Arquivo: October 8th, 2008

Mostra Sesc de Artes

Postado em A Vida Como A Vida Quer no dia 08/10/2008

Quem avisou foi o @gustavodrums no twitter e adorei ver que a mostra tem um blog. A idéia é oferecer pausas poéticas em vários cantos da cidade (há uma unidade de Sesc em cada micro-região) nesta 12ª edição da Mostra Sesc de Artes que acontece de hoje até 18 de outubro nas diversas unidades do Sesc em São Paulo. Preciso contar que me encantei com a idéia de “respiros poéticos” na rotina da cidade? E sendo fã de Sescs, fiquei desejando tempo para acompanhar uma parte das manifestações. Várias intervenções e performances acontecerão fora das unidades ou em espaços pouco convencionais na intenção de aproximar a arte do cotidiano de São Paulo.

Das manifestações artísticas que me chamaram atenção estão:

  • O projeto “Literatura Celular” enviará diariamente três microcontos para os celulares cadastrados no portal do Sesc. O serviço, que tem curadoria do escritor Marcelino Freire, é gratuito. As letras estão também no “Poema Passageiro” que tem trabalhos de poetas escolhidos por Ricardo Silveira inseridos nas TVs instaladas em ônibus da capital.
  • O artista plástico e cineasta Cao Gumarães recebe uma restrospectiva de seus filmes, longas e curtas, na Mostra. Serão apresentados em torno de 20 trabalhos, no CineSesc e no Sesc Vila Mariana. No site do cineasta, que tem uma ótima programação visual, você pode fazer download de fotos, releases e textos. Tem outros filmes exibidos na Mostra, vale conferir.
  • O grande público deve se esbaldar com intervenções como o gigantesco pato de borracha do holandês Florentijn Hofman, com 12 metros de altura, na região do Sesc Interlagos. Nas paredes do Sesc Paulista, a obra será projetada nas paredes sob a forma de notícias em ícones cadentes, o “Falling Times”, composto de um sistema criado por Michael Bielicky, Kamila B. Richter e Dirk Reinbold (Alemanha / República Tcheca).
  • Boca Suja é composto de guardanapos com poemas impressos e, verdade, vai dar vontade de colecionar. Dezoito e Trinta, trará micro-contos estarão colados em carrinhos miniatura alinhados como num congestionamento. Literatura em Trânsito  promete ser uma reflexão sobre o frenesi do nosso dia-a-dia na metrópole. Há ainda Poça de Poemas, de Alice Ruiz, Poemas para viagemPoesia de Bebedouro Poesia Visual.

A abertura acontece agora à noite no Sesc Pompéia, com a apresentação das “Audiollerinas” do Die Audio Groupe (Alemanha). A programação completa e os endereços das unidades estão no site oficial do evento.

 

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Brasileiros surfando menos no trabalho

Postado em from posterous no dia 08/10/2008

Desde cedo estou com algumas notícias abertas em abas aqui no navegador e pensando nelas. Segundo a repórter do IDG Now! Lygia de Luca, os brasileiros passam 51 minutos por dia em sites pessoais no trabalho.

Os funcionários de empresas brasileiras passam em média 51 minutos por dia navegando em sites não relacionados a trabalho, segundo o estudo Web@Work 2008, divulgado pela Websense. O tempo médio gasto em sites de uso pessoal caiu 28,2% em relação a 2007. 

Os responsáveis pelo estudo atribuem três razões principais ao fenômeno: as empresas estão mais conscientes e pararam de tentar barrar o tráfego pessoal, o que gerou uma resposta positiva dos funcionários; os usuários estão mais maduros e usam menos sites pessoais; ou as empresas estão aplicando filtros mais severos.

Acredito que o hype de redes sociais vai entrar em declínio e passaremos a acessá-las com alguma finalidade. Não é mais, como disse Murilo Benício, aquele lugar onde vamos para encontrar gente do passado. Orkut é para trabalhar. E para a empresa, sinceramente, acredito que manter uma network (e o meio mais fácil ainda é o digital) ajuda muito na execução dos trabalhos e na relevância do pessoal.

