Haru e Natsu
TV February 25th, 2008
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=xoVtryAhuSc]
No ano do centenário da Imigração Japonesa a Band exibe Haru e Natsu – As cartas que não chegaram, uma superprodução da NHK, maior emissora de TV do Japão. (Haru quer dizer primavera e Natsu verão) Contei no meu blog Dekassegui os detalhes da produção, história de duas irmãs separadas pela imigração que começa em 1934 e dura sete décadas, mostrando a luta de quem migrou e a solidão de quem ficou para trás.
“O romance mostra o contraste entre uma mulher dentro de uma grande família e uma mulher solitária. Eu achei que escrevendo sobre o longínquo Brasil, poderíamos ter uma visão melhor do Japão”, afirma a autora da minissérie, Sugato Hashida, de 80 anos e uma das mais renomadas roteiristas de teledramaturgia do Japão.
Identifiquei-me pessoalmente com a história, pois meus avós vieram para o Brasil quinze anos antes do mostrado no seriado, praticamente sozinhos e ainda muito jovens (aos 14 anos), deixando para sempre os familiares no Japão. Minha Batian (avó) ainda manteve o contato por cartas com uma prima durante toda vida, mas meu Ditian (avô), envergonhado por não ter feito aqui a fortuna que prometeu ao pai que faria, simplesmente cortou contato com os Shiraishi de Fukuoka. Contei as histórias deles com mais detalhes no post Por que meus avós migraram.
- Haru e Natsu estréia dia 25/02, às 22h, na Band. A minissérie será exibida em oito capítulos.
Parto anônimo
mãe com filhos February 25th, 2008
No dia seguinte ao Oscar, quando o filme Juno ganhou o prêmio pelo roteiro original e a atriz Ellen Paige concorreu ao Oscar como Melhor Atriz interpretando uma adolescente grávida que decide entregar o bebê para adoção, precisamos rever os conceitos brasileiros sobre a adoção e a obrigação que as mães têm por aqui de ficar com seus filhos não-desejados. (Não vi o filme ainda, mas para quem quiser ler, Lella do Companheiros de Jornada fez uma boa resenha).
O Direito de Família sempre me atrai, considero uma extensão dos direitos femininos pelos quais luto. E neste caminho, cruzo freqüentemente com os posts de Tania, Defensora Pública em Várzea Grande, MT. Hoje ela levanta um tema interessante, ao qual já tinha sido alertada pela Simone Zelner, do De tudo um pouco: o parto anônimo.
O tema não deixa de criar controvérsia, como demonstram os comentários no blog da Simone. De minha parte, sou a favor da vida. Se for para preservar a vida e dar uma chance de conforto material e equilíbrio emocional à criança, melhor. Chegamos num ponto em que recriar a tal “roda” do anonimato nas maternidades até parece uma coisa humanitária!
“O abandono de bebês vem crescendo no Brasil. (…) Para tentar minimizar esse grave problema social, o Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM) vai encaminhar ao Congresso Nacional, no próximo dia 3 de março, um anteprojeto de lei que trata do parto anônimo. A idéia é dar às crianças indesejadas e abandonadas condições para que possam usufruir direitos constitucionalmente assegurados: direito à vida, à dignidade humana e à proteção especial. A proposta prevê que gestantes interessadas em encaminhar seus filhos para adoção recebam tratamento diferenciado nos hospitais, com garantia de sigilo. Passados 30 dias do parto, as crianças seriam encaminhadas a instituições que se encarregariam da adoção.”
Leia o texto completo de Sylvia Maria Mendonça do Amaral, advogada especialista em direito de homossexuais, de família e sucessões, aqui, no blog da Tânia Defensora.
No texto, cita-se o caso de um médico adotado que teve uma boa vida graças à adoção. Eu também conheço casos de adoção muito felizes e que criaram uma corrente, uma nova linhagem de pessoas felizes e campazes de ter uma família feliz e de ser bons cidadãos porque foram queridos.
A história deste abandono é antiga. Em novembro postei no Meu Clipping um artigo que comentava a pesquisa de Rosane de Albuquerque Porto, da Universidade do Sul de Santa Catarina. A pesquisadora conta que o assunto lhe chamou a atenção ao ler a obra do escritor carioca José Vieira Fazenda entitulada A roda e se tornou tema de dissertação de mestrado.
O Brasil também adotou a prática no século XVIII nas Santas Casas de Misericórdia, extinta apenas no governo Getúlio Vargas. (…) “Me impressionou por mostrar a questão do abandono de crianças relacionado a um mecanismo trazido da Europa para cá para resolver um problema daquela época que acontece agora”, afirma a pesquisadora. (leia a matéria completa aqui)
E você, é contra ou a favor o parto anônimo?
[update] Não tem a ver com parto, mas como é sobre família (violência familiar), deixo uma dica de leitura: Violência doméstica. Até quando vai ser natural? no blog da Carla.
Direitos para um mundo mestiço
política February 25th, 2008
É segunda-feira e, como sempre, tem artigo meu no Nossa Via. Hoje divaguei sobre os mitos políticos, partindo de Obama e passando por Lula, Fidel, Blair e até Diana (vi o filme A Rainha há poucos dias). Apesar de ter sido uma pessoa de fé política em outras eleições, hoje vejo que não há mais espaço para o maniqueísmo, os bons e maus candidatos (se bem que George W. Bush tem se empenhado para se colocar num destes lugares), mas sim para o que nós buscamos ver de nós e nossas misérias e necessidades nos candidatos reais, como Obama e Hillary.
