Archive for June 17th, 2008

Amor cansado

Comportamento June 17th, 2008

“Nada mais dilacerante que uma voz amada e cansada: voz extenuada, minguada, exangue, poderíamos dizer, voz do fim do mundo, que vai abismar-se muito longe em águas frias: está a ponto de desaparecer, como o ser cansado está a ponto de morrer: o cansaço é o proprio infinito: o que não acaba de acabar. Essa voz breve, curta, quase desgraciosa por força de sua raridade, esse quase nada da voz amada e distante, torna-se em mim uma rolha monstruosa, como se o médico me enfiasse um grande chumaço de algodão na cabeça.”

Roland Barthes, Fragmentos de um discurso amoroso

(trecho encontrado no blog Acontece Aqui )

Filosofia de bolso: A Invenção da Paquera

from posterous June 17th, 2008

Dica do Gustavo Gitti, via jaiku , no canal Não 2 Não 1:Hoje tem palestra sobre PAQUERA dentro do projeto Filosofia de Bolso do SESC Carmo.

Segui o link para o artigo no Estadão que conta um pouco do evento, que tem nome sugestivo: Filosofia de Bolso. Fragmentos de Um Discurso Amoroso (Martins Fontes, 368 págs., R$ 45,80), obra do filósofo estruturalista francês Roland Barthes (1915-1980) publicada em 1977 e um dos livros favoritos de alguns dos meus amigos, é a base da conversa de hoje.

Responsável pelo primeiro módulo do projeto Filosofia de Bolso – intitulado A Invenção da Paquera -, o biólogo Sandro Caramaschi admite que ‘a paquera é mais ou menos uma invenção ‘. O ato de escolher e conquistar parceiros é realizado a partir de uma conjunção de fatores de diversas ordens – social, cultural, histórica e biológica. A ênfase da apresentação de Caramaschi, que ocorre no Sesc Carmo hoje, a partir das 18h30, será na evolução biológica da paquera.

Docente na Unesp de Bauru, Sandro Caramaschi vai analisar ‘o comportamento natural’ dos relacionamentos, sem se prender apenas às dimensões cultural e individual das pessoas. Sua perspectiva é a da psicologia evolucionista – ele trabalha na zona de cruzamento da biologia e da psicologia, segundo diz.

‘Existem princípios previsíveis na hora de escolher um parceiro ‘, afirma. Caramaschi afirma haver características inerentes ao homem e à mulher. Ele dá um exemplo para cada gênero. O homem se guia pela atração física. Há um padrão no comportamento masculino: a procura de uma mulher com uma cintura que tenha 70% do tamanho do quadril. Já a mulher procura os homens espirituosos, que sabem contar piadas, porque isso é um indício de inteligência. ‘Nessa perspectiva, os homens engraçados seriam mais capazes de arrumar um emprego, por exemplo’, diz Sandro.

Serviço

  • Filosofia de Bolso
  • Sesc Carmo (100 lug.)
  • Rua do Carmo, 147, fone 3111-7000.
  • Hoje, 18h30.
  • Grátis

Japonismo até no SPFW

from posterous, moda June 17th, 2008

Iwi Onodera/Globo.com
A exposição "Sampa Toquio" traz modelos criados pelos principais estilistas do Japão

Comentei aqui que o São Paulo Fashion Week vai ter duas linhas neste ano: Japonismo e sustentabilidade . Lembro-me que no ano passado eles já tiveram algumas ações de marketing que os mostrava mais perto do "politicamente correto" movimento por um planeta sustentável. Acho bom, algum fruto se ganha desta exposição toda.

Para quem gosta deste tema, a Renata, do Moda para usar , postou no Nossa Via ontem sobre o que aconteceu no Fashion Rio. ;)

Estou acompanhando as notícias pelo EGO – que faz a cobertura em tempo real aqui .

