Estou assistindo muito Law & Order SVU?
Postado em from posterous no dia 05/11/2008Um dos meus vícios é ver seriados. Não é à toa que sou amiga da @smiletic, da @giseleramos e já tomei café da manhã com @_juliane e @fernandafurquin. Há um ano, mantinha longos papos com @lunnaguedes sobre o seriado Law & Order SVU, que ambas assistíamos e comentávamos. Era interessante porque a Lunna é escritora e psicóloga, o que a faz ter uma visão especial das situações do seriado e da construção do roteiro.
Hoje ao ouvir no telejornal que uma menina foi encontrada morta numa mala na rodoviária de Curitiba, imaginei uma história feia, mas não pensei que me depararia com um caso de SVU. Ao ler sobre Rachel Maria Lobo Genofre fiquei chocada. Ela tinha só um ano mais do que meu filho mais velho, mas uma realidade muito diferente. Ia e voltava sozinha da escola usando ônibus comum, depois de caminhar uns 100 metros de casa até o ponto de ônibus, trajeto no qual foi vista pela última vez em vida. Pelo que vejo (quase disse aprendi) no seriado isso já atrairia um predador sexual, um pedófilo. Bem, tinha um agravante: a menina tinha uma página no orkut, muito bem descrita e detalhada, na qual, apesar de legalmente afirmar ter 20 anos, ela aparecia como uma típica menina de sua idade, como podemos ver na foto que o G1 divulgou – o orkut faz política liberando perfis de pedófilos, mas tem esta regra ridícula que proíbe usuários menores de idade, mas não controla a veracidade das informações apresentadas. Será que eu sou a única mãe que acha errado uma criança ter orkut e postar lá detalhes da sua vida?
A vida imitou a arte demais para meu gosto. O episódio “Cold“, que vi ontem no seriado (que passa às 23h toda terça no Universal Channel), contava exatamente o desfecho de um caso antigo de duas meninas (de 14 anos) violentadas no qual uma delas foi assassinada por reagir. A outra, de tanto medo dos agressores (eram policiais), se calou por dez anos. Como será desta vez? Será que alguma testemunha vai se apresentar? Sinceramente, pelo que sei das histórias envolvendo menores no Paraná, não tenho muita esperança. Mas tenho fé de que o caso faça os pais e mães controlarem melhor a vida online de seus filhos.
Agora podemos dizer “I believe” e não só “I have a dream”
Postado em Política e Cidadania, preconceito no dia 05/11/2008Agora podemos dizer “I believe” e não mais “I have a dream“. É um fato, enfim. A manhã é de muitas homenagens a Barack Obama, recém-eleito Presidente dos EUA e ouvi um comentário de Mirian Leitão no Bom Dia Brasil que traduz o significado da eleição do primeiro negro naquele que é o mais importante país branco do mundo. Ela lembrava que em meio século os EUA passaram de um país que não oferecia direitos civis igualitários aos negros para uma democracia que elegeu um presidente negro.
Obama tem 47 anos e quando ele nasceu não existia ainda o sufrágio universal nos EUA – os negros conquistaram o direito ao voto em todos os estados há apenas 44 anos – e, na época, o casamento entre um negro e uma branca era praticamente um crime. Refletindo sobre isso, além de pensar no pai do novo presidente (um médico africano que pouco o influenciou), pensei sobre a mãe, uma branca do Kansas que fazia faculdade no Havaí e casou-se com um africano (não um afro-americano, como Obama e sua esposa Michelle) e posteriormente com um asiático (parte do preconceito religioso contra Obama é também por ter vivido na Indonésia, um dos grandes países muçulmanos).
No seu discurso de vitória ontem Obama lembrou da avó materna, que faleceu poucas horas antes do início da votação e que foi a pessoa que o criou e educou. Esta mulher, que nasceu e cresceu numa América que há pouco deixara de fato a escravidão e vivia um regime de segregacionismo aberto (e oficial, regido por leis) não só foi capaz de criar uma filha que se casou com um “diferente”, como criou (bem) um neto mulato num país branco. Não sei muito do Kansas, mas não vejo o estado, historicamente, como um dos mais abertos e engajados na luta pelos direitos civis. E mesmo que fosse, quando Obama passou a morar com os avós (pelo que sei no ainda no Havaí) a luta de Martin Luther King era ainda um sonho, acalentado por muitos, mas um sonho distante.
