O tempo
Postado em Mãe com filhos no dia 20/02/2008
A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal…
Quando se vê, já terminou o ano…
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado…
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas…
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo…
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.
P.S. Vi este texto outro dia no blog da Elisabete e hoje, no segundo dia cheio de reuniões e textos, veio a calhar. Vou usar o pouco tempo que tenho antes do dia 20 acabar para ficar com meus amores. Um deles tem como dever de casa estudar palavras irregulares com S para o ditado de amanhã. Lembram-se de quando as grandes preocupações do dia eram as novas palavras nos ditados?
Adoro Quintana, mas a frase dele que mais adoro é:
Eles passarão, eu passarinho!
Jane Austen
Postado em A Vida Como A Vida Quer no dia 20/02/2008
Já que falei em literatura inglesa, a Lunna escreveu sobre Jane Austen e como me citou – eu sou a amiga que está lendo Persuasion no original – eu deixo o link, porque ela faz um delicioso compêndio sobre a influência de Austen no cinema. Eu comprei o livro, mas é possível ler on line aqui. E você pode ler todos os romances de Jane Austen neste site.
Eu não sonhei com Darcy, na verdade não tinha ouvido falar desta escritora antes da faculdade. Mas os filmes Orgulho e Preconceito e Razão e Sensibilidade me deixaram encantada com o mundo dela. E há pouco tempo vi o filme A Casa do Lago, no qual a personagem cita o livro. Bastou para que eu tirasse da estante o livro que comprei num impulso na Fnac por míseros 5 reais e não tinha lido. Ah!, vejam como o cinema é: na mesma ocasião eu tinha comprado Mrs. Dalloway, de Virginia Wolf por causa do filme As Horas.
Macbeth
Postado em Comportamento no dia 20/02/2008Shakespeare soa erudito demais para muita gente. O teatro carrega o mesmo estigma. Um release que recebi agora parece ser a chance de mudar de idéia sobre isto, pois o patrocinador da montagem de Macbeth – A peça escocesa está oferecendo uma sessão aberta no dia 22 de fevereiro, às 21h, no Teatro João Caetano. 438 ingressos serão disponibilizados gratuitamente na bilheteria do local uma hora antes do espetáculo (são 2 convites por pessoa).
A tragédia shakespeariana traz à tona temas como ética, política e traição, questionando a natureza humana e a busca pelo poder. No elenco estão Evandro Soldatelli e Renata Zhaneta ? que ganhou o prêmio de melhor atriz da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) 2007 por sua interpretação na peça. A estréia da montagem neste ano coincidiu com o aniversário de São Paulo e na época divulguei em detalhes em MACBETH – A Peça Escocesa.
Você conhece esta história?
Ao voltarem de uma batalha vitoriosa, os valentes generais escoceses Macbeth e Banquo encontram no caminho três feiticeiras que lhes fazem a seguinte profecia: Macbeth se tornará rei um dia e Banquo será o pai de uma linhagem de reis. Instigado por sua ambiciosa esposa, Macbeth mata o rei Duncan, que estava hospedado em seu castelo, e faz com que a culpa recaia sobre Malcolm, filho de Duncan. Por ser o próximo na linha de sucessão, Macbeth é coroado rei.
A partir daí, ele passa a eliminar todos aqueles que representem uma ameaça ao seu poder, a começar por Banquo. Protegido por uma nova profecia, que o torna imbatível, Macbeth aterroriza a todos, até ver-se cercado por forças invasoras, lideradas por Malcolm, que veio para recuperar o trono e reestabelecer a ordem.Lady Macbeth é uma das maiores vilãs de todos os tempos!
A história, disponível em livros traduzidos por todo o mundo, foi escrita nos anos da maturidade do autor, entre 1605 e 1606, segundo li no blog 100 livros para ler. De lá também é a dica deste pocket book da Coleção L&PM Pocket, com preço sugerido de 9 reais! Helô apresentra resenhas de outras obras shakespereanas, vale a pena conferir:A tempestade, O Rei Lear, Hamlet,Muito barulho por nada (minha favorita), A megera domada e Sonhos de uma noite de verão.
Não sou fã nem entendo tão bem a obra dele, mas Macbeth era um dos livros da biblioteca da minha mãe – na versão em português-, mas admito que os conflitos dos personagens são imortais e as histórias, mesmo trágicas, continuam a nos envolver. Quando comecei a aprender inglês de verdade (na prática, fora da escola de inglês que frequentava duas vezes por semana, na convivência com amigos intercambistas do Rotary Club), me disseram que eu precisava ler Shakespeare no original um dia. Não comprei, mas hoje os e-books de obras classicas (e já sem direitos autorais) nos ajudam muito. Macbeth pode ser lida no original aqui.