Mas, como disseram as meninas do Imezzo (e vou citar mais de uma vez), esta nova mídia veio para ficar. Este foi um dos temas do Digital Age 2.0, evento do qual participei na semana passada e que pretendia debater o futuro dos negócios tendo a Internet como plataforma de relacionamento – sobre o qual eu reflexionei num post do blog da Coworkers. Marcelo Coutinho, do Ibope e do IDG Now!, escreveu sobre o painel que moderou no evento, num texto que fala da – já batida, mas importante – inclusão digital da classe C. Em A nova cyberperiferia ele vaticina: o atendente de telemarketing virou canal de distribuição e embasa sua idéia, claro, em números. Para quem se interessa e quer conhecer o mercado, vale ler o texto inteiro aqui

O extraordinário crescimento do uso das tecnologias digitais pelas classes populares no Brasil vai obrigar as empresas envolvidas em toda a cadeia da comunicação a repensarem as ameaças e oportunidades de negócios nos próximos anos.

(…) Quando observamos os dados do Comitê Gestor, verificamos que as classes populares apresentam um uso menos variado da Internet do que as camadas mais ricas, exceto em 2 aspectos: comunidades sociais e games. De acordo com Osvaldo Barbosa, da Microsoft, elas também utilizam menos comunicadores instantâneos como o MSN Messenger, mas ainda assim sua taxa de utilização é elevada: 60%.

Não tenho conclusões, embora a vontade seja de dizer que a inclusão digital é ótima e que, embora alguns – que me lembram personagens da nobreza caída da Revolução Francesa – digam que a inclusão de novas camadas na internet vai nivelar por baixo (juro que ouvi isso várias vezes neste ano), acredito que vai ampliar o leque de opções para todos. E viva o livre-arbítrio que nos permitirá escolher onde e com quem surfar!

P.S. Já que falei em navegador, me adaptei ao Google Chrome, esqueci do Firefox, quem acredita! Como dizia uma matéria, Ame-o ou deixe-o. Eu estou comprometida com o Chrome, nunca mais perdi coisas porque travou o navegador!

A rede nos pertence

Postado em Carreira e dinheiro, Cultura Web 2.0 no dia 08/10/2008

[Alerta, este post é de 2008 - e os tais geeks da ocasião são hoje empresários da web 2.0]

Vivi um início de outubro que poderia ser chamado de geek, mas na verdade era basicamente gregário. Geek é o cara que adora tecnologia – se não compra gadgets assim que são lançados, pelo menos sabe muito deles – e, segundo li outro dia na wikipedia, gosta de sci-fi (pode um preconceito destes?) e vive no computador.  Bom, é meia-verdade. Ainda somos assim (me incluo com orgulho nesta tribo, com sci-fi e tudo), mas somos mais.

Vários geeks foram vistos no Digital Age 2.0, evento que reuniu parte da nata ligada em mídia digital nos dias 1º e 2 de outubro em São Paulo. Infelizmente não vi muita novidade, mas pude me regozijar com a presença de blogueiros que não são jornalistas (eu e Tiago Dória não contamos) credenciados como imprensa, fazendo uma cobertura just-in-time do evento que deixava os jornalistas de grandes veículos de comunicação boquiabertos. Eles viram os blogueiros fazerem o que enaltecia um documentário do Discovery Channel neste domingo: assumiam seu papel de pessoa comum e de autores da história atual. É verdade, aqui como nos EUA, há um burburinho dos profissionais de mídia sobre a ascensão da categoria de repórter-cidadão. Alguns reclamam, outros enaltecem este poder que ganhamos. No entanto, para infelicidade dos que torcem contra, acredito no que as meninas do Imezzo (Beth Saad e Daniela Bertocchi) chamaram de resumo da ópera no seu post sobre o Digital Age 2.0:

O movimento da mídia social não é uma onda passageira, não é uma nova bolha. Grande chance de ser irreversível.


Paulistas e cariocas são como republicanos e democratas? Foi o que, em certo momento, achei que a Danah Boyd quis dizer.
Foto: Renato Targa

Como um dos temas foi redes sociais – o Digital Age 2.0 era uma  conferência para debater o futuro dos negócios tendo a Internet como plataforma de relacionamento – o evento reuniu especialistas e interessados no assunto e teve grande participação da blogosfera, tanto na presença física como imprensa quanto na presença online no twitter – que é possível conferir no livestream do Blogblogs.

Hoje todos relacionam o termo rede social com Orkut, Faceboobk, Myspace, Sonico (tantas outras), mas é um termo acadêmico utilizado para se refletir sobre os movimentos sociais. Se pensarmos nas redes digitais como o estudo das relações humanas, conseguiremos ir além até mesmo no conceito de SOE (social online environments ou social networking  sites). Mas não precisamos pensar assim porque desde que surgiram redes sociais online, tudo mudou.

