E o carnaval japonês
Postado em Cotidiano e sociedade, são paulo no dia 03/02/2008
Para não parecer que odeio e estou boicotando o carnaval, eu postei agora no Nihon Nikkei -Movimento Dekassegui fotos e texto sobre o desfile da Unidos de Vila Maria, que homenageou o centenário da imigração japonesa com o samba “Irashai-mase, milênios de cultura e sabedoria no centenário da imigração japonesa“. Gostei especialmente de uma frase da canção: Com a imigração, somos filhos de uma só nação Não há frase mais verdadeira para descrever a mistura e a integração do povo brasileiro, por isso, quando me chamam de japonesa, falo com orgulho que sou brasileira. Neta de japoneses (sansei), bisneta de alemães-russos, mas sobretudo brasileira. Aliás, quando presenciei um carnaval japonês de verdade, na época dos matsuris (festivais regionais que acontecem no verão) com desfiles de escolas de samba em Asakusa, Tokyo, me fez ver como somos brasileiros e como esta cultura, com a qual nem sempre me identifico, é linda e também é minha! Quer ler mais? Carnaval de São Paulo homenageia imigração japonesa e Duas musas japonesas no Carnaval de São Paulo.
Números para pensar
Postado em Comportamento no dia 03/02/2008
Não quero ser chata só porque não sou apaixonada por carnaval, mas num domingo em que só se ouve falar das caras, bundas e selinhos (e pensar que desfilar comportada é um desafio!), achei uns números interessantes na sobre o Brasil. E não são sobre os valores gastos pelos ministros Orlando Silva e Matilde Ribeiro com cartão de crédito corporativo do Governo, que, aliás, já anunciou tarde mudanças nas regras para uso. (este tema deixo para Letícia Coelho e Fábio Mayer tratarem). São para pensar no país que temos:
MORTALIDADE INFANTIL
- 20 …é o número de crianças que morrem antes dos 5 anos no Brasil, para cada mil que sobrevivem. Isso põe o país um pouco à frente da China e um pouco atrás da Romênia
- 57 …era a taxa do Brasil em 1990. A melhora representou um ganho de 27 posições no ranking mundial
TRABALHO ESCRAVO
- 5.877 …é o total de trabalhadores libertados de situação análoga à escravidão em 2007. É o maior número desde 1995, quando esse tipo de fiscalização começou
- 25.000 …pessoas no país ainda trabalham em “condições degradantes”, com remuneração precária e cerceamento de liberdade
ACIDENTES
- R$ 20 bilhões …é o prejuízo anual que os acidentes de trânsito causam ao país, segundo o ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Com base em números como esse, o governo proibiu a venda de bebidas alcoólicas em rodovias federais
- R$ 40 bilhões …é a perda de arrecadação estimada com o fim da CPMF. Sem acidentes, 35 mil vidas seriam salvas todo ano – e metade do problema de caixa do governo estaria resolvida
P.S. Com a confusão do uso do cartão corporativo do Governo, descobri o Portal da Transparência. Vale a pena passar por lá às vezes.
[update] Em 11/02 O Bem Amado (o uso do nome da novela do Odorico Paraguaçu é um trocadilho que precisa ser lido lá) Cartão Corporativo no Nossa Via.
Por que não nos incomodamos mais com o que fazem com o nosso dinheiro? Será que não nos consideramos donos?
Congo
Postado em Comportamento no dia 03/02/2008 Ainda se fala na Segunda Guerra Mundial como um conflito sem comparação na história moderna. Como descendente de japoneses e alemães, não posso negar a gravidade e a importância daqueles eventos. Talvez por esta ascendência (meu marido sempre fala brincando para mim que falou pouco para eu ser o próprio Eixo, falha que ele completou com sua ascendência italiana), não deixo de olhar para eventos recentes em que a humanidade caminha para erros de julgamento tão graves quando aqueles. Nesta semana a revista Época tem uma nota sobre a República Democrática do Congo. Segundo informam as estimativas sobre o número de mortos durante os seis anos da Guerra do Congo saltou de 4 milhões – embora historiadores e ativistas falavam em 30 mil pessoas por mês – para 5,4 milhões de pessoas. O novo número foi divulgado pelo Comitê Internacional de Resgate e inclui dados sobre os congolenses mortos mensalmente depois do cessar-fogo, cerca de 45 mil, sendo que metade são crianças! O site BBC para Africa confirma as informações.
(Se tiverem estômago, googlem e vejam algumas mas imagens. O Guardian tem uma série de fotos tristes e belas tiradas em 2001.)
Tento ser informada, mas me surpreendi com minha ignorância sobre alguns dados daquele país divulgados na nota da revista:
Com 63 milhões de habitantes, a República Democrática do Congo é um dos maiores países africanos. Sua floresta tropical é a segunda maior do mundo (só menor que a Amazônica), abundante em diamantes, ouro e cobre, entre outros minérios. Apesar da riqueza em recursos naturais, a taxa de investimento em saúde é uma das mais baixas do mundo: US$ 15 anuais por pessoa. A média brasileira em 2005, por exemplo, era US$ 206. No relatório da Situação Mundial da Infância 2008 do Unicef, o país ocupa a nona pior colocação em mortalidade infantil.
Sinceramente, não entendo como algumas pessoas conseguem conviver com os eventos históricos com tanta piedade e se chocar tanto com notícias sobre tragédias individuais e ao mesmo tempo fingir que situações como esta que o povo do Congo (e outros países africanos ou não) vive passem por uma nota fictícia no intervalo das novelas que a Globo transmite toda noite. Não estará se esvaindo de nós a condição humana quando adotamos esta postura?
*Em História, Eixo refere-se a um dos contendores da Segunda Guerra Mundial. Seus inimigos eram os Aliados. Encabeçado pela Alemanha de Adolf Hitler, pela Itália de Benito Mussolini e pelo Japão de Tojo Hideki e do Imperador Hirohito, seus membros se referiam a ele como “Eixo Roma-Berlim-Tóquio”. Além destas três nações principais, faziam parte outras menores. (fonte Wikipedia)