O centenário da imigração japonesa no Brasil é o tema do evento este ano, que procura aproximar os dois paises atraves da cultura. Para marcar a data, várias exposições estão em evidência nos quatro cantos – e andares – da Bienal. A "Sampa Tóquio" aproxima os dois países através da moda, trazendo modelos criados pelos mais famosos estilistas do Japão, com Kenzo Takada, Johji Yamamoto, Issey Miyake, Jun Takahashi, da Undercover, Junya Watanabe, da Comme des Garçons, e Toshikazu Iwatano, da Dress Camp.

"O emaranhado de fios que cruza as ruas, as massa de edifícios, o afinco no trabalho e as relações humanas que se desenrolam nas próprias calçadas, fazem com que a vida em cada uma destas cidades se misture e se identifique", escreveu o fotógrafo e arquiteto paulista Cristiano Mascaro sobre a exposição.

P.S. Segundo a wikipedia , Japonismo é a influência de obras artísticas do Japão no Ocidente . Começou a ocorrer por volta segunda metade do século XIX, sendo promovida pelas Exposições Internacionais de 1862, 1867 e 1878, em cidades como Londres e Paris. A gravura, em especial, foi bem criticada por artistas europeus. O Japonismo não deve ser considerado como uma "cópia" do Japão pela Europa, mas sim um encontro entre as duas culturas. A nova concepção plástica foi marcada pela assimetria, ausência de profundidade, cores chapadas, etc. Muitos aspectos dos movimentos artísticos Art Nouveau e Impressionismo não podem ser entendidos sem uma referência aos modelos japoneses. Entre os pintores mais afetados estão Van Gogh, Manet, Degas, Gauguin, Seurat, Mucha e Bonnard.

Hospedaria do Imigrante

são paulo, tradição June 17th, 2008


Nesta semana, por mais que tente, não consigo me desligar totalmente no Centenário da Imigração Japonesa no Brasil. Sou muito ligada às minhas raízes e, apesar da ascendência nipo-teuto-lusitana
(mistureba muito brasileira) este lado é muito forte para mim, pesa mais. Talvez pese muito o fato de, embora com traços faciais amenizados, eu tenha um biotipo muito oriental. Vi isso com exatidão ao visitar o Museu da Imigração em maio. Vejam a foto acima: sou eu ao lado de fotos em tamanho real de japonesas que passaram pela Hospedaria do Imigrante na década de 1930.

Estes orientais, que estão sendo tão festejados e comentados nesta semana, vieram ao Brasil para fazer a América como os bisavós e avós da maioria dos brasileiros. Alguns, como os meus bisavós alemães (Dietzel e Hoffmann) que vieram da Rússia por volta de 1860, nem passaram pela Hospedaria, mas são parte da mesma história.

Mais de 2 milhões de imigrantes chegaram ao Brasil e tiveram sua primeira parada na Hospedaria do Imigrante (Rua Visconde de Parnaíba, 1316, Mooca, Tel. 2692-1866). O Memorial do Imigrante, homenageado nesta semana com o lançamento de um livro (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo em parceria com o Memorial do Imigrante), fica pertinho da minha casa e foi um dos primeiros passeios que fizemos com os meninos quando mudamos para São Paulo em 2005. Lá é possível imaginar e refazer a saga desse povo que com perseverança e trabalho ajudou a transformar nossa realidade no século XX.

Neste ano se comemora os 120 anos da criação oficial da Hospedaria do Imigrante e fomos lá novamente com meus sogros, filhos e netos de imigrantes europeus, para passear com outros olhos. Vimos a exposição de objetos que refaz o ingresso deles na hospedaria (com mapas, locuções e malas e outros objetos que envolviam sua chegada) até a emocionante saída que tem nomes de familias que aportaram ali. Não achei Hoffmann nem Shiraishi, mas achei Sudo, sobrenome de solteira da minha Batian (avó) de Niigata, Japão. Minha sogra, filha de espanhola (da Andaluzia) que completou um ano no navio a caminho do Brasil, se emocionou sobremaneira. E foi belo vê-los mostrando e contando tudo para os netos!