Vejam bem, vou chover no molhado: num site destes cada usuário pode criar um perfil de si próprio (através de descrições, fotos, listas de interesses pessoais) e construir uma rede pessoal de relacionamentos sociais

“que o conecta intencional e seletivamente com outros utilizadores pertencentes à sua rede pessoal ou outras redes pessoais e de interesses pessoais comuns, através da troca de mensagens privadas e públicas entre si”, como descrito aqui.

Nos EUA se tornaram mais populares Hi5, MySpace e Linkedln lançados em 2003, aqui o Orkut (lançado em 2004 como o Facebook, que não “pegou” ainda no Brasil mas é sucesso lá) e em resumo eles são um novo IRC (dos anos 90, que, confesso, não usei e só ouço falar agora como “história”). Minha primeira “rede social” foi o ICQ, que usava para me comunicar em 1998, onde tínhamos um mini-perfil, depois substituído pelo msn e seu spaces, primeiro blog de muitos blogueiros. As atuais ferramentas das redes sociais – aplicativos que agora o orkut começa a oferecer com generosidade e foram a grande “sacada” do facebook – são uma nova porta no espaço dinâmico de sociabilidades, convivência e compartilhamento de interesses, gostos e estilos.

E, à semelhança dos seus antecessores, enquanto espaço de convívio e partilha, o software social fomenta quer a manutenção das sociabilidades pré-existentes offline quer a expansão das sociabilidades puramente online, segundo a portuguesa OberCom.

Neste contexto, não precisa ser especialista em tecnologia para se entender porque nós, brasileiros, somos afeitos e, se não pioneiros, somos os líderes no consumo deste tipo de produto de comunicação – somos campeões mundiais no uso de comunidades, segundo algumas estatísticas de redes sociais. Mas para entender e avaliar este fenômeno, é preciso conhecer o Brasil. Senti isso ao ouvir a palestra da americana Danah Boyd no Digital Age 2.0.  Meus colegas de trabalho se encantaram com sua beleza, lucidez e cultura sobre as redes sociais, mas eu não consegui cair do mesmo modo no canto da sereia.

(Queria muito ter conversado com outras mulheres presentes para saber sua opinião, pois, como meus acompanhantes e coworkers, a maioria dos blogueiros nestes eventos ainda é do sexo masculino.)

A visão de Danah e seu discurso sobre os motivos que levam as pessoas a usar redes sociais e serem ativas nelas são estimulantes e nos levam a conexões inevitáveis. Seu discurso parecia um bem costurado texto de blog com vários hiperlinks que deixavam janelas nas quais desejávamos nos jogar para saber mais e mais. Até aí, perfeito. Não gostei das conclusões sobre o Brasil, que podem ser lidas nos comentários que encontrei num post:

- A explosão do Orkut no Brasil aconteceu porque foi a primeira rede social a chegar ao País e se concentra entre usuários do Rio de Janeiro e São Paulo. Segundo ela, essa concentração nas duas capitais acontece porque muitos pais são transferidos por conta do trabalho e cursos e os jovens não querem perder o contato dos seus amigos – explica.

- Outro fator que influencia a presença de jovens nas redes sociais, de acordo com Boyd, são as restrições impostas pela família ou por falta de mobilidade. (ela nunca viu a classe C usando orkut no McDonalds, fato mencionado na mesa moderada por Marcelo Coutinho, diretor do IBOPE Inteligência)

- Se as pessoas têm dificuldade com transporte, não têm carro, moram longe umas das outras ou os pais proíbem que saiam, a participação em mídia social aumenta. Quanto mais restrição, mais pessoas na Internet – acredita ela. (Será que isso vale no Brasil? Dos seus pares na internet, quantos são companhia constante da sua vida offline?)

É mesmo a cara do Brasil, não? Bom, eu acho que não. Mas as conclusões dela me fizeram pensar que preciso – urgente e seriamente – divulgar o que tenho lido de pesquisadores brasileiros ou brasilianistas sobre o fenômeno da rede no País. No coffee break depois da palestra da Danah eu comentava com amigos sobre coisas que li de Raquel Recuero, Daniela Bertocchi e Carol Terra (para citar apenas três – e mulheres da minha geração – brasileiras que estudam mídia digital) e eles ficaram de queixo caído ao ouvir. Falta uma conexão, um hub entre as mídias sociais e estes pesquisadores, ou apenas entre eles e quem usa as mídias sociais comercialmente? Não sei, mas adoraria encontrar as três para conversar sobre isso.

