Archive for November, 2008

Como as crianças brincam

pais e filhos November 30th, 2008

Brincando no Museu do Ipiranga.  

Brincando no Museu do Ipiranga.

Fui convidada para participar de um debate que em blogs amigos, numa promoção do Desabafo de Mãe e o Mulheres na Rede. Deveria contar como eu brinco com meu(s) filho(s) e, confesso com certa vergonha, não soube falar disso antes porque me levou a reflexionar e descobrir que já não brinco com meus filhos. Compartilhamos momentos maravilhosos passeando, consumindo cultura (ontem estivemos por horas no Ibirapuera visitando a exposição MAM60 e passeando no parque com @lilianeferrari e família), lemos juntos e vemos TV ou filmes. Dançamos e cantamos juntos, jogamos juntos, mas não brincamos.

Aí me perguntei: será? Parte das mães que estão no debate têm filhos pecorruchos, mais novos que os meus e vivem efetivamente uma fase na qual sua presença é muito importante para as crianças. Mas aqui em casa é muito diferente. Concordo que a criança não gosta do brinquedo que já vem brincado – e aqui em casa os também até os grampos de roupa viram mil objetos, são tão usados quanto os Legos – mas já não sou mais a parceira principal das brincadeiras. Tenho refletido que sinto cada dia mais a necessidade de darmos liberdade para as crianças brincarem. Já orientei brincadeiras, quis “ajudar” a diversificarem, criarem, se organizarem, mas não valeu. O que os faz felizes é a liberdade de inventarem sem intervenção, dos brinquedos “prontos” (os eletrônicos, que falam e agem sozinhos, logo desplugados aqui e tranformados em brinquedos manipuláveis) aos criados a partir de sucata (uma atividade que os meninos amam é criar brinquedos, jogos, coisas novas com sucata) tudo tem valor na liberdade de serem eles e neste sentido minha presença chega a ser um empecilho. As mães de crianças na segunda infância poderiam me contar se é igual em suas casas? Fiquei perdida com minha constatação!

Soube no Blog da Ti que basta conversar com os blogs envolvidos no concurso “Você brinca com seu filho” e  escrever um desabafo no site, respondendo a pergunta a partir da sua experiência. Afinal, qual é a brincadeira que você realmente adoraaaaaaaaa compartilhar com seu filho? Estou pensando nas minhas para escrever. Para me inspirar, leio os posts das participantes do É Hora de Brincar: Re MatteoniLuana MenezesLu IvanikeAna Laura, Simone MileticGraziela e Ana Cláudia Bessa.

Outra reflexão que tive sobre pais e filhos veio de dois textos excelentes que li nesta semana. @veriserpa levantou um tema incrível em Minha casa vs nossa casa, texto memorável que partiu de uma entrevista que Will Smith concedeu à Oprah Winfrey e a fez reflexionar sobre a importância da sua própria família em meio a amizades e sobre o espaço que pais e fihos dividem, o lar, e as diferenças nas relações de posse e de autoridade que separam as famílias aqui e lá.

E Andréa do Z de Zebra comentava um comercial da Nike com Jadel Gregório e reflexionou sobre Pais, filhos e escolhas. Estou lendo (e adorando) o livro Mamãe e o sentido da vida, a obra mais autobiográfica de Irwin Yalom e o texto caiu como uma luva para pensar, me emocionar e até rir do fato de eu e minhas irmãs sermos com minha mãe (e pai e irmão) tão “Brothers and Sisters“. Sim, aquele seriado me prende como se eu visse minha vida na telinha nos comportamentos tão amorosos que são invasivos, nas mensagens de texto (às vezes encaminhadas de um para outro), nos telefonemas que são uma corrente maluca, nos encontros que combinamos com tanto entusiasmo e acabam sempre uma mega confusão à mesa. Família é uma maravilha, amo imensamente a minha e hoje estou com especial saudade de todos eles.

Eu entre minhas irmãs e minha mãe no batizado do meu sobrinho CJ em outubro.