Fizemos o passeio de Maria Fumaça que a ABPF (Associação Brasileira de Preservação Ferroviária) oferece nos finais de semana e feriados. Desta vez foi meu sogro que se emocionou. Sobrinho, irmão e tio de ferroviários, ele cresceu na região que era servida de trens – creio que da Sorocabana – e reviveu experiências de viagens, numa réplica belíssima que a associação mantém. Os voluntários refazem a viagem – curtissima e lenta – num misto de aula de história, relato do que estão fazendo na preservação e a recriação da experiência de viajar de trem como nossos avós, com direito a picotar o bilhete e passar oferecendo revista Cruzeiro. Comentário geral dos mais velhos é que faltava o sanduíche de mortadela e gasosa. huahuahua Eu fiz uma viagem com minha avó e bisavó entre Ponta Grossa e Piraí do Sul uma vez, aos 4 anos, só para ter este prazer, e me lembro nitidamente do sanduíche e da gasosa!

O passeio pelas instalações do Museu nos dá um contexto histórico da Europa em crise e do Brasil em plena expansão e sem mão de obra. Detalhes do prédio e da rotina, regulamentos internos e a preocupação com a saúde dos imigrantes – instalação de serviços médicos, postos de enfermagem e centros de vacinação nos dão a noção da situação de pobreza que a maioria deixou para trás. A parte que mostra os trabalhos mais tradicionais que foram assumidos pelas diferentes etnias é curiosa, refazendo na memória os estereótipos que se criaram na sociedade brasileira.

Estas observações e o registro histórico estão no livro Memorial do Imigrante – A imigração no Estado de São Paulo lançado no dia 15/06 e que traz um panorama da imigração e conta desde a odisséia das emigrações à chegada em São Paulo, passando pelo Porto de Santos e pela travessia da Serra do Mar, quando muitos se assustavam com tamanha exuberância e, receosos de não haver cidade depois da mata, se atiravam do trem na tentativa de retornar a Santos. Resgata, também, parte dos registros das inúmeras histórias guardadas em seu acervo, que se transformam numa grande viagem pela história da imigração para São Paulo. Organizado pela historiadora Soraya Moura, com pesquisa e textos de Odair da Cruz Paiva e Marcelo Cintra de Souza, retrata a realidade de nossos ancestrais.

“Muito se fala sobre imigração de uma forma geral, mas até agora não havia nenhum registro que contasse a história da Hospedaria do Imigrante e mostrasse o que ela significou nesse movimento migratório. Nesse livro, resgatamos tudo o que diz respeito ao prédio e às mudanças ao longo dos anos e aproveitamos para divulgar o acervo do Memorial, já que toda a pesquisa foi feita lá”, comenta Soraya Moura.
A leitura promove o reencontro com a história de nossos antepassados e homenageia aqueles que vindos de lugares tão distantes, fugindo de guerras, de perseguições políticas ou simplesmente da fome, ajudaram a construir o país . Foi na antiga Hospedaria de Imigrante, que hoje abriga o Memorial, que anseios, angústias e expectativas de mais de 2,5 milhões de pessoas de 75 nacionalidades e etnias se entrecruzaram entre 1887 e 1978. Lá se encontram os registros desses trabalhadores que vieram substituir o trabalho escravo na lavoura de café.

P.S. Vi naquele dia que o Memorial do Imigrante ainda é uma hospedaria onde funciona a Associação Internacional para o Desenvolvimento – Núcleo São Paulo (ASSINDES-SP), conhecida como Arsenal da Esperança, uma entidade sem fins lucrativos com caráter beneficente e que abriga homens que não têm moradia, migrantes carentes – principalmente da região nordeste e refugiados políticos. É lá que se pode solicitar alguns documentos para obtenção de dupla cidadania, passaportes, retificação de nome, sucessões hereditárias. O mais comum é a Certificação de Desembarque, que se usa para entre outros.


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