O cinema já fez várias adaptações, sendo uma delas do cineasta japonês Akira Kurosawa (1957) e o norte-americano Orson Welles (1948). Mas vários europeus se dedicaram a ela, como o italiano Mario Caserini (1908), o austríaco Richard Oswald (1921) e o polonês Roman Polanski (1971). Faltou uma versão tão boa quanto a de Muito Barulho Por Nada, de Kenneth Branagh (um dos maiores intérpretes de Shakespeare na atualidade), não é mesmo?
Serviço:
- MACBETH – A Peça Escocesa
- Local: Teatro João Caetano – Rua Borges Lagoa 650 – Vila Clementino; tel (11) 5549.1744.
- Horários: sextas e sábados às 21h; domingos às 20h
- Temporada: de 25 de janeiro a 02 de março de 2008.
- Ingressos (fora desta promoção): R$ 15 (inteira); R$ 7,50 (estudantes, aposentados e portadores de deficiência, clientes do Banco Nossa Caixa que apresentarem o cartão do banco no ato da compra do ingresso).
Cremação
Postado em Comportamento no dia 20/02/2008
O tema é estranho, mas passei as últimas horas falando dele com Giorgio. Hoje pela primeira vez em sua vidinha de 5 anos e 4 meses ele foi ao velório de uma pessoa da família, um tio-avô do Gui. Estes eventos no geral são oportunidade para nos encontrarmos com pessoas da família ou amigos há muito deixados para trás na correria do cotidiano e hoje não foi diferente: primos de segundo grau, suas famílias, os tios mais velhos. Sensação boa de estar com gente querida num momento importante.
Na minha infância os velórios eram situações cheias de sussuros, com velas, coroas de flores (que eu achava fedidas) e pessoas em romaria beijando as mãos do morto. Nunca gostei disto. Prefiro celebrar a vida de quem vai. No enterro de minha Batian (avó) minha prima Leninha, que na época tinha 12 ou 13 anos, teve um gesto que ficou marcado em minha memória. Ela pediu para ler uma poesia antes de descerem o túmulo. Parece-me que a Batian ia com mais leveza para o espaço que comprara no cemitério onde estava enterrado o Ditian, um túmulo de granito negro com kanjis japoneses do nosso sobrenome e que repousava à sombra de uma bela árvore.
Na minha família japonesa a morte é encarada com mais naturalidade e depois destes eventos sempre há uma confraternização. Este costume choca algumas pessoas, mas a chance de conversarmos mais longamente com pessoas queridas, se inteirar de sua vida atual e relembrar momentos com aquele de quem nos despedimos é rica e reconstrói relacionamentos.
Mas hoje não era a família japonesa, era o lado da ascendência espanhola do Gui. Em certo momento a situação me lembrou o personagem do Orlando Bloom (Drew Baylor) no filme Elizabethtown. O vazio de decidir o que fazer com as cinzas do pai, os reencontros com familiares que não reconhecemos, a estranheza dentro daquilo que, infelizmente, deveria ser familiar e emocionante são sentimentos que percebo nestas situações. Estivemos no Crematório da Vila Alpina e confesso que foi meio assustador ver o caixão subir por um elevador, vindo de um espaço no centro do ambiente na sala circular onde acontecia a cerimônia ecumênica*. O nome da cerimônia não condizia a situação, porque nada tinha de religioso.
Nós, os familiares, nos sentamos lá e ficamos em silêncio, ouvindo Quatro Estações do Vivaldi (que Giorgio adorou) e, como dizia num cartaz pregado à porta de entra, “O silêncio é foi uma forma de prece“. Gui (lembrando-me muito a postura de seu pai) pensou em se levantar e falar algo, mas não o fez, nem ele se sentiu à vontade. Fizemos em silêncio nossas orações e fiquei espantada com a sensibilidade que o Giorgio demonstrou, preocupando-se sinceramente com o “último tchau” e com os primos que choravam a perda do avô. Nestes momentos aprendemos a ser gente e só é possível fazê-lo na vivência pessoal. Vi que meu filhinho já aprendeu.
* No Dicionário Aurélio ecumenismo é um movimento que visa à unificação das igrejas cristãs (católica, ortodoxa e protestante). A definição eclesiástica, mais abrangente, diz que é a aproximação, a cooperação, a busca fraterna da superação das divisões entre as diferentes igrejas cristãs.