Arquivo: July 23rd, 2009

Headhunters nas redes sociais

Postado em Artigo Patrocinado, Carreira e dinheiro no dia 23/07/2009

Quando eu estava na faculdade, confesso, mal sabia o que era headhunter. A ideia que me passava, no sentido literal de um “caça-cabeças” me parecia algo no melhor estilo “Fantástico mundo de Bob”, com cara de ogro e uma boca parecida com os monstros das “Crônicas de Spiderwick”. (brincadeira, claro!)

Há tempos descobri que estes caras não deixam de ser monstros, mas em outro sentido bem mais positivo.

“Headhunter ou caça-talentos é uma pessoa ou um grupo de pessoas ou empresas especializadas na procura de profissionais talentosos ou gestores de topo. A remuneração de um headhunter é geralmente uma percentagem do salário anual inicial do indivíduo recrutado. A sua participação nos processos de recrutamento pode ser importante quer para o candidato, quer para a empresa recrutadora, pela análise e identificação concreta das necessidades desta última.”

Fui convidada a conhecer e divulgar o processo seletivo que uma das maiores empresas brasileiras está fazendo. Aceitei de cara porque conheço o trabalho que fazem com trainees por ter acompanhado o período em que minha prima Taís esteve numa das unidades da empresa. Confesso que o formato que será utilizado no Trainee Ambev 2010 também me animou, pois é focado em redes sociais. Um hotsite vai nortear o processo seletivo, ao mesmo tempo em que no Linkedin (rede social focada em networking corporativo, da qual participo e que já me rendeu excelentes contatos profissionais) um “perfil headhunter da AmBev entrará em contato com estudantes e recém-formados das principais universidades do Brasil.

No blog cinco jovens narram a experiência – e a expectativa – de fazer parte do programa de trainee, mostrando perfis de fácil identificação e utilizando uma linguagem que aproxima o leitor da realidade vivida por quem está nesta fase de buscas e escolhas. Afinal, buscamos um bom trabalho e as empresas pelas quais passamos, mesmo que no começo da carreira, serão um mapa da nossa vida profissional e poderão depor a favor – ou contra – nosso perfil no futuro.

O processo seletivo para o programa de Trainee AmBev 2010 é realizado em diversas cidades do Brasil, mas, com o apoio da tecnologia, jovens de todo Brasil poderão participar da primeira parte da seleção, pois inscrição e provas são realizadas eletronicamente via web e fica a critério do candidato escolher qual em qual cidade fazer as etapas presenciais.

Você não vai ficar fora desta, não é? E se tiver uma pessoa próxima graduada até junho de 2007 ou com formatura programada para uma data até dezembro de 2009, com fluência em inglês, conhecimento de informática e disponibilidade para se deslocar/residir em outros estados, que tal avisar a ele? Pode ser o bom começo de carreira que todos buscam!

:)

artigopatrocinado


Museus da Imagem e do Som

Postado em Artes, Música no dia 23/07/2009
mis sp

Museu da Imagem e do Som em São Paulo

Música e museu tem tudo a ver. No Brasil várias cidades contam com Museus da Imagem e do Som onde é possível ter acesso a obras raras e conhecer a trajetória da música local ou mundial. Ou, como afirma o MIS SP, “oferecer visibilidade e audiência às boas obras de cinema, vídeo, fotografia e música, sem deixar de atender à documentação e conservação de importantes legados artísticos de imagem e som, assim como de história oral”.

Neste museu (que fica na Av Europa, 158, São Paulo, SP) é possível acessar conteúdo raro. Desde produções da própria casa e de doações, são 300 mil ítens no acervo que tem fotografias, filmes, vídeos, cartazes, discos de vinil e registros sonoros. São destaques estão depoimentos em vídeo de Tarsila do Amaral, Tom Jobim, Nelson Pereira dos Santos e Camargo Guarnieri; registros em áudio sobre a Companhia Cinematográfica Vera Cruz, Memória do Rádio e Memória Paulo Emílio Salles Gomes.