 P.S. Os brinquedos (patinete e pogobol) da foto no Museu do Ipiranga, usados no feriado da Consciência Negra, 20/11, estavam entre os objetos pessoais queridos que se foram ontem com nosso carro. Paramos no estacionamento interno do Parque do Iburapuera (perto da locação de bicicletas do portão 3) e quando voltamos o carro não estava mais. Roubaram com tanque cheio, som, GPS, objetos inestimáveis. Bem que me falaram que um Gol Power zerinho era convite a ladrão… agora é esperar a burocracia do seguro correr e termos a chance de escolher um outro modelo para comprar. Mas que é meio tristinho é. Ontem vimos o filme Transformers e cheguei a imaginar a “dor” do Golzinho sendo desmontado num desmanche. :(  

Na casa da Ruth

Uncategorized November 29th, 2008

Outro dia vi um cartaz no Sesc Vila Mariana que me encantou: show com Hélio Ziskind com canções escritas por Ruth Rocha

Soube por @gustavodrums que é o primeiro lançamento infanto-juvenil do Selo SESC, uma estréia fonográfica memorável que reúne a escritora Ruth Rocha, o compositor Hélio Ziskind, a cantora Fortuna. Fazem parte também o Coral Infantil do SESC Vila Mariana (24 crianças entre 8 e 12 anos, sob regência de Gisele Cruz), o ator Rafael Zolko e o quinteto instrumental sob direção de Gabriel Levy. Naum Alves de Souza assina o roteiro e a cenografia. Os figurinos, de Miko Hashimoto, foram criados a partir das ilustrações de Mariana Massarani.

Meus filhos são fãs apaixondos por Ruth Rocha, para nós o maior nome da literatura infanto-juvenil brasileira. Seus quarenta anos de atividade como escritora (130 títulos publicados em mais de 25 idiomas) fazem dela uma “tia” cuja casa adoramos visitar, um mundo de palavras, imagens e histórias.

O show de lançamento no SESC Vila Mariana (hoje e amanhã às 18 horas) está lotado, mas o espetáculo acontecerá também em outras unidades ao longo do mês (SESC Santos – 6/12 eSESC Interlagos – 7/12).  O jeito é me contentar com o CD, à venda neste link.
Segundo o SESC

“O projeto começou a ser desenvolvido há cerca de dois anos, por iniciativa da cantora Fortuna. Decidida a enveredar pelo universo da criança, ela foi procurando parceiros para sua viagem. A escritora acolheu a idéia com entusiasmo e sugeriu a ela que fossem musicados poemas do livro Toda Criança do Mundo Mora no Meu Coração. Encantada com o livro, Fortuna o levou ao compositor Hélio Ziskind, um de nossos maiores autores de música para crianças. “Conversamos sobre como desenvolver as coisas e nos veio a imagem de que era como se as crianças estivessem indo fazer uma visita na casa da Ruth, e lá criassem vínculo afetivo com os textos das canções”, explica Ziskind.

O repertório foi escolhido por Fortuna em função de seu conteúdo. “São textos que falam da diferença, da diversidade contida em cada criança e, ao mesmo tempo apresenta um universo poético e lúdico que incita a criança a sonhar, brincar, cantar”, diz a cantora. Do livro originalmente indicado foram selecionados nove poemas. De outro livro da autora (Quem Tem Medo de Monstro), saiu a décima canção da nova parceria Ruth Rocha-Hélio Ziskind. E Fortuna resolveu incluir no CD ainda quatro canções populares infantis (”Alecrim”, “Trem Maluco”, “Caranguejo não é Peixe” e “Borboletinha”), todas de domínio público.

O lançamento, no SESC Vila Mariana, contará com a presença de Ruth Rocha autografando os CDs. E será gravado em vídeo para edição de um DVD a ser lançado pelo Selo SESC no início de 2009.”

MAM 60 e Frans Krajcberg

sustentabilidade November 29th, 2008

Imagem:Franz Krajcberg space.jpg

Um dos nomes mais combativos no meio artístico brasileiro, o polonês naturalizado brasileiro Frans Krajcberg está na Oca, no Parque do Ibirapuera, até 14 de dezembro. Conheci Krajcberg numa exposição no Jardim Botânico de Curitiba há muitos anos e sua obra feita com madeira retorcida e desprezada me tocou fundo na alma, um convite para uma mudança de atitude. Ao logo dos anos fui colhendo informações sobre este pintor, escultor, gravador e fotógrafo que mora num pequeno paraíso na Bahia, onde produz uma obra que reflete a paisagem brasileira, em particular a floresta amazônica, e atua na preservação do meio-ambiente.

