Ainda há muito o que fazer
Assistindo ontem à noite ao jornal na TV, pensei em como temos trabalho pela frente como país para melhorar não só os índices oficiais - como estes que “passam de ano” crianças que nem sabem ler e chegam ao ginásio sem saber os nomes dos estados brasileiros, mas nos deixam com números altos para fins de estatística de ensino formal. Há muito o que melhorar no cotidiano e cidadania. A moça que trabalhava na minha casa até o meio do ano tinha concluído o ensino fundamental, mas não conseguia entender o preço das coisas no supermercado, precisava da ajuda do filho para fazer compras. Um analfabetismo funcional que me deixava entristecida e que não consegui ajudar a amenizar.
Segundo o Jornal Nacional, esta minha observação doméstica foi confirmada por um estudo do IBGE.
O IBGE divulgou nesta quarta uma análise das condições de vida dos brasileiros em 2007. A pesquisa mostrou avanços na área social, mas a qualidade da educação está prejudicando milhões de alunos.
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Apenas 17% das crianças com até três anos vão à creche no Brasil. O acesso é maior para quem ganha mais.Quando as crianças chegam à idade escolar, surge um outro problema. O acesso ao ensino fundamental já está praticamente resolvido no Brasil, mas o que ainda precisa melhorar é a qualidade da educação. São muitas as crianças que não sabem ler e escrever.
E o que surpreende, a grande maioria delas está na escola: 1,3 milhão crianças, entre 8 e 14 anos, são analfabetas. E um 1,1 milhão freqüentam a sala de aula.
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Na universidade, o número de brancos dobrou e o de pretos e pardos, segundo a classificação do IBGE, mais que triplicou em uma década. Para chegar à faculdade, o caminho ainda é longo para uma estudante do Nordeste.
Aos dez anos, na primeira série, ela ainda não sabe escrever o próprio nome. O que mais quer é aprender a decifrar o mistério das letras. “Eu quero ler para ‘mim’ ler um livro como este”.
