Vi este vídeo no blog do @miltonjung, da CBN, e lembro de ter participado desta ação ano passado, mas não consegui achar aqui no blog. Jung está recebendo textos, fotos, áudios ou vídeos que tenham como tema principal a pobreza e os veiculará no Blog do Milton Jung. Mande seu material para milton@cbn.com.br
Blog Action Day is an annual nonprofit event that aims to unite the world’s bloggers, podcasters and videocasters, to post about the same issue on the same day. Our aim is to raise awareness and trigger a global discussion.
Fiquei aqui pensando no que já escrevi sobre pobreza. Foram vários posts, viu? Mas hoje a maior pobreza que noto é a de espírito, a dos candidatos à prefeitura que ficam em “debates culturais” (para usar um termo que ouvi hoje pela manhã Arnaldo Jabor falar na CBN), quando na verdade a população precisa de cuidados.
No dia de ação dos blogs contra pobreza eu gostaria de parar para pensar no quanto nós, cidadãos, podemos fazer para cuidar do próximo, da cidade, do país. Cuidar é dar dignidade, tratar com respeito, agir com amor fraterno. Hoje parei no farol de acesso à Radial Leste com meu marido e meus filhos no carro e logo veio um vendedor de balas conversar. Meu marido o chama de Suzuki e o moço, que não tem nada de japonês, fica contente, achando que tem relação com o carro e se entusiasma com o papinho matinal. Guilherme pergunta da família, se já terminou o puxadinho, como estão as vendas. Simples assim. No entanto noto que, quando abre o sinal, ele está sorridente, acenando para nós como se faz a um amigo. Sim, é um risco - e deve ter sido na primeira vez que ele não fechou a janela na cara do rapaz - mas temos que tentar nos relacionar com os outros, sejam eles iguais ou diferentes de nós. A dignidade de um cumprimento pode mudar a vida da pessoa. Pense nisto.
Posted by Sam Shiraishi on Oct 15, 2008 in política
Já falei de política e eleições aqui neste ano, eu sei. Outro dia, ainda sob o impacto do continuísmo nas prefeituras, escrevi no Nossa Via. E hoje estou escrevendo por conta de uma ação do Gravataí Merengue (e vários blogueiros amigos e conhecidos) para declarar pública a escolha que eu já tinha divulgado no Twitter. Voto no Kassab. E estou em muito boa companhia, com os blogueiros capitaneados pelo @jasper que lançaram um manifesto hoje no blog http://votokassab.blogspot.com Os motivos? Acompanhei a gestão dele, gostei do que fez pela cidade (já falei aqui do Cidade Limpa, por exemplo), os novos planos para a próxima gestão me convenceram. Precisa mais? Na verdade não, mas tem mais. Como contei aqui, eu não voto mais no PT. E Marta é PT, ponto final. Parodiando a @mellancia #prontofalei
[update] Mais do que razão, a confusão sobre a vida privada dos candidatos e a forma como é abordada pelos rivais políticos mostra quem é quem. Kadu escreveu um texto ótimo (Um mutante no poder) nesta semana no Com Limão no qual comparava a perseguição diferente com o X-Men. Vejam um trechinho:
Ao amanhecer e despertar do século XXI, todos nós estamos preocupados em alcançar uma melhor qualidade de vida e todos esses rótulos arrastados parecem estar mais que explorados e passam a perder relevância. E a queda desses rótulos provavelmente será refletida nas urnas, em 26 de outubro.
Talvez seja o caso de perguntar se a Seleção é casada e tem filhos.
Ao menos, criaria uma polêmica em torno dela e desmascararia falsos, ou falsas, progressistas.
Posted by Sam Shiraishi on Oct 15, 2008 in música, youtube
Adoro o nome desta música porque me lembra o Japão. Não sou a única a fazer esta relação insólita de Irlanda e Japão, há um blog homônimo que deve ter se inspirado naquele país que não tem nomes de ruas mesmo, só números que parecem versículos e indicam o local e a quadra num bairro. Maluco, né? Imagina se perder numa cidade assim? Eu me perdi e precisei gesticular muito no quisque da polícia mostrando meu documento de estrangeira (que tem o endereço da gente) até eles desenharem um mapa e eu conseguir saber como voltar para casa de bicicleta.
“Where the Streets Have No Name”, música do U2, é do álbum de 1987, The Joshua Tree - e na minha época, com o vinil, a gente pensaria faixa 3, lado A… hahaha! Bono diz que a letra foi inspirada na Belfast da época, onde era possível identificar a religião que a pessoa professava pela rua onde ela morava e mais ainda pela parte da rua. Imaginem isso num país que viveu um clima bélico (com domingos sangrentos) nos confrontos entre católicos e protestantes e que presenteou o mundo com uma banda que se tornou famosa também por suas músicas pacifistas, sobretudo no que concerne à integração de pessoas de diferentes credos - como se nota nos seus shows cheios de símbolos que se integram.
Estou postando aqui como mea culpa: nunca fui fã do U2, só quando parei para ouvir as letras e depois as entrevistas deles consegui ver além da minha mania de não gostar muito do que é popular! hahaha Perdi um tempão, né?
P.S. Numa entrevista de 1987, Bono teria dito: (sorry, vai em inglês pois não sou tradutora)
“Where the Streets Have No Name is more like the U2 of old than any of the other songs on the LP, because it’s a sketch - I was just trying to sketch a location, maybe a spiritual location, maybe a romantic location. I was trying to sketch a feeling. I often feel very claustrophobic in a city, a feeling of wanting to break out of that city and a feeling of wanting to go somewhere where the values of the city and the values of our society don’t hold you down. An interesting story that someone told me once is that in Belfast, by what street someone lives on you can tell not only their religion but tell how much money they’re making - literally by which side of the road they live on, because the further up the hill the more expensive the houses become. You can almost tell what the people are earning by the name of the street they live on and what side of that street they live on. That said something to me, and so I started writing about a place where the streets have no name.