A exposição Natura faz parte do MAM 60 que mostra um painel histórico do modernismo brasileiro através de um passeio por trabalhos de Mira Schendel, Ismael Nery, Marcello Nitsche, Flávio de Carvalho, Leonilson e outros nomes. e Krajcberg é o complemento da festa de aniversário com sua exposição Natura que reúne 65 esculturas e quarenta fotografias no subsolo da Oca.
Palco para as comemorações dos sessenta anos do prédio vizinho, o MAM (fundado em 1948 pelo industrial Cicillo Matarazzo). Suas obras se mesclam a outras 500 e a 200 documentos (parte significativa de sua vasta coleção, normalmente trancafiada em depósitos) distribuídos pelos três andares da Oca.

Serviço:

  • O que: MAM 60 e Frans Krajcberg Natura
  • Onde: Oca. Parque do Ibirapuera, Portão 3, São Paulo, SP
  • Quando: Terça a domingo e feriados, até 14/12
  • Quanto: grátis
Neste sábado acontece uma mesa-redonda com Frans Krajcberg, Fabio Feldman, Floriana Breyer e Felipe Chaimovich sobre os Desafios atuais da Arte e Ecologia às 10h30 na Oca.
 

Trash Pour 4 recicla clássicos populares

Uncategorized November 28th, 2008

Revistar músicas antigas, os chamados clássicos, é uma experiência pela qual vários artistas passam, no geral com boa aceitação do público. A Caixa Cultural apresenta neste final de semana shows gratuitos com a banda Trash Pour 4 que fazem esta viagem. Formado pelos amigos Natalia Mallo (baixista, vocalista e produtora), Mariá Portugal (baterista, vocalista, arranjadora), Gustavo Ruiz (guitarrista, violonista, arranjador) e Dudu Tsuda (tecladista, arranjador), o grupo surgiu em 2004 quando os músicos se uniram com o mero intuito de criar, num ambiente de total despretensão e liberdade, novos arranjos para músicas conhecidas, clássicos do pop e, em alguns casos, canções “descartadas” pelo público devido à sua sonoridade datada ou démodé. Desde então, vem surpreendendo público e crítica especializada.

A música Like a Virgin, por exemplo, lembrou um pouco as versões da Dani Carlos, mas menos arrastadas. E eu fiquei orgulhosa de ver uma baixista mulher (é estranho contar hoje, mas eu já tentei tocar baixo e ainda adoro este instrumento). 

Longe de se alinhar com movimentos de culto ao kitsch ou revivals dos excessos estéticos dos anos 80, o grupo tem como foco de sua pesquisa a transformação ou reciclagem (dai o Trash do nome) das informações estéticas na musica popular. O oposto de um cover (reprodução de arranjos originais); uma subversão dos valores timbrísticos e estilísticos na música radiofônica ou popular de modo geral, brasileira e internacional. Já são dois discos no mercado (Recycle vol. 1, de 2005, e Super Duper, de 2006, lançados no Brasil, na Coréia e no Japão), o grupo prepara seu terceiro, que, diferentemente dos anteriores, terá tanto releituras de sucessos quanto músicas autorais, todas elas com a sonoridade já característica do quarteto.

(abaixo Material Girl, outro sucesso da Madonna, show do começo da carreira da banda)

O show terá participações especiais de Érika Machado, Tatá Aeroplano e Tulipa Ruiz, interpretando suas canções e as existentes no repertório do quarteto TP4. 

Repertório:
  • 1- Geni e o Zepelin- Chico Buarque
  • 2-Father Figure (George Michael)
  • 3-Material Girl (Peter Brown / Robert Rans)
  • 4- Secador, maçã e lente – Érika Machado
  • 5- As coisas – Érika Machado
  • 6-Close to You (Burt Bacharach / Hal David)
  • 7-Quizas, quizás, quizás (Osvaldo Farrés)
  • 8-If I fell (Beatles)
  • 9 -Toxic (Britney Spears)
  • 10- Lithium – Nirvana
  • 11-Like a Virgin (William Steinberg/Thomas F. Kelly)
  • 12-Maricotinha (Dorival Caymmi)
  • 13- Dê – Tatá Aeroplano
  • 14 – Pareço Moderno – Tatá Aeroplano
  • 15-Puttin’ On The Ritz (Irving Berlin)
  • 16-What’s Up (Linda Perry) Ed. Warner 4:36
  • 17-Sufoco (Chico da Silva/Antonio José)
  • 18 – Volare (Francesci Migliacci / Domenico Modugno)

Serviço:

  • Recomendação de faixa etária: 14 anos
    • O quê: “Trash Pour 4 – Clássicos Populares Revisitados”
    • Quando: dias 29 e 30 de novembro, às 19h
    • Onde: CAIXA Cultural (Praça da Sé, 111)
    • Quanto: entrada franca (é necessário retirar ingresso com até uma hora de antecedência)
    • Lugares: 100
    • Duração: 60 minutos

    Blogueiros no Caminho das Índias

    TV, midia social November 28th, 2008

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    bitesglobo visita ao projac sam shiraishi blogueiros com juliana paes por você.