Há também várias atividades educativas nos museus ligados ao som que estão em várias cidades do Brasil como MIS SC em Florianópolis, em Alagoas (na Praça Dois Leões, 275, em Maceió, AL), no Ceará (que tem um blog e fica na Av Br Studart, 410, Aldeota, Fortaleza, CE), no Pará (fica na Rua Padre Champagnat, s/n, Casario da Padre Champagnat, em Belém, PA), no Paraná (Rua Br Rio Branco, 395, Centro, Curitiba, PR) e em Pernambuco (Rua Aurora, 379, Boa Vista, Recife, PE).

E claro, a famosa Fundação Museu da Imagem e do Som no Rio de Janeiro – que está presente até no Twitter, no @misrj – e fica na Praça Luiz Souza Dantas (antiga Praça Rui Barbosa), 01, Praça XV, Rio de Janeiro, RJ.

Se você gosta de música, procure um perto de você.

fundação Museu da Imagem e do Som no Rio de Janeiro

Fundação Museu da Imagem e do Som no Rio de Janeiro

Review do livro O culto ao amador

Postado em from posterous, livros no dia 23/07/2009

[update] Modifiquei o título porque fui questionada no Twitter ao colocar o subtítulo do livro aqui. E antes que comece a leitura, já adianto: acredito que os blogs e as redes sociais estão construindo e reformando a forma como consumimos cultura. Sou uma grande entusiasta deste movimento. ;) [/update]

Quando pesquisei para escrever o post sobre a gravadora de LPs e o relançamento de discos clássicos lembrei muito de uma leitura instigante que fiz há pouco tempo. Trata-se do polêmico livro de Andrew Keen, O culto ao amador – como blogs, MySpace, Youtube e a pirataria digital estão destruindo nossa economia, cultura e valores, publicado pela  Jorge Zahar Editor.

o_culto_do_amador-andrew-keen- livros sobre web redes sociaisNo capítulo 4, intitulado O dia em que a música morreu, ele relembra o fechamento da loja Tower Records (em São Francisco, Califórnia) e parte deste evento para vaticinar um futuro cruel para a música com o advento da mídia digital – e a consequente pirataria, a troca de arquivos tão facilitada que vivenciamos hoje em dia. Nesta hora eu pensei: quando foi mesmo a última vez que eu comprei um CD? Para mim eu não lembro, mas comprei CDs para meus filhos. No entanto, quase não foram usados, imediatamente foram “ripados” e passaram a ser ouvidos no i-pod, no home theater ou no som do carro, todos com interface USB e tocadores de MP3. Terá sentido manter esta indústria, continuar fabricando CDs para esta geração?

Eu sinto por eles. Nunca foram a uma loja de CD com L maiúsculo. Eu lembro que na Tower Records de Shibuya (em Tokyo) podia-se encontrar qualquer coisa e não raramente podíamos parar na calçada em frente à loja para ver lá shows incríveis. Mas meus filhos não viveram isso e não creio que viverão. Por outro lado, conhecem uma variedade muito maior de música do que eu conhecia em sua idade e este conteúdo está sempre ao seu alcance.

As reflexões parecem leves, mas quando comecei a ler minha sensação foi de um soco no estômago! Como blogueira e entusiasta das redes sociais senti que as palavras dele me feriam. Mas como profissional de comunicação que migrou sua carreira da imprensa para o jornalismo online eu entendi perfeitamente suas preocupações. Esta sensação, esta divisão interna me impactou profundamente e creio que este era o objetivo dos editores quando me convidaram a conhecer a obra.

A imagem é boa, mas no meio de vários blogs que a usaram, não consegui detectar o autor!

A imagem é boa, mas no meio de vários blogs que a usaram, não consegui detectar o autor!