Oprah Winfrey, Jesse James e muitos outros expoentes afro-americanos que vi na TV têm direto de festejar muito, mas todos nós temos direito de considerar o dia de hoje um “Beautiful Day”, um dia especial para a humanidade. E temos um sorriso no rosto pela esperança de uma nova era, de que, como disse hoje Arnaldo Jabor, Obama dê início ao verdadeiro século XXI.
* Dedico o post à Veridiana Serpa, com quem eu torcia por Obama há meses, e à minha querida amiga Marianna Oja, norte-americana (branca) do Colorado, filha de republicanos, que fez campanha aberta por Obama e de quem me orgulho de ser amiga há quase duas décadas.
P.S. Já escrevi sobre as eleições americanas aqui: Eleições americanas , McCain, Obama, Hillary , A Mulher é o negro do mundo , Direitos para um mundo mestiço e I have a dream.
Agora podemos dizer “I believe” e não só “I have a dream”
Postado em Política e Cidadania, preconceito no dia 05/11/2008Agora podemos dizer “I believe” e não mais “I have a dream“. É um fato, enfim. A manhã é de muitas homenagens a Barack Obama, recém-eleito Presidente dos EUA e ouvi um comentário de Mirian Leitão no Bom Dia Brasil que traduz o significado da eleição do primeiro negro naquele que é o mais importante país branco do mundo. Ela lembrava que em meio século os EUA passaram de um país que não oferecia direitos civis igualitários aos negros para uma democracia que elegeu um presidente negro.
Obama tem 47 anos e quando ele nasceu não existia ainda o sufrágio universal nos EUA – os negros conquistaram o direito ao voto em todos os estados há apenas 44 anos – e, na época, o casamento entre um negro e uma branca era praticamente um crime. Refletindo sobre isso, além de pensar no pai do novo presidente (um médico africano que pouco o influenciou), pensei sobre a mãe, uma branca do Kansas que fazia faculdade no Havaí e casou-se com um africano (não um afro-americano, como Obama e sua esposa Michelle) e posteriormente com um asiático (parte do preconceito religioso contra Obama é também por ter vivido na Indonésia, um dos grandes países muçulmanos).
No seu discurso de vitória ontem Obama lembrou da avó materna, que faleceu poucas horas antes do início da votação e que foi a pessoa que o criou e educou. Esta mulher, que nasceu e cresceu numa América que há pouco deixara de fato a escravidão e vivia um regime de segregacionismo aberto (e oficial, regido por leis) não só foi capaz de criar uma filha que se casou com um “diferente”, como criou (bem) um neto mulato num país branco. Não sei muito do Kansas, mas não vejo o estado, historicamente, como um dos mais abertos e engajados na luta pelos direitos civis. E mesmo que fosse, quando Obama passou a morar com os avós (pelo que sei no ainda no Havaí) a luta de Martin Luther King era ainda um sonho, acalentado por muitos, mas um sonho distante.
Oprah Winfrey, Jesse James e muitos outros expoentes afro-americanos que vi na TV têm direto de festejar muito, mas todos nós temos direito de considerar o dia de hoje um “Beautiful Day”, um dia especial para a humanidade. E temos um sorriso no rosto pela esperança de uma nova era, de que, como disse hoje Arnaldo Jabor, Obama dê início ao verdadeiro século XXI.
* Dedico o post à Veridiana Serpa, com quem eu torcia por Obama há meses, e à minha querida amiga Marianna Oja, norte-americana (branca) do Colorado, filha de republicanos, que fez campanha aberta por Obama e de quem me orgulho de ser amiga há quase duas décadas.
P.S. Já escrevi sobre as eleições americanas aqui: Eleições americanas , McCain, Obama, Hillary , A Mulher é o negro do mundo , Direitos para um mundo mestiço e I have a dream.