#digitalage

Sobre o mesmo evento, versões diversas:

P.S. Em 25/04/2008 o Ibope divulgou que “as comunidades on-line atingem 78,4% dos internautas brasileiros. A taxa é a maior do mundo, à frente do Japão (73,7%) e França (62,9%). Segundo o estudo, a utilização de blogs e comunidades on-line já começaram a ser praticada por diversas empresas brasileiras, focando nos consumidores que utilizam a internet regularmente. De acordo com pesquisas recentes do IBOPE, já são 40 milhões de brasileiros freqüentando a internet, onde 64% deles participam de sites de comunidades e 13% criam ou atualizam blogs.”

Qual o signo do seu filho?

Postado em Mãe com filhos no dia 08/10/2008


O blog Torre de Marfim, que tem um post de Marcos Matamoros discutindo a astrologia (Astrologia, eu quero uma prá viver) e começa assim:

E de repente ficou chique falar de astrologia. Ninguém mais tem vergonha de dizer que acredita no assunto, pelo contrário. No boteco, na televisão, na entrevista no jornal, virou moda se definir em função do signo.

Mesmo convivendo com muita gente que pensa como ele, eu sempre pergunto – ou descubro e guardo para mim – o signo das pessoas. Por quê? Ora, porque eu gosto dos arquétipos do Zodíaco, acredito que a personalidade pode ser formada por uma espécie de DNA simplificado que é sua composição astral. Mas note, eu não leio horóscopo – e nada contra quem lê – porque o que eu gosto é da idéia da personalidade. Assim as pessoas são, mais do que morenas, altas, ruivas, gordas, uma mistura de signo solar, ascendente, signo lunar e etc.  Há alguns dias abri no Pequenos Leitores um tópico sobre signo dos filhos e pais, falando da interação que temos em família e contei como eu comecei a gostar disto. Evellyn, Renata e Michelle também contaram sua experiência lá. No meu caso, tudo começou quando ganhei de presente de minha mãe um mapa astral no aniversário quando era adolescente (daqueles com astrólogo mesmo, que a gente vai a uma “entrevista”) e ouvir um completo estranho falar tudo sobre meus sentimentos mais intimos, que eu mal vislumbrava, me impressionou. Li muito sobre o tema e se cristalizou esta mania de pensar nas pessoas como um mapa a ser lido. Sou aquário com ascendente em aquário e lua em peixes, o que, para quem gosta de astrologia, explica minha hiperatividade, a vocação para estar em redes sociais (muitos planetas nas casas 11 e 12 corroboram isso) e a quedinha tanto por filantropia (terceiro setor e cidania, no meu caso) quanto pela busca espiritual. Gui é peixes com ascendente sagitário e lua em gêmeos, Enzo touro com ascendente câncer e lua em virgem e Giorgio escorpião com ascendente em sagitário e lua em gêmeos.  Aí vi que a Sueli Sueishi, com quem eu já teclei muitas vezes no msn sobre nossos signos – ela é aquário e mãe de escorpiniano como eu – lançou esta pergunta no blog do Desabafo de Mãe. A astróloga e terapeuta floral Sílvia Bacci, também especialista do site Desabafo de Mãe, vai escrever um artigo abordando o signo dos pais e dos filhos, destacando os desafios e vantagens de cada relação. Legal, né? Aqui em casa temos uma família que abre debates, mas na qual a palavra final é dos pais, que apenas abrem concessões e forçam a prole a se empenhar para “ganhar” qualquer coisa diferente. Giorgio tem mais afinidades astrais com o pai e comigo, mas Enzo, tadinho, se sente só (e confesso que exploro taurinas como a madrinha dele Tiffany e a Andréa para entendê-lo). Os meninos, com signos complementares, são grandes amigos e confiam muito um no outro, mas as diferenças de personalidade estão reforçando e eles já são menos companheiros nas atividades. Enzo é mais centrado, “in”, absorvendo tudo e guardando em si, por outro lado mais irado – ou irascível. Giorgio é “out”, spreading ideas and joy all the time, é um ser gregário e necessita compartilhar. Por outro lado, se magoa com a reação negativa das pessoas sobre suas propostas, enquanto que Enzo é um sobrevivente neste sentido. Mesmo assim ele precisa mais da aprovação do mundo do que Giorgio para ser feliz. Que coisa, né? E sua família, como é esta relação? O que tem feito para driblar as diferenças e tirar proveito deste conhecimento para viver melhor? P.S. Gosto muito dos signos chineses, que, por serem anuais, determinam um comportamento geral de turma/geração. Aprendi muito sobre eles com o livro A nova astrologia, de Suzanne White (editora Pensamento).