Além de uma grande preocupação – que o levou a uma cruzada que eu me arrisco a achar quixotesca, porque é uma luta sem chances de vitória e contra um inimigo que se não é imaginário, é tão coletivo que não pode ser identificado -, Keen critica muito a ideia que está por trás dos sites de relacionamentos, usando como mote o slogan do Youtube: “broadcast yourself” (traduzido no livro por Transmita-se a si mesmo).

“À medida que a mídia convencional tradicional é substituída por uma imprensa personalizada, a internet torna-se um espelho de nós mesmos. Em vez de usá-la para buscar notícias, informação ou cultura, nós a usamos para SERMOS de fato a notícia, a informação e a cultura.”

Dentro da crítica do autor, as redes sociais (ele cita muito o MySpace, que nos EUA é popular como o Orkut aqui) são “santuários para o culto da autotransmissão” e “repositório de nossos desejos e identidades individuais”. Parece exagero, mas quando ele trata deste tema, ele tem certa razão. Se a mídia antiga está ameaçada de extinção, quem tomará seu lugar? (e aqui reflexões sobre o fim da exigência do diploma de jornalista no Brasil e questões como o sigilo das fontes nos vêm inevitavelmente à mente)

Diariamente eu recebo pedidos de novos blogueiros interessados em ingressar num dos projetos que eu coordeno e na triagem que faço eu noto que está se reduzindo o número de editores de blog têm noção da importância da ética quando à autoria dos textos, da responsabilidade que um escritor tem com seus leitores, da importância do relacionamento honesto e colaborativo com seus pares. Cheguei a receber uma proposta que garantia que seu conteúdo era perfeito para compor a rede de blogs femininos e, ao entrar no blog, percebi que tinha cópia integral e descarada de textos do portal que reúne os blogs – e claro, sem qualquer menção aos autores ou links para o site “referenciado”.

Imagem de Alessandra Oliveira

Imagem de Alessandra Oliveira

O futuro parece desolador. Para quem não sucumbir à depressão desta realidade mostrada por Keen no qual a música (quiçá boa parte da indústria do entretenimento) será “um atrativo gratuito para vender outras coisas” – porque com a pirataria digital, explica o autor, não há mais investimento das gravadoras e grandes estúdios em novos nomes e consequentemente a qualidade artística poderá decair -, há soluções.

Uma delas, que considero uma cruzada interessante (e apóio), mas na qual também noto “toques de Dom Quixote”, é a luta pela proteção aos direitos autorais. Neste ponto – defendido com detalhes históricos no capítulo O Dia em que a música morreu [lado B] – tive dúvidas imensas sobre a capacidade que nossa sociedade atual tem de criar diques que consigam resistir às tempestades da web 2.0 e às enchentes de novos usuários que não estão dispostos a pagar para ouvir música, ver filmes e seriados ou ler livros.

Fato é que não podemos mais olhar para o lado e fingir que não vemos esta realidade que está à nossa frente. É momento de pensar coletivamente como podemos “canalizar a revolução da web 2.0 de maneira construtiva, de modo que ela enriqueça ao invés de matar nossa economia, cultura e valores”. E neste ponto recomendo O culto ao amador como ponto de partida para uma reflexão profunda e colaborativa sobre o momento que vivemos.

[Parte desta discussão foi tema do Digital Age 2008 e na época fiz um post sobre a palestra do professor Lawrence Lessig, fundador e idealizador da Creative Commons.]

P.S. Devo deixar claro que por não ser estadunidense não concordo com parte do discurso de Keen, segundo o qual é preciso “reformar, não revolucionar, uma economia de informação e entretenimento que, ao longo dos últimos 200 anos, reforçou valores americanos e fez da nossa cultura a inveja do mundo”. Embora eu respeite e consuma cultura dos EUA, não consigo concordar – prefiro considerar que nossa cultura (a brasileira) é uma das que faz inveja ao mundo – mas este papo fica para outro post!

[update] Dois colegas também escreveram sobre o livro: André Deak e Tiago Dória. [/update]