Archive for July 3rd, 2008

Samuel Beckett

teatro July 3rd, 2008

Vi no site do Sesc que a peça Fragments , de Peter Brook , com textos de Samuel Beckett , estará em cartaz aqui em São Paulo. Infelizmente os ingressos estão esgotados para conferir no SESC Santana este espetáculo que reúne quatro pequenas peças do dramaturgo irlandês – Rough for Theatre I , Rockaby, Act without words II, Come and Go – e o poema Neither . No entanto, a noticia me fez pensar no que eu lembrava de Beckett. A primeira lembrança é de atores de primeiro escalão citando-o, a segunda é Esperando Godot . Escrita em francês, a peça estreou em 1953 e se tornou um divisor de águas no teatro do século passado com a história de dois vagabundos que aguardam infinitamente, num descampado, a vinda do senhor Godot, que nunca aparece.

Admito, o fato de ele ser amigo de James Joyce (que, me perdoem os que celebram o Bloomsday , eu não consigo apreciar), pesa para eu não ter tanta simpatia, mas igualmente mostra um pouco do mundo de onde ele veio. Filho de burgueses protestantes, formado em Literatura Moderna na década de 1920, vinculado à resistência francesana Segunda Guerra Mundial, ele é uma pessoa que viveu uma fase obscura e deprimente da história da humanidade. E conseguiu tirar disso uma produção incrivel e inovadora, o Teatro do Absurdo , numa crítica à modernidade.

Se algum leitor for um dos felizardos que vai ao Sesc, me conte depois aqui! ;)

Fragments
Com encenação dos atores Hayley Carmichael , Khalifa Natour e Marcello Magni, a primeira parte da apresentação, Rough for Theatre I, narra o encontro de um músico cego e um morador de rua em cadeira de rodas que criam uma relação de dependência mútua; a segunda trama, Rockaby, é sobre uma mulher que escuta a sua voz enquanto se despede da vida, sentada na mesma cadeira em que sua mãe morreu. Act without words II é uma mímica em que dois personagens de temperamentos diferentes dão o tom humorístico à encenação, contrapondo-se ao poema Neither, de tom mais sombrio. Come and Go é a história de três senhoras fofoqueiras que compartilham um segredo. Os textos, encenados em 55 minutos, têm estilo simples e direto para tocar o espectador de diferentes formas. “No teatro, pessoas de mundos diferentes podem se reunir durante algumas horas. Acredito que algo simples e puro pode tocar profundamente o público”, diz Peter Brook. (fonte SESC)

Lei seca no trânsito

A Vida Como A Vida Quer July 3rd, 2008

Como tenho um blog chamado Dinner Out com categorias específicas sobre bebidas, dá para imaginar que eu gosto de beber em boa companhia e no momento adequado . Por isso mesmo eu acho certo proibirem o consumo de bebida quando se dirige, a tolerância zero que o Governo pretende que se firme no Brasil. Acho certo, estou me oferecendo para dirigir quando saímos para meu amor ficar mais à vontade, mas a verdade é que para uma lei destas dar certo, precisaríamos de segurança, transporte público, enfim, de um outro país e outra cultura.

Há controvérsias, como a questão do bafômetro representar uma prova contra si mesmo, como mostrava uma matéria no Jornal Nacional nesta quarta.

até quem é responsável por cumprir a medida questiona o que considera um abuso da lei – o uso do bafômetro e do exame de sangue para comprovar a embriaguez do motorista.

O diretor da Academia de Polícia de São Paulo diz que a lei é, ruim, mal feita porque o motorista não é obrigado a produzir uma prova contra si próprio. E prevê uma batalha nos tribunais.

E há uma questão da interpretação da lei, porque a infração que cometemos ao dirigir alcoolizado pode ser administrativa ou criminal.

“É preciso saber se ele está dirigindo o veículo corretamente ou não. Se está corretamente, é pura infração administrativa, não é uma infração criminal. Para ser crime, nós temos que ter um condutor bêbado, um condutor anormal, mais uma condução anormal”, aponta Luiz Flávio Gomes, professsor de Direito Penal.

Não dá para ficar só malhando, a gente deve criticar, mas de forma construtiva e tentar fazer a nossa parte também.  Aqui eu decidi, beber em casa ou perto de casa, para não usar carro. Se estivermos longe, metrô e taxi resolvem. E você, o que está pensando desta polêmica?

P.S. O Eduardo Hoffmann, do blog Motor S.A. escreveu um bom post sobre o tema: Sobre Lei Seca, tolerância zero e bafômetro . E usou uma imagem que vale por várias palavras. ;)

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