A revista Época trouxe um perfil do “candidato a candidato” democrata Barak Obama. Interessante, confesso que me identifiquei com ele, fruto de uma mestiçagem rara em seu país, que envolve várias religiões, etnias, continentes e que se assemelha à história familiar de muitos brasileiros.
Leia mais no Nossa Via clicando aqui. Quero ler sua opinião lá!
O arte do mito no Masp
pintura, são paulo February 25th, 2008
“O mito é o nada que é tudo, diz o primeiro verso do poema dedicado a Ulisses por Fernando Pessoa e impresso no único livro que o poeta viu publicado em vida, Mensagem – o mesmo onde se lê a mais conhecida passagem lembrando que tudo vale a pena se a alma não é pequena. O mito é uma forma do sentido. Uma das primeiras formas do primeiro sentido, da primeira grande narrativa que o homem se deu. A definição aristotélica do homem como um animal político é apressada ou secundária (ou nunca foi bem entendida). O homem é, antes de mais nada, um animal que se conta histórias, é isso que o diferencia entre as espécies. Um animal que se conta várias histórias e a história da política é apenas uma entre elas e não a mais importante.” Estas são as palavras com que o curador do Masp, Roberto Teixeira Coelho, apresenta a exposição A arte do Mito.
Estivemos no Museu no sábado, a convite dos meus filhos, que queriam oferecer “um programa especial de presente de aniversário” para o pai. Foi mesmo, nos encheu de beleza, mas sobretudo nos levou à reflexão. Quem já se deparou com as perguntas das crianças diante do que retratam as obras de arte entende o que eu digo. Quem não esteve, tente imaginar o que a série “Retirantes” de Cândido Portinari (na exposição Arte moderna e contemporânea brasileira do programa com artistas brasileiros reconhecidos), as luxuosas representações de arte italiana renascentista sobre a glória das Sagradas Escrituras (na exposição A Arte Religiosa com obras-primas da arte do século XIV à contemporaneidade) ou os generosos corpos nus com rostos delicadíssimos de Auguste Renoir (da Coleção Masp) trazem de questionamento a quem tem olhar singelo e inocente. Por que eles estavam viajando? Eram muito pobres? Jesus tinha este dourado na cabeça? E a mulher era gorda mesmo? Eles nos questionam os valores da sociedade, exatamente aqueles aos quais já nos habituamos.
Já contei aqui que Enzo se encanta com a mitologia. Agora imaginem vários mitos greco-romanos, entrelaçados nas obras de arte, permitindo-nos rever os conceitos que são passados por gerações ou alterados por elas, ao vislumbrarmos a mesma cena mitólogica (de Eros, Afrodite, Hera, Dionísio, com nomes vários) sendo representados por artistas de épocas distintas, que deixaram seus preconceitos e sua realidade impressas na sua visão do mito. Rendeu muita conversa e uma preocupação imensa dos “guardas” do Masp, que não entendiam bem porque levantávamos a toda hora as crianças para verem tudo. Nesta exposição, que está no fundo do segundo andar do masp, vê-se bem o homem como ser político -ou não- do começo do texto do curador. E foi impossível não ter até com as crianças uma conversa sobre as motivações políticas que algumas obras continham. Em tudo que retrata a humanidade há uma forma de política. A Vênus Vitoriosa (escultura de Renoir) que ostenta a maçã de ouro, prêmio de sua vitória na competição de beleza com Hera e Atena, arbitrada por Páris, ganhou graças ao acordo para conquistar Helena de Tróia. Em tudo parecemos animais políticos sim, mas capazes de ver e sonhar a beleza até na feiúra do comportamento degradado dos deuses antigos.
Serviço:
- Exposição A Arte do Mito
- Local MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand
- Av. Paulista, 1578 – Cerqueira César – São Paulo – SP
Data: De 3/10/2007 a outubro de 2008
- Horário terça-feira a domingo e feriados, das 11h às 18h; quinta-feira até 20h.
(A bilheteria fecha com uma hora de antecedência)
- Ingresso R$ 15 (inteira) e R$ 7,00 (estudante), gratuito para menores de 10 anos e maiores de 60 anos.
- Dia Gratuito Todas as terças-feiras entrada gratuita até as 18:00 horas
Identidade Própria
A Vida Como A Vida Quer February 25th, 2008
Se tem uma coisa muito estranha para mim, como jornalista, é ser tema de algum texto. Ser entrevistada é ainda pior. Lunna Guedes conseguiu a proeza de fazer ambos comigo neste começo de ano – a entrevista em formato ping pong ainda não saiu, mas minha “apresentação” está no blog Identidade Própria, com um título que não sei se Lunna escreveu como provocação ou elogio (na dúvida, opto pelo segundo): Politicamente Correta.
Outro dia conversava com uma ex-colega de segundo grau que me conhece relativamente bem (se bem que, como acontece nestas amizades antigas, carrega uma visão sobre mim que estacionou nos nossos 16 anos). Ponderávamos que não temos uma visão real do que somos e eu creio que por isso achamos que os “retratos” não nos cabem. Na verdade, somos vários e o outro, com sorte, nos entenderá como uma junção de vários retalhos, num patchwork que pode ser belo. A escolha é tanto nossa – nas nossas atitudes – quanto do outro – na sua capacidade de sair de si e de seus preconceitos para nos ver como somos realmente.
Enfim, um dos meus retratos está lá. Visitem se desejarem. E no perfil tem uma notícia que ainda não contei aqui: fui convidada para ser a editora-chefe do Nossa Via.








