, 55, SP), com 35h de atrações bem legais para quem passar pela Vila Madalena. São oficinas + 20 apresentações por apenas R$10,00 (dez reais) e parte da renda será doada para a Creche Fraternidade Maria de Nazaré. A agenda completa está aqui.
Acho que gosto de São Paulo…
Postado em Música, youtube no dia 28/08/2009Hoje a caminho da Central de Voluntariado onde comecei a fazer minha parte neste Dia do Voluntário eu escutei uma música que me marcou muito. Monte Castelo, do Legião Urbana, é do album Quatro Estações, que ganhei de presente do meu irmão Herman (ele tinha 10 anos e me deu com um carinho imenso porque sabia que eu era fã e ao ver o lançamento convenceu meu pai a comprar) e tem uma mensagem de grande amor pela humanidade.
E ouvi também Meninos e meninas, que me faz pensar no amor que tenho por esta cidade que me acolheu e que me dá diariamente tantas oportunidades maravilhosas. E quando eu não sabia bem a qual lugar eu pertencia, São Paulo me ensinou que viver é bom e que meu lugar era aqui.