    Blogueiros no Projac

    Do jeito que escrevi parece que o próximo blogcamp será em Nova Déli… não é, mas um grupo de blogueiros estará mesmo envolvido com o país asiático, com seus costumes, descobrindo diferenças e semelhanças com o Brasil. Vamos imergir na nova novela das oito da Rede Globo, Caminho das Índias, num Café.com Glória Perez, autora da trama. Ela é conhecida por trazer às novelas temas atualíssimos como a Barriga de Aluguel, Doação de Órgãos (De Corpo e Alma), clonagem humana (O Clone), da questão da imigração pós-globalização (em América) e trazer ao horário nobre campanhas como a das crianças desaparecidas. Para mim sempre se destacou nos seus roteiros uma preocupação com a questão social, a inclusão, a vivência pós-racial, aceitação do diferente (o transexual que tentava adotar uma criança vivido por Floriano Peixoto, os homossexuais em América) e o respeito aos costumes ancestrais  (que tinha nos núcleos dos ciganos de Explode Coração e dos muçulmanos de O Clone). Tenho acompanhado a produção há muitos meses no blog da autora, De tudo um pouco, e pude notar o amplo e profundo trabalho de imersão cultural que Glória fez para entender o mundo indiano, as nuances daquele país milenar que nos parece anacrônico, ora por sua imersão na cultura contemporânea (com Bollywood, os casamentos bilionários, os grandes executivos que saem de lá para conquistar multinacionais no mundo todo), ora por suas tradições e suas diferenças que ainda mantém o país no terceiro mundo (a famosa história da vaca sagrada, do banho no rio Ganges, o sistema de castas e tantas outras que nos deixam incapazes de compreender o indiano). O que aproxima a novela Caminho das Índias (que tem um Diário de Bordo virtual) dos blogs é um personagem blogueiro que vai interagir na história. Outro dia a @djmisscloud comentou comigo no twtter que a personagem Dara, cigana da novela Explode Coração, foi a primeira numa novela a usar chat na internet, com o qual ela se comunicava com seu par romântico, vivido por Edson Celulari. O buzz é que o blogueiro deverá ser uma ponte entre as duas nações. Lembrei imediatamente de uma carioca que conheço virtualmente porque mantinha um blog para contar da sua vida na Índia, a Poliane Latta do Rumorejo. ;)   Será que vamos ter uma explosão de blogs? Pode ser, concordo com a Tiffany quando diz que o que pegar em novela da Globo vira moda. Gostei quando ela falou que

    “Isso é comum na nossa sociedade consumista e culturalmente falando, é uma das características do nosso povo brasileiro… acompanhar as novelas, vivenciar juntos a vida dos personagens (muitas vezes confundindo a trama com a realidade dos atores) e sair dando pitaco por aí. Se por um lado é grotesco e tende para a superficialidade e alienação cultural, por outro (e talvez seja o lado mais forte) acaba sendo a única forma de oferecer mais informação, cultura e consciência social na maioria dos lares brasileiros, inclusive naqueles lugares onde quem é intelectual ou crítico demais nunca teve interesse de visitar.”

    Esta tentativa de incluir consciência social é que me chama atenção nas tramas da novelista. E por isso estou feliz por ser uma das pessoas que irá ao evento, mais ainda porque levo comigo dez convidados VIP, blogueiros que compõem a rede de blogs externos do portal M de Mulher da Revista Abril. (Breve conto aqui quem são eles) O Café.com Glória, promovido pela  Revista Bites acontece na sede da Rede Globo em São Paulo no Projac em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, no dia 09 de dezembro e reunirá cerca de 50 blogueiros num bate-papo que servirá de laboratório para um melhor aprofundamento do tema. Por trás dessa conversa há uma quebra de paradigma que merece ser registrada. No momento que a maior empresa de comunicação do País coloca no seu horário nobre o tema da produção de conteúdo individual na Internet é uma clara demonstração que esse fenômeno é irreversível.  Sorte nossa! ;)

     
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