Arquivo: February 17th, 2008

Tropa de Elite leva Urso de Ouro

Postado em A Vida Como A Vida Quer no dia 17/02/2008

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urso-de-ouro.jpgConfesso que, além do Oscar, até vejo alguns discursos do Golden Globe ou Emmy, mas não me habituei a acompanhar os festivais do cinema europeu. Falha imensa da minha parte, eu sei, mas minha educação cultural é muito estadunidense, como diria meu irmão. Ontem esta falha me penalizou, pois só hoje de manhã, ao abrir a Folha de S. Paulo soube que o Tropa de Elite conquistou o Urso de Ouro de Melhor Filme no Festival de Berlim.

Vi o filme como muitos brasileiros, numa cópia pirata que um colega de trabalho insistiu em emprestar e veio a calhar quando Myla me provocou num comentário do Nossa Via a escrever sobre o tema. Eu estava lendo Rota 66 de Caco Barcellos (já lera O Abusado, do mesmo autor) e tudo conspirou para eu aceitar o empréstimo – entendam, é uma missão hercúlea ir ao cinema quando se tem filhos pequenos e tempo livre só no final de semana em que a empregada não está disponível.

Gostei do filme, creio que já comentei aqui. O elenco global, como sempre, ajuda e a produção mostra a que veio. José Padilha, até então diretor de um único filme, o documentário Ônibus 174, pareceu-me acertar em cheio no que ele diz ser um retrato, como afirmou no discurso ontem em Berlim:

Ônibus 174 mostra como os garotos de rua no Brasil são levados à violência e Tropa de Elite mostra como o Estado transforma pessoas que entram para a polícia em seres humanos corruptos ou violentos“.

Se eram estes os objetivos, ponto para ele. Fico feliz que ele não tenha discursado afirmando que o filme retrata o Brasil, porque este tipo de afirmação me tira do sério. O Brasil é feito de gente boa, trabalhadora, séria, eventualmente ainda muito parecida com o “homem cordial” do Sérgio Buarque de Holanda, meio malandra como o “Zé Carioca” que Walt Disney criou, mas sobretudo um povo tão eclético em seus costumes e na sua cultura que não merece ser estigmatizado como um povo da favela e da miséria humana, apesar da grandeza de filmes como Carandiru, Cidade de Deus e Central do Brasilaté ontem o único filme brasileiro a ganhar, dez anos atrás, o Urso de Ouro.

Fiquei com a pergunta na cabeça: que legado cultural estes prêmios e filmes nos deixam?

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